[BRASIL] Comunicado 63 de ITS – Sociedade Secreta Silvestre: Sobre os ‘Anarcops’ da 325 e Seus Consortes

Resposta da Sociedade Secreta Silvestre aos anarcops caguetas da 325 e demais envolvidos.

Vão queimar a língua!

“Disparei uma bala em sua boca pelas mentiras que dizia, e outra na mão por causa das coisas sujas que escrevia.” – Jacques Mesrine, sobre o sequestro de um jornalista francês.

Pela última vez os anarco-frades se pronunciaram contra nós eco-extremistas com a intenção de nos prejudicar de alguma maneira. Vocês da ONG 325 e seus consortes pagarão caro pelas delações contra a suposta pessoa por trás do teórico eco-extremista Abe Cabrera que sequer faz parte de ITS e por difamar e tentar entregar informações de Misanthropos Cacoguen à polícia do Reino Unido. Olho por olho, dente por dente.

Cada um de vocês por trás deste conluio possui o espírito de Jacob Ferguson (1) encarnado em seus corpos. São humanistas do pior tipo, daqueles que até mesmo seus próprios “compas” deveriam desconfiar já que tendem à traição, do tipinho de X9 traidor que colabora afetivamente com a polícia no caso de uma investigação, do tipo lunático que expõe e difama quem se atreva a criticar ou superar a fracassada teoria e “práxis” do cadáver da anarquia. Que saibam que aqui no Brasil a primeira das leis que impera nas favelas e na malandragem das ruas é “nunca caguetar”. Jamais há perdão, cagueta paga com a vida. A traição e a delação são comportamentos repugnantes onde quer que seja, inclusive entre os anarcos, e o que fizeram terá um preço. Há quem entre vocês condene em qualquer hipótese a delação, mesmo quando envolva inimigos ou discordantes. Quem não se lembra do que houve durante o desmantelado plano de fuga dos terroristas da CCF quando um tipinho de gente igual a vocês chamado Christodopoulos Xiros falou contra membros da dita guerrilha? Eles se posicionaram contra a atitude cagueta (2):

“Pelo menos nós, com nossas “práticas como as da máfia” nunca traímos as nossas ideias e a nossos companheiros, mesmo quando houveram pessoas presas e acusadas de serem membros de nosso grupo, sem ter nada a ver com isso, mesmo que não consideremos alguns deles companheiros, ou até mesmo consideremos alguns deles como nossos inimigos pessoais, a única certeza é que não houve um cagueta ou um traidor entre eles.”

Não duvidamos que entre os seus próprios companheiros vocês encontraram pouco apoio no que fizeram. E como vão os estudos para o concurso público da polícia, anarquistas? Quem diria, os revolucionários abolicionistas e anti-carcerários tentando enviar dissidentes à prisão. Recordam os stalinistas enviando os divergentes aos gulag. Vocês envergonhariam os verdadeiros anarquistas que voaram pelos ares vários militares nos séculos 19 e 20. Já dizia o velho Bakunin que ‘se desse poder a vocês ficariam pior que o próprio czar’. Nossas diferenças resolvemos entre nós mesmos sem envolver autoridades policiais, em conversações ou com a violência. Mas vocês “anarcops” optaram pelo caminho mais sujo. Terão então que lidar conosco da pior forma. O mais recente eco-terrorista jogado na prisão pelo FBI foi Joseph Mahmoud Dibee (3), agora a patrulha paraestatal de anarcops se esforça para enviar algum dos nossos para trás das mesmas grades. Esta simbiose entre polícia e anarquistas é algo que apenas o anarquismo moderno é capaz de proporcionar.

Claro, não é só vocês que sabem de segredos. Se optarmos por delatar anarquistas certamente alguns companheiros de vocês cairiam nestas terras. Temos em nossas mãos o poder de responder com a mesma moeda, mas não o faremos porque não somos miseráveis como vocês. E não sejam idiotas, ITS-México se posicionou duramente contra Scott Campbell e John Zerzan porque eles estavam pedindo quando encheram as suas bocas para falar merda. Agora vocês tentam nos atingir fazendo o que fizeram. Já que vocês querem mandar os nossos para a cadeia, enviaremos os seus para o mundo dos mortos.

O que os move contra nós é o desespero, já que a “nova anarquia”, “anarquia negra” ou qualquer outra baboseira que queiram chamar, fracassou, aceitem isso e ponto. Qualquer um sabe que há um forte mal-estar dentro da “cena anarquista” internacional e cada vez mais indivíduos e indivíduas de coragem tem rompido com o utopismo bobo sem esperar por dias melhores, por algum tipo de “colapso” ou se iludindo com os já ultrapassados contos de fadas revolucionários e humanistas em prol da “humanidade”. Estes idiotas de 47 cromossomos tem um arsenal infantil de adjetivos para berrar contra qualquer um que demonstre simpatia com ITS e como eles já não tem mais o que escrever contra nós agora apelam ao ridículo, como foi o caso do blog “Instinto Cristiano” (porque de selvagem ele não tem nada) que replicou (4) uma publicação que taxa os manos de ITS-México de “Nazi-Astecas” (Mas que diabos é isso?? Estes colunistas esquerdistas não tem mais o que inventar!). Por aqui no Brasil o que seríamos? “Nazi-Tupinambás”? É apenas uma questão de juízo moral arraigado em vocês missionários libertários. A Cruz Negra anarquista deve ter ficada confusa quando o ex-comungado Kevin Garrido soltou uma bomba em apoio a ITS (5). Mario Lopez Tripa foi outro quem ateou fogo à batina de vocês (6). Aliás, tenha sangue em seus olhos, Kevin. Apesar da condenação, mantenha-se firme, o seu dia chegará. E Tripa, estamos com você para cobrar estes miseráveis.

No Brasil o cenário não é diferente, e recentemente um tal Núcleo de Oposição ao Sistema (NOS) após alguns ataques em São Paulo fez um “chamado” para uma “união e luta contra o sistema” (7). Sério? Estes esquerdistas foram bem inocentes ao tentar nos “convocar” para a sua “luta” ridícula que é incoerente até para eles mesmos ao pedirem entre as suas “reivindicações” a libertação do ex-presidente Lula, político da esquerda que em seu governo solidificou o atual “sistema”. Mas que diabos de grupo anarquista pede a libertação de um ex-presidente? Para contrapor à “ameaça Bolsonaro” e fazer como a Frente Popular na Espanha em 1936 que tentou barrar a ascensão da direita? As justificativas são duvidosas.

