Jesuíta é Assassinado na Selva

Carlos Riudavets, um missionário jesuíta espanhol de 38 anos foi encontrado morto na selva peruana em uma comunidade indígena. O religioso foi achado amarrado e com golpes de punhal na cabeça.

O representante da “Companhia de Jesus” realizava “missões” com os povos awajun e wampis. De acordo com testemunhas foi possivelmente caçado e morto por um de seus ex-alunos indígenas.

Os Wampis são conhecidos por seu passado guerreiro e violento. Em 1841 realizaram uma missão onde expulsaram a todos os índios civilizados próximos de seus territórios. Já em 1843 assassinaram a todos os habitantes da vila de Santa Teresa, entre Santiago e Morona. Os Awajun são um povo igualmente guerreiros.

A Fonte.

Este tipo de assassinato brutal, especialmente neste contexto a ao alvo, nos alegra tremendamente. Serve para que os seguidores do cristo relembrem com quem estão lidando e que a vingança ancestral cedo ou tarde, chegará, o evangelho não é capaz de conter os instintos selvagens e as crenças pagãs.

Pela aniquilação da cristandade!

Punhaladas e mais punhaladas ao corpo de cristo!

Caçador: Um Resumo de “The Other Slavery”, de Andrés Reséndez

Extraído do blog Malpaís. Traduzido por Anhangá.

Para colocar mais conteúdo neste blog, e também para se concentrar no ponto de vista eco-extremista, ocasionalmente, colocaremos resumos de livros, especialmente de livros que talvez possam ser inacessíveis para a maioria dos eco-extremistas e seus cúmplices hispanofalantes. Começamos com o recente livro do professor mexicano-estadunidense de História pela Universidade da Califórnia Davis Andrés Reséndez, chamado “The Other Slavery: The Uncovered Story of Indian Enslavement in America” (A Outra Escravidão: A História Relevada da Escravidão Indígena na América). Este livro recém publicado tem muito haver com temas discutidos na Revista Regresión e em outros textos, e em alguns assuntos mais conhecidos na América Latina em comparação com terras anglófonas. Por essa razão, não nos concentraremos em resumir o livro completo, já que muito do conteúdo é ensinado em várias faculdades e até mesmo em escolas como história da colônia e do Vice Reino. Por exemplo, quase todo mundo sabe sobre a escravidão dos indígenas no México e Peru, não é necessário abordar esta questão novamente.

Deve-se notar, no entanto, que tem havido bastante “revisionismo” entre os teóricos sobre o progresso da civilização no que hoje é conhecido como “as Américas”. Os escritores estadunidenses Charles Mann no livro “1491” e Jared Diamond em “Guns, Germs, and Steel” (Armas, Germes e Aço), dão a impressão de que a violência do colonizador foi exagerada em algumas fontes históricas. Neste livro, pelo menos, Reséndez refuta este revisionismo. A conquista era tão sangrenta como Bartolomeu de las Casas e outros escreveram.

No entanto, não queremos permanecer no âmbito de fazer os pobres indígenas como “mártires”, que é o que o discurso esquerdista faz com seu culto ao “nobre selvagem”. Queremos aqui concentrar-nos nos trechos do texto que compliquem a questão o suficiente. Em seu capítulo “Powerful Nomads” (Nômades Poderosos), Reséndez descreve o papel da introdução do cavalo nas tribos de caçadores-coletores.

O autor escreve:

“Os exemplos mais dramáticos da reinvenção índia ocorreram no que é hoje o sudoeste americano. Muitos fatores levaram os indígenas daquela região a se tornarem traficantes [de escravos]. A atividade contra a escravidão da coroa espanhola e as proibições legais contra a escravidão dos índios dissuadiram alguns caçadores de escravos no norte do México, deixando espaço para que outros retomassem o papel. Além disso, as rebeliões do século XVII que culminaram na Grande Rebelião do Norte, restringiram a troca de escravos indígenas e abriram mais lugares para a caça de escravos, criando mais oportunidades. Mais importante, a utilização de cavalos e armas de fogo se acelerou naquela época, dando a alguns índios a capacidade de escravizar outros povos. Os novos traficantes, novas vítimas e novas rotas para o transporte de escravos surgiram nos séculos XVII e XVIII. Algumas comunidades nativas experimentaram um processo da “desterritorialização”, como chamou Cecilia Sheridan, deixando suas terras ancestrais, juntando-se com outros grupos, e reinventando-se como bandos móveis capazes de operar em longas distâncias. Ganhavam a vida com o comércio de pilhagem da guerra, incluindo cavalos e cativos.”

