Tendências Cristãs Pseudo-humanistas

Tradução de “Humanist pseudo-christian tendencies”. Traduzido e enviado por Anhangá. Disponível também em espanhol e inglês.

Li o texto “Tendências Misantrópicas Selvagens” há alguns meses em seu espanhol original. Embora eu ache este ensaio muito mais justo que muitas das críticas feitas nos últimos dois anos, há questões expostas que creio que seria benéfico abordar. Limitarei a minha discussão aos temas Natureza Selvagem, autoridade e misantropia.

Natureza Selvagem

Sobre este assunto existe o ensaio “O que queremos dizer quando falamos “natureza”?“, que é muito fácil de encontrar. Mas para a questão, citarei uma passagem de uma entrevista realizada por John Jacobi a um eco-extremista:

“… estou consciente de que não sou o salvador da Terra, que a única coisa que pode ser “salva” é a minha própria vida e a maneira como eu me relaciono com o meu grupo de afinidade. A Natureza Selvagem sou EU e meu grupo que se agarra ao ato de não deixar morrer os instintos animais que ainda possuímos. Nos despojaram de tudo, até mesmo de um lugar no qual poderíamos habitar livremente, nos distanciaram de nossos ambientes selvagens, de nossas terras ancestrais e sepultaram-nas com cimento, então a única Natureza Selvagem sou eu e meu grupo, reselvageá-la é o que costumo fazer.” (Trecho de “Diálogo entre um “Eco-extremista” e um “Selvagista”“)

Já sobre o assunto de espíritos/deuses, o seguinte texto de um eco-extremista na Argentina eloquentemente explica a sua defesa pessoal do animismo personalizado:

“Não me surpreende em nada vindo de um grupo de indivíduos tão apegados às lógicas civilizadas, que aderiram a um dos pilares do pensamento empírico e mecanicista, como é o ateísmo. O que dizer sobre este assunto que ainda já não tenha sido dito? Nós, os e as eco-extremistas, temos muito bem destacadas as nossas crenças e visões espirituais, criamos as nossas deidades com base em experiências pessoais na Natureza Selvagem, e veneramos de forma animista os espíritos que habitam nela, como fizeram os nossos antepassados séculos antes da invasão. Estas deidades agarradas à Terra, ao primitivo, nos acompanham e nos guiam a todo momento, nos empurram à confrontação com a mega-máquina civilizadora, nos provém de força e mantém ativo nosso indômito caráter guerreiro. Por todas estas razões e algumas outras, é que rimos dos ateus e seu cientificismo humanista, daqueles e daquelas que baseiam a sua percepção da realidade em uma visão completamente fria, matemática, mecânica, robótica, artificial, etc. Nós não nos importamos que ante as nossas crenças venham a tachar-nos de tolos, crédulos ou de românticos, isso já fizeram os colonizadores no passado, e o fazem a todo momento os híper-civilizados que simplesmente não entendem o idioma do vento, não percebem os sussurros dos vales, o grito dos vulcões ou a sabedoria das árvores. A tudo isso nos dirigimos ao invés de máquinas e robôs, nós preferimos adorar paganamente o espírito da serpente em vez da deusa da razão e seus fiéis discípulos, a ciência e a tecnologia.” (De “Uma Defesa Conceitual do Selvagem: Uma Resposta à Semente de Libertação)

E, em comparação, incluímos um texto de um eco-extremista/niilista do continente europeu:

“Aqui na Europa há também grupúsculos de terroristas niilistas, criminosos individualistas e extremistas e misantropos vivos caminhando, e lembramos mais uma vez que alguns destes grupúsculos foram até pouco tempo próximos a vocês e seus ambientes de podridão, que sabemos quem é quem e por onde anda cada um, que a violência e o atentado para nós não é algo novo, mas uma prática que se tornou uma extensão do próprio ser, então tem sido parte de nossa vida durante alguns anos já… nós não temos “deidades pagãs”, o que temos são armas, explosivos e informação, então, vigiem as suas palavras, suas valentias de internet podem custar caro na vida real.” (De “Algumas Notas Sobre as Recentes Difamações e Breves Esclarecimentos“, O Inimigo Interno)

