Para Kevin

“Abro os meus braços a ti, porque nós somos os únicos que permanecerão, para lutar contigo, viver ou morrer”

O CORPO DE KEVIN FICOU INERTE, MAS SUA ESSÊNCIA VIVE, VOA JUNTO COM O ESPÍRITO DO CONDOR, ESTÁ NO ESPREITADOR OLHAR DA PUMA NO TOPO DA CORDILHEIRA, NA FORÇA DE CADA INDIVIDUALISTA EM GUERRA CONTRA O PROGRESSO HUMANO NO SUL E EM QUALQUER CANTO, SE MOVE E É SENTIDA NA ESCURIDÃO ABISSAL, É REFLETIDA NOS GELADOS RIACHOS E SEU NOVO NOME APENAS O VENTO E AS RAÍZES MAIS PROFUNDAS DOS DENSOS BOSQUES ONDE HABITAM OS INDOMÁVEIS PODEM SUSSURRAR. PORQUE UMA MORTE VIOLENTA É APENAS UMA CONSEQUÊNCIA LÓGICA E ESPERADA QUE AQUELES QUE ESTÃO EM GUERRA CONTRA A MEGAMÁQUINA TERÃO DE ATRAVESSAR. KEVIN, IRMÃO, TE VEREMOS NO ABISMO, TE ABRAÇAREMOS COM A FORÇA DOS VULCÕES E A CALIDEZ DO ZÊNITE. PORQUE TU JÁ FORMA PARTE DO TODO E O NADA, TE MANIFESTA NAS AURORAS BOREAIS, NA NEVE EMBRANQUECIDA, NAS ESTRELAS PALPITANTES E NA FLOR QUE CRESCE ENTRE O PAVIMENTO, KEVIN, TU ÉS O CAOS.

LUTAREMOS CONTIGO, VIVER OU MORRER!

– Xale

[IT – PDF] “La Nostra È Una Guerra Senza Ricorso” – Intervista a Nechayevshchina

Entrevista em italiano ao afim de sangue Nechayevshchina em uma série de ideias e perguntas com respostas contundentes!

Homem-Monstro/Edições Niilísticas “Ávyssos”

[Centro de Floreça – Último terreno niilista ideal]

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A Guerra de José Vigoa: Um Breve Discurso Sobre o Método Eco-extremista

Extraído da primeira edição da Revista Atassa.

A coisa mais notável que o eco-extremismo empreendeu durante o ano passado foi a sua maior clareza na organização. Embora o seu modo de atacar sempre tenha sido pequeno, disperso e reservado; e embora tenha sempre renunciado ao discurso revolucionário ou à discussão de um “movimento”, apenas uma ruptura ressonante poderia deixar claro que o ethos do eco-extremismo é diferente daquele dos anarquistas e outros terroristas radicais. Em comparação com o ativista, o eco-extremista busca emular o criminoso. Em vez do Partido, o niilista individualista constrói uma “sociedade secreta” (muitas vezes secreta mesmo entre eles). Em vez de um movimento, aqueles que realizam a defesa extremista da Natureza Selvagem defendem uma máfia. Se o surgimento do eco-extremismo sinaliza a travessia da ponte para sair da Terra do Progresso e do Iluminismo, a nova etapa do manejo da selvageria está incendiando esta ponte e observando-a arder.

Claro, existem razões teóricas para isso. Para realizar ações eco-extremistas, os próprios atores requerem uma maior autonomia e anonimato, assim como os delinquentes. O liberal, o esquerdista, o anarquista, o anarco-primitivista defendem ações que outros podem emular e proclamar como o Crucificado no Evangelho: “Vá e faça o mesmo”. Querem “produzir em massa” um curso de ação e comportamentos desenvolvidos para se adaptar a todas as situações e contingências possíveis. Tudo é em “código aberto” e para que todos vejam. Isso responde a sua necessidade do ethos democrático, sua Fé no Povo, seu Dogma da Bondade Fundamental da Natureza Humana. Mesmo os mais compreensivos leitores híper-civilizados param na literatura eco-extremista e se perguntam: “Mas o que eu devo FAZER? Como posso aplicar isso a MINHA PRÓPRIA VIDA?, etc.,” Se você tiver que se perguntar, então não há resposta no seu caso.

O eco-extremista é um oportunista. Ele é um individualista. Não existe um molde eco-extremista assim como há um molde comunista, anarquista ou primitivista. Cada um é diferente, assim como cada crime é diferente. O ativista moderno busca limitar o caos e a contingência: o eco-extremista conta com eles, e até mesmo prospera neles. As massas de ativistas híper-civilizados, desde os pacifistas até os Black Bloc, buscam se mover como uma coluna de tropas napoleônicas, com disciplina, objetivo comum e com uma força que confronta o Estado em uma situação de “duplo poder”. Estes são tão fortes quanto o seu elo mais fraco. A ação eco-extremista é a guerra de guerrilha no sentido pleno do termo: não apenas na prática, mas também no propósito. O eco-extremista, como o criminoso, luta apenas por si mesmo, em benefício próprio, e com os que mesmo longe lutam de maneira similar; aqueles que buscam igualar seus atos baixo as suas próprias circunstâncias.

É por isso que o eco-extremismo é a “pedra de tropeço e rocha que faz cair, porque tropeçam com a palavra” (1 Pedro 2: 8). Mesmo aqueles que simpatizam, esses líderes de torcida de esquerda que querem ser um pouco mais militantes e pensam que algumas poucas palavras em apoio a ITS aumentam a sua credibilidade com “pós-esquerdistas”, não entendem este primeiro princípio eco-extremista. O eco-extremismo não se trata de algumas poucas palavras militantes que estimulam a conversação, ou uma forma ligeiramente mais violenta de pessimismo passivo que permeia nos círculos intelectuais progressistas, se é que são honestos. O eco-extremismo é uma cumplicidade conspirativa, uma afinidade violenta e uma simpatia que leva à ilegalidade. O eco-extremismo não é outro ídolo ideológico que alguém tem no altar junto com o anarquismo insurrecional, o anarco-primitivismo, o eco-anarquismo, o niilismo passivo, etc. O eco-extremismo é o rompimento dos ídolos, até mesmo o ídolo da “autorrealização” e “autonomia” dentro da podre civilização tecno-industrial. É o zelo santo do fanático frente as blasfêmias contra a Natureza Selvagem, o desejo ganancioso da violência contra a vítima híper-civilizada e a singular paciência necessária para atacar o inimigo no momento oportuno. Qualquer semelhança com as ideologias que o precederam é superficial, na melhor das hipóteses.

Para irmos além, tomaremos algumas lições da vida de um guerrilheiro/criminoso moderno, alguém que teve opiniões semelhantes sobre a legitimidade da atividade criminosa em uma sociedade corrupta. Falamos aqui de José Vigoa, ex-Spetsnaz (NdT1), possível oficial da inteligência cubana, traficante de drogas e ladrão de cassinos que era o terror nas ruas de Las Vegas durante os anos de 1999 e 2000. Durante esse tempo, ele e seu pequeno bando roubaram alguns dos maiores cassinos de Las Vegas, incluindo o MGM e o Bellagio. Vigoa também matou dois seguranças de um carro forte que tentavam dar uma de heróis durante um roubo. Não nos debruçaremos sobre os detalhes biográficos de Vigoa aqui, apenas citaremos passagens do fascinante relato de John Huddy, “Storming Las Vegas: How a Cuban-Born, Soviet-Trained Commando Took Down the Strip to the Tune of Five World-Class Hotels, Three Armored Cars and Millions of Dollars”, e comentaremos sobre isso, conforme for o caso. Com isso, buscamos aprender com as regras do compromisso e esclarecer como o ataque individualista acontecerá a partir de agora no futuro. O futuro, tanto quanto se pode falar dele, pertence ao individualista, ao caos e a amoralidade.

“Não é que José Vigoa pense bem na determinação dos guardas da Brinks, já que estragaram o que poderia ter sido o seu roubo de aposentadoria. “Estúpidos heróis, merda!” , pensa Vigoa enquanto dispara fogo pesado contra os guardas e se retira ao rodeio que o espera. Vigoa se surpreende que os homens mal pagos da Brinks lutem. Se não fosse pela linha de fogo que veio contra ele e o gringo louco que atirou por cima do baú, Vigoa diria na cara deles o quão absurdos são: eu não estou tentando roubar seu dinheiro, ou faltar-lhe com respeito, ou roubar algo de sua família. Quero pegar o dinheiro dos donos gordos do cassino, do porco que tem milhões e milhões e explora seus empregados com salários de merda.” (16)

Intrépido, Vigoa realiza uma reunião pós-missão e anuncia uma nova política: “Da próxima vez nós disparamos primeiro e não faremos perguntas a ninguém. Não perguntarei aos guardas por seus malditos relógios. Todo mundo quer ser um herói neste país”. Vigoa escreve mais tarde em seu diário: “No meu mundo, você é o caçador ou o caçado. Las Vegas faz isso, Vigoa aceita.” (22)

