Conversações Eco-extremistas: Uma Conversa Com Eco-extremistas Mulheres Desde o Norte do Continente

Diálogo extraído da Revista Ajajema número 4.

Vocês acham que para uma mulher é mais “difícil” que um homem para adotar a tendência eco-extremista?

Yoloxochitl: Eu penso que é relativo, a atração pela Tendência é muitas vezes produto da vida que você leva, as condições em que se encontra ou as situações que ocorrem diariamente. Isso é evidenciado pelo número de individualistas que tem se posicionado a favor disso ultimamente. Um ou uma individualista da Europa pode ser atraída pelo eco-extremismo pelo mesmo ódio que um ou uma individualista pode sentir à civilização na América ou noutro continente. Acontece mais ou menos o mesmo entre homem e mulher, o ódio a toda esta realidade artificial é compartilhado, e este transcende fronteiras, idiomas, culturas e claro, gêneros.

More: Que casualidade, é um tema que eu estava discutindo agorinha com outras irmãs da Tendência, e a resposta, minha resposta é, sim e não. Às vezes é mais difícil para uma mulher adotar o eco-extremismo pelo fato de que como estamos na era do feminismo chocante e ulceroso, muitas estão sendo atraídas por esse lixo progressivo, até mesmo dentro de círculos que pensam ser “radicais”, chamem de anarquistas ou comunistas. O feminismo é a lei e a ordem do dia, é o que é hoje, é a moda rosa. O eco-extremismo é visto como uma postura psicopata ao menos no México, e para ser honesta, quem se atreveria a ser contra tudo o que está estabelecido nesta época? Quem se atreve a lançar uma crítica contra TUDO e agir em consequência? Muitas poucas pessoas, e não digo que as mulheres “tenham que” se sentir atraídas pelo eco-extremismo ao invés do feminismo, claro que não, eu digo apenas que é esta era que dificulta que existam mais afins que se atrevam a arrebentar os valores que a grande maioria das pessoas defendem. É difícil, mas estamos aqui, não necessitamos ser muitas, o que precisamos é ser perigosas, só isso.

Vocês acham que o eco-extremismo é algo experimentado de forma diferente por uma mulher e por um homem?

Yoloxochitl: Em certos aspectos penso que sim, por exemplo na questão da utilização da medicina tradicional. Nós somos as que nos destacamos já que desde tempos ancestrais nós mulheres temos sido as que levaram com orgulho a vara do conhecimento nas artes de cura da Terra. Certamente a espiritualidade é mais poderosa em nós que em muitos homens eco-extremistas. Aqui denoto uma superioridade relativa (mas nunca absoluta) com base em minha experiência individual em minha vida de mulher eco-extremista, apenas. Mas claro, não duvido que por aí haja algum eco-extremista homem que tenha conhecimentos em medicina milenária e que seu poder e práticas espirituais tenham um grau avançado devido, talvez, sua proximidade a suas raízes nativas.

More: Sim, nós sabemos curar com plantas e eles quase não sabem! HAHA, é brincadeira, vou falar sério agora. Cada um vive o eco-extremismo de um modo, isso é fato, homens e mulheres são diferentes, nunca fomos iguais, portanto se vive o eco-extremismo de maneira diferente. Sobre isso, toda esta vitimização da mulher nesta época, nós podemos utilizá-la a nosso favor. Talvez para um homem eco-extremista seja um pouco difícil passar despercebido ao executar um atentado contra um certo alvo. Mas e para uma mulher “indefesa” e “santa”? Em muitas ocasiões esta vitimização do “sexo frágil” pode ser uma faca de dois gumes.

O que as eco-extremistas pensam do gênero? É uma questão social ou natural?

Yoloxochitl: É uma questão natural que a própria civilização converteu em uma questão social, política, econômica, etc. O gênero existe entre diversas especies para perpetuar estas mesmas espécies, e o mesmo acontece com a espécie humana, só que ela tem pervertido esta perpetuidade natural e a sobrecarregou com toda essa massa gordurosa de humanos saltando por todas as partes. A Natureza é tão sábia que criou todas as condições para que dentro de uma mulher cresça uma vida. Se você analisar bem, é um acontecimento mágico, desde a fecundação do ovário até o nascimento de uma criatura, é todo um processo que envolve um monte de características glandulares, hormonais, enzimáticas, etc., que nos deu o Desconhecido, só que o ser humano moderno não sabe o valor, há mulheres que nunca em sua vida deixam de parir, tem 5 ou 8 crias só para nada, engravidam sem pensar, servem apenas para abrir as pernas e não são capazes de ser responsáveis. Toda esta situação faz com que meu ódio misantrópico crença cada vez mais. Valorizo muito a minha condição de mulher, mas odeio as mulheres que circulam no ouroboros da miséria humana.

More: Para mim o gênero é uma questão de natureza, nascemos mulheres por uma razão e agradeço a Naturaë por isso. Eu nunca neguei a minha condição de mulher, e estou orgulhosa disso, me encanta ser mulher, minha sensualidade feminina, meus ciclos que compartilho com a lua, minhas características físicas e mais. A sociedade é que se encarregou de que o gênero fosse visto como algo obsoleto, dizem que somos todos os mesmos, enchem suas bocas com discursos inúteis mencionando isso na igualdade de gênero, algo que me faz rir muito porque muitas levam isso para a sua mera conveniência. Gritam por igualdade de gênero enquanto batem em um homem, mas quando um homem responde dizem que é machismo, misoginia e coisas do tipo. Quem as entende? Não queriam igualdade de gênero? Muitas destas mulheres não se dão conta de que isso é o que quer o sistema, fazer que todos sejamos iguais para que todos igualmente, sem se importar com gêneros, raças, condição econômica, língua, etc., sirvam ao mesmo sistema, e que este se autoperpetue.

O que vocês pensam do patriarcado?