Sabemos que há por aí muitos esforços sinceros para se discutir o eco-extremismo e aprofundar não só a crítica eco-extremista, já houveram muitas conversações e escritos nos últimos anos. Ultimamente os interessados estão sendo coagidos por um complô de idiotas que condenam duramente qualquer menção à Tendência e os colocam numa espécie de lista negra de “ex-compas corrompidos por eco-extremistas”. Este é um esforço anarquista para barrar a qualquer custo a expansão da teoria e prática eco-extremista. O caso mais recente e que merece a sua exploração veio de um autor britânico eco-anarquista que publicou um interessante artigo sobre “violência descolonial e eco-extremismo” que foi apresentado durante a Anarchist Studies Network Conference, na Universidade de Loughborough. Em menos de uma semana os fiscais anarquistas o criminalizaram com base nas leis morais do que é aceitável ou não dentro da esquerda (o autor foi vítima do que ele mesmo aborda no artigo) e o fizeram excluir a publicação (8) e em seu lugar divulgar uma nota de esclarecimento (9). Claro, uma situação como esta não poderia passar despercebida. Nós temos o texto e o divulgamos neste comunicado para qualquer um que queira lê-lo e discuti-lo, acesse-o aqui. A publicação “Paper On Decolonial Violence and Eco-Extremism For 2018 ASN Conference” pode ter sido excluída mediante “coerção dos libertários”, mas possuímos o seu conteúdo na íntegra. O autor explica também que um dos motivos para ter apagado a publicação é a sua segurança (na verdade, o pressionaram com a ideia de “segurança”), mas com um texto como este a esta altura os seus únicos inimigos são os inquisidores anarquistas, e não por haver ameaçado a anarquistas como fez ITS em seu trigésimo primeiro comunicado (10), mas por ter racionalizado de maneira inteligente a cerca da moralidade e da violência terrorista. Um trecho da nota de esclarecimento “Avoiding Misinterpretation” (Evitando Interpretações Erradas):

“Eu entendo que discutir os aspectos mais feios da civilização é algo que é muito desconfortável para muitas pessoas e eu posso entender porque as pessoas não gostam que eu faça isso. Acredito que, se quisermos reagir de alguma forma às fealdades com que somos confrontados, primeiro precisamos reconhecê-las, discuti-las e não desconsiderar ou tentar ignorar. Isto parece-me verdadeiro, independentemente de estarmos ou não a falar do ISIS, eco-extremismo, do complexo militar-industrial capitalista, agricultura totalitária ou de qualquer outro contexto”.

Os esquerdistas estão presos em algum tipo de realidade paralela onde o que quer que façam ou aprovem em suas auditorias morais é correto e aceitável (FLT, MEND, Ted Kaczynski, CCF, YPG, Baader-Meinhof, Rote Zora, Zapatistas, Luta Revolucionária, etc.) e o que quer que façamos é errado, é “fascismo!!!” (com ênfase). No mundo dos adultos onde as coisas são levadas a sério a teoria e prática eco-extremista do extinto Reação Selvagem e de ITS foi muito bem discutida por diversos grupos e indivíduos interessados. Os Selvagistas publicamente já admitiram que a teoria eco-extremista contribuiu para o derrubamento do mito revolucionário que estava presente dentro do Selvagismo (11). A teoria eco-extremista também contribuiu com a crítica anarquista e ex-anarquista no Chile, Argentina e México. Aqui no Brasil sabemos que também foi seriamente discutida em outros estados. Nos Estados Unidos e Europa a discussão e a contribuição também foi grandiosa em diversos círculos. E anarquistas do “tipo 325, IGD, Voz Como Arma e Instinto Salvaje” surgem e unicamente ainda tem a coragem de berrar “fascistas!!!” e condenar irracionalmente qualquer coisa que os teóricos da Tendência ou interessados escrevem ou dizem? A única palavra para isso é demência. Como dito anteriormente, estão desesperados com o fracasso do anarquismo moderno e a expansão do eco-extremismo. O mesmo autor eco-radical condenado por anarquistas devido o seu artigo apresentado na ASN Conference já havia publicado no ano passado uma opinião respeitável em torno das ações de ITS intitulada “Eco-Terrorism, Eco-Fascism, Eco-Extremism, Eco-Anarchism and the Białowieża Forest(12). Um trecho interessante deste texto:

“Posso simpatizar com esta crítica aos anarquistas por parte deste escritor eco-extremista no que diz respeito à fraqueza dos argumentos anarquistas, onde os anarcos simplesmente chamam “fascista” tudo o que não gostam, algo que parece estar acontecendo.”

Uma prova cabal de que estes anarquistas são dementes é que se pegarmos a definição de fascismo não há absolutamente nada haver com o que defendemos, ou seja, é delírio o que dizem, tudo é dito de maneira extremamente emotiva. Ao invés de rediscutirem os seus métodos e as suas teorias, nos dedicam livros e colunas inteiras de calúnias e gritos “fascistas, fascistas, fascistas!”. Se Steffen Horst Meyn morreu (13) ninguém menos que os anarquistas presentes no local foram os culpados já que estavam há 20 metros de altura em seus inúteis e ultrapassados tree sitting enquanto o Bosque de Hambach aguarda pelo seu fim. Bloqueios, sitiamentos de árvores, cartazes, tudo isso já demonstrou ser completamente ineficaz há anos e só tem fichado e jogado aos montes os ecologistas na prisão. Apesar do aval moral dos esquerdistas, os descendentes do MEND são terroristas e fazem as petroleiras recuarem no Delta do Níger, na ilha de Bougainville o que os nativos praticaram foi terrorismo e conseguiram destruir as atividades da mineradora Rio Tinto Zinc. O que os Mapuche tem feito para defender as suas crenças pagãs e as suas terras ancestrais no Chile é terrorismo. As santificadas CCF são puramente terroristas. Por mais que demonizem este conceito, é terror puro. A diferença para o nosso terrorismo é apenas o alvo e o método indiscriminado, já que para nós o problema não é mais apenas a sociedade tecno-industrial e seu progresso, mas a própria humanidade. Mas vocês praticam o terror com a fé cega mirando um novo e inalcançável ser humano, com a esperança numa espécie de Éden anarquista para esta catástrofe de quase 8 bilhões de criaturas antropocêntricas insaciáveis. Isso é estúpido. E no fim das contas será que são realmente bem seletivos? E a morte de Sergio Landskron? E os vários depoimentos de civis que quase foram dilacerados por estilhaços das bombas das CCF? E a explosão numa estação de metrô de uma Escola Militar no Chile? E o trabalhador morto numa farmácia incendiada numa marcha no Chile? Estes “casos inconvenientes” são varridos para debaixo do tapete vermelho da moralidade e jamais são reabertos. Vocês são uma incoerente vergonha universal.

O arrependimento por tentar nos prejudicar será amargo, aguardem.

Adiante, teóricos eco-extremistas!
À caça ITS nas Américas e Europa, porque por aqui faremos a nossa parte!
Saudações, Guerrilha Lixo!

Individualistas Tendendo ao Selvagem – Brasil
– Sociedade Secreta Silvestre

Notas:

1. https://animalliberationpressoffice.org/NAALPO/snitches/
2. https://publicacionrefractario.wordpress.com/2015/04/02/valio-la-pena-intentarlo-nada-ha-acabadotodo-continua-diptico-en-solidaridad-con-la-huelga-de-hambre-de-la-conspiracion-de-celulas-del-fuego-marzo-2015/
3. https://earthfirstjournal.org/newswire/2018/08/11/alleged-elf-and-alf-fugitive-joseph-dibee-arrested-after-12-years/
4. https://instintosalvaje.org/ee-uu-egoismo-vs-los-aztecas-nazis-del-eco-extremismo/
5. https://es-contrainfo.espiv.net/2016/11/28/prisiones-chilenas-escrito-del-companero-kevin-garrido-desde-la-carcel-santiago-1/
6. http://maldicionecoextremista.altervista.org/es-en-delaciones-en-cadena-si-claro-en-mexico-city/
7. https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/07/07/nos-comunicado-1/
8. https://ecorevoltblog.wordpress.com/2018/09/23/paper-on-decolonial-violence-and-eco-extremism-for-2018-asn-conference/
9. https://ecorevoltblog.wordpress.com/2018/09/25/avoiding-misinterpretation/
10. http://maldicionecoextremista.altervista.org/mexico-trigesimo-primer-comunicado-individualistas-tendiendo-a-lo-salvaje/
11. https://www.wildwill.net/blog/2016/07/12/revisiting-revolution/
12. https://feralculture.blog/2017/07/30/eco-terrorism-eco-fascism-eco-extremism-eco-anarchism-and-the-bialowieza-forest/
13. https://bosque.hambachforest.org/blog/2018/09/21/comunicado-de-prensa-20-09-2018-muerte-tragica-en-el-bosque-de-hambach/

[MÉXICO] Comunicado 60 de ITS: Sobre a Delação da ONG 325

Tradução ao português do comunicado 60 de ITS-México comentando sobre a atitude dos caguetas do 325 e prometendo vingança…

I.

