[PT – VÍDEO] Catarse – Dias Melhores Nunca Virão

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Recebemos esta mensagem e este impactante projeto por e-mail de alguém chamado “Erva Daninha”. Esperamos que com estes recortes a mente de cada ouvinte seja contaminada de extremo pessimismo e desejo de vingança. E desde já incentivamos as iniciativas propagandísticas misantropas e anti-humanas anônimas!

Adiante, individualistas propagandistas!

Este projeto é sobre o agora, o mesmo agora de há três anos atrás quando ele foi produzido e esquecido. Esta edição é sobre os gritos de dor de um planeta que morre pelas mãos de um animal chamado humano e indiferente com a beleza do mundo. Juntei todas as minhas forças naquele momento para reunir o que encontrei de mais grave e pessimista sobre a situação ecológica da terra, recortes que apenas afirmam que já acabou para o humano e a civilização, não há mais volta e ele será punido com uma catástrofe extintiva que o varrerá deste planeta. As águas, os solos, as florestas, os outros animais, todas estas coisas sagradas significam nada para o humano civilizado adorador da tecnologia moderna. Coisa alguma poderá mudar o curso que a nossa espécie traçou para si mesma. Não há esperanças nem revoluções, tampouco messias que poderá deter a catarse da natureza selvagem. Merecemos o nosso próprio extermínio porque miseravelmente brincamos de deuses sem possuir grandeza para isto. Os dias por virem são pessimistas porque nós fizemos do agora o fim. Não haverão dias melhores.

Erva Daninha.

Buscadores da Paz

Tradução de “Seekers After Peace”.

Vocês, buscadores da paz
Vossas aventuras febris para escapar do mundo
Oh, eles não encontrarão outro mundo além deste!
E se é a paz o que estão buscando deverão encontrá-la aqui
Juntem suas forças para ficar frente ao sublime
Para ver o brilho profundo na beleza e na fealdade do mundo
Para ver e amar a esmagadora glória das coisas
E não escapar rumo à invenções
Esta é vossa única paz

Humanos

Odeio a todos os humanos
Vejo-os como animais comuns
Aqueles que eles comem e servem
Tremendo a mão como o velho que se enforcou em prejuízo da hoi polloi* da cultura das prisões
Nunca são capazes de captar o mundo fora da moral cristã
Este é o animal que as sociedades de moradores conversadores criaram e domesticaram
Odeio a todos os humanos
Os tipos progressistas se emaranham no eterno Panchreston** por uma liberdade que emana da mente
Nunca existiu e nunca o fará
Os perpetuadores da ética religiosa
Filhos do humano
Detesto os materialistas obscuros, esses pretensiosos sacos de merda, os zumbis ocos de duas caras da sociedade do consumo
Detesto os idealistas, os mórmons imbecis da consciência que não podem captar o mundo pelo que ele é
Cravo uma faca no coração coletivo, pensando e atuando!
Eu odeio a todos os bastardos!
Vocês podem me escutar, putos cadáveres?

Todos os sonhos estão mortos porque isso é o que merecem. Tudo deve perecer!
Sua alienação é total! Nada resistirá se eu puder destruí-lo!
Eu busco apenas as maneiras de danar e destruir a tua existência!
Eu respiro um desprezo atroz e um ódio não diluído
Toda
a minha vida estive rodeado por estes tolos que aspiram a rasgar a minha carne se eu não esconder as minhas verdadeiras intenções e pensamentos do além
Humanos.
A evolução biológica d
os patas das ovelhas!
Uma nova raça para o massacre, a definição da escravidão e a contaminação que açoita sobre mim para entrar na porta do metafísico
O que me transforma em um organismo aleijado possuído pela busca da essência
Odeio a todos os humanos
Animais superestimados, um erro da natureza.

Archegonos

*Expressão grega que significa “a maioria”, fazendo uma conotação depreciativa da classe obreira das massas ou das pessoas comuns.

**Palavra grega para definir uma explicação que tenta abordar um problema complexo tentando explicar todas as possíveis contingências.

Funeral Niilista – A Aniquilação da Vida

“O único Deus em que eu creio é uma pistola carregada, com um gatilho sensível.”Richard Kuklinski

O desejo, a elevação orgiástica da morte e do assassinato, o alvo a golpear, aniquilando o limite que “restringe” o modelo de identificação do fluxo da vida.

