Um Poema de Guerra

Extraído da segunda edição da Revista Ajajema.

Caminho nos bosques e escuto as canções das aves e o esmagar das folhas, mas as máquinas que gemem e gritam ficam mais barulhentas a cada dia.

Tudo o que escuto é morte.

Caminho nos bosques e busco os selvagens, os coelhos, os cervos e javalis

Seus corpos jazem apodrecidos em um montículo e isso preenche o meu coração de dor.

Tudo o que cheiro é morte.

Caminho nos bosques e busco os antigos carvalhos, praias e cinzas

Seus corpos jazem empilhados ao lado do caminho e a sabedoria de anos

se perde após o “progresso”. Tento respirar, mas o ar está enfermo

Tudo o que saboreio é morte.

Diante de mim jaz uma paisagem torturada, uma ferida aberta e supurante sobre a terra

Onde as máquinas de nossa morte coletiva rastejam como parasitas

Arrancando as entranhas da terra para construir seus monumentos da artificialidade.

Diante de mim jaz uma montanha, uma montanha que nunca deveria ter existido e está alinhada com árvores, filas após filas de árvores que nunca deveriam ter existido.

Árvores que já estão mortas.

O sangue da terra corre para trás e encharca minha pele, sei que me envenena

Mas esta agonia eu mesmo faço. Tomo este sofrimento e o converto em uma arma em meu interior, o qual se estende do abismo de minha mente até a palma das minhas mãos, onde a conspiração se torna realidade.

Caminho nos bosques e escuto o som de meus inimigos, sei que me temem,

Porque seu sofrimento já não é uma opção. É tão duro como uma realidade

Como a dor a qual todos nós fomos submetidos. A vingança arde luminosamente em minhas mãos

Tudo o que vejo é morte.

-A

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