“Haverá um banho de sangue; nós não fugiremos; morrerá quem tenha que morrer: nós mataremos porque é necessário; haverá muita destruição”.
– Propaganda Galleanista, 1919.

Os frades europeus do anarquismo falaram, se pronunciaram contra nós e os nossos há tempos atrás, soltaram graciosas pseudo-críticas e publicaram-nas para que seus adeptos com tempo ocioso de sobra nos dedicassem folhas inteiras de pura ridiculosidade esquerdista. Foi divertido ver como estes anarco-frades vomitavam bile por seus orifícios enquanto liam nossos incorretos comunicados e/ou sabiam de nossos atentados controversos. Mas chegou o momento em que eles nos incomodaram demais e decidimos atacá-los físico e psicologicamente. Já não há como voltar atrás, estes humanistas são nossos inimigos e não teremos misericórdia deles e delas.

A “ONG 325” tem estado incomodando muito, já que há alguns dias publicou posts denunciando e “expondo” supostos membros da Máfia Eco-extremista. Sua cruzada inquisitorial para afetar-nos ou afetar aqueles que não tem relação direta com ITS continua em curso. Aparentemente, a Sra. “L” é quem está por trás de tudo isso e é também quem instiga a outros a seguirem este jogo vil. Sra. L, você já está grandinha, sabemos que a sua vagina está seca e abandonada, nós não somos culpados por isso, consiga alguém que te satisfaça sexualmente para que deixe de foder conosco, o que você acha?

Desta vez a “ONG 325” se vangloria de “expor” o teórico eco-extremista Abe Cabrera, dos Estados Unidos, publicando sua suposta foto, seu curriculum vitae e seu e-mail para que os fantoches descerebrados lhe enviem e-mails e lhe façam passar por um momento ruim (1). Primeiramente, ITS não sabe se a pessoa apontada é realmente Abe Cabrera, já que nós NÃO temos relação com ele, portanto, não sabemos quem é, nem quais estudos tem, nem nada disso, a única coisa que sabemos sobre ele é o que ele mesmo publica em seus escritos e isso é tudo. Ligá-lo ao bando terrorista internacional de ITS é impossível, o FBI irá corroborará esta informação a seu momento, com certeza estes e a Interpol agradecerão aos anarquistas por esta vergonhosa delação por parte da “ONG 325”. Que curioso, quem diria que os anarquistas modernos fariam o trabalho da polícia nestes tempos! Embora isso não seja novo, já que o haviam feito no início de 2018, quando eles mesmos enviaram um e-mail à polícia investigativa do Reino Unido (2) denunciando que o pacote-bomba encontrado em um local público na Europa era responsabilidade de Misanthropos Cacogen (MC), que recentemente havia se unido ao projeto internacional de ITS, em Fevereiro. Quem tão estúpido senão eles para utilizar o servidor do Riseup (como disse a mídia) (3) para enviar um e-mail à polícia denunciando MC? E agora aparecem com essa de Abe Cabrera. Já vimos que a delação está plenamente justificada quando se trata de “fascistas”, eles mesmos mandaram à merda a sua suposta moral ácrata. Que a polícia faça o seu trabalho já que a “ONG 325” apontou alguém como provável responsável. Que nojo nos dão vis covardes, vocês são a escória mais podre e hedionda de todas.

II.

“Se você me desrespeita, não importa se é ele ou ela, eu não me importo que seja homem ou mulher, se me falta com respeito te falto por dez, estão todos difamando porque eu tenho o poder, admita, eu sou a sua motivação, ou você não vê?”
K.

Certamente, este tipo de ovelhinha negra tem querido afetar a ITS “expondo” um teórico do eco-extremismo, mas isso realmente afetou em algo o nosso bando internacional? NÃO, porque Abe não é membro de ITS e porque sabemos que a propaganda anti-humanista continuará apesar dos obstáculos que os frades anarquistas tem posto em nosso caminho dentro e fora daquele país. No pior dos casos, a “ONG 325” afetará irreparavelmente a vida de Abe Cabrera (se ele realmente for quem dizem ser), mas temos a certeza de que Abe é inteligente o suficiente e forte para lidar com este novo obstáculo em sua vida. Os individualistas amorais que defendem a teoria eco-extremista são comprometidos com suas posturas, os distingue a firmeza e a beleza em letras que desenvolvem seu pensamento, admiramos a sua integridade e seu caráter sólido ao estar defendendo uma Tendência contrária ao humanismo em ambientes humanistas. Vocês são como o caçador nu nas florestas, ameaçado constantemente por animais selvagens caminha por um terreno hostil sem hesitar, confiante de que o Desconhecido o guarde e o proteja. Por outro lado, não deixa de ser uma tremenda merda o que foi feito pela “ONG 325”, se é que Abe é a pessoa que expuseram. Desde já dizemos, vocês se acham completamente intocáveis, não é mesmo? Nós sabemos quem está por trás da delatora “L”, sabemos qual grego está por trás do projeto inglês 325 – Act of Freedom. Nós não viajaremos do México ao Reino Unido para atentar contra vocês e seus espaços, porque a crescente presença de ITS na Europa não é mera casualidade…

III.

Para os frades anarquistas no México, saibam que o vitimismo de vocês não os salvam de nada, enquanto continuarem falando merda de ITS e reproduzindo a difamação do 325 ou da Sra. Campbell (que por sinal, fechou a boca depois que a localizamos e a ameaçamos de morte), nós nos inteiraremos e atuaremos em consequência, assim foi em Dezembro do ano passado com o punk anarquista que massacramos a golpes e deixamos abandonado como um nódulo inútil na frente da Faculdade de Filosofia e Letras da UNAM. Sim, fomos nós junto com nossas cumplicidades criminosas. Este personagem infame pronunciou uma cascata de merda contra nosso bando num comício da zapatista dois dias antes, e no final ficou estirado que nem uma merda, literalmente. (4) Que saibam que nós podemos atuar como o crime organizado ou como uma gangue, e já demonstramos isso mais de uma vez.

Cagamos e andamos se o anarco-estrela defensor dos indefensíveis se enfureça lendo isso e diga novamente “É assim como eles me pagam? Se eu lhes emprestei dinheiro!”. A credibilidade do anarquismo moderno está em pedaços pelo chão, e isso foi constatado com o que escreveu um feroz individualista:

“(…) hoje em dia não dou a mínima para o que se diga sobre mim, pela simples razão de que eu há tempos já não me concebo dentro do chamado Movimento Anarquista, nem do plataformista, nem do reformista, nem do esquerdista, e muito menos (especialmente) dentro do aspectro-mentira-falsidade anarquista insurrecional (com todas as suas variantes). Acabei me enojando de tudo isso, de todas aquelas pessoas que só falam e nada fazem, porque quando se trata de ser coletivistas todos são coletivistas, quando se trata de ser individualistas todos dizem ser individualistas. Acabei por estar farto da mentira ideológica do insurrecionalismo e acabei por me dar conta da verdade por trás do mito.” (5)

IV.

“Mulheres, velhos, crianças, todos devem ser afogados em sangue”.
Paolo Schicchi, anarquista italiano, 1892.