No sudoeste do que hoje é conhecido como “Estados Unidos”, sobretudo nas Grandes Planícies (Great Plains) no centro do país, houve uma “revolução do cavalo”. Não era uma questão de introduzir o comportamento bélico nos povos que eram historicamente caçadores-coletores, melhor, os índios itinerantes fizeram tudo o que os povos com cavalos fizeram (mover-se, caçar, participar do comércio, fazer guerra, etc.). Era apenas uma questão de “fazer melhor”.

Algumas tribos se beneficiaram mais do que outras, e essas tribos geralmente escravizaram outras, incluindo outros caçadores-coletores e povos que praticavam a agricultura. Os Comanches foram um exemplo de uma tribo “menor” que se converteu em um grande “império caçador-coletor”, que ganhava suas riquezas de saqueamentos e assaltos. E a atividade mais lucrativa foi o comércio de escravos. Embora a escravização dos índios fosse ilegal no império espanhol, a lei era geralmente ignorada.

Os Comanches, em particular, caçavam escravos para trocá-los por cavalos, rifles e navalhas de metal. Mas também incluíram alguns escravos em sua sociedade. Geralmente nos roubos, os Comanches matavam a todos os machos adultos, mas levavam os meninos e as mulheres que poderiam servir para aumentar a sua quantidade. Como povo poligâmico, um guerreiro poderia ter muitas esposas, até dez ou mais se tivesse muito êxito na guerra. As mulheres não serviam apenas para o prestígio ou gratificação sexual; ter muitas mulheres também era útil porque um guerreiro podia matar muitos bisontes em apenas uma hora, e era o dever da mulher processar a carne dos animais mortos, o qual era um processo muito trabalhoso.

Reséndez descreve a preparação para uma incursão que indicava que um grupo de guerreiros iria desfilar publicamente com os seus cavalos, de modo a irem convidando outros a se unirem. Grandes espetáculos de cavalos e adornos pessoais foram vistos naquela época, a força e a valentia dos guerreiros foram avaliadas para determinar o potencial êxito da incursão. Uma dança de guerra precederia o ataque, que poderia se espalhar longe no México, a certa distância do território Comanche.

Reséndez descreve uma incursão significativa em meados dos anos 1800:

“As testemunhas enfatizaram o sigilo nos ataques dos índios, que em um instante poderiam transformar uma boa noite de sono em uma cena surrealista de caos absoluto com gritos de “Os Bárbaros!”, disparos, cavalos galopando, e flechas voando. Fazendas periféricas, casas isoladas e pastores que exerciam seu comércio em áreas remotas eram presas fáceis. Mas os guerreiros Comanches às vezes se dirigiam também às grandes cidades do México. Em dezembro de 1840 e janeiro de 1841, um grupo de atacantes indígenas passou duas semanas assaltando fazendas nas proximidades de Saltillo, a capital do estado de Coahuila, movendo-se de uma fazenda a outra, como se estivessem desafiando completamente qualquer consequência mexicana. Em uma proeza da “audácia inconcebível” como a imprensa mexicana os qualificou, apareceram bem nas imediações da cidade antes de serem expulsos apressadamente pelas autoridades mexicanas. Da mesma forma, em agosto de 1846, durante um dos ataques mais ousados e descarados de todos, cerca de quinhentos Comanches cortaram uma faixa através de Chihuahua e Durango. George F. Ruxton, um inglês que viajava pelo norte do México naquela época, nos deixou um retrato sombrio: “ranchos abandonados, estradas intransitáveis e povos barricados, vivem com medo de ataques dos índios.” Quando ele chegou a cidade de Durango, em Setembro, se surpreendeu ao saber que a conversa daqueles 18 mil habitantes da cidade não era sobre o curso da batalha Estados Unidos–Guerra Mexicana, mas de uma possível invasão dos Comanches que haviam estado devastando as fazendas no nordeste da cidade do século”.