Os anarquistas autores do texto, certamente, se sentirão mais confusos após ler esta citação, já que nela é expressada um desgosto com a postura contraditória de obedecer aos deuses pagãos e ao mesmo tempo aos próprios caprichos. Dos trechos que citei, o principal ponto de partida é que a ideia de “Natureza Selvagem” como uma entidade autônoma e transcendental não é um dogma obrigatório do eco-extremismo, nem mesmo está imposto especificadamente em nenhum sentido. Um indivíduo pode estar de acordo com ITS e grupos afins, embora não acredite nisso em absoluto, ou em alguns casos, estando em desacordo (ver, por exemplo, o comunicado emitido pelo “Grupúsculo Indiscriminado Tendendo ao Selvagem”, de Março de 2017). Isso não é retroceder: aqueles que prestam atenção sabem disso há muito tempo. Em nosso atomizado mundo moderno, todas as crenças são individuais e pessoais, e não se traduzem bem quando são impostas ou mesmo comunicadas aos outros. A Máfia Eco-extremista é uma frente unida de individualistas que aderem a crenças pessoais que estão em confrontação com a humanidade moderna. Este pode não ser um alvo ideal para anotar pontos polêmicos fáceis, mas tem sido o caso durante um par de anos.

De qualquer forma, darei minha própria interpretação pessoal do que acredito, sendo o escritor prolífico que sou. Não creio que a imanência e a transcendência com respeito a entidades espirituais sejam inerentemente opostas. Em muitas tradições espirituais, inclusive os pagãos europeus e até certo ponto da teologia cristã mística, adorar deuses transcendentes é realmente um exercício para retornar ao que você realmente é. É um exercício de autoconhecimento. Embora isso possa ser facilmente corrompido em cultos cívicos e alienados, o verdadeiro mago na antiguidade utilizou o ritual e o simbolismo para ascender à divindade (ver, por exemplo, o Corpus Hermeticum). Na verdade, esta foi a base da filosofia moderna, como no Rosacrucianismo de Descartes e Hegel, e a obsessão com a alquimia até Isaac Newton (a alquimia é mais uma transformação pessoal que a mudança de metais básicos a precisos, cf. Carl Jung). Portanto, é obtuso citar Stirner (um discípulo de Hegel, mesmo que ele fosse um rebelde), mas não se dar conta das origens “sacras” de seu próprio discurso filosófico. Continuo afirmando que a “libertação” é um conceito intrinsecamente religioso, não importa o quanto tente fugir de seu passado cristão.

Portanto, é um pouco ridículo pensar que esses eco-extremistas que aderem a uma disciplina espiritual estejam fazendo igual os cruzados quando seguiam a voz do Papa e os jihadistas escutando os gritos militantes do ímã local. Ver a devastação da Natureza Selvagem, sua pavimentação, sua exploração e sua desaparição poderia ser uma experiência espiritual negativa o suficiente para desencadear um despertar em alguns indivíduos (ouvir um chamado, talvez). Eu senti isso. Talvez o/os autor/autores não o sentiram, e talvez acreditem que alguns estão tomando isso mais literalmente do que deveriam. Há muito tempo deixei de considerar a humanidade como o único agente convincente que poderia convocar a minha lealdade, e tampouco acredito muito em mim mesmo para crer que sou o fim absoluto e o fim de tudo (escrevo mais sobre isso abaixo). Não invejo aqueles que tomam as suas deidades literalmente, mesmo que eu não o faça. Em minha opinião, me adiro ao Desconhecido. Às vezes os chamo de “Deuses Escuros”, aqueles que restaram da devastação que é a modernidade, talvez agora sem rosto, sem voz, mas uma presença, no entanto. Não tenho ideia de como adorá-los, ou se eles deveriam ser adorados. Eles não “falam” comigo, mas sei que estão ali, esperando, quebrando os moldes da ilusão civilizada.

