O Eco-extremismo e a Mulher (Primeira Parte)

Texto extraído da Revista Extinción N° 1 e traduzido por Anhangá.

Introdução:

Este artigo que será dividido em duas ou três partes (a próxima parte será publicada em nossa segunda revista), é destinado a abordar um assunto que até agora não se foi dada muita atenção dentro da tendência, pelo menos não publicamente, que é a relação do eco-extremismo com as mulheres.

Consideramos importante destacar o papel das mulheres eco-extremistas, uma vez que elas têm um papel primordial nesta guerra. Tanto por herança ancestral como por instintiva, as guerreiras têm uma enorme conexão com o mundo espiritual, com as forças da terra, com as propriedades das plantas, com a saúde corporal e mental, etc.

No artigo serão abordadas visões do que implica ser uma mulher eco-extremista neste ambiente, também incluirá uma conversa entre cumplicidades sobre esta questão, que sairá na segunda parte, e algumas outras surpresas. Nós expomos o primeiro texto abaixo:

Olá, mulher eco-extremista. São muitas as coisas que eu gostaria de lhe dizer, algumas até “proibidas”. Por não ter um afim físico próximo às vezes eu me sinto como se a realidade me sufocasse e a qualquer momento eu fosse explodir, mas ainda sim me mantenho firme como uma loba feroz que se passa por uma ovelha branca no asqueroso rebanho da massa.

Te comento algo sobre mim, há alguns anos eu renegava o meu gênero, como uma boa anarquista eu rechaçava o conceito e cheguei até mesmo a me considerar “assexuada” ou “queer”. Hoje este passado me entristece, mas o reconheci como um ciclo, parte integrante do que eu era antes para me tornar o que sou agora. Estas reivindicações feministas ficaram no passado porque eu me dei conta de que a Natureza me fez mulher e, orgulhosamente, não por uma questão de gênero, mas por uma questão muito maior e mais forte, que eu não me esforço para compreender, e sabe por quê? O humano está sempre buscando uma maneira de encontrar a explicação para tudo, qualquer ciência lida com isso, acham que têm explicações “razoáveis” para tudo, mas o que sabem é NADA. O que sabem são apenas esquemas antropomórficos fracos, explicáveis apenas para os humanos. É por isso que eu não me foco em compreender o “porquê” de eu ser uma mulher, simplesmente vim assim ao mundo e embora a realidade seja muito mais dura com nós (em algumas ocasiões), serve para endurecer o nosso caráter e nos fazer crescer como guerreiras.

Como bem sabem, neste momento o feminismo é um modismo pegajoso e, embora eu ache difícil aceitá-lo, se esta moda tivesse chegado antes quando eu ainda tinha estas ideias, haveria aceitado e estaria por aí renegando os “machos” e denunciando assédios inexistentes. Mas por “sorte” me afastei desta armadilha do sistema há várias luas.

E o fato é que, o olhar ocidental faz com que você se veja como uma vítima praticamente de tudo e de todos, te faz com que você concentre os seus esforços em lutas estúpidas que apenas te distraem do verdadeiro problema, a Civilização. Ao sistema lhe convém que busquemos culpados entre nós e que dirijamos o nosso nojo contra os homens, os imigrantes, a justiça penal, o Estado, os especialistas, etc. Então, seguir todas estas lutas efêmeras nos fazem parte de um rebanho, mas de um rebanho negro, supostamente “rebelde”, mas depois você percebe que não é nada disso.

Eu não quis permanecer assim, aceitei a minha existência como mulher e declarei guerra contra a civilização, e não a um modelo de sistema de dominação determinado chamado “patriarcado”. O eco-extremismo que defendo não se concentra em gêneros. Eu feri em atentados tanto a homens como mulheres por igual, porque esta guerra é contra a civilização como um todo, e embora não me importe o gênero do alvo, ao mesmo tempo reforço como individualista a minha condição de mulher no que fiz. Talvez não o reconheça publicamente, por estratégia, mas sim entre os meus.

Eu curei as feridas de meu homem com as ervas coletadas, chorei em sua ausência e o recebi com o coração aberto quando voltou de seu ataque. Contei o dinheiro que ele roubou dos bancos que assaltou, estive segurando a sua mão fugindo dos incêndios que provocamos zombando da polícia, eu guardei a pistola homicida após um ataque. Nos aproveitamos disso, de minha condição de mulher, porque este ingênuo sistema dita que uma mulher não pode ser a responsável por um homicídio, algo tão terrível para a sociedade, ou pela detonação de uma bomba, por exemplo. Realço as minhas características femininas porque a Natureza me fez assim, sou indivídua, mas ao mesmo tempo faço parte do meu complemento homem e nisso eu não encontro “subjugação” nem “relações de poder”, tal como fazem as politicamente corretas que tanto me dão nojo. Pelo contrário, eu vejo isso como um casal de lêmures, juntos, brincalhões, unidos, selvagens.

Na cultura de meus antepassados a mulher é a sábia, até mesmo mais que o Xamã, a que guarda o fogo da guerra e só quando as condições são favoráveis, fornece o fogo aos guerreiros para que saiam e arrebatem a vida dos inimigos, é a mulher quem guarda cuidadosamente a palavra e a sabedoria dos espíritos. Algumas se perguntam se realmente existe um espaço para que a ação furiosa dos espíritos femininos possa finalmente ser uma realidade. Este espaço está dentro de nós mesmas, nas palavras e nos atos, sozinha ou com o seu clã. Eu, como te disse, o guardei cuidadosamente para o próximo ataque, mas que o espaço está no atentar selvagem de nossas ancestrais femininas isso é fato, e não restam dúvidas.

Sem mais, mulher eco-extremista, me despido entonando cantos à lua, em uma mão há ramos de plantas medicinais e na outra uma faca empunhada que vai na jugular do inimigo.

Meztli
Lua cheia de Abril, 2017
Chikomoztoc

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