Os Comanches não eram a única tribo que realizava invasões. Reséndez fala dos Apaches e Utes que também se alimentavam de outros índios e dos não-índios igualmente. As histórias de Mangas Coloradas e Gerônimo são amplamente conhecidas e exigem pouca descrição aqui. Os Apaches se diferenciavam de outras tribos em que, até o século XVII, eram algumas das piores vítimas da escravidão dos espanhóis para trabalhar nas minas de prata do norte do México. Após a chegada do século XIX e da República Mexicana, esforçaram-se para se tornar sedentários e agricultores, mas devido à diminuição da presença militar na fronteira mexicana, começaram rapidamente a fazer das invasões uma forma de vida, como muitos de seus vizinhos. Eles ferozmente se enfrentaram com os militares mexicanos que muitas vezes terminaram em combates corpo a corpo, e como em muitos outros casos, os homens escravos foram mortos ou escravizados pura e simplesmente, enquanto que as mulheres e os meninos muitas vezes dissolvidos na comunidade Apache.

Os cativos nem sempre foram tratados muito “humanamente”, no entanto, esta não é a história de Matilda Lockhart, capturada pelos Comanches e depois, “devolvida à civilização”:

“…tinha hematomas e feridas por todo o seu corpo, e seu nariz havia sido cortado, suas fossas nasais abertas e despojadas de carne, especialmente o nariz, e estavam a gritar e a rir como demônios quando ela chorava.” “Muitas vezes sequestravam estes prisioneiros, especialmente se tivessem meios para o resgate. Os mórmons, ao chegar a Utah na metade do século XIX se encontraram com o chefe Walkara dos Ute, que segundo o líder mórmom Brigham Young, nunca foi sem “uma quantidade de meninos índios escravos”. Young comentou que, “eu vi seus escravos tão emaciados que não eram capazes de ficar de pé. Ele tinha o hábito de amarrá-los fora de seu acampamento à noite, nus e com necessidade de comer, a menos que fosse tão frio que pensasse que iam morrer de frio.” “Os meninos de Walkara foram literalmente descritos por outra testemunha como “esqueletos vivos”, “literalmente mortos de fome por seus captores”.

Walkara foi chamado, o “Falcão das Montanhas”, vendia as crianças indígenas de outras tribos como os Paiute por armas e outros bens da civilização. Ele cavalgava e negociava em lugares distantes como a Califórnia, e era conhecido por roubar gado e cavalos, bem como as caravanas. Os recém chegados mórmons o temiam muito e tentaram atender a Walkara e os Utes, mas eram muitas vezes incapazes de deter a sua barbárie. Na tentativa de evitar a venda de crianças indígenas, os mórmons foram testemunhos de uma outra cena horripilante quando o irmão de Walkara, Arapeen, disse a ele que se recusaram a comprar as crianças indígenas que ele vendia:

“Vários de nós estávamos presentes quando ele pegou uma das crianças pelas canelas e tacou seu cérebro no chão duro, depois atirou seu corpo em nossa direção e nos disse que se tivéssemos corações teríamos salvado a sua vida”.

Os Utes também participaram da destruição da tribo Navajo, juntamente com as forças do governo dos Estados Unidos, embora com um elevado grau de autonomia para que pudessem roubar e escravizar os Navajo.