Yoloxochitl: É um sistema de dominação a mais com a qual temos que estar lidando. Embora tenham nos colocado na cabeça de que esta sociedade ocidental é baseada COMPLETAMENTE no patriarcado, há também algumas marcas do matriarcado, porém não nos dizem para não escandalizar ainda mais a massa de mulheres tolas que por qualquer situação que as “oprima” gritam irritavelmente que isso e aquilo é produto do patriarcado.

More: É uma desculpa a mais para que as feministas sigam com a sua miserável campanha contra o assunto do gênero, para que se vitimizem mais e para que continuem a sua campanha social pela inclusão das mulheres ao mesmo sistema que elas dizem odiar, mas que ao mesmo tempo contribuem para sua perpetuação.

O que vocês opinam sobre uma pessoa transgênero? Acham que é algo ligado diretamente à civilização? E em relação a isso, o que opinam sobre as tribos nas quais haviam pessoas que não identificavam seu gênero em relação a sua genitália?

Yoloxochitl: As pessoas transgênero são o reflexo da podre civilização e da miséria social em que nos encontramos. Ver mulheres ridiculamente pretendendo ser homens ou vice-versa é um reflexo fiel do que eu digo, além da evidente crise de identidade que atinge cada vez mais a uma geração de jovens alienados com a tecnologia, os vícios civilizados, com estereótipos absurdos, etc. Uma vez cheguei a ver uma propaganda sobre um evento em um okupa que tinha como título “raggaeton trans-feminista”. Que porcaria, todo o politicamente incorreto com a correção extrema do gênero incluído ali.

More: A mim tanto faz as pessoas trans, não me importa se são homens que querem ser mulheres ou se dizem que estão presos em corpos do sexo oposto, sua condição de humanos é o que me interessa, embora eu deva sim dizer que considero os transgêneros como um fruto da civilização. Soube de alguns comportamentos do tipo “trans” em vários estudos antropológicos historiográficos, mas lamentavelmente os estudiosos se baseiam muito em suas inclinações políticas que fazem de seus próprios trabalhos um reflexo do que parece ser correto e incorreto. Há poucos acadêmicos que se comportam de maneira neutra e não metem seus alinhamentos ideológicos em seus estudos, mas são poucos. Além disso penso que é algo completamente diferente um comportamento que se possa perceber como “trans” dentro de algumas tribos primitivas e os grupos de trans que pedem direitos aos governos, que exigem melhoras e serem incluídos na sociedade longe da discriminação e coisas desse tipo. O que está claro é que considero as pessoas trans como um fruto da civilização, assim como são os viciados, os estupradores, os pedófilos, as pessoas com transtornos mentais graves, etc.

Apesar de que os eco-extremistas em geral não negam a sua condição de homem ou mulher, o que pensam sobre as características que o mercado e o espetáculo impuseram a ambos os gêneros? Por exemplo, a insensibilização do masculino em seu estágio inicial de desenvolvimento ou a submissão forçada imposta às meninas, pondo-as em um papel secundário a serviço do homem e pondo os seus próprios desejos e motivações em segundo plano, a dependência da mulher com relação ao masculino na maioria dos assuntos importantes, a supervalorização do sexo masculino, levando-o a viver com a preocupação constante de vincular-se sexual-afetivamente para obter reconhecimento social, entre outras coisas, etc. Estas são as que me ocorreram, mas é óbvio que tem mais, se houver alguma outra que lhes interessa dizer, fiquem à vontade. Consideram importante se desprender destas coisas?

Yoloxochitl: No que diz respeito às mulheres, penso que a cultura do mercado influenciou bastante em suas condutas, e tudo vem de uma cadeia de fatores que se denominam cultura. A cultura ocidental fez o homem e a mulher esquecerem que suas existências coexistiram plenamente em um ponto na história humana, mas agora isso é esquecido, a amnésia histórica é contagiosa, e é necessário que voltemos a ver o passado para reencontrarmos com nós mesmas, resgatar nossas raízes e sermos inteligentes para não reproduzir os mesmos valores que estão repetindo de geração em geração. O mercado e o espetáculo prejudicaram tanto a nossa essência que muitas vezes nos dá trabalho para nos localizarmos nisso tudo, mas é como sempre digo, necessitamos nos distanciar das concepções ocidentais moralísticas humanistas e ter uma visão diferente de tudo o que tem nos levado a este extremo desconhecimento pessoal moldado pela cultura do espetáculo e do marketing.

More: Não só é importante se desprender das características citadas, mas uma necessidade que se transforma em um desejo egoísta dos inumanistas. Estou muito consciente de tudo o que foi dito, toda esta insensibilidade gerada tanto em homens como em mulheres através da mídia, a educação imposta desde pequenas, a merda trocada por ouro nesta era de complacência artificial. Diante de tudo isso eu sei que é necessário estabelecer cumplicidades com individualistas homens e mulheres e desde já, estarmos atentas diante de qualquer indício de humanismo moral e civilizatório que há no ar poluído das necrópoles. Reencontrarmo-nos com nosso Eu é uma das tarefas mais importantes que temos, e cumpri-la deveria ser prioridade.

O que pensam do fato de usar o feminino como insulto, como por exemplo, quando alguém diz que tal coisa era fraca como uma mulher ou lutava como uma mulher, fazendo referência a não saber lutar?

Yoloxochitl: Eu penso que estes insultos são velhos e até mesmo relativos. Agora eu escuto mais frequentemente que a fraqueza ou a covardia são relacionadas com a homossexualidade, com os gays e já nem tanto com as mulheres. A civilização fez fraca as mulheres modernas, as fizeram ser vistas como um símbolo de inferioridade por muito tempo. Antigamente, recordo que meus avós conversavam entre eles e diziam que as mulheres em seus tempos eram consideradas as mais resistentes em alguns aspectos da árdua vida, tanto para o trabalho no campo como para aguentar as dores do parto, por exemplo. Como te digo, agora eu vejo que se faz referência a alguém que não sabe lutar (por exemplo) como um “viadinho” ou “bixa”, deixando de lado o insulto relacionando à mulher, embora não duvide que exista quem o empregue. Penso que é parte da cultura civilizada, e para falar a verdade eu não crio escândalo com isso, se algum dia alguém diz algo relacionado a isso talvez eu deixe passar ou talvez eu lhe arrebente a cara, depende de como eu me sinta no momento.