Meus deuses estão mortos. A única coisa que falta é matar os seus. Mesmo que esses deuses sejam abstrações como “Humanidade”, “Liberdade”, ou qualquer outra coisa.

Autoridade

Claro, voltamos ao assunto da dominação e da autoridade. Ele/os autor/autores anarquista(s) enfatizam os argumentos cansativos do caráter anti-natural da autoridade, e assim por diante. (“O homem nasce livre, e em toda parte é posto a ferros…”. Muito obrigado, Rousseau.) Agora vou citar um par de passagens que nos ajudarão a abordar este tema (de novo):

“Antes deste comentário RS (Reacción Salvaje) comenta se DP (Destruye las Prisiones) dá uma de conhecedores de comunidades. Esperamos que saibam que o povo das colinas no México está acostumado há centenas de anos a formas de vida que são mal vistas pelos citadinos doentes da cultura ocidental, certas formas de vida que são catalogadas de “brutais”, como por exemplo, trocar uma mulher por uma vaca ou uns porcos. Para os nativos é comum, é parte de seus costumes, de seu modus vivendi e é algo normal, enquanto que para os moralistas ocidentais (incluindo alguns anarquistas) é algo indigno, se escandalizam e gritam de indignação quando escutam falar sobre isso. Geralmente as anarquistas do tipo feminista são as que fazem mais escândalo diante disso. RS não vê como algo ruim, RS respeita o desenvolvimento e os costumes das pessoas do campo, por isso nos expressamos a favor das relações de poder neste tipo de comunidades, porque não é da nossa conta tentar mudá-las. Enfatizamos, não é que sejamos “machistas”, mas honestamente não nos opomos a esse tipo de atitude nativa. Isso é o que pensamentos, embora os anarquistas fiquem furiosos por falarmos desta maneira.” (De “Já Haviam Se Atrasado: Reação Selvagem em Resposta a “Destrua as Prisões“)

– E também:

“Não podemos fazer as sociedades em uma noite e desde o zero, ou não deveríamos querer fazê-las. Um Saruê não se pergunta nem é nuançado para determinar o que significa ser um Saruê. É apenas um Saruê. Em outras palavras, não pretende ser um deus, e tampouco nós devemos. No passado, os humanos viviam em sociedades que existiram por milhares de anos que falaram do que era ser um ser humano, sociedades que eram pequenas, sustentáveis, e mais frequentemente muito estáveis. Nós não temos isso e, em vez disso, pensamos que podemos fazer o papel de engenheiro social, o que é o problema fundamental e real. Por isso nos vemos tentados a pensar que um !Kung Bushman é mais “selvagem” ou “melhor” que um caçador Selk’nam, ou um guerreiro Choctaw, ou um Yurok “nobre”. Isso não é indicação de conhecimento, mas de loucura.” (De “Selvagens Politicamente Incorretos“)

Em um “gol contra” um pouco humilhante, mas talvez involuntário, os autores anarquistas citam os Ona da Terra do Fogo sem se dar conta de que eles, sendo simples caçadores-coletores, tinham uma sociedade baseada no patriarcado:

“A posse patrilocal e patrilinear dos territórios concedeu aos homens o direito exclusivo sobre a terra, que era importante não tanto para os terrenos de caça do guanaco ou outra fauna e os recursos naturais. Mesmo quando um homem passou a residir na linhagem de sua mãe, seu pai e seus tios continuaram sendo as figuras dominantes. O fato de que a fabricação de bens, ferramentas e artigos domésticos possa ser ensinado a todas as crianças e adultos jovens, permitiu aos produtores dominar a economia e manter um nível igualitário de apropriação e produção, frustrando assim qualquer possibilidade de subordinação, exceto a sexual. Esta “exceção” equivale a uma ruptura na sociedade que torna impossível caracterizá-la como igualitária. Poderia ser chamada de “igualitária patriarcal”, mas este rótulo parece ser contraditório ou enganoso.” –Anne MacKaye Chapman, “Estrutura Social e Econômica da Sociedade Selk’nam (“Selk’nam” é outro nome para os Ona)