A abertura do livro descreve um robusto roubo de veículos blindados no Desert Inn Hotel de Las Vegas, quando Vigoa e sua equipe abriram fogo cedo demais para que os guardas entregassem o dinheiro, permitindo assim que eles devolvessem os disparos e se defendessem. Isso seria um problema na onda de crimes de Vigoa: que os pobres guardas que tinham tudo a perder e nada a ganhar, com as balas revidadas defendiam o dinheiro de seus chefes de qualquer maneira. Talvez aqui vejamos que os “híper-civilizados”, longe de serem inocentes ou explorados, sustentam um sistema injusto por algum senso de orgulho ou hábito. A civilização não suprime os instintos animais, mas aproveita-se deles para os seus próprios fins, e neste caso, para defender o conceito de propriedade privada e o “trabalho bem feito” do trabalhador honesto. Poderia haver mais provas de que os híper-civilizados nunca se voltam contra o sistema tecno-industrial? (16)

“Os roubos e as táticas de pequenas unidades utilizadas pelo grupo lembraram a polícia de seu próprio treinamento. Os veteranos da Marinha e do Exército reconhecem as táticas de guerra de guerrilhas das Forças Especiais. O agente especial Brett. W Shields do FBI percebe que o bando usava as doutrinas clássicas dos comandos: (1) inserção clandestina, (2) combate breve e violento, (3) fuga rápida e (4) retirada rápida e enganosa. A polícia percebe que eles estão contra um criminoso organizado e tão colorido e letal quanto qualquer valentão da velha escola, mas que possui uma inteligência excepcional no campo de batalha, poder de fogo moderno e sofisticadas táticas de pequenas unidades.” (25)

Esta “militarização” da atividade criminosa é um tema comum em nossos dias, como veremos mais adiante.

“O que Vigoa chamava do Demônio Feroz estava sacudindo-o agora; logo estaria acordado. Vigoa poderia sentir a sua força bruta e o calor acumulando forçar por todo o seu corpo. Uma vez que ele havia temido o sentimento, pensou que era o que o havia atraído para a vida do crime e brutalidade, mas Vigoa sabia melhor agora. O Demônio Feroz era seu escudo e salvação, a força primitiva que o matinha vivo. Estava acordado e cada vez mais forte, e logo estaria livre para fazer o seu trabalho.” (104)

Esta passagem refere-se a um episódio no início da carreira de Vigoa, mas como muitos individualistas e selvagens de antigamente, Vigoa também tinha um espírito de orientação no combate. Para ser mais do que se pode fazer como um mero animal mortal, e para atacar, muitas vezes é preciso a inspiração de um espírito, de um demônio, como na crença grega antiga. Não é de surpreender que Vigoa acreditasse nisso, e pela qual o anarquista ou esquerdista zombaram disso, já que o poder destes vêm do povo segundo as suas crenças humanistas. Aqueles que aspiram a ações inumanas devem ter ajuda inumana.

Muitos traficantes também eram viciados e usavam seus lucros para sustentar os seus hábitos, mas Vigoa não. Sua abstinência não era moral, mas de vida e morte. “Você tem que manter o cérebro limpo”, advertiu a um de seus aliados. “Tem que estar em alerta em todos os momentos, mesmo quando esteja dormindo, fazendo amor ou com a sua família. Você tem que enxergar mais longe que os outros homens e em todos os cantos. Tem que ver nos corações dos homens. Você tem que ler os olhos do seu inimigo e saber que estão prestes a atacar, ou um dia eles tentarão te matar.” (106)

Vigoa ensina a sobriedade e vigilância pela mesma razão que os eco-extremistas: não por razões morais, mas por um propósito individualista. O objetivo do eco-extremista é o ataque, e os inimigos estão em todas as partes. A sobriedade e a vigilância são sempre necessárias. Alguns dirão que isso equivale ao ascetismo: que tal vida é um abraço desnecessário nas dificuldades para algum tipo de desfecho moral inverso. Nada poderia estar mais longe da verdade. O homem híper-civilizado espera ser defendido por sua tecnologia, seus edifícios e sua moralidade. Mesmo o mais amoral dos egoístas híper-civilizados baseia-se na civilização e suas pompas por sua “amoralidade”. A condição real do homem sem civilização é da constante vigilância: na selva, no bosque, na planície, e nos mares. Estamos tão separados de nossos sentidos e de uma vida de compromisso com as coisas selvagens, que acreditamos que uma vida de vigilância e sobriedade é uma vida de privação. A alternativa, no entanto, é a vida do animal do zoológico: não estamos sob nenhuma ameaça física porque vivemos em jaulas. Pelo menos, o eco-extremista resiste à vida na jaula, embora seja apenas para atacar e voltar a lutar outro dia. A alternativa é tentar encontrar a liberdade dentro da jaula, o que é um absurdo.

“De certa forma, o desaparecimento de Pedro foi algo bom”, diz Vigoa mais tarde. “Nos colocaram a prova. Depois que Pedro foi expulso do estacionamento, não nos desmoronamos nem nos deixamos entrar em pânico. É assim que é no combate real. Sempre há surpresas. Nada nunca acontece da maneira que se supõe que irá acontecer, e o plano é apenas o primeiro passo. Sempre haverá um refluxo e fluxo na luta. É como você reage às surpresas que importam. Nós fizemos bem.” (146-147)

O contexto para esta reflexão é o roubo do MGM que o bando de Vigoa realizou, e a lição aqui é óbvia. Sigamos adiante.

“Embora não seja o assalto mais lucrativo, o roubo ao Mandalay Bay será o modelo seguido pela quadrilha nos assaltos, sem resistência, e exatamente segundo o plano. O roubo atual dos dois guardas do Brinks leva menos de um minuto, e a fuga ainda menos tempo. Para quando a polícia chegar, os atiradores já tem desaparecido faz tempo. Ninguém sabe exatamente em que direção fugiram os suspeitos, as descrições do veículo de fuga variam, algumas testemunhas descrevem os bandidos como homens negros e não há evidências balísticas nem impressões digitais.” (186)

Este é um bom resumo das táticas do bando de Vigoa, que focou na velocidade e na precisão na hora de realizar os seus roubos e fugas.

“Como um tubarão, Vigoa pensou que foi encorajado por um impulso primordial, até mesmo o vício fora de seu controle. Talvez seus roubos não fossem sobre o bem ou o mal, o dinheiro, a vingança pelas injustiças passadas, ou mesmo pela família. Eles eram sobre o poder, a violência, o perigo e a emoção da caça. Os tubarões fizeram o que fizeram sem arrependimento, e o mesmo fez Vigoa. A polícia não poderia compreender isso, pensou Vigoa. Não tem ideia de quem ou com quem estão lidando.” (158)

É estranho que todos os “anarquistas verdes”, apesar de seus esforços pela “reselvagização” e por seus estudos antropológicos dos povos primitivos, não possam entender o que um criminoso comum aprendeu tão bem. Ou seja, a violência não era um meio para um fim na vida “primitiva”, mas muitas vezes um fim em si mesmo: um modo de vida. A emoção da caça e do ataque não é absorvida pelo hippie reselvageado em nossos dias, mas pelo criminoso e o vândalo, com todas as suas contradições e egoísmos.

“No geral, talvez o bando de Vigoa nunca poderia trabalhar com a precisão dos comandos Spetsnaz, mas era possível ensiná-lo a obedecer ordens simples e executar os planos bem desenhados de Vigoa. Mais tarde ele escreveu: “Uma de minhas habilidades especiais, na guerra e no crime, era treinar meus homens duramente simulando a missão uma vez e outra, às vezes vinte ou trinta vezes. Não havia lugar para o erro. A polícia e o exército os descobrem o tempo todo, mesmo quando você treina bem haverá erros. No meu negócio, posso cometer cinco roubos bem sucedidos, mas se cometo um pequeno erro ou permito que meus homens sejam descuidados e indisciplinados, todos morreremos ou seremos presos e cumpriremos largas penas.” (161)

Aqui começa uma parte crucial no livro, onde Vigoa começa a descrever sua metodologia com mais detalhes. Aqui vemos que Vigoa, porque é um homem de ação, não tem nenhum problema em exercer a autoridade. Embora os eco-extremistas tendam a ser individualistas, eles não tem problema algum com a autoridade, já que é concebível que uma situação assim possa surgir onde um pequeno grupo se forma para realizar uma ação particular. Ao contrário do anarquista ou do esquerdista, a organização não é uma função da ideologia, mas da eficácia em uma situação apropriada onde a velocidade e a precisão são fundamentais. Portanto, o eco-extremismo não possui problemas com a autoridade.

E agora a equipe poderia recitar as Regras de Vigoa quase palavra por palavra:

– “Não falar durante um trabalho, exceto na hora de “gelar” a vítima (ordenando-a que jogue a sua arma). Silêncio absoluto entre os membros da unidade.

– Plano A: Desarmar os guardas. Plano B: Matá-los sem hesitar se resistirem.

– Vigoa, e apenas Vigoa dá as ordens de quando se retirar para o carro na fuga.

– O segundo veículo de fuga (tecnicamente conhecido como o primeiro carro de fuga) estará dentro da distância próxima do trabalho porque o condutor dentro do veículo foi ensinado a utilizá-lo como aríete (NdT2), e poderia danificar o primeiro carro na cena do crime.

– São necessários no mínimo três carros por trabalho. Estes veículos, além do primeiro carro de fuga – aquele cuja a placa todas as testemunhas anotam imediatamente, fazem um total de quatro carros por trabalho.