Claro, existem outras partes deste livro que não iremos discutir aqui, que cobrem ditos aspectos da história como a rebelião do povo e ainda uma seção sobre a Guerra Chichimeca, que foi descrita com detalhes na Revista Regresión. A razão pela qual discutimos esse tema no livro em particular é outro golpe ao mito do “bom selvagem”. Os pessimistas, é claro, dizem que as tribos como os Comanches, Apaches, Utes, etc., não se converteram em guerreiros e cruéis até que domesticaram o cavalo e foram atraídos para tornarem-se isso pela promessa de bens dos europeus (pistolas, facas, cavalos, etc.), isso é verdade até certo ponto, mas talvez também levante a questão de que “sempre foram assim”, e a introdução do cavalo e outras novidades, foram apenas mais um manifesto óbvio. A civilização não é a mancha do pecado original na alma do “bom selvagem”, é o meio para amplificar e realizar algo que já está lá, o que faz com que tudo o consuma e desequilibre.

No entanto, nossa tendência não volta atrás apenas na herança selvagem dessas tribos, pelo contrário. Um selvagem não pode escolher o “momento ideal” para ser um selvagem, onde quer que esteja, e agir em consequência. Para o anarquista verde, talvez Mangas Coloradas e Walkara são “vilões” que caíram na armadilha da civilização, escravizando e vendendo seus prisioneiros. O eco-extremismo renuncia a tais “moralidades de ataque”. As vítimas não são “santos de nossa devoção”, não se contraem novamente pela inevitável crueldade da vida. Essas coisas têm que ser assim, e os golpes devem ser devolvidos a base de golpes.

O que é ainda mais revelador é como isso se reflete na utopia do “futuro primitivo do anarquista verde”. Estou certo de que eles mesmos se darão uma lobotomia a fim de desdomesticar o cavalo, esquecer como usar armas de fogo e metal, e se tornar completamente nômades que andam apenas a pé, porque caso contrário, isso levaria a “hierarquia”, e não podemos chegar a isso. Também se esquecerão dos reatores nucleares, aviões, naves espaciais, etc., etc. Portanto, um bando do “futuro primitivo” nunca poderia cair na venda de crianças esqueléticas em mercados de escravos e açoitar crânios de crianças pequenas quando as pessoas se neguem a comprá-las… Não, eu tenho certeza de que estes “anarquistas verdes” preservarão sua “pureza de coração” em mundo tecno-industrial depois do colapso, ao contrário de pecadores indignos da história, como Gerônimo, Mangas Coloradas, Walkara e o resto dos repreensíveis de salvação na história anarquista…

Os Eco-extremistas são selvagens no aqui e agora, atacam no aqui e agora, usam as ferramentas do presente para lutar contra o que procura escravizá-los e domesticá-los. Isso pode parecer hipócrita, mas pelo menos eles são uma boa companhia. Como qualquer pessoa sensata, eles utilizam as armas à mão para lutar contra o inimigo. Termino esta reflexão com uma passagem de um artigo da Revista Regresión número 3 em relação a este tema:

“Aqui fica respondida a pergunta que foi abordada nesta quarta lição, não podemos nos limitar às antigas ferramentas de guerra apenas porque criticamos este sistema tecnológico, devemos utilizar as armas do mesmo sistema para combatê-lo. Assim como os nativos americanos, os participantes da matança da Pequeno Grande Chifre não se detiveram na utilização destes rifles de repetição, então que nos não nos detenhamos na hora de utilizar a arma moderna que possa causar baixas no inimigo.”

Chicomoztoc, Lua cheia de Julho, 2016

-Arco de Huizache

O Último dos Tanaru

Recentemente foram divulgados registros do que parece ser o último dos Tanaru. O homem primitivo é o único sobrevivente de sua tribo que foi massacrada há mais de vinte anos atrás por fazendeiros. Desde então há duas décadas habita sozinho algumas florestas do estado de Rondônia. Os registros mostram que “índio do buraco” vive da caça e da coleta, além de praticar também a agricultura, cultivando alimentos como milho, banana, mamão e batata.

Mesmo após a sua tribo ser dizimada o Tanaru seguiu distante da civilização, sempre se esquivando e desprezando tentativas de contato. É assim que o último dos Tanaru vive, sozinho e primitivamente há mais de duas décadas em meio as florestas após o seu povo ser massacrado por civilizados, tal como uma vez fez Ishi.

