Os Seris, Os Eco-extremistas e o Nahualismo

Escrito extraído da Revista Regresión número 7.

Os Seris foi um grupo de nativos provenientes do que agora é o estado de Sonora, eram basicamente caçadores-coletores e pescadores. Ao serem nômades por excelência os territórios onde habitavam iam desde o deserto de Encino até o rio São Inácio, municípios como o de Guaymas, passando pelas Ilhas Tubarão, São Estevão, entre outras, ou seja, as ilhas costeiras mais próximas do território “sonorense” onde chegavam remando com embarcações muito primitivas. Os grupos Seris eram divididos em bandos, os quais por sua vez, se dividiam em clãs.

A grande maioria dos Seris eram guerreiros, e com isso ocasionalmente se declaravam em conflito entre cada clã. Geralmente as guerras entre eles eram acompanhadas de uma carregada dose de animismo. Como exemplo temos a história de “O Invencível”, um Xamã do bando III que enviou uma incursão de guerreiros até as subdivisões vizinhas, assassinando a muitas pessoas.

Como qualquer grupo nativo este povo tinha uma relação muito íntima com o seu entorno, suas crenças se baseavam nas correntes do mar, nos ciclos da chuva, no sol e na lua, enalteciam o tubarão, a tartaruga e os animais do deserto. A cosmologia dos Seris era simples e nada complexa, dado o seu entorno hostil e seu modo de vida nômade não tiveram tempo para se fazerem adoradores nem terem deidades complexas. Era dito que os Xamãs dos bandos e subdivisões podiam carregar grandes pedras e dobrá-las apenas com a mente.

Embora cada bando tivesse suas particularidades, apenas alguns poucos ofereceram uma resistência feroz à chegada dos europeus. Estes selvagens nunca se deixaram conquistar nem pela espada nem pela cruz, sempre se tornaram hostis diante do alheio e lutaram até a morte com a intenção de preservar os seus conhecimentos e as suas crenças ancestrais. De fato, hoje em dia, os Seris ou “Comcaac” (como se chamam hoje), são um dos poucos grupos indígenas sem intervenção católica em suas crenças animistas. Nas zonas Seris de agora não há nenhuma igreja católica nem padres, embora haja algumas igrejas protestantes.

Voltando ao assunto sobre a chegada dos espanhóis, lá pelos anos de 1855 quando os europeus pretenderam conquistar territórios e converter à fé católica os hostis Seris, se deram conta de que estes representavam uma antíteses do que eles queriam. Dado que seu território era tremendamente hostil, os Seris em si eram bastante duros, eles não se destinaram a serem subjugados, eles não podiam ser escravizados nem vendidos como mão de obra barata já que fugiam na primeira oportunidade. À parte de que não sabiam cultivar, não tinham riquezas acumuladas como outros povos mesoamericanos, etc. Diante disso os espanhóis junto como os rancheiros mexicanos daquela época decidiram exterminá-los, sem mais. Devido a isso, neste ano começaram as Guerras Encinas, conflito bélico que duraria mais de 12 anos.

Embora coubesse dizer aqui que nem todos os bandos Seris reagiram da mesma forma diante da invasão, como por exemplo, o bando VI, que era mais primitivo, vivia em covas e não usavam arcos nem flechas, apenas eram expertos no uso do arpão, se alimentavam de mariscos, iguanas e maguey. Eram desconfiados e impetuosos, sua zona era a ilha de São Estevão. A este bando não lhe interessava o novo mundo nem os brancos, já que estavam praticamente ilhados em sua pequena ilha, mas por ser um dos grupos Seris foram os primeiros a serem atacados pelos invasores.

É dito que um barco europeu chegou até a Ilha de São Estevão e enganando aos Seris com presentes os fizeram subir, e estes foram aprisionados (embora não todos). Os homens foram assassinados e as mulheres e crianças foram levadas a terra continental como cativos.

Ao mesmo tempo o bando II que era relacionando com a pilhagem e o roubo de gado dos brancos foi reduzido pelos espanhóis, fazendo-os retirar-se em direção aos pântanos inacessíveis da Baía de Kino onde assassinaram a todos, menos a um dos jovens guerreiros que conseguiu chegar a Ilha Tubarão onde avisou aos demais Seris. Foi assim que os bandos I, III e IV se uniram contra os invasores e contra os indígenas aliados dos brancos (chamados entre eles de “pápagos”), fazendo da Ilha Tubarão um verdadeiro campo de batalha. Vários espanhóis morreram nos encontros com estes hostis. As montanhas ingrimes serviam de refúgio para os guerreiros, aqueles que com sua sabedoria ancestral acertaram vários golpes contra os europeus.

Os espanhóis não sabiam como encontrar água potável na ilha (coisa que os Seris sabiam por ser seu território), então, em várias ocasiões os brancos retrocederam desidratados e cansados depois de suas armadilhas, e estes ao não encontrar os nativos nas montanhas (como se houvessem desaparecido), tiveram que empregar vírus estranhos contra os Seris (varíola, sarampo, etc.), fazendo que seu número se reduzisse gradualmente, até a sua destruição, embora não completa.

Voltando ao assunto, em plena Guerra Encima, os Xamãs diziam que os espíritos dos animais acompanhavam aos Seris nas batalhas e que eles ajudavam-nos a seguir adiante. Aqueles guerreiros com uma superioridade espiritual maior que os outros, por sua parte, contavam histórias a seus clãs depois das batalhas travadas, que eles mesmos se convertiam em animais para, deste modo, poder escapar sem que os invasores percebessem. Um exemplo do tipo foi um guerreiro conhecido como “Coiote Iguana”. É contado que em uma ocasião foi capturado e amarrado nos pês e mãos e jogado no mar para que se afogasse, mas ele se converteu em uma iguana e pode escapar. Em outra ocasião que era perseguido pelos espanhóis, os quais tinham o encurralado, ele se converteu em um coiote e pode passar despercebido zombando de seus captores.

Esta tradição animista não é rara dentro da cultura dos Seris. A habilidade de converter-se em um animal em certas circunstâncias passando do plano espiritual ao físico tem acompanhado a várias culturas ao redor do mundo, desde os aborígenes australianos até os yanomamis amazônicos. Hoje em dia isto é conhecido como “nahualismo”. Também não é raro que os eco-extremistas em seus comunicados relatem que se converteram em animais, antes, durante e depois da realização de um atentado, já que esta tradição ancestral pagã igualmente os acompanha.

O que quero expressar com esta informação dentro deste pequeno texto é a geração de um impulso que faça com que os individualistas regressem àquelas práticas pagãs que tanto aterrorizaram e confundiram aos ocidentais daquela época. Nesta guerra contra o progresso humano o plano físico é importante, mas o espiritual é primordial. Aprendamos com os Seris, aprendamos com a sua dura defesa extremista do Selvagem, convertamo-nos em animais e os espíritos de nossos ancestrais nos guiarão pelo caminho que nos tem preparado.

Em nome do Desconhecido!

Com a Natureza Selvagem do nosso lado!

Frente a batalha gritemos HOKA HEY!

Hast Hax

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