Há um conflito irreconciliável entre os frades anarquistas do tipo 325 e a minoritária seita à qual pertencemos, isso não negaremos. Já não queremos nos atolar neste jogo chato de contestar críticas porque sabemos que o intelecto de vocês não é capaz de compreender do que estamos falando, queremos apenas que fique bem claro que tudo tem a sua consequência, e que cedo ou tarde, esperem ou não, alguns de nós investiremos como a águia no peixe.

Adiante com os atentados indiscriminados e seletivos!
Adiante, teóricos eco-extremistas!
Adiante, membros de ITS na América e Europa!
Adiante, cúmplices criminosos!

Individualistas Tendendo ao Selvagem – México

NOTAS:

1).https://325.nostate.net/2018/09/15/who-is-arturo-vasquez-a-paralegal-or-an-eco-extremist-mafia-usa/

2).http://maldicionecoextremista.altervista.org/europa-de-e-mails-enviados-a-la-policia/

3).https://www.thescottishsun.co.uk/news/2321310/anti-terror-cops-email-named-group-behind-bomb-scare-edinburgh-princes-street-gardens/

4).http://www.elgrafico.mx/la-roja/04-12-2017/fracturan-con-golpiza-joven-en-ciudad-universitaria

5).http://maldicionecoextremista.altervista.org/es-en-delaciones-en-cadena-si-claro-en-mexico-city

Novo Blog da Atassa!

Dando seguimento à teoria eco-extremista em língua inglesa, Atassa – Readings in Eco-extremism, surge com um novo blog em uma parceria com o The Psycho Path. Para acessar o novo blog da Atassa clique neste link.

Pensamentos Sobre a Moralidade

Tradução do texto “Thoughts on morality”, de Abe Cabrera.

Ao investigar sobre a “Creek War” (Guerra dos Creek) algo curioso que encontrei foi a atitude dos índios em relação aos escravos negros. Para os Creek e os Seminoles, um escravo não era livre em virtude de que a escravidão era uma instituição imoral e, portanto, ilegítima. Um escravo deixava de ser escravo quando decidia não mais sê-lo e fugia. Uma das questões que os brancos tinham com estes índios era sobre como abrigavam os escravos fugitivos, e este foi um grande ponto de disputa na segunda guerra Seminol. Mas isso não foi por causa da atitude “iluminada” dos índios. Eles não estavam acima de tomar os escravos negros por conta própria, ou de mantê-los subjugados. O ponto era que a “liberdade” e a “dignidade” concedida a todos os seres humanos pelo Iluminismo não era um fato para a mente incivilizada. Tinha que ser “ganhada” ou “tomada” daqueles que a levaram embora.

Eu deixei para trás a ideia dos sentimentos nobres, aqueles sentimentos passageiros que apenas desejam coisas boas para me fazerem uma boa pessoa. Tenho visto muitos casos em que as pessoas acreditavam na piedade apenas para cometer atrocidades, ou cometiam atrocidades em nome da piedade. É melhor simplesmente se deixar esvaziar destes sentimentos: o que tiver de acontecer, acontecerá. A morte chega em breve, a fadiga traz o esquecimento, uma dormência de sofrimento prolongado.

A única vitória é trazida por seguir permanecendo aqui e de pé. As pessoas querem que a sua vida e a dignidade sejam reconhecidas meramente por existir. Não funciona assim. Este é o sonho esquerdista, mas nunca alcança nada, que todos temos um significado simplesmente porque somos/estamos: estamos unidos ao nobre selvagem e ao futuro transhumanista explorador das estrelas por causa de alguma continuidade… Continuidade! Que mentira fabulosa! Todos os selvagens são assassinados, e por dançar em suas tumbas… quer dizer, “honrá-los”, obtemos a sabedoria e o poder que eles ainda deveriam ter, mas que não tem. Acreditamos que somos todos iguais, mas não somos. De fato, é esse pensamento de que somos todos iguais, que somos a “humanidade” que nos leva a derrubar a floresta, contaminar os rios, levar a terra ao esgotamento, e pavimentar o resto. Porque somos a humanidade, porque este é o nosso “bem”. A humanidade é a inimiga da natureza porque é inimiga do lugar, do físico, do selvagem. Existem os seres humanos (animais humanos) e depois há a Gloriosa Humanidade. Se alguém olha a humanidade de frente e a declara a própria oposição, ou é um tolo ou um covarde.

A separação do ser humano/animal e a Humanidade não é tão simples. De fato, é praticamente impossível. É como pedir aos animais que fiquem longe do bebedouro durante o verão quente. Postular as ações indiscriminadas e seletivas é postular a superioridade do inumano sobre o humano, que os seres humanos não são um sistema fechado, eles “se abrem” a algo maior que eles mesmos (embora eles não entendam nem o obtenham). Para destruir estas coisas maiores (Natureza Selvagem), eles falham em sua vocação, ou seja, estão aberto ao universo, sendo apenas outra força dentro dele e agindo como tal.

Postular a “amoralidade” é buscar a destruição de todos os obstáculos pelo caminho. É postular o individual sobre a sociedade, o caos sobre a ordem. É postular que os pecados de omissão (não fazer nada) não são menos graves que os pecados cometidos (fazer algo). Que a paz civilizada está construída sobre um monte de ossos branqueados de selvagens extintos. Que você não pode vencer o universo com um bom comportamento. Que você se recusa a negociar a regra de ouro porque apenas a escravidão e o vício provém disso (e não do tipo recomendado). A “Amoralidade” reconhece que todos temos a “nossas mãos manchadas de sangue”, porque todos estamos banhados neste sangue. Nossa sociedade foi irrigada com ele. Então isso destrói o amor por completo? Não necessariamente, mas certamente se opõe à sua codificação: sua consagração dentro do reino dos direitos e da “dignidade inerente” da pessoa ipso facto. Posso esperar por piedade daqueles que amo, e desejar a destruição daqueles que não: o desejar não me faz nobre nem me deixa de fazê-lo. Não sou Deus: minha Palavra não está no começo e nada foi criado por ela, mas é perfeitamente razoável que eu odeie a um sistema que transforma meus desejos ou qualquer outro em um código universal de moralidade: hipocrisia? Isso Importa?

Notas Sobre o Anarco-primitivismo

Texto escrito por Abe Cabrera em seu extinto blog Wandering Cannibals.

Eu estaria mentindo se eu dissesse que não gosto de me envolver em discussões. Mas eu também estaria mentindo se não dissesse que creio que isso não é bom para mim na maioria das vezes. O reino das ideias “anti-civilização” é pequeno, o daqueles que se opõe totalmente à civilização é ainda menor, e o daqueles que tem certas ideias a respeito é ainda mais pequeno, etc. Creio que foi Henry Kissinger quem disse que as políticas dos campus universitários são asquerosas devido haver muito pouco envolvimento. Esse é igual o nosso caso. Nem sequer conheço a alguém na “vida real” que sustente algo que se pareça com estas ideias. Portanto, se meter com alguém através de um gole retórico é lamentável no melhor dos casos, e tolo na pior das hipóteses.