– A velocidade é essencial – um minuto e fora. (Quando Suárez começa a protestar que levará tanto tempo apenas para recolher o saque, Vigoa o interrompe: “Isto não é o cinema, menino, as pessoas tem telefones celulares, ligam ao 911, e os estúpidos [a polícia] sairão para fora de suas lojas de rosquinhas para uma pequena ação”.)

– Não se pode deixar nos estacionamentos dos cassinos os carros que serão utilizados, porque a segurança tem estado anotando os números das placas. Utilize estacionamentos de apartamentos.

– O caos é fundamental. (Vigoa diz a seu bando: “Quem sabe o que é modus operandi?”. Silêncio. “Bem, porque não temos um. Há que ser imprevisíveis. Isso é a guerra. Seja previsível e morra”).

– Não deixe nada para trás.

– Máscaras de esqui e roupa escura. Sempre use luvas. Utilize as máscaras até chegar ao terceiro carro de fuga.” (165 – 166)

Nestas regras, vemos novamente a ênfase na autoridade, velocidade e precisão. Mas também vemos um aceno ao caos. Os eco-extremistas buscam ser o caos, a Natureza Selvagem em uma sociedade domesticada e artificial. Eles tampouco tem modus operandi. Eles não querem nada da sociedade, exceto atacá-la, então seus métodos não são tão diferentes de seus fins: atacam pelo bem do ataque. Isso permite que eles sejam imprevisíveis como Vigoa procurou ser.

“Não quero matar ninguém em meus roubos. Não queria matar os guardas do shopping. Mas depois do Desert Inn, percebi que todo americano quer ser um cowboy. Chamo isso de herói de merda. Você tem que ser John Wayne, Mel Gibson e Bruce Willis, e se faz coisas estúpidas, me obriga a fazer o que faço, o que não é totalmente estúpido, porque para sobreviver eu vou explodir o seu maldito cérebro. Vou mandar você no trem para o inferno por um capricho. Meu capricho.” (223)

Esta passagem descreve o que aconteceu quando Vigoa e seu bando tentaram roubar um carro blindado e tiveram que matar os dois seguranças porque decidiram lutar. Mais uma vez, os híper-civilizados defendem a civilização mesmo quando ela não é de seus interesses materiais. Chame-os como quiser, mas eles não são amigos do individualista ou da Natureza Selvagem para o assunto.

“Eu não estava drogado ou bêbado, mas tinha certeza. Muito confiante. Era o clima da festa. Me senti bem e suave, quase em transe. Me senti invencível e foi então que baixei a minha guarda. Assim como os hotéis fizeram quando os ricos, advogados e contadores deram conta dos gangsters italianos difíceis”. (248 – 249)

Vigoa descreve aqui como estar com a guarda baixa o levou a sua queda. Durante seu roubo do Bellagio, Vigoa usava o chapéu errado e foi identificado pelas câmeras de segurança, mostrando seu rosto em todas os noticiários. Isso é também uma advertência contra a vida dupla: Vigoa era um homem de família e deixou que uma festa familiar o relaxasse demais e o fizesse perder o foco. Em última análise, por isso foi capturado: uma parte de sua vida dupla contaminou a outra.

“Em 3 de Junho de 2002, eu estava pronto para sair, pronto para fugir da prisão de Clark County pela noite. Seria um presente bom e definitivo meu para todos os agentes da lei, sem mencionar a publicidade para o DA (NdT3) e algo para manter as pessoas ocupadas com as notícias. Mas algo inesperado e não planejado aconteceu. Um amigo meu foi preso com vinho feito na prisão. A polícia me perguntou se poderiam entrar em minha cela por um segundo porque alguém foi preso com vinho, e a polícia queria saber se eu tinha alguma coisa. Eles olharam em volta e não encontraram nada. Estava trabalhando aquele dia na janela, fazendo o meu último trabalho, mas não tinha as placas de metal coladas ou muito bem disfarçadas, porque a busca nas celas foi tão repentina, e eu estava tão perto de fazer a checagem – e a nova correção oficial inexperiente descobriu meu trabalho por acidente. Foi um tiro de sorte.” (335)

Depois que Vigoa foi capturado, um integrante de sua equipe estava preparado para testemunhar contra ele em troca de clemência. Esta pessoa, no entanto, terminou pendurada em sua cela em circunstâncias misteriosas. Apesar de estar em isolamento a maior parte do dia, Vigoa estava tentando sair pelas grandes de sua janela e escapar. Isso demonstra o espírito indomável de Vigoa: mesmo quando estava prestes a ser condenado a prisão perpétua, ele ainda encontrou a possibilidade de tentar escapar.

O tom de nossa primeira e das subsequentes entrevistas é prático e até cordial. Mas quando Vigoa compara o tiroteio de Ross e as trágicas mortes na guerra, eu o interrompo. “Roubar as pessoas à mão armada não é guerra”, lhe digo. “Roubar as pessoas sob a mira de uma arma para se enriquecer e depois atirar nelas quando resistem é assassinato.”

O rosto de Vigoa escurece. Ele me olha duramente, e nos olhamos nos olhos. Há uma longa pausa e depois suspira. “Tem razão, não é guerra.”, diz Vigoa. “-Bem, talvez um pouco como a guerra. Na guerra não matamos apenas soldados, mas também pessoas inocentes. Mas às vezes um homem não tem outra opção.” Vigoa ainda está atônito porque os guardas do Desert Inn e do Ross arriscaram suas vidas pelo dinheiro de outra pessoa.” (354 – 355)

Quando é questionado pelo autor do livro, Vigoa resiste à moral híper-civilizada, e se nega a excluir o “inocente” em seus ataques indiscriminados. Mais uma vez, é muito revelador que ele entenda o que tantos “eruditos” não conseguem: que os inocentes não são tão inocentes assim, e que as pessoas “fazendo o seu trabalho” são justamente os que sustentam a civilização.

“José Vigoa é um exemplo do criminoso mais temido no futuro”, disse o xerife Bill Young. “Nas forças de segurança os EUA sabemos exatamente como lidar como o bandido de rua, mas estamos muito atrasados com os estrangeiros nascidos e treinados, que são inteligentes e não cometem delitos porque são viciados ou precisam de dinheiro para drogas. Estamos vendo cada vez mais esses caras em Las Vegas, particularmente no Oriente Médio, nos Estados Bálticos e na América do Sul. Seus valores são muito diferentes dos nossos, e o lado implacável que eles mostram deixa muitos policiais americanos atordoados. Muitos desses caras tem formação militar e são sofisticados e bem instruídos. Será necessário um esforço conjunto de nossa parte para lidar eficazmente com os José Vigoas do mundo”.

“A história de José Maual Vigoa Pérez acaba por ser a história do nosso tempo.” (364)

Assim termina o livro de John Huddy sobre um grande ladrão individualista que passará o resto de sua vida em uma prisão nos Estados Unidos. A partir desta passagem, fica claro que José Vigoa foi um pioneiro: um presságio das coisas por virem. Acredito que o eco-extremismo compartilha muitas das mesmas características que o xerife descreve aqui: pessoas que são treinadas (mesmo as que se autotreinam), indiscriminadamente violentas, bem instruídas e comprometidas com o empreendimento criminoso. À medida que a estrutura da sociedade continua a se desintegrar (no sentido institucional), e implacáveis em seus métodos. Isso, portanto, não é uma previsão, mas a leitura do inevitável. “As coisas desmoronam, o centro não aguenta…”

O eco-extremista é aquele que se entregou ao caos que ameaça a civilização tecno-industrial. Aprendem com José Vigoa, as tribos primitivas, companheiros terroristas, e qualquer um que possa fornecer exemplos sobre como conduzir uma guerra pessoal em defesa extrema da Natureza Selvagem, embora essa defesa seja apenas olho por olho, dente por dente.

Fonte:

Huddy, John. Storming Las Vegas: How a Cuban-Born, Soviet-Trained Commando Took Down the Strip to the Tune of Five World-Class Hotels, Three Armored Cars, and Millions of Dollars. New York: Ballantine Books, 2008

(NdT) Notas do tradutor:

*Forças especiais russas. Vigoa como soldado cubano foi treinado na antiga URSS, sob a doutrinação das forças de elite.

**Utilizar um carro como “aríete” é tomá-lo como uma arma para quebrar portas e penetrar obstáculos na fuga.

***District Attorney, o procurador.

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JOSÉ VIGOA: DADOS BIOGRÁFICOS

José Vigoa foi o maior assaltante de Las Vegas. Nasceu em 24 de Dezembro de 1959, em Caimito del Guayabla, Cuba. Ele cresceu sob o regime socialista implementado por Castro.

Aos 13 anos foi enviado para a URSS e lá ficou por 6 anos para receber treinamento militar.

Após terminar o treinamento de Spetsnaz, encabeçou um grupo armado de cubanos no Afeganistão que combateram contra os Talibãs enfrentando a União Soviética e seus aliados naqueles anos.

Após os confrontos Vigoa retorna a Cuba, mas logo depois decide sair do país e em 1980 chega a cidade americana de Las Vegas.

