Pacto

Texto extraído da edição número 4 da Revista Ajajema.

Individualista, faria tu este pacto comigo? A noite é escura e nos esconde todas as certezas, a terra clama por vingança. O fogo de guerra se mostra flamejante em nossa fogueira. Agora, mais que nunca, os tambores anunciam a batalha.

Niilista terrorista, formaria tu parte deste pacto comigo? As feridas da terra já não cicatrizam, a onde quer que eu vá vejo destruição, o Grande Espírito está decaído, o céu se escurece, a noite eterna prontamente virá para todos nós.

Não podemos mais esperar, o progresso humano cresce e está mais forte a cada segundo. Irmão, tua vida não vale nada se tu não saca tuas garras para defendê-la. Tu deve converter-te em um guerreiro forte e encher teu peito em batalha, tão alto como a montanha de coros cabeludos de teus inimigos que tu deve conseguir. Irmã, tu pode ajudar aos guerreiros, curá-los e aconselhá-los, guiá-los e abrigá-los, pode acompanhá-los nas batalhas, se assim desejar.

A morte me cerca, sua voz ecoa em minha mente constantemente, sei que minha existência não é nada, e os laços que me unem a este mundo estão cada vez mais finos.

Este pacto é para poucos, os que dão as costas ao sistema tecno-industrial, para os poucos valentes que enfrentam tudo isso de modo cru, sem deixar se levar por esperanças e falsas ilusões. Os que vão até as últimas consequências, os que sabem que para suas vidas já não há outra coisa.

Esqueça-te de teus outros compromissos, tenha apenas o que tu necessita, não espere o momento adequado, construa-o. Teus ancestrais te entregaram o legado da guerra, e agora tu pisa na terra que eles defenderam com suas vidas. Devemos honrar sua memória.

Os civilizados não são capazes de ver, sabe? Mas antes das cidades havia vida nestas terras. Seus olhos e seus ouvidos estão turvos, não sabem que as cidades que habitam são cemitérios, não escutam o choro da terra. Não percebem a toxicidade com a qual se alimentam, entorpecem os próprios sentidos com drogas para não escutar. Mas as bombas fazem barulhos! Devemos tirar as suas vidas, devemos tomar de assalto suas moradias e assassinar a todos os que podemos, o sangue deve regressar à terra, o Grande Espírito exige vingança.

Tu consegue sentir a catástrofe que se aproxima? Quero que saiba da urgência de formar este pacto comigo. A Natureza Selvagem já tem meu espírito, entreguei-o já há várias luas. É por isso que ela opera através de mim e me guia em todos meus ataques, por isso me converto em um animal selvagem e posso permanecer fora das jaulas. O que pensa em fazer com o teu?

O Sul já arde, e no Norte eles sabem muito bem, estamos apenas cumprindo o nosso dever como pessoas da terra. Eu gostaria de explicar-te como eu sei disso, mas essa não é uma mensagem que as vozes humanas possam transmitir, este pacto não é humano. Irmão escuta o assovio do vento. Irmã, perca-se com a bravura do oceano, e assumamos este pacto de guerra até a morte contra o mundo civilizado, hoje.

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