Golpear e aniquilar -para converter-se- em “seu próprio deus”, matando o círculo contínuo da vida que espera viver e prosperar, provar o cheiro do sangue que desce jorrando da ferida.

A experimentação que eleva um indivíduo, a ação que reside no meio da periferia da consciência onde “permanece” o traçado estático obstacularizando e aprisionando o palpito do gozo egoísta.

Gozo próprio, para ser possuído pelo tremor das extremidades, desconhecido fundo existencial, corpo e mente, diluindo o fragmento da radical destruição imoralista.

Ultrapassar o cumprimento total e imperfeito, a execução de um desejo de assassinar, para aniquilar a morte do pensamento, colapsando a libido e o inferno pessoal, saboreando e desfrutando uma vida que dá voltas, morrendo pela exaltação de um “Deus sem Deus”. Possuo, me movo, sinto, transmito e injeto a imagem que se converte diante de mim, mostrando e exibindo a partida total e verificada da vida vivida.

Domínio e controle de minhas emoções em um abismo escuro. Lúcido entro no caminho do “não escutar”. Impulso, com ritmo quebrado, explicação da ação, tremor espasmódico, à deriva em uma linha injetada de sangue do “próximo” perto da morte, que quer e deseja, superando o obstáculo de um rosto desenhado e desesperado.

Sentir a percepção da morte, tendo-a diante de si, desejando-a, sem esperança, seleção de um corpo prisioneiro.

O prazer, a paixão que divide e separa em um instante, golpe puro para a vida que cruza a margem do “viver”.

Eu sou o criminoso niilista que nega a humanidade obsoleta, transcendendo o homem moral-mortal, existência de uma idêntica e categórica delegação de representação em avaliações iguais.

Eu sou a má paixão que vive no abismo niilista, pela destruição que aniquila a multiplicidade proteiforme da igualdade.

Minhas faces que babam saliva-veneno abismal buscam um corpo quente no frio que rasga a exalação de uma respiração.

Respiro, e respiro para romper o “alento” e o sopro da esperança, pensando na ilusão do futuro, no sorriso fraco e imutável, numa estável perpetuação do lógico caminho “viajado”.

O espectro de Kirillov (1), o demônio que habita em mim.

A experimentação, o atuar que exerce mutação no momento vivido, é a vida, existência que entra numa lógica que categoriza e imprime o selo da verdade.

Eu “vivo” o mundo que morre, no momento em que vivo e respiro o fragmento do pensamento moribundo, póstuma expiração de uma respiração penetrante dentro de minhas vísceras, essência de minha singularidade.

Experimentamos niilisticamente -adentrando-nos abismalmente- saboreando o “medo” na busca da morte (e o morto), e uma sucessão de objetivos reais e do contexto normal do se erguer prospectivo.

A fábula miserável de um mundo “real” existe em um contexto da vida na sociedade de “iguais”, envenenando a minha ambição egocêntrica, aniquilando a margem do respeito à vida.

Fragmento que visa e quer quebrar a regra do compromisso equalizador da gratidão humanista da vida no contexto dos vivos.

*

Realizaremos -avançando para não retroceder “absolutamente”- um absoluto que acumula e imprime uma estrutura de generalização à dinâmica da ação, produto de um fato que estabiliza a regra ao atingir um alvo, apenas meu alvo. A escolha, a dinâmica, a intenção do objetivo, buscando através do desgaste cotidiano, imprime e traça, marcando o sinal exterior da representação dualística na sociedade, fora do limite estabelecido e possível, fato concreto e axioma, um informe categorizando a tipologia da data da impressão, deduzindo a adesão a um método que segue um momento e um ato planejado.

Lógica representação do sinal que se desliga em um circuito de eventos, vivendo o caminho à margem e se apegando, deduzindo a conclusão do efeito reordenado, o sucesso comunicativo no arranjo da elaboração efeito-conclusão.

O efeito dado a determinada imposição, estabelecendo a conclusão que exige e reivindica, tornando efetivo o arranjo na definição do limite que, circunscrito, especifica a conclusão de um bloqueio da hegemônica igualdade.

Hegemônica igualdade que luta duramente com o ato egoísta do objetivo único, estimula o lado oposto ao tentar querer se fundir com a consequente oposição.