More: Estes insultos me fazem rir, sabe? É um tema bastante complexo porque não só é o tema dos “insultos machistas” ou os insultos que algumas consideram “machistas” por seu enraizado complexo de inferioridade, mas é também o tema da fraqueza. Coloquemos vários exemplos, veja, a sobrevivência das nômades Inuítes (mal chamadas de “Esquimós”) é baseada na caça e na pesca. Ali os homens proporcionavam a maior parte da comida para a sobrevivência do pequeno grupo tribal. Na ausência de uma grande diversidade florestal no Polo Norte as mulheres se encarregavam do cuidado das crias e às vezes conseguiam apenas coletar algas e pequenas plantas. Onde está a fraqueza aqui? Por acaso se pode considerar fraca a mulher Inuíte apenas por cuidar dos filhos e coletar pequenas quantidades de plantas enquanto o homem se encarrega de caçar grandes leões marinhos ou passar horas sentadas esperando que uma foca ou um peixe grande morda o seu anzol? Eu penso que não, cada um tanto o homem Inuíte como a mulher tem o seu papel neste modo de vida. Um não pode existir sem o outro, são parte de uma bela simbiose, onde encontram um no outro o apoio real. Outro exemplo está nas tribos de Bosquímanos que como os Inuítes os homens se encarregam da caça de gazelas, aves, lebres, etc., no deserto de Kalahari na África, e as mulheres se encarregam do cuidado das crias. Neste caso quando a caça é escassa as mulheres saem para coletar bagas, plantas, frutos, sementes, escavar tubérculos, etc., aos arredores do deserto. É dito que nesta época do ano é possível ver os homens praticamente vivendo da coleta das mulheres sem mover um só dedo. Aqui o humano moderno taxaria de “fracos viventes” aos homens Bosquímanos, mas não é bem assim, como eu disse há uma parte do ano em que os animais escasseiam seja porque migraram ou porque morrem por falta de água. Os homens caçadores não podem fazer nada a respeito, saírem para ver se tem a “sorte” de dar de cara com um animal na época da seca apenas os deixariam mais exaustos e com mais fome, sendo assim deixam que as mulheres os alimentem enquanto chega a temporada ideal para sair para caçar. Aqui pode se considerar fracos os homens Bosquímanos por deixarem que as mulheres os alimentem em vez de saírem para obter comida em plena temporada de seca? Não, a mulher e o homem Bosquímano se complementam, são um para o outro e é isso. Bem, na era moderna isso varia muito, obviamente não é a mesma situação, e penso que, assim como disse Yoloxochitl, a mulher moderna tem sido considerada sexo frágil por se distanciar de seu passado e estar sempre se vitimizando diante da figura do macho dominante.

Quais são os traços e características mais primitivas e ancestrais que vocês associam com sua feminilidade?

Yoloxochitl: A menstruação, o “sexto sentido” (para chamá-la de alguma forma), a sabedoria nos conselhos, a sabedoria relacionada à arte da cura ligada às plantas, a capacidade de perpetuar-se não como espécie, mas como um “tipo separado”, a proteção maternalista do grupo de afinidade, a serenidade de ver as coisas desde um sentido objetivo, o expressar dos sentimentos à flor da pele, etc.

More: Os ciclos lunares emparelhando-se com os eventos corporais femininos. Eu ainda acho impressionante como é que a lua tem uma influência bastante forte nas mulheres e estas não se dão conta disso. Para mim este é um ponto que devemos enfatizar, a íntima relação entre a mulher e a natureza. Há outras mais, mas penso que esta está acima de todas as outras.

Há alguma experiência de guerreiras ancestrais que vocês conheçam e que tenham algum interesse em lembrar ou exaltar?

Yoloxochitl: Há muitos exemplos de mulheres que em seu caminho ancestral deixaram histórias realmente inspiradoras, e estas as tenho em minhas memórias. Algumas são bastante conhecidas, mas outras não. Pessoalmente gosto de lembrar aquelas que a história esqueceu, as que não são conhecidas exceto por pequenas menções. Poderia dizer muitas, mas as que eu gosto sempre de recordar são as mulheres que fizeram parte da Guerra do Mixtón no norte do México lá por meados do século XVI, como muitos já sabem. Quando as tropas espanholas tinham encurralado os guerreiros teochichimecas na Colina de Mixtón e no Pico de Nochistlan as esperanças de saírem vitoriosos daquela situação eram nulas, e foi aí quando os teochichimecas decidiram empregar o “Até a Tua Morte ou a Minha”, guerreando até a morte contra o invasor, chegando o momento em que os guerreiros homens foram mortos quase em sua totalidade, e foi então que as mulheres juntamente com suas crias se arremeteram como projéteis humanos contra os espanhóis que subiam ameaçando pela íngreme colina, demonstrando assim que não estavam dispostas à dominação estrangeira e que ante isso preferiam morrer. Este tipo de mulher são as que eu lembro, aquelas que em seus últimos momentos de vida dão tudo o que tem para manter viva a sua essência até sua morte.

