Pensamentos Sobre a Moralidade

Tradução do texto “Thoughts on morality”, de Abe Cabrera.

Ao investigar sobre a “Creek War” (Guerra dos Creek) algo curioso que encontrei foi a atitude dos índios em relação aos escravos negros. Para os Creek e os Seminoles, um escravo não era livre em virtude de que a escravidão era uma instituição imoral e, portanto, ilegítima. Um escravo deixava de ser escravo quando decidia não mais sê-lo e fugia. Uma das questões que os brancos tinham com estes índios era sobre como abrigavam os escravos fugitivos, e este foi um grande ponto de disputa na segunda guerra Seminol. Mas isso não foi por causa da atitude “iluminada” dos índios. Eles não estavam acima de tomar os escravos negros por conta própria, ou de mantê-los subjugados. O ponto era que a “liberdade” e a “dignidade” concedida a todos os seres humanos pelo Iluminismo não era um fato para a mente incivilizada. Tinha que ser “ganhada” ou “tomada” daqueles que a levaram embora.

Eu deixei para trás a ideia dos sentimentos nobres, aqueles sentimentos passageiros que apenas desejam coisas boas para me fazerem uma boa pessoa. Tenho visto muitos casos em que as pessoas acreditavam na piedade apenas para cometer atrocidades, ou cometiam atrocidades em nome da piedade. É melhor simplesmente se deixar esvaziar destes sentimentos: o que tiver de acontecer, acontecerá. A morte chega em breve, a fadiga traz o esquecimento, uma dormência de sofrimento prolongado.

A única vitória é trazida por seguir permanecendo aqui e de pé. As pessoas querem que a sua vida e a dignidade sejam reconhecidas meramente por existir. Não funciona assim. Este é o sonho esquerdista, mas nunca alcança nada, que todos temos um significado simplesmente porque somos/estamos: estamos unidos ao nobre selvagem e ao futuro transhumanista explorador das estrelas por causa de alguma continuidade… Continuidade! Que mentira fabulosa! Todos os selvagens são assassinados, e por dançar em suas tumbas… quer dizer, “honrá-los”, obtemos a sabedoria e o poder que eles ainda deveriam ter, mas que não tem. Acreditamos que somos todos iguais, mas não somos. De fato, é esse pensamento de que somos todos iguais, que somos a “humanidade” que nos leva a derrubar a floresta, contaminar os rios, levar a terra ao esgotamento, e pavimentar o resto. Porque somos a humanidade, porque este é o nosso “bem”. A humanidade é a inimiga da natureza porque é inimiga do lugar, do físico, do selvagem. Existem os seres humanos (animais humanos) e depois há a Gloriosa Humanidade. Se alguém olha a humanidade de frente e a declara a própria oposição, ou é um tolo ou um covarde.

A separação do ser humano/animal e a Humanidade não é tão simples. De fato, é praticamente impossível. É como pedir aos animais que fiquem longe do bebedouro durante o verão quente. Postular as ações indiscriminadas e seletivas é postular a superioridade do inumano sobre o humano, que os seres humanos não são um sistema fechado, eles “se abrem” a algo maior que eles mesmos (embora eles não entendam nem o obtenham). Para destruir estas coisas maiores (Natureza Selvagem), eles falham em sua vocação, ou seja, estão aberto ao universo, sendo apenas outra força dentro dele e agindo como tal.

Postular a “amoralidade” é buscar a destruição de todos os obstáculos pelo caminho. É postular o individual sobre a sociedade, o caos sobre a ordem. É postular que os pecados de omissão (não fazer nada) não são menos graves que os pecados cometidos (fazer algo). Que a paz civilizada está construída sobre um monte de ossos branqueados de selvagens extintos. Que você não pode vencer o universo com um bom comportamento. Que você se recusa a negociar a regra de ouro porque apenas a escravidão e o vício provém disso (e não do tipo recomendado). A “Amoralidade” reconhece que todos temos a “nossas mãos manchadas de sangue”, porque todos estamos banhados neste sangue. Nossa sociedade foi irrigada com ele. Então isso destrói o amor por completo? Não necessariamente, mas certamente se opõe à sua codificação: sua consagração dentro do reino dos direitos e da “dignidade inerente” da pessoa ipso facto. Posso esperar por piedade daqueles que amo, e desejar a destruição daqueles que não: o desejar não me faz nobre nem me deixa de fazê-lo. Não sou Deus: minha Palavra não está no começo e nada foi criado por ela, mas é perfeitamente razoável que eu odeie a um sistema que transforma meus desejos ou qualquer outro em um código universal de moralidade: hipocrisia? Isso Importa?

[PT – PDF] Ishi e a Guerra Contra a Civilização

Orgulhosamente apresentamos traduzida ao português a publicação “Ishi e a Guerra Contra a Civilização“, escrita por Chahta-Ima e editada pela Revista Regresión. A tradução ao português ficou por conta de Anhangá.

Ishi, o último nativo americano sobrevivente do extermínio branco, é apresentado muitas vezes com o mito do “bom selvagem”, mas a história de sua tribo está atormentada de violência indiscriminada defensiva.

Deixamos aqui o trabalho em pdf e em versão texto, sem dúvidas uma contribuição importante para a continuidade do eco-extremismo tanto em teoria como na prática.

Mill Creek, Selknam, Teochichimecas, ancestrais irrefutáveis da luta extremista contra a civilização!

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Descarregue em PDF: Link 1Link 2Link 3 (via onion).


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