Sem oportunidades de emprego e se vendo numa plena crise de imigração que sacudia os Estados Unidos, se torna traficante, mas em 1989 é preso em uma operação especial da DEA, e é acusado de tráfico de cocaína.

Vai para a prisão cumprindo uma sentença de 7 anos e, em dezembro de 1996 sai baixo liberdade condicional.

Vigoa, fora da cadeia, sedento de vingança, começa a preparar um plano criminoso elaborado que o colocaria na história. Treina seus amigos no hostil deserto de Nevada (Oscar Cisneros, Luis Suarez e Pedro Duran), começa a juntar armas curtas e vigiar cassinos de luxo, hotéis caros e carros blindados que transportavam dinheiro destes mesmos negócios. Assim, a espetacular carreira criminosa de Vigoa dá seus primeiros passos:

– 20 de Setembro de 1998, Vigoa e seus homens assaltam o cassino MGM Grand, vão para a saída previamente vistoriada onde emboscam dois guardas armados que levam sacos cheios de dinheiro do mesmo cassino. Roubam suas armas e levam 1 milhão e meio de dólares em dinheiro vivo, além de cheques.

O trabalho é limpo, sem disparar nenhum tiro. Os ladrões fogem sem deixar pistas. A polícia ainda não sabe o que estão enfrentando…

– Outubro de 1998: O bando de Vigoa se faz passar por empregados e rouba 11 veículos de uma loja de aluguel de carros. Estes ao serem muito difíceis de rastrear seriam utilizados para escapar nos assaltos que tinham pensado mais adiante. Este é o maior roubo de carros de Las Vegas.

– 28 de Junho de 1999: Em uma tarde ensolarada, o grupo liderado por Vigoa embosca um par de guardas de um blindado que saía do cassino Desert Inn. Os guardas resistem ao assalto e começa um tiroteio onde os guardas são feridos. Nesta ocasião Vigoa e companhia partem sem um único dólar, e embora a fuga deles seja implacável, essa seria uma lição que os marcaria.

– Agosto de 1999: O famoso e luxuoso casino Mandalay Bay é roubado por um grupo de homens armados, desta vez o montante seria de 100 mil dólares em dinheiro, os responsáveis seria o bando de Vigoa que foge sem deixar pistas para a polícia.

– 03 de Março de 2000: Homens encapuzados emboscam um veículo blindado que saía de uma loja de roupas em Henderson, os guardas resistem ao assalto e Vigoa com um Fuzil AK-47 os assassina a sangue frio. A polícia procura desesperadamente os assaltantes e os assassinos, mas não há nenhuma pista.

– 22 de Abril de 2000: Pistoleiros roubam dois seguranças do luxuoso hotel New York New York. Levam milhares de dólares e, como em todos os casos, não deixam nenhuma pista conclusiva para as investigações da desmoralizada polícia de Las Vegas.

– Junho de 2000: Em uma operação que dura aproximadamente 1 minuto, três homens se dirigem aos caixas principais do famoso cassino Bellagio e com pistola em mãos levam todo o dinheiro que encontram. Vigoa dirige o assalto desde o bar e dá a ordem para abandonar o lugar. O centro de operações em segurança do cassino capta todo o assalto em suas câmeras de segurança, e alertam os guardas que logo seguem o carro onde fugia o bando de Vigoa. Este, percebendo a presença dos guardas, com um só disparo no pneu deles, os detém e consegue escapar.

O roubo do Bellagio foi de 200 mil dólares em dinheiro.

É aqui onde começa a queda do bando de assaltantes mais famoso de Las Vegas.

Após o espetacular assalto ao Bellagio, os mesmos proprietários do cassino forneceram as imagens das câmeras de segurança à polícia, que cederam a todos os noticiários. Assim, difundiram as imagens dos rostos dos ladrões em todos os veículos da época; o oficial da liberdade condicional de Vigoa o reconhece e dá informações à polícia que rapidamente começa a caçada.

– 07 de Junho de 2000: Vigoa é localizado saindo de um shopping center com sua família, e é seguido pela polícia. Ao perceber a presença da polícia, Vigoa acelera seu carro e começa uma feroz perseguição, a equipe da SWAT fecha a estrada fazendo com que Vigoa saia do veículo deixando sua família dentro dele, e fugindo a pé tentando despistar seus verdugos. Ao se ver encurralado Vigoa luta fisicamente com os policiais que tentam prendê-lo, os enfrenta, mas o número o supera. São necessários 4 agentes para imobilizá-lo e ele é preso.

Já na prisão, os juízes pensam em decretar a pena de morte a Vigoa devido os assassinatos dos guardas do Henderson, e após prender seu amigo Oscar Cisneros, obrigam-no a depor contra Vigoa, mas este amanhece enforcado e o caso se afunda, a única testemunha que iria depor contra Vigoa está morta, não se sabe se Cisneros decidiu cometer suicídio em vez de enviar a morte o chefe criminoso de seu próprio bando, ou se alguém o matou fazendo com que o fato parecesse um suicídio.

– 03 de Junho de 2002: Vigoa tenta escapar da prisão, mas é descoberto pelos guardas.

– 16 de Agosto de 2002: Vigoa é julgado e este se declara culpado de 43 acusações de crimes não graves e 3 acusações de crimes graves. O condenam a sentença perpétua, onde ele passa seus dias pensando em como escapar, se a vida o permite…

Guerra Oculta

Extraído de Revista Regresión número 7.

“O lobo come toda a carne e lambe a sua”

O título da “Guerra Oculta” não se refere especificamente a um único texto, é a especificação de um caminho (ou de um não-caminho) através do labirinto de um (ou dele próprio) projeto de Terrorismo Niilista. Este texto é, portanto, uma parte única e fragmentada de um “discurso” maior que escavará profundamente a Tendência da qual escrevo, que fornece várias precisões úteis, tanto para esclarecer certos aspectos, talvez às vezes mal entendidos, e também como contribuição para aqueles que queiram “aderir” a esta Tendência, e a “necessidade” de esclarecer certas coisas sobre esta lei.

Isso porque é muito complexo e, por vezes, difícil compreender os textos e os atentados que se desenvolvem na destruição da moral cristã-platônica, e ocidental.

EGO-ARCA: TERRORISMO NIILISTA

Em “Trizas” eu havia descrito o término Ego-arca com referência à Máfia, como método de ataque e aniquilamento do próprio inimigo ou inimigos.

Bem, agora é o momento de ir até o fundo, e declarar de modo Amoral, a semelhança ou afinidade, a compreensão, entre o Terrorismo Niilista e a Ideia Ego-arca.

Isto, voltando a dizer, mesmo se houvesse vivido em uma era na qual a ideia ou Tendência pousasse no ser de Meu Niilismo, seria específico, agora, na era da “generalização”, devo ser preciso e definir.

Portanto, este texto que é um fragmento de uma complexa “Guerra Oculta” falará da união de termos e ideias que misturam-se entre si.

Em meu folheto chamado “Seita” eu havia desenterrado o contexto no qual a afinidade de um Projeto Ilegal deveria se mover em uma perspectiva independente, mas dentro da Seita Niilista. O comportamento e o modo de vida foram as coisas enfrentadas de maneira apropriada no uso da ação Terrorista no ocultamento de seu “vero nome” [NdT: nombre real], da destruição da dependência de um certo tipo de dinâmica social, do desenraizamento da ideia de igualdade, do debate amoral entre afins que consista na realização de seu próprio Ser Dominante, e formar uma união de Egoístas, livres para escolher seu próprio prazer, fora de uma Seita, mas sob a estrita observância das regras peculiares do mesmo grupo.

Por que isso?

Porque a união de Egoístas que propus é a união de Seres livres (literalmente) do que eles querem fazer e/ou como queiram fazê-lo, como segue:

1° – Se o termo se confunde no texto, continuarei explicando a ideia da igualdade;

2° – Um sujeito com vontade de formar uma Seita não poderá formá-la enquanto reproduza a mesma ideia anárquica do conceito de respeito mútuo;

No término “Afinidade” há muitos, mas muitos aspectos, que se reproduzem com o debate amoral em seu interior, e predeterminá-lo escrevendo que “todo mundo faz o que quer” acaba em uma ideia meramente utópica, porque, então, um grupo que se define genuinamente como anárquico, teria em seu interior aqueles que eles mesmos chamam de “indivíduo autorizado”, que reproduz o mesmo termo de “autoridade”.

É por isso que o folheto “Seita” tinha que ser escrito e tinha que ser exposto após eu ter vivido uma ação individual acompanhado por outro indivíduo, para com isso formar o que seria uma Seita Niilista Com Direção Ego-arca.

A formação de uma Seita que em seu interior começaria a crescer através das bases impostas com um selo distintivo, do que um dos indivíduos, como porta primordial de classificação e a união de elementos, conduzam ao fortalecimento, a experiência da experiência, em um mundo específico onde as coisas são vistas.

Atenção, aqui não falo ou escrevo sobre um papel que está estabelecido a priori (ao menos que o individuo promova que formou uma Seita, não específica no fim do início), de uma atribuição ou de uma tarefa atribuída a cada indivíduo dentro do grupo, mas –através do debate amoral– a aparição de uma figura proeminente é fundamental para o desenvolvimento do projeto ilegalista, pela penalidade, a queda ou a destruição de tudo.