Limite que circunscreve e encerra a si mesmo na fronteira do limite da consciência [*]

A luta radical do único que busca seu alvo, cumpre a presunção da absoluta abordagem da hegemônica igualdade, predispondo o chamado para a “sociedade” (tanto que -na verdade- é criticado por eles), então tentam obrigar e submeter definitivamente o único querer de uma potência egoística. A fábula que invoca o predispor lógico de um evento se converte em regra efetiva no concreto e chamado tangível à consciência, uma presunção que visa prever o efeito dado do ato, em uma retroalimentação esclarecendo a verdade do bem com a falsidade do mal.

A sujeira se lava na lúcida consciência destas pessoas “humanistas”, é a representação do limite tangível que rompo e aniquilo, não só com a transferência da verdade, respeito minha única “verdade”, aniquilo a base e a margem da vida moral-mortal.

Golpear e atacar são sinônimos onde eu quebro “o degrau da igualdade” que tenta coagular e conter o egocêntrico gozo da destruição.

Por que objetivo egocêntrico?

Objetivo egocêntrico como a negação da ordem e a estrutura da hipótese e a verdade “verídica”, a assonância entre o movimento de ação e o comportamento ético-cêntrico finalizado, através de uma série de substantivos coordenados da direção (com dois lados), no qual deve explodir minha destruição.

Minha destruição não funciona em nenhum sistema decifrador nem descriptografado e incompreensível por uma multidão proteica de comportamento versátil, por uma cláusula imposta com os outros, o vizinho, o humano, que pisou com o outro pé (para aqueles que tem os dois pés), para tentar estar atento e disposto ao anêmico sorriso ávido de igualdade.

A destruição, o aniquilamento de meu alvo é a ruptura egoísta, o hegemônico propósito de suposições e inventários nas profundezas da consciência, buscar o prazer que se converte nas leis purulentas da ética legal das pessoas -comportamento ético- ética política (anarquista ou não).

Na refração reverberante, num nexo de ordem e gênero para uma divisão igualitária, o grau é a tipologia, no catálogo da reparação da ação produto da destruição.

A “produção” da destruição faz do ato -adormecimento que faz um autentico movimento dentro da regra delimitante- a única lógica acessível à multidão esotérica para a raça humana.

Elevo a Unicidade Egoísta contra a barreira da compensação, me afundando no Abismo do Niilismo, para golpear como Terrorista a decrépita humanidade, a razão pela qual disse “não”, a consciência que reclama sua submissão e a culpa do próximo para atacar e aniquilar de maneira seletiva.

Aniquilando a margem e a sedução do medo no julgamento do humano mortal-moral – e atinge cravando a adaga Niilista no ventre fraco do sentido da conformação possibilista.

Começa a retrospectiva, assassinando e germinando o ressentimento, atacando sem um sistema de identificação e de avaliação de comportamento.

Porque eu devo valorizar o objetivo -através da avaliação do que é possível [**] Eu experimento a anulação com o avance da Destruição Niilista contra um mundo declarado à morte.

Eu não quero “apenas” a morte do mundo, como um sistema social, também quero a morte de Meu alvo, aniquilando a lógica alteração -em uma sistematização- devido ao surgimento do medo na “boca da consciência”.

Objetivo que seleciono como uma preeminente ação de

Meu gozo, ansiando o instante em que meu falo se ergue na predominância do próximo alvo. Eu aprecio a morte do meu alvo, selecionando-o através do momento Egoísta no qual o pensamento funde a luz com a escuridão, a vida “mortal” com a morte “morta”.

Eu sou o Terrorista e Criminoso Niilista que quer a

Destruição do sistema impulso-derivado, para desobstruir o sangue na ferida infectada e purulenta, desintegração da reprovação sedutora da ética em uma ótica de representação orgânica e do comportamento em uma linha reta que estabelece o robô automatizado.

Aniquilando, aniquilando, elimino o meu alvo egoico, na decomposição do córrego da boa consciência, acabando com o respeito à vida e do vivente, no método preciso de um órgão variável do absoluto e do conceito.

Niilifico e quebro o “próximo”, que vem e se converte em meu alvo, no experimento eu atravesso a inversa parábola que indica a rota no caminho da esperança.