De muitas maneiras você está no mesmo barco, não importando quantas distinções faça. Se é “são” enterraria o machado e agradaria a todo mundo. É claro, o homem não vive apenas de sanidade. (Aqui vem o grande “porém….”). Uma vez que se tem certa “epifania” você percebe que não está na mesma página com aqueles que o observador externo diria que você tem afinidade. Eu venho do anarco-primitivismo, ao menos em teoria, embora nunca tenha me sentido cômodo com ele. O antropocentrismo, o otimismo, a ideia de que existe um estado primordial que encaixa como uma luva na psiquê humana… estas coisas nunca se encaixaram comigo. Como Marxista sempre vi a “natureza” como um ato do intelecto e da vontade humana, ou algo que atua por parte do intelecto e da vontade humana. Ou seja, a vida humana não é algo que simplesmente é “produzida” por nossa natureza manifestando-se em uma circunstância em particular. É algo ativo e vibrante, resultante do homem testando sua força contra o caos e a entropia. Creio que é evidente que nossa situação está desbalanceada, que todos os projetos humanos são insustentáveis no final, e muitas vezes, o modo de se formar uma sociedade humana é o produto de milhões de vontades diferentes disparando ao mesmo tempo para produzir uma harmonia e desordem, o alçamento e a derrubada dos artifícios e hierarquias, o retorno a uma base que pode tornar-se instável em um ciclo que chega até os distantes recessos do passado…

Por algum tempo pensei que este entendimento era aquele que estava envolvido em outras escolas do pensamento anti-civilização. Eu nunca aderi a seu aspecto “vendedor” (selling): você estaria mais feliz e saudável sem a civilização, tua comodidade seria mais estável, tua vida seria mais satisfatória, etc. Para mim a vida sempre se tratou de lutar, não de felicidade, mas de significado; não de liberdade, mas sobre o que fazer com ela. Talvez eu seja muito “pré-moderno” neste sentido do meu pensamento: a egolatria nunca foi uma preocupação, os indivíduos seguem sendo peões em um grande jogo cósmico, nosso único papel agora é o de derrubar sem esperanças a reconstrução. O de perceber que o homem é o compêndio e não o fim do cosmos, e se ele cai, como o mordomo personificado do mundo físico, o único honorável a fazer é retirar-se e deixar que o mundo volte a ser o que foi antes de nós. Isso não é algo que você pode vender ao jovem idealista que quer fazer do mundo “um lugar melhor”, mas é a única coisa em que estou interessado.

Estive lendo a mais nova edição da revista “Revisão Verde e Negra” (Back and Green Review), e enquanto não quero chutá-la ou criticá-la de uma forma sistemática (principalmente, por que quem se importa? E para que serviria?) Dei-me conta de que nós (os criadores dessa revista e eu) estamos nisso por razões completamente diferentes. Um dos ensaios é uma descrição exaustiva de como um dos autores chamado “Humano de Quatro Patas” tem treinado para retornar imediatamente a ser um caçador-coletor nômade. Embora isso seja problemático em muitos aspectos, é refrescante em sua honestidade. Por exemplo, representa um ponto de viragem no discurso anti-civ por empregar um “bait and switch” (conceito que faz referência a trocar um bem que é grátis por um mais sofisticado que tem um custo maior), afirmando que, embora historicamente possa ser que os caçadores-coletores tenham trabalhado umas poucas horas ao dia, aqueles que tem a vocação para converter-se em caçadores-coletores agora deverão trabalhar duro, e muito duro, por horas e horas ao dia, com a perspectiva do fracasso e a inanição sempre por perto. Aí se pode ver um ponto de venda, suponho. Após muitas gerações pode ser que as pessoas regressem a um estilo de vida nômade, de ócio geral. E novamente, tenho muito pouco controle sobre meus próprios filhos, não tenho tanta certeza de que posso determinar a mentalidade da descendência que jamais conhecerei.

Para apoiar um pouco, tudo isso é baseado no Plano Mestre do Anarco-Primitivismo, que vai da seguinte forma:

Plano A: A civilização irá se colapsar sozinha (mais ou menos);

Plano B: Não há plano B.

O que eventualmente nos leva ao paraíso nômade caçador-coletor, que não será fácil, mas de algum modo é para isso que estamos preparados inerentemente, assim dizem eles. Não é violar a Lei de Godwin, mas creio que não há melhor analogia aqui que o Partido Comunista Stalinista proclamando: “Depois de Hitler, nós”. O ponto do artigo do “Humano de Quatro Patas” citado acima é de realizar a corrida do “super-homem” (todos teremos potencialmente estes super-poderes), que vencerá a civilização pelo desgaste. É como wu wei ou algo assim.

A obsessão dos Anarco-primitivistas da escola dos Black and Green Review é, desse modo, a de preparar as pessoas para este futuro. Assim, as sociedades “primitivas” que os indivíduos decidem emular serão de entornos marginais tais como os Inuítes ou os Selk’nam (Ona) da Terra do Fogo. Ou seja, lugares em que a maioria dos seres humanos não querem viver como primeira opção. A partir desse foco de colonos sub-árticos virá a nova esperança da humanidade, e todos os demais podem simplesmente morrer, porque eles não tem esperança. Parem, por favor. (Como é que isso não é niilismo? Ou seja, abraçar um sistema na qual eu e minha gente sobreviveremos, mas o resto pode simplesmente morrer de fome lentamente ou se matar entre eles em guerras por recursos, eu não tenho ideia. Creio que é totalmente kosher o cometimento de pecados de omissão ou simplesmente deixar que 99,99% da população da terra morra, mas se você faz algo para mencionar isso traria impureza, ou é ao menos uma perda de tempo. Tenho certeza de que os humanistas ao redor do mundo apreciariam essa distinção na misantropia).

O que é mais triste em tudo isso é como os anarco-primitivistas pegam essencialmente, a um nível narrativo, as visões científicas/coloniais do mundo e colocam nas sociedades que tentam emular: pegando o que gostam e deixando de lado o que não gostam, como se pudessem selecionar como se fossem tomates, as formas de vida que muitas vezes estavam intimamente relacionadas com as formas nas quais alguém via na natureza. Portanto, chega-se a “essência” ou a “substância” do que significa ser um caçador-coletor nômade, enquanto que os detalhes “irrelevantes” e “falsos” tais como a cosmologia, a mitologia, os rituais, etc., são deixados de lado como se não importassem. Como se os Ona (Selk’nam) fossem simplesmente algumas pessoas que puderam ser o que foram drenando todo o endurecimento físico e perseverança, mas deixando de lado os grandes rituais como o Hain, e as deidades como o Hoowin, como se não tivessem nada haver com tudo isso. Você pode abstrair e sangrar uma sociedade primitiva para teus próprios fins e usar o que te agrade para salvar tua própria pele, enquanto provavelmente nenhum caçador-coletor prudente tenha pensado sobre o mundo e o que ele ou ela fazem diariamente nestes termos. (Veja, por exemplo, o artigo “Os Seris, os Eco-extremistas e o Nahualismo” nesta mesma edição da revista para uma visão alternativa de como abordar esse tipo de sociedades).

Assim como o esquerdismo vejo o anarco-primitivismo como algo inventado na mente do contador e do administrador de recursos, mas levado à era da Idade da Pedra. Para mim, parece que preocupações tais como “como posso sobreviver e como posso evitar ser oprimido” são muito modernas e domesticadas. Claro, todos nós queremos sobreviver, mas em quais circunstâncias? Fugindo sempre? Esperando a Godot na forma de catástrofe para que assassine a todos os nossos inimigos por nós? Desistir das melhores terras e ir para um lugar onde se sobrevivermos ou não, não seja melhor que uma brincadeira de merda? Ao menos o “Humano de Quatro Patas” admitiu no final de seu ensaio os Paleo-guerreiros da Super-Elite dentro de seu clube, aqueles que quiseram ir ao parque urbano após o trabalho para tecer cestos e esculpir pedras: boa maneira de dar esperanças a seus leitores. Quanto a mim, qualquer interesse no Anarco-Primitivismo e no que eles pensam e fazem diminui mais e mais a cada dia. Isso também me aconteceu com o Marxismo, embora eu não tenha me considerado um Marxista por anos estava ainda interessado remotamente nele. Especialmente com os anarco-primitivistas estou cansado de “a civilização é ruim para a saúde e está nos matando” misturado com o “reselvagear-se é quase impossível para a maioria das pessoas e há um grande risco delas se matarem”. Ok, podem trabalhar em seus projetos que eu trabalho nos meus.