A Seita Niilista da Livre Morte, por exemplo, impõe aos que poderiam ser os “Sete Afins” a não-união (embora agora os os últimos grupos de Terroristas Niilistas surgidos tiraram o foco desta ideia sem deixar de ser um complexo debate amoral), para ensinar que uma coisa é a ideia do Ataque e o Atentado Amoral, e outra coisa é ser parte de uma federação, negando extremamente a proliferação de células, núcleos, etc. [*]

Este é um exemplo claro da característica peculiar da “palavra” de imposição de uma opção clara e que se põe em contato diretamente com a ideia Ego-Arca.

Falamos sempre de uma escolha específica, expressadamente única e, portanto, de um mesmo grupo, mas também se estende a outros Sete, que pode ou não, se preocupar com tal abordagem.

Esta escolha, de uma Seita, não significa a referência à suposta “liberdade” (que existe apenas naqueles que não veem para além do seu nariz), para guerrear com o próprio sangue, e também define, um certo tipo de Tendência, também chegando a um enfrentamento entre eles, e se não se obtém uma posição que se comprometam de outro modo, pode-se dizer, de maneira “Stirneriana”.

A afirmação Stirneriana de compromisso viaja através da realização de um objetivo específico, canalizando em um caminho de aceitação informal (e não informal) dos que querem chegar a um ponto egoisticamente “afim”, sem perder as características “originais” de cada Seita ou Grupo.

Compromisso por conseguir atingir um objetivo “comum” entre os Sete, mas não, para aceitar em sua totalidade o que a imposição lançou da pedra (tendo estendido a mão no lançamento e não retirando-a).

Por que usei o termo “imposição”?

Primeiro, para destruir com isso o termo com sua ênfase negativa (e moral), e continuar perturbando o sonho dos bons e dos justos que anseiam os mitos do “cuidado”.

Em segundo lugar porque o termo tem um significado específico que se você for cortar com uma faca afiada, tirará sangue com a pressão, a proeminência de um Ego em respeito a outro, a emoção de uma batalha também “verbal”. A emergência da fibrilação e tensão afirmativa, a anulação da paz social imposta desde a humanização dos conceitos e valores, regressando o uso e o consumo dos que vivem em monotonia e no tédio.

Deve ficar claro para o leitor que o termo “Ego-arca” está associado de maneira similar à Tendência “Terrorista Niilista”, por um certo tipo de especificidade, determinante para não ter medo de dizer e fazer, distinguindo um certo tipo de ideias extremistas.

Isso porque o sangue que corre em minhas veias me aproxima da vida, aquela da “realidade”, poderia experimentar, afrontar, ver, roubar e fazê-lo meu, Minha ideia, que só poderia ser atacada, mas não canalizaria em algo que não tem nada haver com o que eu expressei Agora nestas linhas.

Então poderíamos continuar com a afirmação de que o Terrorismo Niilista é Ego-arca porque se aproxima de maneira fundamental com a imposição de uma ideia. Quem deve querer roubar o segredo oculto e transformá-lo em ervas daninhas? Coisas para os adoradores macios das utopias modernas.

Além disso, embora o termo “oculto” se refira a um “idioma” específico não é compreensível pela multidão, mas também para aqueles que não querem entrar em um Estado Abismal, e afrontar a vida e a morte, divorciados das regras comuns e humanas.

Leiamos o vocabulário da sociedade moral e as coisas que escreve a respeito:

“O Ego-arca com egoísmo e presunção pretende impor sua própria autoridade e sua própria moral”.

Coloco isso para que tenha sentido para o leitor, que às vezes os termos são combinados com a estupidez desta sociedade que, sim, quer impor sua própria moral, mas logo escreve que aqueles que tem uma visão Única do que vivem são pessoas presunçosas e egoístas.

É por isso que cada termo tem haver com o “Niilismo”, então também deve ser especificado com o “Egoísmo”.

Egoísmo que poderia ser para mim aquele que te diz que “você é egoísta” haha!

Partindo desta pequena nota irrelevante vamos agora ler o vocabulário das coisas distintas:

O Terrorismo Niilista, a Seita, é para Mim, um ato amoral, que dentro de si mesmo, tem características peculiares de Poder e de domínio autoritário, porque nega completamente a “falsa” abordagem da visão de igualdade, e porque com características dessa natureza conduz a emergência da particularidade que esta porra de sociedade, com seus valores vulgares, quer impor.

Além disso, como já indicado, o Terrorismo Niilista, se dirige à confrontação, mesmo dentro da mesma Seita, uma vez que deve ser realizada, o que é, a sobrevivência de um grupo, sua força, através da escolha de um capo (líder), figura decisiva, com características distintas, que pode continuar com o Projeto Ilegalista, sem que este caia no esquecimento.

E se estende aos Sete através de um texto, um comunicado, um atentado, a abordagem imposta para chegar a retirar ao verbo “ético” de qualquer profundidade, e levar a força de sua própria Ideia Terrorística, um fundamento básico para atacar com unhas e dentes os inimigos sociais e da “realidade”.

Por que não deveria ser assim?

Por se tratar de uma ideia específica e original surgida de uma Seita para seguir sendo específica deve ter seu próprio fundamento, continuar exercendo seu próprio Poder de domínio, por outro lado, por causa da derivação desta Ideia Original, não poderia ser específica sem ser impositiva.

Isso não significa que Eu não possa abordar outra ideia que possa me influenciar, mas sempre sob uma perspectiva de “compromisso Stirneriano”.

Mais uma vez, por que isso?

Por que se eu me considero Único, unicamente devo permanecer “original” e não sucumbir a uma ideia que possa me levar a perder.

Tudo isso combina com a ideia de minha sobrevivência como meu eu animal-humano em relação à outra sobrevivência, naturalmente convertendo-se mais tarde em algo complexo e articulado, vital, e proeminente, subterrâneo e extremista, que cresce e cresce de novo, e atinge completamente.

Nesta mesma posição de uma denominação específica da “ideia” (neste caso dos Sete Terroristas Niilistas), emerge uma espécie de concatenação no que diz respeito a sobrevivência de uma Tendência ou de um grupo específico “original”: a medida de tudo o que pode ser na ação, como uma espécie de agrupamento de indivíduos que parecem ter uma afinidade peculiar intrínseca entre eles, que é o Individualismo. Individualistas, mas que tem duas visões específicas: O individualista Egoísta e o Individualista igual-cêntrico, ou para colocá-lo de maneira normal, o “o igualitário”.

Devemos deixar este aspecto bem especificado já que dá um significado de peso e de poder à denominação de um grupo Ego-arca sobre tudo aquilo que gira em torno dele, e que poderia confundir aos interessados no Terrorismo Niilista.

Especificamos que o individualista igual-cêntrico é sempre um Ser egoísta, mas que pretende sê-lo através de uma utópica visão de uma escolha individual que equivale a um conjunto totalizador. Isto é o que “o afirma”, porque deve cair na coletivização forçada, aquela que é sua escolha final.

Então, com isso, sem deixar de ser utopia, a escolha do Indivíduo pressionado por ter êxito em um ataque instintivo se rende dócil e suavemente, tudo dentro de sua seção que deve adiar e avançar para a formalização coletiva.

A escolha peculiar e específica através do domínio Egoico de uma ideia afirmativa (lembremo-nos, não por isso permanece imutável) se diferencia amplamente daquela coletiva onde para ser colocada deve ter uma convergência paralela entre os sujeitos que a formam, reduzindo-o assim a um mero apêndice, o poder do indivíduo que se põe em seu Ser como o mais forte, decisivo, fundamental, para avançar em um mundo “realmente real”.

Então voltamos a escrever e a aprofundar que o Terrorismo Niilista é Ego-arca, porque nega completamente e com toda sua força a ação niveladora para a proeminência da imposição da ideia imposta que se reivindica como a maioria, não só exclusivamente forte, mas também mais decisiva, específica, seletiva, particular, etc.

Devemos especificar também que o Terrorismo Niilista é profundamente Misantrópico, feito exclusivamente de Indivíduos que atuam através da Vontade Egoica, para distinguir-se do “resto” que consequentemente se separam, em opções precisas, as quais não são rechaçadas pela multidão, de fato, derrubam o conceito ético da sociedade, se colocam no topo de cada posição coletiva, ou necessariamente não Egoica.

Sem nenhuma conclusão final deste fragmento, em uma mais completa e ampla “Guerra Oculta”, termino com uma citação do 4° livro da “Vontade de Potência” chamado “Disciplina e Seleção”, cito com várias perguntas que, você leitor, pode refletir o desgosto com a linha superior, ou levantar-se, quebrar e fragmentar a moral dentro de ti, e começar a atacar e golpear de maneira Niilisticamente Terrorista os valores do “mundo real”.

“As típicas formas de se configurar. Ou seja: as oito questões fundamentais”.

1) – Você quer ser mais complicado ou mais simples?

2) – Você quer ser mais feliz ou indiferente à felicidade e à infelicidade?

3) – Você quer ser mais contente ou ser mais exigente e implacável?

4) – Você quer se tornar mais suave, mais flexível, mais humano ou mais “inumano”?

5) – Você quer se tornar um especialista ou carecer de considerações?

