Delações em cadeia… Sim, claro, na Cidade do México!

Tradução ao português realizada por Anhangá da carta do ex-anarquista Mario Lopez Tripa refletindo e fazendo duras críticas à “cena” anarca já morta no México. Tripa fala sobre algumas coisas que lhe aconteceram desde que lhe sucedeu um acidente com um explosivo que portava além de falar também de sua vida prófuga e o mar de merda anarquista que integrantes da cena-morta tem disparado contra a sua pessoa, principalmente delações e fofoquinhas, e não só a ele, mas contra alguns outros indivíduos que são excessão dentro deste abismo de lixo que é a doutrina anarquista moderna.

Tanto no México como em outras partes do mundo o anarquismo moderno tem desabado sob a sua própria estrutura que é recheada de hipocrisia, traições, delações, dupla-moral, covardia, acomodação, espetáculo, exibicionismo, delírios messiânicos-utópicos, falsa solidariedade, drogas e outras posturas nojentas, e Tripa que foi vítima desta “cena” decidiu fazer a sua primeira declaração pública sobre o assunto e promete outras mais. Tal qual como Kevin Garrido no Chile e vários outros, temos visto mais e mais anarquistas (ou ex-anarquistas) manifestarem-se contra esta “cena” e romperem com os seus valores e moldes, distanciando-se de tudo o que representam e partindo para um outro patamar de conflito, longe disso tudo, mas nunca sucumbindo e dando seguimento à guerra. Queremos dizer que igualmente a Maldición Eco-extremista nós do blog Maldição Ancestral declaramos também cumplicidade a Tripa e faremos todo o esforço possível para traduzir ao português e difundir as suas manifestações.

Seu comunicado serve tanto para o México como para o Brasil, Chile ou qualquer outro país do mundo onde a doutrina anarquista tenha passado. Aqui neste lado do mundo o anarquismo que já nasceu morto jaz há tempos, apodrecendo mais e mais a cada dia, também recheado de tudo que foi mencionado e das mesmas coisas que enojou a Tripa, portanto MISANTROPIA E NATUREZA SEMPRE!

Ânimo prófugo criminoso!

Pela ruptura das crenças tradicionais e pelo conflito misantropo!

Maldição Ancestral blog.

_________________________________________________________________________

Durante muito tempo temos dito que o anarquismo moderno está podre, que esta doutrina política está caindo por seu próprio peso e isso não é mentira. Já faz algum tempo que evidenciamos que a suposta “solidariedade” implementada por certos grupos “anticarcerários” é mais que uma mentira hipócrita, que a “fraternidade” e “camaradagem” são puras merdas ditas da boca para fora, e que o feliz (sarcasmo) movimento se baseia na delação, na dupla-moral e nas aparências superficiais de seus representantes mais importantes (com exceção de alguns exemplos honrosos). Desta vez fazemos pública a carta do individualista Tripa do México. Suas palavras e sua vida agarrada à conflitividade é um destes honrosos exemplos.

Tripa que era uma das pessoas mais comprometidas do movimento anarco no México aparece para esclarecer muitos aspectos de sua situação (distanciando-se da “vitimização ativista”), revelando a merda na qual está submersa a cena anarca não só no México, mas internacionalmente…

E antes que os juízes anárquicos comecem sua cerimônia de caça às bruxas queremos dizer que Nosso apoio sempre estará com os individualistas que rompem com estes moldes convencionais de “lutas” e que mesmo vendo-se “isolados” de seu próprio movimento e “companheiros”, lançam-se ferozmente contra seus inimigos, demonstrando sua coerência individual.

Assim como na época fizemos com o individualista Kevin Garrido no Chile, hoje, desde Maldición Eco-extremista, declaramos nossa completa cumplicidade com o mano Mario Lopez Tripa, que mesmo em fuga segue seu caminho incansável de confrontação.

Ânimo prófugo criminoso!