A esperança, horrível conceito em um momento vivido, na aparição da bílis da “boca da consciência”. [***]

Quero a destruição da utópica ilusão do futuro, no ascendente destino, como a eliminação de um juiz no poder do indivíduo.

Exploro e avanço, estou aspirando, estou a favor da estratégia da afirmação, no caminho que aniquila o caminho “passado”, que se converteu em putrefação, emerjo e me mergulho, imponho minha libido e meu falo ereto por “vir”, enquanto desfruto a imagem da morte do meu alvo egocêntrico.

Sou dono de minha arma, alta narcisista no alento da morte, na explosão que radica e rasga o pino da existência, pelo instante “Único”, como a masturbação de meu falo, que goza expulsando esperma pelo final da vida!

Despojo, com minha arma Terrorística-Niilista, a pedra angular da igualdade, o fundamento da verdade, princípio do respeito à essência humana.

Essência humana sensível, marca da verdade, pino da realidade em um arco vital do fim e do nada. Nada no nada, é o desenho e a aspiração que compreende e inclui a consequência consequente em uma ordem que ordena e dispõe em um movimento literal, a trilha existencial.

A realidade e a presença-existência da não variabilidade, a continuidade imóvel -repetitiva em um círculo que dá persistência e forma, define o uso do resultado, se recompõe em uma série de cavilhas e articulações, onde se pode continuar a vida na morte, em uma vida já moribunda, que congestiona seu próprio declínio, dispondo regular a vida da utópica ilusão.

Pico de sulco entre mim e a morte de um Alvo Egoico, tenho saudades e saboreio o momento em que se pisoteia o “presente” e a destruição do passado se converte simplesmente em “passado” para expressar dentro de minha Unicidade a existência do sopro de uma vida, que existe e desvanece, perde consistência e se contrai, expandindo o sangue, deixando em pedaços a consciência, transformando o Poder Arbitrário, as veias se convertem em um espectro sem nenhum fluxo vital.

Levanto minha Arma Egoística, uma canção de morte, que explode em chamas do nada para o nada, radical e extremo que exalta o Terror, sem pensar em possíveis infecções em seu absoluto no mundo moribundo.

Armo meu Poder penetrante pela niilificação de um alvo, pela extinção de seu alento, “passos” contrários aos da enfermidade chamada “humanidade”.

Investigação espasmódica, olhos contraídos à margem da vida, fedor da sociedade da igualdade, a visão projetada ao exterior, em uma implícita alteração do próprio projeto e a formação do coágulo de representações que determinam a ocorrência ordinária de emoções comuns.

A vontade da Morte, o Único que congestiona o terreno ético-jurídico da podre comunidade de humanos, escolhe o Livre Arbítrio, o ataque contra o delicado “coração” do sujeito-homem, perdidos em uma tênue vida como a frágil rama de uma árvore caída.

Quero romper uma dessas ramas, reduzindo-as ao nada, para identificar o valor do mundo “verídico”, matando o emocional comum que se eleva da consciência mortal-moral.

Pelo Fúnebre e Niilístico Aniquilamento de uma vida.

EU, NECHAEVSHCHINA!

[*] A consciência- postulado da verdade ética comportamental- morada do submisso- não como o indivíduo Egoico- mas como um sujeito “sujeito” que o que é redime suas Paixões, que flui “passo a passo” em uma metafórica “periferia”, longe do desfrutar Egoico e Destruidor das “certezas”.

[**] O “Possível”, ação geométrica e esquemática, reduz a Potência Egocentrista, fluir que o refluxo determina, o movimento sequencial no hegemônico egoísmo igualitarista, evitando a aniquilação do valor “verdadeiro” impondo -a doutrina do respeito das “partes”, atuando para assegurar o gozo Niilístico e a ação esquematizada, em uma série de regras que “possibilitam” uma ação dentro dos limites que não se pode nem devem ser excedidos.

[***] A metáfora experimentada da “boca da consciência”, é o elo entre o ato do indivíduo de impor a moral dualista, que parte da consciência, e se expressa através de sua “boca”, impondo a dedução, a resolução, dentro de um limite que não se pode superar, porque a verdade não é um comportamento ético, dentro do agente da representação, do bem em relação ao mal Terrorista.