 

Selvagens Politicamente Incorretos

Texto extraído da Revista Anhangá N° 2.

Steve Sheldon me contou sobre uma mulher que deu à luz sozinha na praia. Algo deu errado. Um parto de nádegas. A mulher estava agonizando e dizia: “Ajuda-me, por favor! O bebê não vem”, gritava. Os Pirarrãs sentaram-se passivamente, alguns parecendo tensos, outros falando normalmente. “Estou morrendo! Isto dói. O bebê não vem.”, ela gritava. Ninguém respondeu. Já era tarde. Steve se dirigiu a ela. “Não, ela não quer a você. Quer a seus pais.”, foi-lhe dito, o que implicava claramente para que ele não se dirigisse a ela. Mas seus pais não estavam perto e ninguém mais iria em sua ajuda. A noite chegou e seus gritos eram notados regularmente, cada vez mais fracos. Finalmente, se detiveram. Pela manhã, Steve soube que ela e o bebê haviam morrido na praia, sem ajuda.

Steve registrou a história deste incidente, que é repetido aqui. O texto relata… [o] trágico incidente de uma ideia da cultura Pirarrã. Em particular, nos é dito que o Pirarrã deixa a uma jovem morrer sozinha e sem ajuda devido a sua crença de que as pessoas devem ser fortes e superar as dificuldades por conta própria. Daniel Everett, “Don’t Sleep, There are Snakes: Life and Language in the Amazonian Jungle”, pg. 90-91

Um curioso efeito foi observado, o qual deu lugar a muitas queixas por parte da população masculina nativa. Como resultado da associação das mulheres com os homens brancos, desenvolveu-se um movimento feminista espontâneo. Primitivamente, a mulher não era apenas fisicamente, mas também economicamente e espiritualmente subordinada ao homem. A índia realizava a maior parte do duro trabalho manual associado à vida na aldeia, enquanto o seu marido e o pai passavam o tempo descansando. Ela se viu obrigada a obedecer a todas as ordens e caprichos de seu amo e senhor. Caso contrário, não evitaria o inevitável castigo. Com a chegada de milhares de homens brancos, não casados e à caça de fêmeas, a situação foi alterada. As mulheres poderiam fazer frente aos índios homens com a escolha de um melhor tratamento ou deixar o seu conjugue e trocá-lo por um pretendente branco. Por outro lado, a índia, sem dúvida, foi profundamente influenciada pela invejável posição que ocupou o seu sexo nas comunidades brancas recém-criadas. Embora nenhum sociólogo contemporâneo tenha dado suficiente atenção a isso, temos indícios de uma formidável revolta feminista. Um agente da Fresno Indian Farm, reportou:

“Embora os homens sejam, ou uma vez foram, donos absolutos das mulheres, muitas delas neste momento… encontraram refúgio entre os brancos e, portanto, são independentes dos homens.”

Uma declaração também apareceu próxima ao mesmo período no sentido de que, “os homens brancos tomaram as mulheres dos índios, desde suas casas de campo e ensinaram-nas a desprezar as criaturas preguiçosas, e utilizaram isso para fazê-las escravas.” Se este clima era característico de grande parte da opinião feminina, é fácil ver como, mesmo sem grande agitação social envolvida, a mudança poderia agir como um agente irritante e, assim, servir como um fator na interrupção da vida familiar aborígene. – “The American Invasion, 1848-1870” pgs. 81-82 em “Cook, Sherburne F. The Conflict Between the California Indian and White Civilization”. Berkeley: University of California Press, 1976.