Hoje como ontem gritando aos 4 cantos:

MISANTROPIA E NATUREZA SEMPRE!

Maldición Eco-extremista blog

_________________________________________________________________________

Carta Pública de Mario Lopez Tripa

“O que se interponha em nosso caminho, derrotaremos”.

Antes de mais nada, uma enorme e cordial saudação.

Faz pouco mais de cinco anos e meio que acidentalmente me explodiu uma das bombas que eu portava. Felizmente era a bomba menos poderosa e que seria destinada aos escritórios do partido político PRD (a outra seria para uma das sedes do PRI. Naquele momento não me importava merda alguma qual partido político fosse, se tivesse existido o Morena igualmente eu teria atacado sua sede). Foi na noite de 26 de Junho do ano de 2012, apenas um dia depois do meu aniversário. Os policiais investigativos que me custodiavam no hospital diziam que o melhor presente que eu pude me dar foi o acidente.

A razão pela qual me explodiu a bomba, motivo que até agora havia sido um mistério e uma fofoca no interior do movimento anarquista e do espectro insurrecionalista que, segundo a vox populi, oscilava entre “ter feito uma bomba ruim ou sob pressão ou que a pessoa de nome Felicity Ryder e eu fazíamos competições sobre quem colocava mais bombas e por isso me explodiu (fofoca que até os dias de hoje circula nos círculos anarquistas do D.F., e que unicamente trouxe coisas prejudiciais a mim), que explodi a bomba intencionalmente, etc.”… não foi outro motivo a não ser o seguinte: que acionei a bomba em um lugar inadequado, ou seja, que a acionei próxima a um transformador elétrico, portanto, ao passar por debaixo deste o campo eletromagnético que emerge foi suficiente para esquentar o filamento da lâmpada de 1,5 volts e isso detonou a dinamite em pó. A segunda bomba não explodiu porque naquele momento eu ainda não havia conectado o interruptor-circuito. Mas este erro foi devido a uma distração que eu tive, uma distração que jamais perdoarei ou ignorarei.

Agora sim vocês podem dormir tranquilos, o dilema está resolvido, não há mais nada que dizer a respeito.

No entanto, esta carta não é apenas para esclarecer porque me explodiu a bomba, mas também para notificar a audiência de telespectadores anarquistas sobre uma situação que tem acontecido ao longo destes anos que tenho estado fora do alcance da justiça do Estado. Sem mais delongas, trata-se de uma delação, uma de muitas, usando o exemplo que irei expor para arrancar a reflexão ou a ação energética sobre aqueles que não precisam ser minimamente torturados para delatar a companheiros anarquistas ou fofocar sobre eles para assim colocá-los em um risco latente.

Há duas coisas que discutirei nesta carta, comunicado público, choro ou o que você quiser chamar. Desculpe se parecerei arrogante, duro ou agressivo, mas literalmente estou cagando para o que pensa a respeito; estes qualificadores serão atribuídos dependendo de seu estado de humor, de seus sentimentos de inferioridade, de sua baixa auto-estima, de seus preconceitos, de sua ideologia de merda ou de sua maneira de ver as coisas que irei expor, de sua perspectiva ou sua crítica concentrada. O que passará é que pouparei conversa fiada e irei direto ao assunto.

Delações em Cadeia

Bem, já faz mais de um ano que um indivíduo anarquista que durante os últimos anos da época dos anos 90’s até a metade do ano 2000 esteve preso por causa de um “crime comum”, em um par de assembleias abertas (pelo que eu sei, realizadas no interior da Biblioteca Social Reconstruid), afirmou que a Cruz Negra do Distrito Federal disse que “os compas que estavam em fuga (referindo-se a Chivo e a mim) estávamos apenas passeando de (disse o lugar) a (disse o outro lugar) com o dinheiro que nos era dado em apoio, para que com isso pagássemos nossas viagenzinhas do México a países da América Central, ida e volta.