More: Mulheres como Tuira Kayapó que violentamente se opôs a chegada das petroleiras ao Amazonas e que inclusive golpeou com seu facão o representante da Eletrobrás em uma de suas reuniões com a tribo Kayapó. A anciã Kiepja, mulher sábia, última descendente dos Selk’nam que com os seus contos e histórias nutria a imaginação ancestral e enchia de paganismo o ar nas cabanas de uma das tribos mais importantes do sul do continente. Maria Sabina, curandeira nativa do México, especialista na utilização das plantas de poder. O que me deixa furiosa é que os seus ensinos foram utilizados por uma estúpida juventude em busca de “viagens” em torno da “droga alternativa” nos anos 60.

[PT – PDF] Revista Anhangá N° 2 – Em Guerra Contra a Civilização e o Progresso Humano Desde o Sul

Em destaque

É com tremendo orgulho criminal que apresentamos a segunda edição da Revista Anhangá – Em Guerra Contra a Civilização e o Progresso Humano Desde o Sul, lançada pelo Editorial Ponta de Lança. Desta vez a publicação sai à luz transbordando de valiosos conteúdos sobre a teoria eco-extremista, contendo 150 páginas que se dividem em 47 textos afiados que servem para alimentar as ânsias dos individualistas extremistas e contribuir com a prática terrorística na guerra contra o progresso humano.

Esta edição da Revista é, sem dúvidas, a maior contribuição até então para a teoria eco-extremista de fala lusófana, um aporte que se materializou através de esforços titânicos de cúmplices destas terras e de fora, uma referência ameaçante para aqueles e aquelas que querem materializar o terrorismo em suas mãos e atentar contra a civilização e os humanos que danam e são cúmplices dos ataques à Natureza Selvagem.

A propaganda eco-extremista não se detém tal como a expansão da Máfia ITS e grupos cúmplices.

Que este aporte semeie o Caos e o Terror no seio da civilização!
Adiante com a propaganda e atos eco-extremistas!

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CONTEÚDO

1. “Introdução”, por Editorial Ponta de Lança (pg. 1-3)
2. Tocaia (pg. 4)
3. Nós Juramos Vingar (pg. 5-6)
4. Pacto (pg. 7)
5. Revisitando a Revolução (pg. 8-11)
6. Primitivismo Sem Catástrofe (pg. 12-15)
7. Breves Reflexões de Uma Caminhada de Inverno (pg. 16)
8. Selvagens Politicamente Incorretos (pg. 17-19)
9. “Revolução Antitecnológica: Por Que e Como”, de Theodore Kaczynski: Uma Análise Crítica (pg. 20-26)
10. O Retorno do Guerreiro (pg. 27-35)
11. Apocalipsis Ohlone (pg. 36-38)
12. Um Poema de Guerra (pg. 39)
13. É o Momento de Beijar a Terra Novamente (pg. 40-42)
14. Nota Anônima (pg. 43-44)
15. A Ovelha Negra e o Lobo (pg. 45-46)
16. Autexousious Apanthropinization (pg. 47-49)
17. A Solidão e a Auto-realização (pg. 50-51)
18. Funeral Niilista – A Aniquilação da Vida (pg. 52-55)
19. Duras Palavras: Uma Conversa Eco-extremista (pg. 56-65)
20. Eu e Depois Eu (pg. 66)
21. O Rio Que Canta: Uma Última Palavra ao Relutante (pg. 67)
22. As Lições do Estado Islâmico Antes de Seu Colapso (pg. 68-71)
23. Uma Grande e Terrível Tormenta (pg. 72)
24. A Evolução da Dieta (pg. 73-76)
25. Um Falso Escape (pg. 77-78)
26. Lições Deixadas Pelos Incendiários (pg. 79-81)
27. Notas Sobre o Anarco-primitivismo (pg. 82-83)
28. A Noite do Mundo Infernal (pg. 84-85)
29. Halputta (pg. 86-87)
30. Animismo Apofático (pg. 88 – 90)
31. O Mito do Veganismo (pg. 91 – 93)
32. Os Seris, Os Eco-extremistas e o Nahualismo (pg. 94-95)
33. Reflexões a Respeito da Liberdade (pg. 96-99)
34. Conversações Eco-extremistas: Uma Conversa Com Eco-extremistas Mulheres Desde o Norte do Continente (pg. 100-103)
35. A Guerra de José Vigoa: Um Breve Discurso Sobre o Método Eco-extremista (pg. 104-109)
36. Assassinando a Nosso Civilizado Interno (pg. 110-113)
37. (Roma Infernetto – “Mundo Merda”) – Profanação e Devoração (pg. 114-115)
38. Caçador: Um Resumo de “The Other Slavery”, de Andrés Reséndez (pg. 116-118)
39. Guerra Oculta (pg. 119-123)
40. Bélico: Resumo da Revista Black and Green Review No. 3 (pg. 124-128)
41. Humanos (pg. 129)
42. “Hoka Hey” e “Memento Mori”, a Morte Desde a Perspectiva Pagã (pg. 130-135)
43. Por que te amar? Breves Reflexões Noturnas Sobre o Amor (pg. 136-137)
44. Pensamentos Sobre a Moralidade (pg. 138-139)
45. Ódio Misantrópico (pg. 140)
46. Moralidade (pg. 141-142)
47. Fazendo Peróxido de Acetona (Peroxiacetona, “Mãe de Satã” ou também TATP) (pg. 143-149)

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EDITORIAL

“Para nós, o Watu (Rio) é uma entidade, não uma bacia hidrográfica igual os brancos falam. Assim como lá na Índia tem o Rio Ganges, que é sagrado e as pessoas entendem isso, nós temos o Watu, que sustentou durante muito tempo a nossa existência e o nosso imaginário. Mas aqui no Brasil, rios podem virar esgoto, porque eles são vistos só como um corpo de água. […] As crianças hoje olham e perguntam para aos pais: “O Rio morreu? O Rio acabou?”. Para uma infância isso é uma marca que não tem como recuperar […] Olhar para a Terra, o Rio e a Floresta como mercadoria é um engano muito grande que vai nos enterrar a todos.”, Krenak Ailton sobre a morte de Watu pelas mãos das mineradoras Samarco e Vale