Os Jarawas são cerca de 400, e um geneticista os descreve como “possivelmente as pessoas mais enigmáticas do nosso planeta”, e que se acredita que tenham migrado da África há cerca de 50 mil anos. São muito escuros, de baixa estatura e até 1998 viveram em completo isolamento cultural, atiraram com flechas de ponta de aço quando estrangeiros chegaram perto demais… Não é nenhum segredo que, no passado, a tribo tenha realizado assassinatos ritualísticos de crianças nascidas de viúvas ou -muito mais raro- engendrados por aborígenes. O Dr. Ratan Chandra Kar, um médico do governo que escreveu um livro de memórias sobre seu trabalho com os Jarawas, descreveu uma tradição em que os bebês recém-nascidos foram amamentados por cada uma das mulheres no período de lactação no grupo antes de serem estrangulados por um dos anciões da tribo, a fim de manter “a chamada pureza e santidade da sociedade.”. “Baby’s Killing Tests India’s Protection of an Aboriginal Culture,” New York Times, 13 de Março, 2016.

Certa noite Debe caminhava à direita do acampamento de Gau, e sem dizer uma só palavra disparou três flechas contra Gau, uma no ombro esquerdo, uma na testa, e a terceira no peito. O povo de Gau não fez nenhum movimento para protegê-lo. Depois que as três flechas foram disparadas, Gau seguia sentado diante de seu atacante. Debe levantou sua lança como se fosse apunhalá-lo, mas Gau disse, “Você já me flechou três vezes. Não é o suficiente para me matar e agora também quer me cravar uma lança?” Quando Gau tentou se esquivar da lança o povo de Gau apareceu para desarmar a Debe de sua lança. Após ser gravemente ferido, Gau morreu rapidamente. Richard Lee, The Dobe !Kung, citado em “Ultrasociety: How 10,000 Years of War Made Humans the Greatest Cooperators on Earth”, pg. 104

Para mim, todas estas citações anteriores me lembram a uma citação aparentemente insignificante que apareceu quase no final da polêmica Ya Se Habían Tardado: Reacción Salvaje En Respuesta a Destruye las Prisiones, que diz o seguinte:

“Antes deste comentário RS (Reacción Salvaje) comenta se DP (Destruye las Prisiones) dá uma de conhecedores de comunidades. Esperamos que saibam que o povo das colinas no México está acostumado há centenas de anos a formas de vida que são mal vistas pelos citadinos doentes da cultura ocidental, certas formas de vida que são catalogadas de “brutais”, como por exemplo, trocar uma mulher por uma vaca ou uns porcos. Para os nativos é comum, é parte de seus costumes, de seu modus vivendi e é algo normal, enquanto que para os moralistas ocidentais (incluindo alguns anarquistas) é algo indigno, se escandalizam e gritam de indignação quando escutam falar sobre isso. Geralmente as anarquistas do tipo feminista são as que fazem mais escândalo diante disso. RS não vê como algo ruim, RS respeita o desenvolvimento e os costumes das pessoas do campo, por isso nos expressamos a favor das relações de poder neste tipo de comunidades, porque não é da nossa conta tentar mudá-las. Enfatizamos, não é que sejamos “machistas”, mas honestamente não nos opomos a esse tipo de atitude nativa. Isso é o que pensamentos, embora os anarquistas fiquem furiosos por falarmos desta maneira.”

Não posso falar por todo o eco-extremismo, apenas por mim, e vou aceitar outros pontos de vista da tendência se uma correção for necessária, mas a partir disso, posso afirmar que o anarquismo, o primitivismo, o esquerdismo, etc., estão mal orientados e são moralistas precisamente porque tentam se organizar-julgar-melhorar a sociedade, enquanto que os animais humanos possivelmente não podem fazer isso, não com nenhuma competência, pelo menos. Muitas dessas sociedades tem práticas bárbaras, violentas e “sombrias”, mas elas existem há centenas de anos, isso senão por milhares. Então, porque é que, em nosso tempo de vida em uma sociedade excepcionalmente jovem (se é que é vivaz), nos damos o direito de determinar como uma sociedade humana deve ser em TODAS as circunstâncias? Eu diria que não o faria. As sociedades que se desenvolveram dentro de seus ambientes desde tempos imemoriais demonstraram que podem manter suas formas de vida por milênios. Nossa própria sociedade (isto é, a que estamos presos, embora não voluntariamente) não pode dizer o mesmo, mas muito pelo contrário.