O mesmo caso ocorre em uma antiga cultura “simples” como a dos povos aborígenes australianos. Embora exista uma grande controvérsia sobre se os europeus exageraram na misoginia dos povos colonizados “não contatados”, há evidências menos anedóticas de que a “dominação” e a autoridade eram uma realidade entre os caçadores coletores “materialmente simples”:

“O paleopatologista Stephen Webb publicou em 1995 sua análise de 4.500 ossos de indivíduos do continente australiano que remontam 50 mil anos. (As inestimáveis coleções de ossos da época foram entregues oficialmente às comunidades aborígenes para que promovessem um novo enterro, o que deteve os estudos de rastreamento). Webb descobriu taxas de lesões e fraturas muito desproporcionais nos crânios das mulheres, sugerindo ataques deliberados e muitas vezes ataques por trás, talvez em disputas internas. Nos trópicos, por exemplo, a frequência de mulheres com traumatismo cranioencefálico foi de aproximadamente 20-33%, frente a 6,5-26% para os homens.

Os resultados mais extremos foram na costa sul, de Swanport a Adelaide, com taxas de traumatismo cranioencefálico feminino de até 40-44%, sendo duas a quatro vezes a taxa de traumatismo masculino. Nas áreas desérticas e da costa sul, 5-6% dos crânios femininos tinham três lesões cranianas separadas, e 11-12% tinham duas lesões.” (de “A Longa História da Violência Aborígene – Parte II, recuperado do site The Quadrant“)

Claro, poderíamos citar todos os tipos de exemplos brutais de abusos misóginos, bem como o desenvolvimento de hierarquias entre os caçadores-coletores como no norte da Califórnia e nos construtores de montículos da Poverty Point no que é agora Luisiana…. Não importa. O ponto é indicar que não somos afetados pela torpe tentativa de nos explodir com o nosso próprio petardo. O eco-extremismo não desafia a “dominação” ou autoridade do passado, nem finge que pode aboli-las para sempre. É uma ideia muito tola de se apegar em qualquer caso.

Digamos o que é óbvio: os eco-extremistas e os niilistas misantropos não mostram adesão a qualquer autoridade humana tal como existe atualmente, e sei também que nem poderiam fazê-lo em um futuro previsível. A própria natureza do que significa ser um individualista eco-extremista/niilista exclui ipso facto qualquer tentativa de criar uma autoridade transpessoal no presente como é comumente entendido. Talvez ITS tenha uma hierarquia militar que se estenda para além das fronteiras e continentes, mas eu duvido muito. Tenho entendido que se trata de um grupo de individualistas comprometidos em uma guerra assimétrica. Qualquer conversa sobre “autoridade” no sentido comum do termo é meramente hipotética.

Quando os eco-extremistas falam de autoridade, eles o fazem de maneira puramente instrumental. A autoridade em seu uso (para além dos aspectos “espirituais” discutidos anteriormente) tem mais semelhança com a estrutura de uma gangue ou máfia e menos a ver com um governo ou um partido político. Não há outra maneira de apoiar outro tratamento do assunto até onde eu possa ver. Se na execução de um crime alguém está “no comando”, a vida dos delinquentes poderá depender de que todos façam o que diz esta pessoa. Se uma determinada pessoa alcança um conhecimento espiritual superior ou o conhecimento de ervas medicinais, essa é a única autoridade que o eco-extremismo parece estar falando. Ao contrário do/dos anarquista/anarquistas autor/autores, eles não tem a ilusão de “construir novas formas de relacionamento entre todos os seres que habitam este mundo e estes com a Terra”.