(1) [NdT; personagem da novela de Fiódor Dostoiévski: “Os demônios”]

Ódio Misantrópico

Tradução do feroz texto com sentimento misantrópico desde o blog afim de sangue “Abisso Nichilista”, publicado em Projeto Amoklaufe.

Misantropo não se nasce, se faz.

A receita para um misantropo genuíno começa sempre com uma pessoa transbordante de amor ao próximo, e a isso se acrescenta uma pitada de desencanto misturada com uma saudável dose de cinismo e de amargo ressentimento, então é deixado descansar para que os ingredientes se assentem até ficarem totalmente submersos. Finalizado, sirva-o sobre um mundo ocupado com outras pessoas.

Por trás de cada personalidade misantrópica é possível encontrar os restos em decomposição de um antigo filantropo.

Tudo isso é evidente apenas se considerarmos a intensidade da apaixonada crítica do misantropo. O grau de seu desprezo e desdém pela humanidade é sempre precedido por uma abundância de amor apaixonado, porque é impossível para alguém odiar apaixonadamente se não se sabe amar apaixonadamente.

Que muitos misantropos foram uma vez, na ingenuidade de sua juventude, idealistas ou românticos, isso não deveria surpreender a ninguém.

O que distingue o ódio misantrópico é a sua amplitude e universalidade. O ódio misantrópico é geral, porque o misantropo detesta a todos os homens, seu ódio abarca a tudo, porque despreza com cada fibra de seu ser a multidão e seus imbecis costumes e gestos, ele acumula desprezo por aquilo que é popular e cotidiano para as impensadas e amorfas massas, tem bastante experiência nos costumes dos homens para não aceitar qualquer coisa pelo seu valor aparente, e seu ceticismo em relação às supostas intenções dos outros não conhece limites.

O misantropo genuíno e verdadeiro não deveria ser confundido com uma indiferença distante, como é o caso do egoísta. O egoísta subordina os interesses dos outros aos seus e com isso é relativamente apático com as massas. Como tal, é geralmente alheio. Pelo contrário, o misantropo é bastante reflexivo e muito consciente para ser um simples egoísta, porque a misantropia nunca é uma indiferença passiva, mas sempre se manifesta em um aborrecimento e ódio ativo.

Animismo Apofático

Texto reflexivo do editor-chefe da Revista Atassa, onde aborda o assunto do animismo do tipo eco-extremista.

As pessoas modernas, claro, não podem deixar de cercar isso com os seus olhos, e tenho a mesma tentação. No meu caso, enquanto o bom anarquista ou o esquerdista pode condenar a “superstição” porque pensam que conhecem a história, eu conheço a história ainda melhor, então eu penso duas vezes antes de fazer isso. Hegel escreveu em algum lugar que enquanto os gregos antigos podiam se curvar aos ídolos o homem moderno já não pode. Isso porque ele se tornou um ídolo de si mesmo, de sua realização científica e da compreensão do mundo. Embora eu vá mais longe que muitos defensores “anti-civilização”, em minha apreciação da ciência e da tecnologia moderna (principalmente pelo que fazem, não pelo que representam), eu sei muito bem que eles são também produto de certa forma de pensamento religioso, de uma genealogia que remonta a Einstein e Newton e a magia renascentista, ao neoplatonismo, a escolástica, a Aristóteles, aos pré-socráticos, e assim por diante. Recusar a “mistificação” da Natureza baseado puramente na racionalidade do Iluminismo parece ir parar bem abaixo das origens históricas da “racionalidade” no Ocidente. Não vejo o pensamento secular como algo que não seja um desvio de todas estas tendências. Este poderia ser um bom ponto a partir do nível abstrato, mas em termos concretos as pessoas modernas estão radicalmente separadas da “espiritualidade” como algo diferente de uma escolha do consumidor. Um eco-extremista já apontou isso como no longo ensaio de Halputta Hadjo, “Os Calusa: Um Reino Selvagem?”:

“Antes de discutir a religião Calusa e a posição dos espanhóis em relação a ela sinto que é apropriado discutir brevemente o cisma na mente moderna entre a religião e o conhecimento. Para chegar imediatamente ao ponto, a religião na maior parte de sua existência tem sido uma coisa eminentemente prática. Isto é, como as pessoas acreditavam e como sabiam que o mundo era um só em si mesmo. Isso porque os seres humanos, em geral, não tem o luxo de fazer atos de fé, esperando contra toda a esperança. “Bem-aventurados os que ainda não viram, no entanto creem” teria sido uma premissa incompreensível para qualquer pessoa “primitiva”, e esse foi o caso mais provável com os Calusa. Seus espíritos e seu ambiente era um só, suas práticas religiosas e sua forma de vida eram uma só, não havia nenhuma razão para duvidar disso já que se baseavam nas coisas que constituíam sua realidade cotidiana. O Calusa acreditava em um mundo cheio de deuses, algo que não podemos nos conceber em nossa mentalidade tão ocidental e secularizada. Portanto, desafiar suas crenças era desafiar sua forma de vida. Fora a maioria dos povos de sua região foram os Calusa que conservaram suas crenças até o fim. Eles nunca foram conquistados, mas desapareceram gradualmente junto com o mundo espiritual que habitavam.”

No Ocidente moderno não vemos que são os nossos espíritos, ou melhor, a Terra, que nos alimentam. A civilização nos alimenta, a tecnologia nos veste, a moral nos protege, etc. Portanto, não é de surpreender que até mesmo os mais “radicais” ideólogos híper-civilizados voltem seus olhos para os sistemas do passado para se aproximarem destes mundos e encontrá-los dispostos. Não sentem qualquer conexão com eles, podem até respeitá-los, mas não será subjugada qualquer entidade numinosa nem fingirão ser seu mensageiro, etc.

Como então se concentra a ideia do “paganismo/animismo” (sim, há uma diferença, mas eu não me importo com esse ponto)? Como recuperar os “deuses”? É mesmo necessário, desejável, etc.? Sinto que Halputta Hadjo em seu ensaio já abordou esse ponto no final de seu trabalho, mas irei fornecer minha própria abordagem. O que segue é minha própria tentativa de ser um animista no século XXI, com todas as contradições no pensamento e nenhum destes rituais frescos. É minha atitude e acima de tudo minha compreensão de que provavelmente nunca terei o que preciso, porque sentir que é “preciso” é o problema em primeiro lugar.

Minha própria entrada na crítica contra a civilização vem da sensação de lugar. De fato, os livros influentes para mim nos últimos anos não tem sido sobre a teoria, mas sobre onde plantar meus pés agora e onde os plantei. Por exemplo, tive o grande prazer de traduzir o XVI comunicado de ITS da cidade de Torreón, Coahuila. Esta é a cidade de meus avós, minha mãe foi criada em um pequeno povoado nos arredores. Eu ia muitas vezes ali nas férias quando era criança, e a sensação que eu tinha é que era feio e muito pouco atraente. Um deserto sem muito o que ver, cheirava a animais de fazenda e havia construções de adobe em ruínas. Eu não esperava mais visitar aquele lugar. De fato, eu apaguei da minha memória a paisagem da minha cabeça. Então esta parte do comunicado soou verdadeira para mim:

“A Natureza Selvagem foi destruída, o futuro ideal é tão cinza e inerte. Desde esta realidade atacamos; somos individualistas travando uma guerra vingativa em nome da montanha derrubada para construir uma mega estrada, pela flora e fauna destruída em nome do progresso, em nosso ser levamos a essência do rio desaparecido por alguma grande represa.”

“Merecido tem Torreón e seus cidadãos, que com suas práticas colaboram para a perpetuação da civilização tecno-industrial. Você vê o horizonte e encontra uma colina negra artificial criada pela empresa “socialmente responsável” de nome Peñoles, água envenenada, o ar contaminado, fauna e flora aniquilada pela expansão sem freio que tem a urbe. Por tudo isso…., três mortos parece pouco para nós.”

Agora, não sou o maior admirador da prosa histriônica. Eu seguro o meu nariz e faço todo o possível para traduzir estas coisas. Mas o sentimento não está longe do que eu sinto. Embora eu seja o primeiro a admitir que a Natureza muda e muda com frequência, o que os humanos modernos fazem com o meio ambiente segue sendo repulsivo e enlouquecedor. Não é a mudança o problema, é a taxa de mudança juntamente com a arrogância atrás dela, a miopia, o fracasso em parar de danificar nosso ambiente que é apenas uma extensão de nossa ferida e da alienação entre pessoas. Cheguei à conclusão há alguns anos de que se você não pode amar a seu entorno, a água, as árvores, o ar que respira, etc., você não quer mais nada. E sim, para mim, neste mundo, ITS tem sentido. Chame-me de psicopata, o que quer que seja, eu não me importo.