Pindorama — o regresso da conspiração eco-extremista desde este lado do Sul era já prometido, os tremores de terra que recentemente aterrorizaram os civilizados por aqui foram as reações animistas dos passos dados pelos guerreiros da Máfia ITS, novamente rumo à indiscriminada caçada nas extensões da antiga Terra das Palmeiras. Repousamos por alguns ciclos lunares entocados nas sombras e a escuridão. O motivo é porque parte de nosso Editorial se enfadou de uma investigaçãozinha esdrúxula de nome Érebo. Contrariamente ao que esperavam, não nos foi ameaça e então outra vez cá estamos, orgulhosamente dando vida a este projeto propagandístico iniciado há um ano, a Revista Anhangá – Em Guerra Contra a Civilização e o Progresso Humano Desde o Sul, que agora entra em sua segunda edição.

Devido uma série de acontecimentos o primeiro número desta publicação foi lançado inconcluso, mas agradecemos aos wachos que tomaram a importante decisão de lançá-lo. Longe das condições em que conceberam a versão inaugural do projeto, sai agora o N° 2 desta Revista contando com mais de 100 páginas munidas de escritos que nutrem a teoria e prática do individualista eco-extremista. Esta edição nasce de um tremendo esforço cúmplice de manos e minas afins do Sul e Norte. O período entre a primeira publicação e esta é marcado por uma significativa expansão dos grupos ocultos aderentes a ITS, que além de rugidos e mais acometidas pelo Sul, surgiram e cresceram também nas terras do Velho Continente, aquele onde pisaram os bárbaros, os vikings, que com ferocidade e paganismo implantaram o terror no cerne das civilizações europeias. Os esporos do eco-extremismo foram levados por fortes ventos e cruzaram as grandes águas até caírem nos solos da Grécia, onde caminha agora Seita Iconoclasta e Caçadores Noturnos; Reino Unido, terra maldita de Misanthropos Cacoguen e Espanha, extensões de Criminosos Animistas. Já pelo Sul e Norte o ânimo dos guerreiros não se detém, contamos com proximamente uma dezena de mortes em mais de 50 diversificados ataques; pacotes incendiários e explosivos abandonados indiscriminadamente estraçalhando a carne e impondo o terror; incêndios selvagens contra máquinas, instituições e objetos; explosivos abandonados contra alvos específicos e exitosamente detonados; ataques armados contra seguidores de cristo e montanhistas deixando mortos e crivados de bala; ataques armados contra estruturas de megaempresas; ameaças de bomba, envenenamento e maldições; punhaladas homicidas contra sacerdote e funcionário de universidade; ataques bombistas contra universidades e centros de pesquisa; tiro certeiro em crânio de vice-reitor de instituto tecnológico; assassinato de drogada e tantos outros que por questões estratégicas não foram reivindicados publicamente. Como apontam os meios gringos já somos uma ameaça terrorista internacional crescente no mundo. O que se originou lá pelo ano de 2011 no México se espalha pelos quatro cantos como uma maldita praga e agora tem presença em diversas cidades de vários países em três continentes. A Máfia Eco-extremista é nutrida pelo ódio catastrófico contra o progresso humano que destrói a tudo o que é Selvagem, contra o progresso civilizado que exterminou os nossos antepassados, suas crenças e modo de vida, contra a lógica ocidental de domesticar e manipular o que é silvestre, contra o esquematizado pensamento religioso moderno e o racionalismo ateu que deprecia e destrói o senso animista de sentir, ver e entender o mundo, e sobretudo pela serenidade e Caos que habita dentro de nós, a força antiga que nos empurra a reviver os adormecidos instintos e recordar os nossos antepassados e que um dia fomos parte de tudo isso, do entorno e vida selvagem, antes da chegada dos civilizados.

A alguns de nós nos enfurece saber através de nossos avós e bisavós que há três gerações passadas fomos forçados a abandonar nossas terras ancestrais e submetidos a sobreviver marginalmente no entorno domesticado enquanto as florestas eram cortadas, os montes explodidos e escavados e os rios barrados e drenados; nos dói não poder chamar o que vemos ou comunicarmo-nos através do nosso idioma akwén porque mataram-no por dizerem que falar a nossa própria língua é sinal de demência e atraso, nos entristece saber que nosso entendimento foi completamente entorpecido por costumes e crenças alheios aos que praticamos desde tempos imemoriais e que em seu lugar nos empurraram goela abaixo o cristo. Por tudo isso é nossa guerra, por nós mesmos, pelos Antigos, pelo pouco que resta do entorno selvagem e pela certeza de que os atos daqueles que assassinam os Espíritos da Natureza não quedarão impunes. Landerretche soube muito bem disso após os wachos cúmplices da Horda Mística do Bosque enviarem a seu endereço um pacote explosivo que detonou em suas mãos e que, por sorte [dele], não o matou. O bastardo é um dos cabeças de uma das maiores mineradoras do mundo. Certeza que seu nome segue entonado nos cânticos de guerra dos mafiosos e que cedo ou tarde a vingança outra vez toca a sua porta. Samarco e Vale são outros dois monstros mineradores responsáveis por causar destruições de proporções colossais como a do Rio Doce e tantas outras, por isso a citação do Krenak. Outro motivo para a citação é porque no passado e por aquela mesma região foi onde centenas de nossos bisavós foram forçados a abandonar as suas terras. Os rios, as florestas, os solos, os animais, os montes, tudo era morto ou tomado com a chegada do progresso e dos civilizados e com isso morria também parte de nós. Em vista disso não nos resta mais nada senão a guerra de vida ou morte, somos inadaptáveis a este mundo moderno; não apenas por sensatez, mas sobretudo por instinto e pelo chamado primitivo daqueles que vieram antes que acudimos. Caminhar nas urbes sentindo através do chão a respiração ofegante da Terra sepultada pelo cimento não é algo que deixaremos passar despercebido, por isso regressamos com o segundo número da Revista Anhangá, esperando que o material contido nesta publicação nutra e muna o imaginário e a força de tantos outros individualistas guerreiros e as guerreiras, tal como Regresión, Ajajema, Extinción e Atassa tem feito.