Você pode pensar que, porque algumas pessoas falam que estão livres da “dominação”, o sangue delas não é vermelho como o dos demais. É bastante lamentável que um animal fique doente e talvez viva quatro anos e meio para falar sobre estar livre de “toda a dominação”. Alguém poderia falar também sobre estar livre da gravidade ou da segunda lei da termodinâmica. Estamos limitados por todos os lugares em nosso contexto, desde quando atravessamos a rua até o que podemos comer no café da manhã. Os eco-extremistas têm o objetivo muito simples e compreensível de se vingar e ver as coisas arderem e serem destruídas. A “destruição de toda autoridade” nem sequer parece significar algo em concreto, e muito menos possível.

“Somos soldados, não se pode escapar deste fato. Soldados no sentido tradicional e soldados em um sentido diferente. Somos guerreiros espirituais, temos uma causa ímpia para colocar um fim na humanidade. Não estamos lutando para preservar nações ou governos. Estamos lutando para retornar a nossos deuses, para nos tornarmos eles. Somos soldados em um sentido tradicional porque esse tipo de resultado não acontecerá sem combate. Tomar a ofensiva é a única coisa nobre que pode ser feita. Goebbels declarou ao povo alemão quando estavam sendo invadidos, “o ódio é nossa oração, a vingança é nosso grito de batalha”. O fedor de uma espécie inferior já não pode ser tolerada. A única solução para uma sociedade doente é a aniquilação.” –Tempel ov Blood, Liber 333

Misantropia

Direi que, pelo menos para mim, a misantropia não é um ato de aprovação do juízo moral. A não ser que alguém seja um completo e desmedido otimista, é evidente que existe um problema. O eco-extremismo em alguns lugares argumentou que o problema é físico, não moral. Como formulado no já extinto blog Wandering Cannibals:

“Pular destas observações para a conclusão de que “portanto, todos os humanos devem ser extinguidos” pode ser corretamente sinalizado como uma reductio ad absurdum. O fato de que ninguém tenha culpa não significa que todos sejam culpados, ou que esta culpa tampouco exista. Portanto, medidas punitivas ou mesmo linguagens punitivas não são necessárias. Talvez isso tenha um ponto, mas vamos colocar de outra maneira: o ideal humano (forma) nunca pode ter o hospedeiro físico (matéria) apropriado para se realizar. A forma é sempre um fantasma, flutuando sobre a massa fervente da matéria-prima humana. A humanidade nunca pode ser avivada por um ideal, nunca pode aderir a um plano ético orgânico que possa informar suas ações coletivas a um futuro melhor. Em outras palavras, a humanidade como um todo é um zumbi coletivo, algo que tropeça com a aparência da vida, mas que na verdade está constantemente à beira de se separar devido à falta de inteligência ou vontade coletiva definida. Podemos falar de ação coletiva global, mas é uma retórica completamente vazia. O problema é divino em escala, mas os meios para abordá-los são humanos demais…”

Sete bilhões de pessoas não vivem suas vidas sendo inocentes ou culpadas de nada. Seu estado padrão é “cuidar de seus próprio assuntos”. São carne de canhão, não sabem o que fazem. Nesse nível, suas vidas carecem de conteúdo ético discernível. E mesmo em situações em que as pessoas “se preocupam”, frequentemente roubam de Pedro para dar a Paulo: vivem uma parte de suas vidas de forma amoral para manter um verniz ético em outras partes de suas vidas. O resultado final é: se você não quer que a floresta seja cortada, que o fundo do oceano seja perfurado ou que o rio seja contaminado, você não precisa procurar muito para saber quem são os culpados. Você tem a culpa, seus amigos também e aqueles que você ama também têm. Ou eles comem apenas ar e vivem em cabanas de palha feitas com galhos de árvores nativas? Ou você se cura com plantas locais quando está doente e checa seu email apenas com um pedaço de madeira? Se (por suas ações, não por suas palavras) você não se importa com a Natureza Selvagem, porque ela deveria se preocupar com você? Por que alguém deveria? Aqueles que se opõem à misantropia parecem pensar que o problema é qualitativo quando, na verdade, é quantitativo. Não é uma questão de inocência ou culpa, é apenas que existem muitos malditos, amorosos e éticos humanos que pensam que suas vidas e seu bem-estar são invioláveis. Que tocar em um fio de cabelo de suas cabeças é um sacrilégio ou, o horror dos horrores!.… autoridade.