Apocalipsis Ohlone

Reflexão do editor-chefe da revista Atassa.

Estive lutando um pouco para chegar a uma reflexão sobre o décimo nono comunicado de ITS, considerando que creio que é importante e digno de um comentário. Há algumas coisas que ainda não estou seguro sobre este texto, e algumas outras que creio que se articulam de uma maneira fascinante. Por exemplo, este é o primeiro texto eco-extremista que é expressamente extincionista, ao menos nos termos da espécia humana em seu estado atual em 2016. Não creio que isso tenha sido abordado antes de modo tão cru: no máximo, em alguns textos eco-extremistas foi falado de ataques indiscriminados como se as vidas dos híper-civilizados não importassem. Aqui, a diferença é que o texto abordado diz que o híper-civilizado deve ser extinto. Ponto final.

Eu observei que no passado as culturas mais civilizadas tinham um ponto de vista apocalíptico (“Apocalipse” em grego significa “Revelação”). A civilização sempre teve um desejo de morte. Os líderes de algumas das nações mais poderosas da Terra hoje professam religiões que creem que o mundo terminará com uma chuva de fogo, e que isso é uma coisa boa. Outros são guiados por ideologias que afirmam que o mundo físico é meramente uma ilusão. O estranho então não é que o eco-extremismo tenha uma visão pessimista da humanidade, é mais, é que os que criticam o eco-extremismo sobre este fato nem se dão conta de que isso não é nada excepcional no contexto da civilização, como se desenvolveu durante milhares de anos. De fato, a questão mais urgente, comparativamente falando, é porque o progressismo de esquerda consideraria a humanidade como algo distinto de um esforço finito: um projeto com uma data de vencimento. O livro “The Ohlone Way: Indian life in the San Francisco-Monterey Bay Area” de Malcolm Margolin, é um dos livros mais influentes que já li nos últimos anos. Cresci naquela parte do mundo, então sua descrição da terra antes da chegada dos europeus me tocou como uma tonelada de tijolos. Lembro-me desta região como um intercâmbio entre a terra agrícola e urbana, com um terreno montanhoso selvagem no meio. Antes dos europeus, a terra estava úmida e cheia de caça, era o lugar de animais como a lontra do rio e o urso pardo que já não podem mais ser vistos ali.

Um trecho interessante no livro indica que o “Ohlone” (agrupamento das tribos linguísticas dessa região que possivelmente seja arbitrária), tinha um sentido de natureza finita da existência humana como um todo. Como escreve Margolin:

“Mas no fundo [o Ohlone] sabia que seu mundo estava condenado, destinado à completa destruição. No princípio, no Tempo Sagrado, o poder era puro e impressionante, mas desde então esteve sempre deslizando, diminuindo em qualidade, quantidade e intensidade. As pessoas de hoje eram menos poderosas que seus avós antes deles. Um pessimismo e um fatalismo enraizados percorriam sua visão de mundo. As coisas estavam piorando em cada geração, e em algum momento no futuro deste magnífico mundo, como os mundos anteriores, estaria minado pelo poder. As pessoas deixariam de fazer suas danças e cerimônias, e o mundo Ohlone – seu formoso mundo vivo – entraria em colapso sobre si mesmo e se dissolveria no caos. Então talvez os espíritos se levantariam novamente, misteriosamente nascidos de uma inundação – espíritos como a Águia, o Coiote e o Colibri – para criar mais uma vez um mundo novo, claro, incrivelmente poderoso, um mundo talvez povoado por uma nova raça de pessoas, mas um Mundo que certamente não teria os Ohlones.”

Estou disposto a admitir que algumas das ideias de Margolin podem aqui ser uma profecia posterior aos acontecimentos de um povo conquistado. Mas existe uma interessante base existencial para os povos indígenas da costa central da Califórnia acreditarem nisso. Por um lado, relativamente falando, não havia muitos deles. Estes indígenas viviam em uma terra cheia de animais, e o homem nem sequer era o animal mais perigoso da Califórnia antes da chegada dos europeus. Havia uma boa chance de que os adultos fossem atacados por ursos pardos ou perseguidos por gatos selvagens, assim como nesta era moderna, sempre há uma boa possibilidade de morrer de um acidente de carro. Margolin escreve:

“Mas o conhecimento íntimo dos animais não levou à conquista, nem sua familiaridade desprezada. Os Ohlones viviam em um mundo em que as pessoas eram escassas e os animais eram muitos, onde o arco e a flecha eram o auge da tecnologia, onde um cervo que não se aproximasse de uma maneira adequada poderia escapar facilmente, e um urso poderia concebivelmente atacar. Vivia em um mundo onde o reino animal ainda não havia caído sob o domínio da raça humana e onde (como é difícil para nós compreender plenamente as implicações disso!) as pessoas ainda não se viam como os senhores indiscutíveis de toda a criação. Os Ohlones, como os caçadores de todo o mundo, adoravam os espíritos dos animais como deuses, imitavam movimentos de animais em suas danças, buscavam poderes animais em seus sonhos e até mesmo se viam como pertencentes a clãs com os animais, como os seus antepassados. A poderosa e graciosa vida animal da Área da Baía não só encheu seu mundo, mas encheu também suas mentes.”

O híper-civilizado, é claro, interpõe-se, a “Água debaixo da ponte!” aqui, mas na verdade não é. Meu próprio senso é que, o ódio à humanidade por si só é gerado por muita familiaridade. Os povos indígenas do centro da Califórnia (e de outros lugares) podiam olhar uma paisagem, pradarias, montanhas, rios, etc., e ver uma abundância de vida, uma panóplia de seres vivos. O homem moderno faz isso de modo que, quando olhe, enxergue apenas a si mesmo. Alguns podem dizer que isso é uma coisa boa, mas acima de tudo ele mesmo fica chateado com isso. O bem elimina a humanidade através de seus óculos de sol, fones de ouvido, telas de smartphones, etc. Ou consome a humanidade como mercadoria, auto-selecionada, criada para vender de acordo com a atratividade física, a inteligência percebida, o interesse comum, etc. Pensam que não há nada fora do ser humano, fora do ego e fora dos pensamentos sobre o mundo. E as pessoas se sentem particularmente inteligentes e eruditas ao pensar em tais absurdos, apesar de sangrarem e se decomporem aos demais… Minhas próprias investigações sobre a chegada da civilização europeia a partes do que hoje é “América”, concluem que a última ferramenta da conquista não era a tecnologia ou a doença (tomada em si mesma). Era um jogo de números: havia apenas mais homens brancos, especialmente no que agora são os Estados Unidos. Os guerreiros indígenas eram frequentemente mais valentes, melhores lutadores e com vantagem no campo, mas as ondas de conquistadores e imigrantes continuavam vindo e devastando a terra, transformando-a, matando os animais e despejando-a de suas características anteriores em muitos lugares. Não é que os povos indígenas tivessem necessariamente uma perspectiva mais “holística” da terra, ou que fossem mais “virtuosos”, que não eram muitos. A diferença quantitativa foi feita para as diferenças qualitativas em perspectiva. Em lugares cheios de energia, vibrantes e cheios de vida, é difícil conceber a superioridade humana como um conceito plausível. Pegue a destruição da terra, da vida silvestre, contaminando os rios e envenenando o ar, para chegar ao lugar onde se olha ao redor e se vê apenas o Homem. E então ele acaba odiando a si mesmo, tendo que olhar fixamente para si próprio e ter o poder absoluto percebido em se matar, levando junto o resto do planeta. Os povos indígenas da Califórnia, é claro, morreram, seu mundo foi silenciado junto com tantos outros. O que os substituiu é agora o mundialmente famoso Silicon Valley, junto com o que tem sido considerado o “Salad Bowl of the United States,” produzindo grande parte da alface e outros produtos consumidos nas mesas dos estadunidenses. O progressista não quer admitir isso, mas a troca entre o Homem e a Natureza neste ponto é uma preposição “ou bem/ou”, não “ambas/e” preposições. Você pode ter seres humanos, a grande maioria dos quais dependem ou apoiam a civilização e tudo o que ela representa ou pode ter coisas como água limpa e ar fresco que fazem com que a vida humana vala a pena viver. Você não pode ter ambos, não nesta etapa do jogo. É por isso que não choro pelos híper-civilizados, e não me queixo dos atos indiscriminados contra eles, e sigo escrevendo sobre estes atos. Uma vez que você se converte em um inimigo da civilização, se você é realmente um inimigo da própria humanidade, isso depende de como honestamente você tira suas premissas.