Antes de mais nada quero deixar claro que NÃO me consta que a CNA emitiu tal afirmação delatora, mas SIM me consta que estas palavras saíram da boca deste indivíduo que é amigo e companheiro da CNA-DF e me consta não por uma, mas por várias versões de diversas pessoas que nem se conheciam entre si, mas que estavam presentes naquelas assembleias abertas. E eu sei disso porque o conheço e sei que tipo de pessoa ele é.

Antes disso, tenho algumas coisas a dizer, sempre assumindo o risco existente ao fazer este tipo de esclarecimento de maneira pública. Embora no fim das contas um companheiro preso ou em fuga tenha que dizer coisas que de alguma maneira possam prejudicar nem sempre é sua culpa como muitos querem ver, mas é uma responsabilidade coletiva que cabe ao movimento anarquista, já que graças a alguns bocudos, muitos compas se sentem e nos sentimos pressionados a emitir tais respostas -especialmente quando os que compõem o “movimento” anarquista e pior, o espectro insurrecionalista, não fazem nada em relação a este tipo de infâmias e este tipo de indivíduos. A maioria dos insurrecionalistas passam o tempo escrevendo slogans em seus comunicados pomposos e realizando ações para não perder seus postos na cena-espetáculo, mas quando se trata de usar armas para dar uma lição nos delatores e faladores ninguém faz nada, ninguém faz nada pelo simples fato de que todos são uns acomodados, de que lhes importa muito suas imagens, status, a imagem de seus grupos anarco-punks de música revolucionária e coisas do tipo. Então, onde fica a chamada Solidariedade Revolucionária da qual tanto falam os insurrecionalistas? A Solidariedade Revolucionária se reduz unicamente a comunicados, explosões de bombas e expropriações ou ações chamativas para tornar visível o micro-mundinho irreal anarquista?

Aqui está o que tenho que dizer:

Primeiro. Dinheiro de quem que andamos gastando? De seus amigos da CNA-DF que te protegem? Quando diabos você me deu algum dinheiro para que eu colocasse algum alimento em minha boca? Você sabe o que disse? Se tinha essa dúvida, porque você nunca me enviou uma carta pessoal, covarde de merda!!!!!??? Covarde de merda que nunca disse nada na minha cara e fica falando merda de mim quando sabe que não me é tão fácil te colocar no seu lugar? Por que quando soube que eu sabia ao invés de botar a cara você foi para Guadalajara fingindo estar em Tijuana e vice-versa e com certeza seus guarda-costas te ajudaram a ir aos EUA. Saiu correndo com medo de quê? Além do mais, por muito tempo eu (não sei o Chivo) não recebi nada do movimento anarquista a não ser pura merda, muito menos dinheiro.

Segundo. Este tipo de papinho só põem em perigo os compas em fuga ou na prisão, porque independente do que seja verdade ou não, as informações passadas sempre criam uma reação de delação em cadeia, já que uns falam e outros reproduzem, mas no final tudo se deforma e cai em informações que podem unicamente ajudar a polícia a localizar os companheiros em fuga ou engordar os registros e investigações contra companheiros na prisão.

Não satisfeito em dizer estas coisas sobre nós dois (sobre Chivo e eu) este cara fala sobre alguns indivíduos que no passado, isto é, na minha vida “legal”, foram meus companheiros de luta (entendendo isso como uma diversidade de maneiras de intervir) e vida. Este cara os acusa de “pegar dinheiro do grupo (xs compas) para nossas viagenzinhas”. Esquecendo que a fuga é sempre um movimento constante -mesmo que seja para ir às compras em Chiapas para depois vender algumas roupas usadas- Tais declarações obviamente colocam em risco aqueles indivíduos que desde que eu parti nunca mais voltei a vê-los e muito menos soube deles. Os põem em risco uma vez que essas falações e “indiretas” podem produzir uma investigação contra estas pessoas por obstrução de justiça, uma investigação que, embora parta de uma investigação própria do Estado, eles a poderiam assumir como uma consequência da luta, mas uma investigação assim não poderia ser assumida como tal quando esta tem como raiz a jactância de um indivíduo que quer se destacar entre os demais jovens e impressionar as garotas.