Como os eco-extremistas de La Laguna eu olho para aquele lugar agora tão distante em minhas memórias de infância, mas também para o lugar onde eu cresci, para os rios e pântanos que secaram quando a água foi utilizada para irrigar os campos e ajudar o gado com sede. Olho os rios por aqui que os antigos *temporeiros dizem, eles costumavam ser claros quando estavam crescendo, você podia ver o seu fundo, mas agora são cinzentos e opacos. Olho os pinheiros e os ciprestes e aos poucos grandes ciprestes, grossos e sábios, atados pela idade e a ferocidade: o resto das velhas árvores que não foram cortadas para fazer a Grande Cidade que posso ver através de Ok’wata. O eco-modernista e o progressista me dirão para eu deixar a natureza selvagem ir, para não chorar, e para olhar para frente. Eu rejeito isso, eu nego com todo o meu ser. Enquanto outros híper-civilizados não veem mais que shoppings e parques, vejo uma cena de crime, de fato, a cena do único crime que vale a pena abordar. Minha existência e a existência dos que amo é baseada em uma mentira, uma ordem social que não tem o direito de estar aqui. Ou tem um “direito”, mas não merece meu respeito ou lealdade. Nem uma porção disso.

Admito que não posso ser animista como os povos primitivos foram. Sei que as estrelas são apenas bolas mortas de gás, que a lua é uma rocha fria em órbita ao redor da Terra, que a doença é resultado de micróbios e vírus e não de um poderoso Xamã a três aldeias de distância jogando feitiços, e assim sucessivamente. Eu sei destas coisas, mas porque eu as conheço é esse o problema. As conheço pelo sistema, para o qual sou um meio e não um fim. Eu sei disso por causa de um sistema que é racional quando se dirige a estas coisas, que pode manipular matéria inanimada, mas que não tem ideia de como organizar e controlar animais humanos reais em muitas circunstâncias. Eu as conheço por causa do sistema que põe em perigo a Terra por causa de milhões de dólares ou de ideologias estúpidas. Minha adesão a um “animismo” é minha preferência por não tê-lo conhecido. Claro, isso não é possível agora, não posso praticar lobotomia em mim mesmo para eliminar o conhecimento moderno. Mas eu posso estar bem consciente do preço e declarar que ainda não vale a pena.

Tenho uma excepcional formação teológica/espiritual, mesmo que seja em meu catolicismo ancestral e em outros caminhos espirituais que resolvi estudar aleatoriamente. Tenho que admitir que a adesão ao “animismo” me deixa frio porque sei muito sobre os rituais e os dogmas para ir inventando o meu próprio credo. Eu nunca serei capaz de evocar os deuses mesoamericanos ou amaldiçoar as pessoas com a cara fechada. Mas muito menos serei capaz de condenar as pessoas que fazem isso, muito pelo contrário. Pode ser que eu não seja capaz de crer que as árvores, as rochas, os cervos, os jacarés, as bagas, etc., tenham espírito, e todos estejam sofrendo devido a nossa aflição contra o planeta, por nossa negligência e ganância, mas eu reconheço que eu gostaria de alcançar isso. No entanto, tenho aqueles momentos de atenção, aqueles momentos de assombro e admiração que todos devemos ter diante da Natureza Selvagem, e isso é o suficiente para mim, suponho.

O apofático é da escola do pensamento teológico que afirma que só podemos nos aproximar do Divino ou o Transcendente através da negação. Ou seja, conhecemos o Divino não pelo que é, mas pelo que não é. Minha própria crença no animismo é que todas as ideologias humanas se desmoronam, todas são o resultado de se voltar para a própria cabeça, para as ideias e certezas de uma pessoa, em vez de partir. Os olhos estão destinados a ver as coisas, os ouvidos a escutá-las, as línguas para prová-las etc. As coisas são primárias, não as faculdades que as percebem e processam. Meu verdadeiro ser está fora de mim, e o sentido do homem está fora de sua própria história… Não posso concluir esta reflexão de melhor modo que citando o poema de Robinson Jeffers, “Credo”, em sua totalidade:

Meu amigo da Ásia tem poderes e magia, arranca uma folha azul de uma jovem borracha-azul

E olhando-a, coletando e acalmando

O Deus em sua mente cria um oceano mais real que o oceano, o sal, o real

Péssima presença, o poder das águas.