Como eu disse no início desta reflexão, as pessoas mais civilizadas admitem isso em segundo plano. Elas acreditam que Jesus, Alá ou Javé, virá e destruirá o mundo com fogo e estabelecerão uma Cidade Eterna que não pode desmoronar ou decair. São esses ateus e esquerdistas menos honestos que confundem a humanidade com um projeto transparente e permanente. Os primeiros acreditam que é preciso seguir a moralidade para que esta Cidade Eterna possa surgir, os últimos creem que é preciso seguir a moralidade para manter a Humanidade tal como está flutuando em sua missão de se tornar uma instituição eterna. Os primeiro se baseiam numa mentira, mas é muito realista em termos de meios para alcançar o resultado desejado. Os últimos são, sem dúvida, completamente enganados.

A falta de preocupação com os híper-civilizados, pelos domesticados que apenas amam a si mesmos, é base do pensamento eco-extremista, e é um aspecto desse pensamento que defendo totalmente. Não posso deixar de citar o poema de Robinson Jeffers na íntegra, este é o texto mais apropriado para pôr fim a esta reflexão. Descreve uma cena da terra de Esselen, ao sul do território “Ohlone”:

“Mãos Dentro de uma caverna em um estreito desfiladeiro próximo de Tassajara

A Abóboda de pedra é pintada com as mãos;

Uma multidão de mãos no crepúsculo, uma nuvem de palmas de homens, não mais,

Não há outra foto. Não há ninguém que diga

Se os tímidos e silenciosos marrons que estão mortos tentaram

Religião ou magia, ou fizeram seus traços

Na ociosidade da arte; Mas sobre a divisão dos anos estes cuidadosos

Sinais-manuais agora são como uma mensagem selada

Dizendo: “Olhe: nós também somos humanos, Tínhamos mãos, não patas.

Todos louvam

Vocês com as mãos mais inteligentes, nossos fornecedores

No formoso país; Desfrutar dela na temporada, de sua beleza, e baixa

E foi suplantado; Porque vocês também são humanos.”

Animismo Apofático

Texto reflexivo do editor-chefe da Revista Atassa, onde aborda o assunto do animismo do tipo eco-extremista.

As pessoas modernas, claro, não podem deixar de cercar isso com os seus olhos, e tenho a mesma tentação. No meu caso, enquanto o bom anarquista ou o esquerdista pode condenar a “superstição” porque pensam que conhecem a história, eu conheço a história ainda melhor, então eu penso duas vezes antes de fazer isso. Hegel escreveu em algum lugar que enquanto os gregos antigos podiam se curvar aos ídolos o homem moderno já não pode. Isso porque ele se tornou um ídolo de si mesmo, de sua realização científica e da compreensão do mundo. Embora eu vá mais longe que muitos defensores “anti-civilização”, em minha apreciação da ciência e da tecnologia moderna (principalmente pelo que fazem, não pelo que representam), eu sei muito bem que eles são também produto de certa forma de pensamento religioso, de uma genealogia que remonta a Einstein e Newton e a magia renascentista, ao neoplatonismo, a escolástica, a Aristóteles, aos pré-socráticos, e assim por diante. Recusar a “mistificação” da Natureza baseado puramente na racionalidade do Iluminismo parece ir parar bem abaixo das origens históricas da “racionalidade” no Ocidente. Não vejo o pensamento secular como algo que não seja um desvio de todas estas tendências. Este poderia ser um bom ponto a partir do nível abstrato, mas em termos concretos as pessoas modernas estão radicalmente separadas da “espiritualidade” como algo diferente de uma escolha do consumidor. Um eco-extremista já apontou isso como no longo ensaio de Halputta Hadjo, “Os Calusa: Um Reino Selvagem?”:

“Antes de discutir a religião Calusa e a posição dos espanhóis em relação a ela sinto que é apropriado discutir brevemente o cisma na mente moderna entre a religião e o conhecimento. Para chegar imediatamente ao ponto, a religião na maior parte de sua existência tem sido uma coisa eminentemente prática. Isto é, como as pessoas acreditavam e como sabiam que o mundo era um só em si mesmo. Isso porque os seres humanos, em geral, não tem o luxo de fazer atos de fé, esperando contra toda a esperança. “Bem-aventurados os que ainda não viram, no entanto creem” teria sido uma premissa incompreensível para qualquer pessoa “primitiva”, e esse foi o caso mais provável com os Calusa. Seus espíritos e seu ambiente era um só, suas práticas religiosas e sua forma de vida eram uma só, não havia nenhuma razão para duvidar disso já que se baseavam nas coisas que constituíam sua realidade cotidiana. O Calusa acreditava em um mundo cheio de deuses, algo que não podemos nos conceber em nossa mentalidade tão ocidental e secularizada. Portanto, desafiar suas crenças era desafiar sua forma de vida. Fora a maioria dos povos de sua região foram os Calusa que conservaram suas crenças até o fim. Eles nunca foram conquistados, mas desapareceram gradualmente junto com o mundo espiritual que habitavam.”

No Ocidente moderno não vemos que são os nossos espíritos, ou melhor, a Terra, que nos alimentam. A civilização nos alimenta, a tecnologia nos veste, a moral nos protege, etc. Portanto, não é de surpreender que até mesmo os mais “radicais” ideólogos híper-civilizados voltem seus olhos para os sistemas do passado para se aproximarem destes mundos e encontrá-los dispostos. Não sentem qualquer conexão com eles, podem até respeitá-los, mas não será subjugada qualquer entidade numinosa nem fingirão ser seu mensageiro, etc.

Como então se concentra a ideia do “paganismo/animismo” (sim, há uma diferença, mas eu não me importo com esse ponto)? Como recuperar os “deuses”? É mesmo necessário, desejável, etc.? Sinto que Halputta Hadjo em seu ensaio já abordou esse ponto no final de seu trabalho, mas irei fornecer minha própria abordagem. O que segue é minha própria tentativa de ser um animista no século XXI, com todas as contradições no pensamento e nenhum destes rituais frescos. É minha atitude e acima de tudo minha compreensão de que provavelmente nunca terei o que preciso, porque sentir que é “preciso” é o problema em primeiro lugar.