6) – Você quer alcançar um objetivo ou esquivar-se de tudo com propósito?

7) Você gostaria de se tornar o mais respeitado ou o mais temido? Ou talvez, o mais desprezado?

8) – Você quer se tornar um tirano, um enganador, um pastor ou um animal do rebanho?

Afinidade de sangue com o Sete e com o Clã Terrorista Niilista!

Afinidade de sangue com o Terrorismo Eco-extremista!

Eu, Nechayevshchina!

[*] Extraído de “Nomen Omen” – Seita Niilista da Livre Morte

Nos pontos anteriores já havíamos especificado que negávamos qualquer pacto federativo ou de associação com qualquer forma “externa” que faça parte da esfera do “compartilhar”, mesmo sendo fundamentalmente egoica.

Vamos especificar os pontos anteriores para delinear a atitude da Seita Niilista da Livre Morte. Estamos contra qualquer pacto federativo porque excluímos de nossa união secreta o seguinte:

CÉLULA: uma célula é uma entidade “orgânica” dentro de um elemento mais complexo constituído de uma estrutura coordenada chamada federação. Uma célula que atua com base em um acordo conspirativo ou federativo deve reconstituir-se e unir-se com outras células em harmonia seguindo um programa que embora seja informal, formaliza o acordo através de uma base que deve ter características semelhantes para corresponder.

NÚCLEO: o núcleo tem características semelhantes à célula onde os indivíduos que o formam se unem, fazendo parte de um pacto associativo em torno do centro de um projeto federativo, com fundamentos consensuais que devem ser perseguidos, mesmo que se dividam em ações diferentes, com o denominador comum da federação a qual pertencem, mesmo informalmente.

FRAÇÃO: a fração é uma parte divisória dentro de um “todo”, neste caso, de um pacto federativo ou associativo, sobre umas bases de igualdade, sendo a escolha e o ataque de uma fração o denominador comum para golpear e atacar.

Humanos

Odeio a todos os humanos
Vejo-os como animais comuns
Aqueles que eles comem e servem
Tremendo a mão como o velho que se enforcou em prejuízo da hoi polloi* da cultura das prisões
Nunca são capazes de captar o mundo fora da moral cristã
Este é o animal que as sociedades de moradores conversadores criaram e domesticaram
Odeio a todos os humanos
Os tipos progressistas se emaranham no eterno Panchreston** por uma liberdade que emana da mente
Nunca existiu e nunca o fará
Os perpetuadores da ética religiosa
Filhos do humano
Detesto os materialistas obscuros, esses pretensiosos sacos de merda, os zumbis ocos de duas caras da sociedade do consumo
Detesto os idealistas, os mórmons imbecis da consciência que não podem captar o mundo pelo que ele é
Cravo uma faca no coração coletivo, pensando e atuando!
Eu odeio a todos os bastardos!
Vocês podem me escutar, putos cadáveres?

Todos os sonhos estão mortos porque isso é o que merecem. Tudo deve perecer!
Sua alienação é total! Nada resistirá se eu puder destruí-lo!
Eu busco apenas as maneiras de danar e destruir a tua existência!
Eu respiro um desprezo atroz e um ódio não diluído
Toda
a minha vida estive rodeado por estes tolos que aspiram a rasgar a minha carne se eu não esconder as minhas verdadeiras intenções e pensamentos do além
Humanos.
A evolução biológica d
os patas das ovelhas!
Uma nova raça para o massacre, a definição da escravidão e a contaminação que açoita sobre mim para entrar na porta do metafísico
O que me transforma em um organismo aleijado possuído pela busca da essência
Odeio a todos os humanos
Animais superestimados, um erro da natureza.

Archegonos

*Expressão grega que significa “a maioria”, fazendo uma conotação depreciativa da classe obreira das massas ou das pessoas comuns.

**Palavra grega para definir uma explicação que tenta abordar um problema complexo tentando explicar todas as possíveis contingências.

Moralidade

Tradução do texto “Moralidade”, extraído de Antisocial Evolution.

A moral é a teoria de que todo ato humano deve ser bom ou ruim. O propósito de todos os sistemas morais é fixar o comportamento humano mediante a imposição de normas absolutas desenhadas de tal maneira que permaneçam além do exame e da crítica. Todos os sistemas morais são apresentados como a norma superior, a lei absoluta, a ordem peremptória que impõe a todos, em todos os momentos, o que devem fazer e o que não devem, sendo aplicável a todos os seres humanos sem exceção.

Para entender plenamente como funciona a moralidade como mecanismo de controle é útil examinar as funções pedagógicas subjacentes aos códigos morais e as justificativas utilizadas para exigir a obediência universal. Até recentemente, uma das mais comuns dessas justificativas era um dito Deus e, de fato, isso não acabou por completo. Este deus diz a nós o que é certo e o que é errado, ou o “assim diz a crença”. Este conceito metafísico do sonho emite regras para que nós obedeçamos, e se nos recusarmos a fazê-lo, esse deus nos castigará horrivelmente. No entanto, ao ameaçar a outras pessoas dessa maneira, o moralista mudou uma postura por outra postura moral, rumo à outra postura de conveniência pessoal, para evitar os resultados dolorosos de não se submeter a alguém ou a algo mais poderoso que nós mesmos. Claro, existem aqueles que não acreditam em um deus e que, no entanto, são crentes na moralidade. Estes moralistas humanistas buscam uma sanção para seus códigos morais em alguma outra ideia fixa: o Bem Comum, uma concepção teleológica da evolução humana, das necessidades da humanidade ou da sociedade, direitos naturais, e assim por diante. Uma análise crítica deste tipo de justificativa moral demonstra que não há mais nada atrás do que está atrás da “vontade de Deus”. Conceitos como o “bem comum” ou “bem-estar social” são meras peças retóricas de grande ressonância utilizadas para disfarçar os interesses particulares daqueles que as utilizam. É precisamente este disfarce de interesses particulares como leis morais que se escondem por trás da máscara ideológica da moralidade. Os sistemas morais funcionam como um ocultamento do propósito real e do motivo e quase sempre são uma “vontade de poder” disfarçada. Mergulhe os planos luminosos dos Salvadores Morais da Humanidade no ácido da análise brutal e veja o padrão escondido no rolo: o desejo de forçar uma certa linha de ação sobre todos, o desejo de governar e reprimir. Somente quando, em certos momentos e lugares, por meio da força física ou astúcia superior, alguns conseguem impor a sua interpretação moral particular aos outros de uma única moral que triunfa, entendida e seguida por todos da mesma maneira -como na Idade Média, quando a Igreja Católica dissolveu toda a variedade na unidade, ou como vemos hoje em certas partes do mundo islâmico.

Um dos usos mais populares do mito moral é adicionar um enfeite ao já desagradável prato da política. Ao converter até as mais insignificantes das atividades políticas em uma cruzada moral, se pode assegurar o apoio dos crédulos, os vingativos e os ciumentos, além de dar uma pseudo-força aos fracos e vacilantes. Enquanto se espera que aqueles que desejam governar os outros invoquem repreensões morais em uma tentativa de converter (ou purgar) o iconoclasta desviador ou crítico, é profundamente desanimador observar os autoproclamados anarquistas atuando na mesma farsa, na forma dos códigos do discurso politicamente correto, as restrições dietéticas, as escolhas dos consumidores, a ética social dogmática e as moralidades escravagistas como o pacifismo. É difícil imaginar algo mais desfiado, mais irremediavelmente plausível para fundar uma rebelião antiautoritária que a moral, mas os anarquistas o fazem o tempo todo, em detrimento de sua própria luta e credibilidade.

O egoísmo consciente do egoísmo –não é nem moral nem imoral– está além do “bem” e do “mal”. É amoral. Um egoísta pode ser verdadeiro ou mentiroso, considerado ou desconsiderado, generoso ou cruel, de acordo com a sua natureza, gostos ou circunstâncias, e a seu próprio risco, mas não é obrigado a ser nada disso. É possível que uma pessoa se comporte de modo que a moral tache de “bom” ou de “mal”, mas fazem isso apenas porque seus interesses julgam e mentem em uma direção ou outra, não porque esta pessoa está possuída pelo aspecto do moralismo ou do imoralismo.

Enquanto o moralista tende a ver os conflitos entre indivíduos (e grupos e instituições) em termos de “certo” e “errado”, o egoísta nunca considera um adversário correto ou incorreto em nenhum sentido moral. Cada um está simplesmente perseguindo o cumprimento de sua própria agenda, e se o conflito não pode ser resolvido de outra maneira, deve ser resolvido pela força. Bem, não se enganem, ao repudir a ideia de moralidade os egoístas não fazem exceção à “violência”. Tampouco fazem qualquer distinção piedosa entre o nível da força ou a força de retaliação. Qualquer uma das formas é usada se for uma maneira conveniente de perseguir um dado fim, e para o egoísta não há lei moral que proíba a violência à qual eles devam subordinar sua vontade à soberania pessoal.

Para o egoísta consciente a inexistência da moralidade é tão verdadeira como dois e dois são quatro e, neste sentido, o egoísmo supera os limites das mais ousadas especulações do anarquismo sobre a soberania individual, atuando como um poderoso solvente para uma imaginação obstruída por teorias de “certo ou errado”. Só depois de escrutinar todo o horizonte da amoralidade -o nada que resta na ausência do bem e do mal ou de qualquer outra autoridade metafísica- o indivíduo se encontra cara a cara com a liberdade emocionante e terrível em que nada é verdadeiro e tudo é permitido.