O que fazer com indivíduos como o deste caso? Como lidar com eles ou fazê-los refletir? Teremos que retornar aos velhos códigos revolucionários ou a reflexão é suficiente?

Felizmente, hoje, tenho ânimo apenas para descrever esta situação, no entanto, há muitas, mas muitas situações e muitos indivíduos e indivíduas que ao longo destes anos, desde que me explodiu a bomba e desde que eu fugi, não fizeram mais nada a não ser falar coisas que colocaram eu e a outras pessoas em risco, não fizeram nada além de inventar fofocas, falar merda…. mas não me desanimo muito porque a cada problema uma solução e pouco a pouco as coisas vão brotando.

Por último uma anedota, espero que lembrem-se

Poucos dias antes de eu partir de minha cidade encontrei a uma de minhas advogadas (neste momento eu ainda estava em uma situação “legal”, isto é, não estava em fuga da justiça do Estado, esclareço!!!). Ela me disse que dias antes foi ao Tribunal Federal (que ordenou minha segunda prisão no dia 20 de Janeiro de 2014) para solicitar uma prorrogação de mais alguns dias para que eu comparecesse para assinar. Durante essa visita, a juíza, além de cordialmente me convidar a comparecer por vontade própria disse-lhe que eu já estava bem fodido (ela utilizou esta palavra) já que após a minha detenção duas mulheres de nacionalidade espanhola tinham ido falar com ela e haviam dito tudo sobre mim, haviam falado tudo (eu realmente não sei o que é “tudo”) e tinha me “afundado”. Em um primeiro momento nós duvidamos já que esta “info” vinha de uma servidora do Estado. Posteriormente, na paranoia, pensamos que foram as compas Amellie e Fallon que no meio do que aconteceu, que foi muito forte, disseram coisas (que na verdade eu não sei o que poderiam realmente dizer), mas, finalmente, depois de dar muitas voltas sobre o assunto, buscar informações, analisar, recordar, comunicarmo-nos com estas compas e pedir-lhes honestidade, mas acima de tudo, ver as coisas com claridade após o que me sucedeu desde que fugi e a merda que por três anos certas pessoas fizeram da minha vida em fuga, fomos certeiros e hoje posso afirmar com toda certeza que não há mais a menor dúvida de quem foram essas caguetas, de quem se trataram, quem queria que eu me fodesse… quero dizer, no caso de que a senhora juíza não estivesse mentindo para minha advogada, bem… no fim das contas qual é a diferença na hora de tentar descobrir quem está mentindo, se é um juiz ou um anarquista?

Tomem esta anedota como um prelúdio para minha próxima carta na qual farei uma humilde reflexão individual sobre minha militância, mas acima de tudo, uma crítica da luta anarquista insurrecional na intensa época em que vivi.

“Quando a neve cai e os ventos brancos sopram o lobo solitário morre, mas a manada sobrevive”

Atenciosamente:

Mario Lopez “Tripa”.

Desde algum lugar neste mundo doente. Misantropia e natureza para sempre!

10 de Fevereiro do ano de 2018

4 thoughts on “Delações em cadeia… Sim, claro, na Cidade do México!

  1. Pingback: Da Tocaia surge o blog Maldição Ancestral | Maldição Ancestral

  2. Pingback: (pt) Maldição Ancestral | Maldición Eco-extremista

  3. Pingback: [ελ] Αλυσίδα προδοσίας ... Φυσικά, στην Πόλη του Μεξικού! | Maldición Eco-extremista

  4. Pingback: [ελ] Αλυσίδα προδοσίας … Φυσικά, στην Πόλη του Μεξικού! – Maldición Eco-extremista

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s