Minha própria entrada na crítica contra a civilização vem da sensação de lugar. De fato, os livros influentes para mim nos últimos anos não tem sido sobre a teoria, mas sobre onde plantar meus pés agora e onde os plantei. Por exemplo, tive o grande prazer de traduzir o XVI comunicado de ITS da cidade de Torreón, Coahuila. Esta é a cidade de meus avós, minha mãe foi criada em um pequeno povoado nos arredores. Eu ia muitas vezes ali nas férias quando era criança, e a sensação que eu tinha é que era feio e muito pouco atraente. Um deserto sem muito o que ver, cheirava a animais de fazenda e havia construções de adobe em ruínas. Eu não esperava mais visitar aquele lugar. De fato, eu apaguei da minha memória a paisagem da minha cabeça. Então esta parte do comunicado soou verdadeira para mim:

“A Natureza Selvagem foi destruída, o futuro ideal é tão cinza e inerte. Desde esta realidade atacamos; somos individualistas travando uma guerra vingativa em nome da montanha derrubada para construir uma mega estrada, pela flora e fauna destruída em nome do progresso, em nosso ser levamos a essência do rio desaparecido por alguma grande represa.”

“Merecido tem Torreón e seus cidadãos, que com suas práticas colaboram para a perpetuação da civilização tecno-industrial. Você vê o horizonte e encontra uma colina negra artificial criada pela empresa “socialmente responsável” de nome Peñoles, água envenenada, o ar contaminado, fauna e flora aniquilada pela expansão sem freio que tem a urbe. Por tudo isso…., três mortos parece pouco para nós.”

Agora, não sou o maior admirador da prosa histriônica. Eu seguro o meu nariz e faço todo o possível para traduzir estas coisas. Mas o sentimento não está longe do que eu sinto. Embora eu seja o primeiro a admitir que a Natureza muda e muda com frequência, o que os humanos modernos fazem com o meio ambiente segue sendo repulsivo e enlouquecedor. Não é a mudança o problema, é a taxa de mudança juntamente com a arrogância atrás dela, a miopia, o fracasso em parar de danificar nosso ambiente que é apenas uma extensão de nossa ferida e da alienação entre pessoas. Cheguei à conclusão há alguns anos de que se você não pode amar a seu entorno, a água, as árvores, o ar que respira, etc., você não quer mais nada. E sim, para mim, neste mundo, ITS tem sentido. Chame-me de psicopata, o que quer que seja, eu não me importo.

Como os eco-extremistas de La Laguna eu olho para aquele lugar agora tão distante em minhas memórias de infância, mas também para o lugar onde eu cresci, para os rios e pântanos que secaram quando a água foi utilizada para irrigar os campos e ajudar o gado com sede. Olho os rios por aqui que os antigos *temporeiros dizem, eles costumavam ser claros quando estavam crescendo, você podia ver o seu fundo, mas agora são cinzentos e opacos. Olho os pinheiros e os ciprestes e aos poucos grandes ciprestes, grossos e sábios, atados pela idade e a ferocidade: o resto das velhas árvores que não foram cortadas para fazer a Grande Cidade que posso ver através de Ok’wata. O eco-modernista e o progressista me dirão para eu deixar a natureza selvagem ir, para não chorar, e para olhar para frente. Eu rejeito isso, eu nego com todo o meu ser. Enquanto outros híper-civilizados não veem mais que shoppings e parques, vejo uma cena de crime, de fato, a cena do único crime que vale a pena abordar. Minha existência e a existência dos que amo é baseada em uma mentira, uma ordem social que não tem o direito de estar aqui. Ou tem um “direito”, mas não merece meu respeito ou lealdade. Nem uma porção disso.

Admito que não posso ser animista como os povos primitivos foram. Sei que as estrelas são apenas bolas mortas de gás, que a lua é uma rocha fria em órbita ao redor da Terra, que a doença é resultado de micróbios e vírus e não de um poderoso Xamã a três aldeias de distância jogando feitiços, e assim sucessivamente. Eu sei destas coisas, mas porque eu as conheço é esse o problema. As conheço pelo sistema, para o qual sou um meio e não um fim. Eu sei disso por causa de um sistema que é racional quando se dirige a estas coisas, que pode manipular matéria inanimada, mas que não tem ideia de como organizar e controlar animais humanos reais em muitas circunstâncias. Eu as conheço por causa do sistema que põe em perigo a Terra por causa de milhões de dólares ou de ideologias estúpidas. Minha adesão a um “animismo” é minha preferência por não tê-lo conhecido. Claro, isso não é possível agora, não posso praticar lobotomia em mim mesmo para eliminar o conhecimento moderno. Mas eu posso estar bem consciente do preço e declarar que ainda não vale a pena.

Tenho uma excepcional formação teológica/espiritual, mesmo que seja em meu catolicismo ancestral e em outros caminhos espirituais que resolvi estudar aleatoriamente. Tenho que admitir que a adesão ao “animismo” me deixa frio porque sei muito sobre os rituais e os dogmas para ir inventando o meu próprio credo. Eu nunca serei capaz de evocar os deuses mesoamericanos ou amaldiçoar as pessoas com a cara fechada. Mas muito menos serei capaz de condenar as pessoas que fazem isso, muito pelo contrário. Pode ser que eu não seja capaz de crer que as árvores, as rochas, os cervos, os jacarés, as bagas, etc., tenham espírito, e todos estejam sofrendo devido a nossa aflição contra o planeta, por nossa negligência e ganância, mas eu reconheço que eu gostaria de alcançar isso. No entanto, tenho aqueles momentos de atenção, aqueles momentos de assombro e admiração que todos devemos ter diante da Natureza Selvagem, e isso é o suficiente para mim, suponho.

O apofático é da escola do pensamento teológico que afirma que só podemos nos aproximar do Divino ou o Transcendente através da negação. Ou seja, conhecemos o Divino não pelo que é, mas pelo que não é. Minha própria crença no animismo é que todas as ideologias humanas se desmoronam, todas são o resultado de se voltar para a própria cabeça, para as ideias e certezas de uma pessoa, em vez de partir. Os olhos estão destinados a ver as coisas, os ouvidos a escutá-las, as línguas para prová-las etc. As coisas são primárias, não as faculdades que as percebem e processam. Meu verdadeiro ser está fora de mim, e o sentido do homem está fora de sua própria história… Não posso concluir esta reflexão de melhor modo que citando o poema de Robinson Jeffers, “Credo”, em sua totalidade:

Meu amigo da Ásia tem poderes e magia, arranca uma folha azul de uma jovem borracha-azul

E olhando-a, coletando e acalmando

O Deus em sua mente cria um oceano mais real que o oceano, o sal, o real

Péssima presença, o poder das águas.

Ele crê que nada é real exceto quando o fazemos. Eu humildemente encontrei em meu sangue

Foi criado ao oeste do Cáucaso o misticismo mais duro.

A multidão está em minha mente, mas creio que o oceano na abóbada de osso está sozinho

O oceano na abóbada do osso: ali está o oceano;

A água é a água, o penhasco é a rocha, vem os choques e os flashes de realidade. A mente

Entre, feche os olhos, o espírito é uma paisagem; A desoladora beleza

A beleza das coisas nasceu ante os olhos e foi suficiente para si mesma; A dolorosa beleza

Permanecerá quando não haja mais coração para quebrar

* Povos antigos que sem auxílio tecnológico moderno faziam a previsão do tempo.