 

Reflexões a Respeito da Liberdade

Maravilhosa reflexão de Zúpay sobre o termo “liberação” e todas as suas implicações reformistas e idealistas.

Neste texto, proponho apresentar, da maneira mais clara possível, minha visão sobre a liberdade, como conceito, a partir de uma perspectiva eco-extremista. As razões que me fazem realizar este ensaio são bastante variadas, entre elas pode se considerar de maior importância o fato de que tenho observado como este conceito tão ambíguo é metido nos discursos de uma quantidade muito alta de indivíduos e grupos, os quais fazem apologia do mesmo, sem nunca chegar a uma visão polida do termo. Por esta razão, em meu entendimento, é produzida uma nuvem escura que dela nunca pode ser extraída a ideia clara, que é o que se está buscando, ao que se quer chegar quando se tenta alcançar a “liberdade”. Não me interessa entrar em detalhes sobre as definições propostas pelos dicionários sobre esta palavra nem tampouco abordarei neste ensaio as perspectivas que poderia ter um cidadão sobre este conceito, uma vez que, claramente, não vai dirigido a eles. É destinado a qualquer pessoa que esteja em busca de uma interpretação mais clara e realista do mundo que a rodeia, e o expresso como uma contribuição ao debate, e não como uma declaração.

Alguns indicariam que se trata de um conceito negativo no qual uma pessoa não é “livre para” (interpretação positiva), mas “livre de”, “livre de toda autoridade”, “livre de opressão”, “livre de denominação”, etc. Enquanto outros, talvez mais astutos, ou menos confusos que os primeiros, veriam este termo de forma positiva, “liberdade para se desenvolver”, “liberdade para atuar”, etc. Um anarquista poderia dizer que busca alcançar a liberdade ao lutar em uma guerra contra o estado e a autoridade, os quais restringem seu livre desenvolvimento e determinação, enquanto um anti-civilização poderia dizer que a única coisa que você pode aspirar neste mundo é alcançar a liberdade individual. Nisso ninguém está sendo claro sobre o que busca ou o que realmente deseja. Em um mundo sem Estado nem autoridade, o humano, assim como todas as demais criaturas viventes, estaria sujeito a uma quantidade imensa de fatores que limitariam o seu “livre desenvolvimento”. Enquanto que, dentro desta realidade em que nos vemos submersos alcançar a realização de um conceito tão vago como “liberdade individual” é simplesmente impossível. Você poderia se dedicar totalmente a viver ao lado do selvagem, esculpir a sua lança, aguçar os seus sentidos, caçar e coletar o seu próprio alimento, você poderia até tentar. Mesmo supondo que você tenha alcançado esta façanha não demoraria muito para presenciar o seu entorno sendo invadido por máquinas e pelo cinza inerte da civilização. O primeiro poderia argumentar que as condições de um determinado ambiente não restringem a sua “liberdade”, mas sim moldam a sua realidade de uma determinada maneira. Analisaremos a isso com cuidado.

Uma das principais razões pelas quais os anarquistas detestam ao Estado e a autoridade é porque eles privam a muitos de alcançar as mesmas oportunidades que os demais. Em um mundo em que estas entidades demoníacas não existissem eu realmente acho muito difícil, senão impossível, pensar em qualquer cenário que apresentasse as mesmas possibilidades para todos. Um grupo de humanos que vivesse em ambientes tropicais claramente teria uma vantagem na coleta de frutos e acesso a uma variedade deles, enquanto outro grupo, em entornos mais austeros, se veria “forçado” a recorrer à caça ou a pesca com muito mais frequência. As condições são IMPOSTAS a você, não há “liberdade” nisto (este ponto será aprofundado mais adiante neste ensaio).

Outro exemplo prático poderia ser a questão da alimentação. Muitos anarquistas acreditam seguir o caminho da coerência e da ética ao praticar o veganismo já que o consideram como parte do exercício de sua liberdade ao escolher determinada forma de alimentação e, simultaneamente, isso é feito em busca da liberdade de outros indivíduos. Na natureza selvagem nenhum animal pode escolher qual será a sua alimentação, isso depende de seu entorno. A civilização necessita tirar proveitos de todas e de cada uma de nossas práticas, se nos alimentássemos unicamente do que o nosso entorno tem para nos oferecer seria algo muito pouco rentável, então é aí que cada vez mais surgem novas e estranhas modas, com infinitas propostas alimentícias, para que possamos escolher a que melhor se ajuste às nossas “aspirações individuais” (induzidas). Tenho a certeza de que para muitos será difícil ver a ilusão que se forma aqui, mas pensemos. Realmente não podemos decidir sobre os assuntos que realmente são de vital importância neste caso. Não podemos decidir se queremos consumir alimentos não intervencionados, livres de produtos químicos e tóxicos ou se queremos tomar água limpa. Mas é claro, podemos levar uma dieta “paleolítica”, podemos escolher ser veganos ou crudívoros. Ter um bocado de opções falsas (falsas no sentido de que naturalmente não poderíamos escolher estas opções) é realmente mais valioso que poder acessar a única opção natural e verdadeira?

O segundo, referindo-se à liberdade individual, poderia talvez dizer que o simples fato de determinar o seu caminho é suficiente para ser considerado como possuidor de certa “liberdade”. Eu acho um ponto interessante, embora também muito questionável. Primeiro porque neste caso a liberdade passaria a ser algo muito abstrato, já que praticamente qualquer indivíduo que se declare consciente de suas decisões poderia alegar ser “livre”. Esta afirmação cai por seu próprio peso ao contemplar o fato de que vivemos em um ambiente civilizado. Dia após dia somos expostos a uma infinidade de estímulos sensoriais que afetam profundamente a nossa percepção da realidade. Uma pessoa poderia andar por aí acreditando que determina o seu próprio caminho, mas na verdade é a sua própria criação e o seu entorno que o moldou para andar nessa ou naquela direção. Mesmo o anarquista mais “desconstruído” se veria obrigado a admitir até que ponto têm permeado em seu ser os artifícios da civilização, e não fazer isso seria algo bastante tolo. Agora falando de nós, os eco-extremistas, ou ao menos falando de mim, não tenho o menor problema em assumir-me como um humano moderno e civilizado, profundamente domesticado e muito distante da minha verdadeira animalidade. Para nada sou “livre”. Até mesmo o eco-extremismo, como já pontuou Halputta Hadjo, é produto de seu entorno, um ambiente hostil, doente e banhando de artificialidade, um ambiente que nos empurra inevitavelmente para o caminho da confrontação, aqueles que escutaram o chamado de nossos instintos e de nossas raízes ancestrais.

Falar de “liberdade individual” dentro da civilização me parece sem sentido, nem sequer podemos nos locomover livremente pelo ambiente físico, isso para não mencionar o mental. Mas mesmo fora da civilização em um cenário que colapse por algum motivo, este tipo de conceito tampouco seria praticável. Nenhum animal pode se deslocar com total liberdade, os falcões não podem explorar cavernas submarinas, os ursos polares não podem habitar ambientes tropicais, exemplos há de sobra. E no que diz respeito ao mental, levando o assunto a um nível abstrato e talvez subjetivo, pelo menos na minha opinião, também não é possível. Irei me apoiar em um exemplo para expressar este ponto com mais clareza. Um bonobo nascido em uma família de bonobos está acostumado desde o seu nascimento a se alimentar de frutos e insetos, a viver em um ambiente tropical e levar uma vida altamente ativa. É a única opção que lhe foi apresentada, jamais conheceu algo diferente. É possível que se houvesse experimentado outro tipo de alimentação os seus gostos ou desejos seriam diferentes, é possível que se houvesse habitado terrenos menos quentes talvez lhe agradaria, talvez não, mas no fim das contas nunca será capaz de descobrir. Utilizarei outro exemplo que poderia deixar mais claro. Os lobos viveram milhares de anos de forma selvagem, habitando um número muito variado de ambientes. Em algum momento os lobos começaram a se aproximar dos humanos, se reclinaram ao calor do fogo e provaram da comodidade de receber alimento sem ter que caçá-los sozinhos. Muitos decidiram ficar. Pouco a pouco perderam a sua selvageria e se tornaram animais domésticos. Aqui estará em cada leitor a opinião que este exemplo pode gerar. Poderíamos pensar que a renuncia do lobo a sua vida selvagem o sujeitou a escravidão da domesticidade. A verdade é que ele não possuía liberdade antes de tomar esta decisão, levando uma vida sofrida, dura, passando necessidades e tendo que realizar esforços enormes para sobreviver. Sob que ponto de vista isso poderia ser considerado liberdade? O lobo tomou uma decisão entre duas opções que lhe foram apresentadas. Optou por uma ao invés da outra. Eu não me oporia muito à afirmação de algum indivíduo que sustentasse que isso dava ao lobo a liberdade que a vida selvagem não poderia oferecer a ele.

Outro ponto sobre o fenômeno da “liberdade” da qual eu gostaria de fazer algumas apreciações é sobre as lutas pelas supostas “libertação animal e da terra”.