Nesta edição serão encontrados escritos sobre a espiritualidade eco-extremista, potencialidade do individualismo, debates e críticas sobre moralidade e valores civilizados, reflexões sobre humanismo e violência indiscriminada, escritos sobre veganismo e a evolução da dieta, críticas a ideologias esquerdistas e a crença numa revolução, escritos sobre reavivamento de memórias e práticas guerreiras, cosmologia pagã, apontes sobre misantropia e extincionismo, apontes sobre primitivismo, lições tiradas de grupos terroristas, banditistas, de assaltantes e movimentos de libertação, além de vários poemas, canções, textos filosóficos, manifestos pessoais, um manual para a fabricação de Peróxido de Acetona e uma análise crítica desde um olhar eco-extremista da mais recente obra de Theodore Kaczynski.

Como um órgão difusor da Máfia Eco-extremista esperamos que o material contribua não só para aqueles guerreiros e guerreiras que estão de pé e em guerra contra o Sistema Tecno-Industrial, mas também à aqueles e aquelas tendentes à selvageria, aos criminosos, antissociais, egoístas, misantropos, anarquistas caóticos, niilistas terroristas e tantos outros que semeiam no aqui e agora o Caos no interior desta civilização, que atacam seus valores, suas estruturas e instituições e também os seus engenhos tecnológicos.

Com profundo respeito pedimos a Yayá que desde sua gruta nos dê sabedoria em nossos movimentos. Certamente quando os civilizados escutarem o assobio estridente do vento, saibam que desde a tocaia fomos convocados por este furioso espírito para atacar e matar. Por vingança, apenas. Tais como as catástrofes somos uma das respostas da Natureza Selvagem a toda esta artificialidade, porque também somos parte dela e de sua reação. Indiscriminados bravios desprovidos de valores morais, como as tempestades, terremotos, furacões e outras catarses que não elegem classe social, sexo ou cor na hora de suas manifestações homicidas. E para finalizar queremos carinhosamente agradecer aos manos e as minas cúmplices destas terras e de fora, a Nẽn-pém, XXX, Urucun, Xale, aos manos da Revista Ajajema e alguns outros que dispensaram citações, que ademais de contribuírem de algum modo para o seguimento desta revista são também fonte de grande inspiração; alguns geograficamente mais próximos, outros mais distantes, mas todos na mesma guerra contra a civilização e defendendo com garras o mesmo projeto, a Máfia ITS.

Pedimos que os Espíritos da Terra acobertem os passos dos afins de sangue e de guerra e que a terrível fúria de Yayá recaia sobre aqueles que destroem a Natureza Selvagem.

A Tocaia segue até a tua morte ou a minha… GUERRA!

Grupo Editorial Ponta de Lança

Outono de 2018

Contato: pontadelanca[at]pm.me

O Eco-extremismo e a Mulher (Primeira Parte)

Texto extraído da Revista Extinción N° 1 e traduzido por Anhangá.

Introdução:

Este artigo que será dividido em duas ou três partes (a próxima parte será publicada em nossa segunda revista), é destinado a abordar um assunto que até agora não se foi dada muita atenção dentro da tendência, pelo menos não publicamente, que é a relação do eco-extremismo com as mulheres.

Consideramos importante destacar o papel das mulheres eco-extremistas, uma vez que elas têm um papel primordial nesta guerra. Tanto por herança ancestral como por instintiva, as guerreiras têm uma enorme conexão com o mundo espiritual, com as forças da terra, com as propriedades das plantas, com a saúde corporal e mental, etc.

No artigo serão abordadas visões do que implica ser uma mulher eco-extremista neste ambiente, também incluirá uma conversa entre cumplicidades sobre esta questão, que sairá na segunda parte, e algumas outras surpresas. Nós expomos o primeiro texto abaixo:

Olá, mulher eco-extremista. São muitas as coisas que eu gostaria de lhe dizer, algumas até “proibidas”. Por não ter um afim físico próximo às vezes eu me sinto como se a realidade me sufocasse e a qualquer momento eu fosse explodir, mas ainda sim me mantenho firme como uma loba feroz que se passa por uma ovelha branca no asqueroso rebanho da massa.

Te comento algo sobre mim, há alguns anos eu renegava o meu gênero, como uma boa anarquista eu rechaçava o conceito e cheguei até mesmo a me considerar “assexuada” ou “queer”. Hoje este passado me entristece, mas o reconheci como um ciclo, parte integrante do que eu era antes para me tornar o que sou agora. Estas reivindicações feministas ficaram no passado porque eu me dei conta de que a Natureza me fez mulher e, orgulhosamente, não por uma questão de gênero, mas por uma questão muito maior e mais forte, que eu não me esforço para compreender, e sabe por quê? O humano está sempre buscando uma maneira de encontrar a explicação para tudo, qualquer ciência lida com isso, acham que têm explicações “razoáveis” para tudo, mas o que sabem é NADA. O que sabem são apenas esquemas antropomórficos fracos, explicáveis apenas para os humanos. É por isso que eu não me foco em compreender o “porquê” de eu ser uma mulher, simplesmente vim assim ao mundo e embora a realidade seja muito mais dura com nós (em algumas ocasiões), serve para endurecer o nosso caráter e nos fazer crescer como guerreiras.

Como bem sabem, neste momento o feminismo é um modismo pegajoso e, embora eu ache difícil aceitá-lo, se esta moda tivesse chegado antes quando eu ainda tinha estas ideias, haveria aceitado e estaria por aí renegando os “machos” e denunciando assédios inexistentes. Mas por “sorte” me afastei desta armadilha do sistema há várias luas.