Mas, na verdade, não adianta nada discutir o assunto. Isso se torna um exercício tragicômico uma vez que os anarquistas “niilistas” começam a acusar os eco-extremistas de moralismo por realizar as ações mais imorais imagináveis. Dizem algo como: se eles fossem realmente individualistas e “não dominados”, não atacariam a humanidade em absoluto, ou atacariam apenas aqueles que têm a responsabilidade “direta” pela dominação, seja lá o que isso signifique. Sinceramente, o/os anarquista/anarquistas autor/autores parece/parecem abertamente vago/vagos sobre a condenação do ataque indiscriminado, já que é um ponto que levantam. Falo mais de fanboys egoístas que começam um jogo bobo de quem pode se importar menos, que de alguma maneira é algo como o que se segue:

A: “Eu sou amoral, então ataco a sociedade e os humanos.”

B: “Se você fosse realmente amoral, não se importaria com a sociedade nem com os humanos, e você simplesmente estaria fazendo as suas coisas.”

A: “Se você fosse realmente amoral, não se importaria com quem estou atacando.”

B: “Se você fosse realmente amoral, não se importaria se eu me importasse com quem você atacou…”

Etc., etc….. Sério, tem sido assim há dois anos. Sabe quantos executivos o/os autor/autores do texto poderia/poderiam ter aleijado até agora?

Ah, é. Me esqueci que ele/eles não tem a intenção de ser uma ameaça para ninguém, exceto talvez para os eco-extremistas, e nem sequer pode/podem prender um deles. Só pra constar, me lembra a polícia.

Então, para concluir, não me importa se os eco-extremistas citam o Monstro Voador de Espaguete para queimar, matar e mutilar. Para mim, é o mesmo: no fim de tudo, somos estúpidos humanos. Tampouco me importam os objetivos absurdos como “a destruição de toda autoridade”. Isso é muito abstrato para que entenda o meu pequeno cérebro, o que é uma boa maneira de dizer que é uma porcaria. Finalmente, eu não gosto muito dos humanos porque não parecem gostar muito de si mesmos. Eles estão defecando coletivamente sobre o único planeta que têm, e cada dia se tornam mais mecânicos e artificiais. Sobre este último ponto, não sei porque sou obrigado a me sensibilizar ou me preocupar com os seres humanos atacados no presente, já que qualquer pessoa aleatória em Paris, Jakarta ou Kinshasa é tão abstrata como Zeus ou como um membro de uma tribo indígena extinta. Para citar o grande reacionário De Maistre:

“A Constituição de 1795, assim como suas predecessoras, foi feita para o homem. Mas não existe no mundo nada que se possa chamar de homem. Ao longo de minha vida, tenho visto franceses, italianos, russos, etc.; sei também, graças a Montesquieu, que se pode ser persa. Mas, quanto ao homem, afirmo que, em toda minha vida, jamais o encontrei; se ele existe, desconheço-o completamente”

Tenho pouco tempo para aqueles que estão obcecados pelos ideais de uma sociedade que supostamente desejam destruir. Se estas pessoas finalmente começam a atacar o que odeiam, e se realmente atacam, não haverá ninguém mais satisfeito que eu. Mas se continuam emitindo anátemas de dentro do escritório da Mãe Superiora do Convento da Santa Anarquia, estarão confirmando minhas piores suspeitas de suas verdadeiras intenções.

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