Primeiro, arrancar um animal da jaula física em que ele se encontra lhe outorgará necessariamente a liberdade? As opções são limitadas, ou o leva a um “santuário vegano” onde ele terá um terreno muito limitado para circular, onde dependerá de horários pautados pelos humanos para se alimentar, e às vezes até mesmo para sair de seu recinto ou curral, onde (na maioria dos casos) será forçado a conviver com grandes números de animais em espaços reduzidos, onde há muitas espécies distintas, de forma totalmente anti-natural, alimentando-se de lixo industrial, e acessando artificialmente a esse lixo desde as mãos de algum humano. Qualquer um pode perceber que, se a liberdade existisse, não seria representada pela situação recém mencionada.

Outra opção para este ser “resgatado” seria a de ser abandonado em algum resquício de natureza selvagem que ainda reste. Este animal que possivelmente foi arrancado em seus primeiros momentos de vida de seu ambiente natural ou que nasceu diretamente em cativeiro e não conhece nada sobre o ambiente na qual deveria se desenvolver, não contaria com as ferramentas para se cuidar e sobreviver dentro da natureza selvagem. Muito provavelmente não conseguiria passar a primeira noite com vida. Mas mesmo assumindo que conseguisse, as feridas exercidas tanto em seu corpo como em sua mente deixariam cicatrizes totalmente indeléveis em seu ser. Poderia, talvez, conseguir viver por um tempo, lidando com o seu entorno, mas como um ser domesticado, com um profundo condicionamento instilado por sua experiência próxima aos humanos. E além de tudo isso, no caso remoto e ilusório em que o animal pudesse esquecer completamente todas as suas memórias e vivências em cativeiro, curar as suas feridas e negar a sua domesticação, não viveria em liberdade dentro da natureza selvagem, porque dentro da natureza selvagem a liberdade tem validade zero, tanto de forma teórica como prática.

Agora, referindo-me à questão da “libertação da terra”, não tenho muito a dizer. Me parece um conceito exageradamente ilusório e esquerdista. A terra não necessita que venha um grupo de humanos para devolver a sua “liberdade” perdida. Se neste momento fugaz ela está suportando e abrigando o lixo humano em sua superfície isso não significa que ela não o fará sentir as consequências. O humano afunda a si mesmo em sua desgraça, foram desrespeitosos com a terra por muito tempo, e será a própria terra quem apagará a todo o rastro civilizado. Se isso acontecerá em breve ou não, não é algo que eu realmente me importe. Além disso a terra não necessita de “liberdade”, ela precisa apenas ser e se desenvolver com seus ciclos e processos como tem feito ao longo da história. E eu me pergunto, o que faria a terra mais livre? A queda da civilização? A gestão responsável de “recursos”? A extinção do humano? Creio que diferentes pessoas poderiam ter observações variadas a respeito disso, o que demonstra que este conceito além de ser falacioso e esquerdista, é extremamente subjetivo. Nenhuma análise séria da realidade pode surgir com base nisso.

Chegando ao ponto central deste ensaio me esforçarei para explicar porque, sob minha perspectiva, a liberdade, entendida em qualquer uma de suas formas expostas anteriormente não existe e, para tanto, seria oposta como conceito e prática à vida selvagem.

Como eu disse antes, é o seu entorno que determina o seu caminho em maior medida. Nenhum animal dentro de um ambiente selvagem tem a possibilidade de decidir como será a sua vida nem para onde ela irá. Todas estas condições nos são impostas antes do nascimento. Foi o humano civilizado, dentro de sua imensa confusão disfarçada de “raciocínio” e “inteligência” o único animal que transformou a sua experiência vital, de modo que, atualmente pode optar por um certo “modus vivendi” determinado, justificado pelo abstrato e prejudicial conceito de liberdade. A confusão humana expressa o pico de sua fraqueza neste sentido. Temos construído uma imensa barreira entre nós e o mundo natural, a maioria dos humanos ainda temem a tudo aquilo que se esconde, se arrasta, voa, rasteja, nada ou corre para além dos muros de concreto que delimitam as suas cidades. Daí a busca insaciável da civilização por projetar a jaula mais confortável possível, na qual os indivíduos possam enxamear tranquilos, e sem fazer muito barulho.

O fracasso é inevitável. Você não pode simplesmente pegar um grupo de animais que viveu por milhares de anos de uma maneira, jogá-los em uma jaula e esperar que se desenvolvam de maneira saudável e plena. A natureza já nos deu o nosso lugar neste jogo, não é um lugar central, não é de vital importância para nada nem para ninguém, é apenas uma peça dentro de um grande compêndio de outras peças, tão útil como dispensável. É o lugar que nos foi dado, e foi assim, porque se encaixa simbioticamente com tudo o que o rodeia e, assim, se adaptou ao longo dos séculos. Não importa quantos cientistas e tecno-nerds você tenha a sua disposição tentando através do cálculo frio e da rigidez técnica, observando os diferentes atributos e qualidades dos humanos, para poder reproduzir o ambiente mais “saudável” para eles, simplesmente não funciona assim. Necessitamos andar descalços, não com calçados ultrafinos que se adaptem aos contornos do solo, necessitamos ter uma vida ativa, não bons ginásios para fazer exercícios, necessitamos estar em contato com os deuses e espíritos que habitam em tudo o que se manifesta sobre a terra, e toda a lógica do mundo jamais poderá se harmonizar com isso.

A natureza é tudo aquilo que é por si só, como foi dito antes, não necessita de um propósito, não necessita ser explicada e NÃO necessita de razões. Nossa mentalidade civilizada tenta encontrar um porque para tudo, brincamos de ser mestres e senhores da existência, ignorando que somos meros atores, jogando nosso papel histórico dentro da efêmera e sobrestimada experiência conhecida como “vida”, não seremos mais que uma luz que se acendeu por alguns segundos para logo desaparecer na eterna escuridão do infinito. Rejeitamos o nosso papel neste jogo, nos banhamos em ilusões e esquecemos a nossa verdade. O eco-extremismo é apenas a crença em uma ordem, o caos natural, ou como a queira chamar, ao qual obedecemos sem qualquer tipo de reprovação. Todos os animais sabem desde o seu nascimento qual é o caminho a seguir, não é que “não pensem nisso”, “que atuam por instinto”, como um simples robô respondendo a comandos do computador. Sim, o instinto influencia, também a contemplação do entorno, a prova através da experiência direta, o ensino dos mais velhos, entre muitos outros fatores. Neste ponto realmente não importa se os macacos tem ou não a capacidade de construir edifícios, eles simplesmente jamais fariam semelhante estupidez. O humano atenta constantemente contra si próprio, nega a sua própria natureza e desde o começo da civilização até os dias de hoje, não foi registrado um único ato humano que dê algum sinal de inteligência, astúcia ou a mínima sensatez. O fato de poder fazer certas coisas, ter a capacidade para executá-las não influencia de nenhuma forma na necessariedade ou importância destas coisas. A mentira da civilização tomou o controle das mentes fracas daqueles animais que, aprisionados e à beira da extinção decidiram perverter o seu entorno e natureza para sobrepor-se. Esta mentira assume um papel especial nas mentes daqueles que creem se opor a esta realidade tortuosa. Aqueles que tomam os valores da civilização que lhes resultam mais “cômodos” e tentam desenhar com eles uma experiência igualmente fictícia da qual eles supostamente rejeitam.

Se horrorizam com os atos “bárbaros” dos selvagens que viveram em outros tempos, mas enaltecem uma falsa visão da natureza e a existência do resto das formas de vida animal. Parece que na civilização a lógica do “eu aceito o que eu gosto e o que eu não gosto eu deixo para lá” é constante. Claro, qualquer um acha cômodo e agradável pensar nos nobres nativos que viviam livres de hierarquias e de autoridade, em harmonia com a natureza, mas quando falamos dos Selk’nam e o seu patriarcado, dos Calusa e a sua complexa sociedade hierarquizada, das tribos que arrancavam cabeças e comercializavam as mulheres, vários olham para o lado e fingem que nem tem ideia do que se está falando. Os anarco-primitivistas seculares se doem muito para aceitar que os seus idealizados humanos primitivos praticavam culto a deidades. Sério mesmo que qualquer um estaria satisfeito ao pensar em uma vida sem trabalho assalariado, caminhando tranquilamente pelas pradarias coletando amoras? Mas a vida selvagem não acontece dessa maneira.

Não podemos deixar de pontuar isso de modo energético e o mais conciso possível, a liberdade é uma ilusão, a natureza não é nossa mãe, é “cruel”, “implacável” e sim, é “opressora”, ou pelo menos é para os olhos dos híper-civilizados porque para nós simplesmente é, é como é e como sempre foi. Não nos trememos diante do impacto das placas tectônicas nem quando um tsunami faz sumir algum ecossistema, portanto, muito menos nos assustamos quando um crocodílio come a suas crias ou uma tribo de humanos selvagens asfixia a seus bebês. Nos livramos dos preconceitos civilizados, assassinamos a nosso ser moral, mandamos pelos ares aqueles que quiseram domesticar nossos corpos e mentes, aceitamos a realidade, olhamos a nossa verdade nos olhos e NÃO sentimos medo.

Zúpay