E o fato é que, o olhar ocidental faz com que você se veja como uma vítima praticamente de tudo e de todos, te faz com que você concentre os seus esforços em lutas estúpidas que apenas te distraem do verdadeiro problema, a Civilização. Ao sistema lhe convém que busquemos culpados entre nós e que dirijamos o nosso nojo contra os homens, os imigrantes, a justiça penal, o Estado, os especialistas, etc. Então, seguir todas estas lutas efêmeras nos fazem parte de um rebanho, mas de um rebanho negro, supostamente “rebelde”, mas depois você percebe que não é nada disso.

Eu não quis permanecer assim, aceitei a minha existência como mulher e declarei guerra contra a civilização, e não a um modelo de sistema de dominação determinado chamado “patriarcado”. O eco-extremismo que defendo não se concentra em gêneros. Eu feri em atentados tanto a homens como mulheres por igual, porque esta guerra é contra a civilização como um todo, e embora não me importe o gênero do alvo, ao mesmo tempo reforço como individualista a minha condição de mulher no que fiz. Talvez não o reconheça publicamente, por estratégia, mas sim entre os meus.

Eu curei as feridas de meu homem com as ervas coletadas, chorei em sua ausência e o recebi com o coração aberto quando voltou de seu ataque. Contei o dinheiro que ele roubou dos bancos que assaltou, estive segurando a sua mão fugindo dos incêndios que provocamos zombando da polícia, eu guardei a pistola homicida após um ataque. Nos aproveitamos disso, de minha condição de mulher, porque este ingênuo sistema dita que uma mulher não pode ser a responsável por um homicídio, algo tão terrível para a sociedade, ou pela detonação de uma bomba, por exemplo. Realço as minhas características femininas porque a Natureza me fez assim, sou indivídua, mas ao mesmo tempo faço parte do meu complemento homem e nisso eu não encontro “subjugação” nem “relações de poder”, tal como fazem as politicamente corretas que tanto me dão nojo. Pelo contrário, eu vejo isso como um casal de lêmures, juntos, brincalhões, unidos, selvagens.

Na cultura de meus antepassados a mulher é a sábia, até mesmo mais que o Xamã, a que guarda o fogo da guerra e só quando as condições são favoráveis, fornece o fogo aos guerreiros para que saiam e arrebatem a vida dos inimigos, é a mulher quem guarda cuidadosamente a palavra e a sabedoria dos espíritos. Algumas se perguntam se realmente existe um espaço para que a ação furiosa dos espíritos femininos possa finalmente ser uma realidade. Este espaço está dentro de nós mesmas, nas palavras e nos atos, sozinha ou com o seu clã. Eu, como te disse, o guardei cuidadosamente para o próximo ataque, mas que o espaço está no atentar selvagem de nossas ancestrais femininas isso é fato, e não restam dúvidas.

Sem mais, mulher eco-extremista, me despido entonando cantos à lua, em uma mão há ramos de plantas medicinais e na outra uma faca empunhada que vai na jugular do inimigo.

Meztli
Lua cheia de Abril, 2017
Chikomoztoc

[ARGENTINA] Segundo comunicado das Garotas Hostis à Civilização: reivindicação de incêndio a um trem

Orgulhosamente divulgamos com profunda cumplicidade a tradução do segundo comunicado das Garotas Hostis à Civilização, desde a Argentina.

Traduzido por Anhangá.

Fogo e terror contra todo o civilizado!

Adiante com os ataques extremistas contra a civilização!
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20 de fevereiro do ano gregoriano de 2017, e voltamos a atacar. Anteriormente havia sido um miserável carro que ardeu devido o nosso fogo incivilizado, já hoje ele se espalhou a um vagão de trem. Às 21:45 subimos tranquilamente na máquina, observando atentamente a cada detalhe, e com os olhos atentos ao nosso redor deixamos o nosso presente incendiário-explosivo, o qual se ativou de forma exitosa, queimando alguns bancos e danando também a parte lateral e superior da máquina, juntamente com o seu sistema de ventilação. Um veículo da imprensa disse que foi uma falha técnica, como é comum nestes casos, mas NÃO, foi NÓS GAROTAS. Provamos mais uma vez o doce sabor da destruição e isso não poderão arrancar de nós nem com todas as mentiras do mundo.

“Apesar da dor, nos fizeram um favor, ficamos mais ligados quando entendemos a razão” – N.D.

A destruição de suas máquinas é o que chegou a suas vidas como resposta iminente diante do ataque constante que exercem contra a natureza selvagem.

Seus transportes transportam o ser humano sobre a terra devastada e colonizada, convertida em propriedade/cidade, seja a curta ou longa distância. O transportam em distâncias e em velocidades forçadas, falsas, que nosso corpo poderia alcançar naturalmente. Transportam a multidão cidadã, levando-a a uma cotidianidade funesta, levando-a a seus centros de domesticação, seja o trabalho ou qualquer ponto do cemitério cinza (cidade). São as responsáveis, assim como todas as máquinas, pela destruição da natureza selvagem, promovendo a artificialidade que infecta a terra, representando a sofistifação daqueles transportes que chegaram pela primeira vez a terras não colonizadas e, portanto, responsáveis e cúmplices da existência e perpetuação desta civilização… Fico imaginando: humanos civilizados, vazios, movendo-se como pragas por lugares indômitos e inexplorados, aaargh!! Que nojo!