Ele crê que nada é real exceto quando o fazemos. Eu humildemente encontrei em meu sangue

Foi criado ao oeste do Cáucaso o misticismo mais duro.

A multidão está em minha mente, mas creio que o oceano na abóbada de osso está sozinho

O oceano na abóbada do osso: ali está o oceano;

A água é a água, o penhasco é a rocha, vem os choques e os flashes de realidade. A mente

Entre, feche os olhos, o espírito é uma paisagem; A desoladora beleza

A beleza das coisas nasceu ante os olhos e foi suficiente para si mesma; A dolorosa beleza

Permanecerá quando não haja mais coração para quebrar

* Povos antigos que sem auxílio tecnológico moderno faziam a previsão do tempo.

Sonhos Contra a Realidade

Tradução de uma interessante reflexão de um anarquista frustrado, defensor do pessimismo e crítico da pestilente era moderna. Extraído de The Cult of Infinity. Traduzido por Urucun.

Bem, ainda estou aqui. Eu tinha o objetivo de tentar escrever um post a cada semana, mas tenho aprendido que às vezes você tem que deixar projetos de lado e se conformar com isso. Quero seguir escrevendo e escrevendo, mas realmente é preciso muita energia emocional para conseguir escritos maiores. Muitas vezes me sinto frustrado por minha falta de motivação porque me pus várias metas, mesmo sabendo profundamente que estou preparado para o fracasso. Eu quero me destacar em uma coisa, e talvez isso seja escrito, quem sabe? Mas no momento eu não estou me dedicando suficientemente a isso. É sangue, suor e lágrimas e, às vezes, simplesmente eu não tenho a energia. Ocasionalmente você se sente como um disco quebrado, simplesmente respondendo aos demais. Isso não combina comigo, eu gosto de pensar por mim mesmo, e foi isso que me atraiu para a anarquia em primeiro lugar. Foi o que me forçou a continuar buscando, apesar de tantos becos sem saída.

É um momento confuso e pouco claro, e qualquer um que alegue ter respostas está enganosamente mal orientado na melhor das hipóteses, e politicamente enganado na pior. Esta é uma das coisas mais difíceis para os anarquistas concordarem. À medida que mais e mais pessoas chegam ao anarquismo através da internet temo que esta busca por respostas leve muitos a simplesmente seguir doutrinas estabelecidas escritas por anarquistas para uma outra época, já que fornecem as direções.

O que explica esta falta de imaginação? Parece muito fácil ser absorvido por todas as causas sociais e ultrajes da época, especialmente com ênfase na identidade. Estes adeptos anarquistas às noções de comunidade são risíveis, traem as suas verdadeiras ideologias enraizadas no marxismo, maoismo e outras tolices esquerdistas. Há um componente espiritual que está faltando na anarquia, e em nossas vidas. Sugiro que os anarquistas pensem sobre isso. Eu anseio o pensamento flexível e não a rígida adesão ao dogma. Temos a religiosidade sem o conhecimento do que a religião poderia realmente fornecer, algo de que certos místicos falaram. Em vez dos santos, agora temos os deuses seculares da Ciência toda-poderosa.

Não sou um anarquista que queira salvar a humanidade. A humanidade é uma das maiores causas da miséria no mundo. Ela nos distancia de viver livremente sob nossos próprios termos. Nos força a nos conformar, a nos normalizar e a nos controlar. Não permite a negatividade porque é preciso ter esperança no futuro para dar bastante valor à vida humana. Mantém a anarquia segura e atraente. E, no entanto, não há nada realmente humano na forma como estas pessoas vêem o mundo. Para eles o ser humano é obsceno. A violência é abominada apesar de fazer parte da existência do homo sapiens desde tempos imemoriais; a menos que a violência seja feita coletivamente, é denunciada.

Qual é a diferença entre alguém que mata por prazer, frustração ou vingança, e alguém que mata por ganâncias políticas? É uma estranha linha moral que algumas pessoas desenham na areia.