E agora, igualmente vazios, se atrevem a ironicamente comparar um avião com o mágico vôo de um pássaro, que possui asas reais. Se atrevem a querer se impor sobre a natureza, atravessar as condições, arrasar com o selvagem, tudo com a intenção de obter os recursos que outras espécies possuem. Se atrevem a ultrapassar seus “limites” humanos, quando são os seres mais domesticados e civilizados desta terra. É por isso que seus transportes ardem! Não são igualáveis as asas de uma ave e as patas de uma lebre! Ardem suas máquinas propagadoras da colonização, ardem seus preciosos transportes tecnológicos, arde em chamas o símbolo da nação, arde o seu progresso, arde a cotidianidade, arde o seu pedaço de metal, ardem as suas jaulas, ardem em nome da vingança pela natureza selvagem.

Viemos para lhes entregar juntamente com o fogo em cumplicidade, a fúria que geraram com cada ataque à natureza selvagem, a cada animal que habita até o lugar mais remoto da terra. Há séculos a conquista e destruição seguem, e com esta ação lhes respondemos com um contra-ataque e defesa. Assumimos a guerra que vocês iniciaram contra a natureza. São cúmplices do dano produzido a ela, e como cúmplices, não merecem compaixão, nem vocês nem suas máquinas… Este não é um ato por dinheiro, não tem moral, não é nem político, nem revolucionário, e muito menos, humanamente lógico.

Muito tem sido especulado na imprensa sobre o nosso atentado. Disseram que foi pelas eleições sindicais, que foi uma falha técnica, que foi o motor, o sistema de ventilação, blá blá blá. A verdade é que este golpe que receberam, sim, foi totalmente intencional, e receberam de nós que nos assumimos como terroristas, e verdadeiras inimigas da sociedade. Isto não é uma piada, é MUITO sério. Queríamos fazer voar pelos ares o seu asqueroso tecno-lixo e deixá-lo em pedaços, queríamos incendiar a tudo por completo, queríamos que este fogo se expandisse o máximo possível, mas bem, será para o próximo ato. O combustível com gás butano foi uma pequena amostra, mas NÃO SABEM do que somos capazes.

Que fique claro de uma vez por todas, há seres que não toleram a subjugação do selvagem em busca do aperfeiçoamento da civilização e do progresso tecnológico. Haverá mais fogo, haverão mais bombas, haverão mais atentados, HAVERÁ MORTES, porque isto é uma guerra, a qual enfrentamos posicionadas ao lado das catástrofes naturais.

Aqui, presentes, inadaptadas à vida civilizada, com raiva no sangue rugimos, GRITAMOS!

Cumplicidade com a natureza selvagem e com todos os seres que atacam a civilização!

Por todo o extasiado, pelo não-civilizado!

Um carro, um trem, toda uma cidade, à luz da lua ARDERÃO!

Guerra de morte contra a civilização e os que a sustentam!

Que o manto do oculto apague os nossos passos!

-Garotas Hostis à Civilização

Notas:

1.Primeiro comunicado das Garotas Hostis à Civilização:                                               http://maldicionekoextremista.torpress2sarn7xw.onion/2017/01/30/argentina-ataque-incendiarioexplosivo-contra-maquina/ (Tor)

2.https://ferrocarrilesdelsud.blogspot.cz/2017/02/la-justicia-investiga-el-incendio-de-un.html

3.http://www.infobae.com/sociedad/2017/02/21/la-justicia-investiga-el-incendio-de-un-vagon-de-la-linea-roca-en-constitucion/

4.http://www.clarin.com/sociedad/incendio-intencional-afecto-formacion-tren-roca_0_HJXtsEsFe.html

[ARGENTINA] Garotas Hostis à Civilização reivindica ataque incendiário-explosivo contra máquina

Saudamos cumplicimente o ato de “Garotas Hostis à Civilização”, desde Buenos Aires.

Desejando fogo, balas e bombas aos híper-civilizados!

Tradução a cargo de Anhangá.
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Mediante este comunicado nos fazemos responsáveis pelo ataque com artefato explosivo-incendiário realizado contra uma máquina de quatro rodas na cidade de La Plata, província de Buenos Aires, Argentina. Esta ação foi realizada numa zona central durante este novo ano gregoriano que é 2017.

O artefato composto por uma garrafa com 2 litros de combustível ligada a duas latas de gás butano que se ativou mediante um incenso incorporado a vários palitos de fósforo, estava pensado para destruir por completo o veículo, e assim ocorreu, ele foi reduzido a metade de seu tamanho e muitos fragmentos ficaram espalhados pela rua. A máquina ficou tão destruída que o capô se levantou e era possível ver o outro lado através da lataria. A imprensa, pelo que sabemos, até hoje não fez qualquer menção ao ocorrido.

Eles vêem uma cidade onde eu vejo um bosque devastado, vêem um animal de estimação onde eu vejo um ser escravizado, vêem um produto onde eu vejo uma vida arrancada com egocentrismo. Vêem uma rua onde eu vejo uma centena de seres mortos. Vêem? Sentem? Caminho pelas ruas de uma cidade e sei que há apenas atrocidades, cada ser humano reproduzindo atos civilizados, cada animal submetido a ser considerado como um objeto ou recurso

“Eu também grito em silêncio nestas noites de terror, o susurro do vento também corre por meu interior, também corre por meus gritos, se faz testemunha, o susurro do vento também grita comigo.”

N.

A hostilidade que nos cria o avanço da civilização é capaz apenas de incitar em nós garotas uma reação violenta, assim como são as reações da natureza. Nesta ocasião, o fogo se fez presente, passando quase despercebido, sendo que era um dia de celebração para os hiper-civilizados. Aproveitamos a distração para mandar pelos ares um de seus horríveis automóveis. Hoje foi apenas um, mas aspiro a muitos outros. Estamos trabalhando para desenvolver explosivos cada vez mais perigosos. Não exitaremos na hora de atentar contra os responsáveis por sustentar esta asquerosa relidade civilizada.

“À cidadania espero que explodam infinitas bombas!”

Do lado dos furacões, terremotos e vulcões!

Fogo, bombas e disparos contra tudo o que é civilizado!

Garotas Hostis à Civilização