Pessoalmente, este ponto de vista é porque não posso tomar nem o anarquismo, o marxismo, o esquerdismo, o liberalismo, etc., seriamente como um meio de interpretar a realidade. Estas ideologias são obcecadas por coisas ocidentais, tais como a organização social, a igualdade entre os indivíduos, a divisão do trabalho, etc. Em nossa realidade animal, que é como escolher algo para comer baseado apenas em sua cor em vez de seu sabor e seu valor nutricional, a relação principal não é a dos seres humanos entre si, mas a dos seres humanos com a natureza, ou melhor, com seu ambiente natural, e com as outras entidades, conscientes ou não, que compartilham conosco. Todas estas ideologias errôneas e civilizadas, até mesmo os autoproclamados “primitivistas” são humanistas e antropocêntricos, enquanto que nós só queremos a relação com a Natureza Selvagem e as culturas que se formaram ao longo de milênios, como as gotas de água que podem polir uma pedra, de forma inconsciente, organicamente e não planejada.

Os seres humanos, sem dúvida, tem um papel a desempenhar nisso, e suas ações fazem dar forma a paisagem e a eles mesmos, assim como as ações dos castores, formigas, aves, etc., formam um bosque ou um rio. Mas isso está completamente determinado pela encarnação da Natureza Selvagem que eles encontram, é realizado por séculos, e de nenhuma maneira é “planificada” ou “controlada” pelo intelecto humano determinado. Isso simplesmente acontece. Apresentar-se a um “selvagem” com a ideia de que a queima seletiva de ervas daninhas ou de atividades semelhantes o torna mestre do ambiente, provavelmente estaria confundido pela afirmação.

Aqui, então, afirmo que os seres humanos no passado estavam sempre em equilíbrio entre seu próprio poder e sua mente, e o da própria Natureza Selvagem. A questão não é dizer que alguns viviam em completa harmonia com a natureza, sem hierarquia ou sem guerra ou qualquer coisa que ofenda a sensibilidade ocidental burguesa. O ponto é que o equilíbrio de poder entre o humano e a natureza selvagem se manteve. Em alguns casos, isso implicaria o patriarcado, em alguns lugares que não seria o caso (foram os Selk’nam da Terra do Fogo “mais domesticados” que outros caçadores-coletores porque eles eram regidos por um patriarcado? Considerando sua cultura, outro estado seria absurdo.) Foram os Choctaw, no que é agora o sudeste dos Estados Unidos, tão civilizados como os Astecas ou Maias simplesmente porque também cultivaram milho? Eram os Yuroks do norte da Califórnia, de alguma forma ruins, porque tinham uma hierarquia social rígida, mas sem agricultura? “Domesticação” e “civilização”, estas podem não ser categorias tão claras como algumas ideologias anti-civilização afirmam que são. Isso porque nosso conhecimento é animal e, portanto, defeituoso.

Aqui temos que olhar as coisas que não estão em preto e branco, mas em um espectro, e nesse espectro, nós não estamos julgando as sociedades humanas por sua forma “agradável” e o quão bem tratavam as mulheres, homossexuais, deficientes, etc. Nós não nos preocupamos com estas coisas, e aqueles que são obcecados por isso são extremamente estúpidos e deixam que seus próprios preconceitos civilizados mostrem o melhor deles.

Preferimos confiar nas sociedades que viveram há milhares de anos em seus respectivos ambientes e em seus “valores”, que nos valores humanistas dos ocidentais que ocultam a violência da sociedade tecno-industrial moderna, por trás de platitudes como moralismo e decência. O mais importante sobre a domesticação e a civilização, então, é que surgem, mas surgem nos lugares mais frágeis. Ou seja, que nunca foram capazes de dominar completamente, nunca exaltaram as sociedades humanas individuais no domínio completo sobre a natureza, e quando o fazem, inevitavelmente, o colapso ocorre. O que temos agora é uma monstruosidade completa, um Leviatã que não pode entrar em colapso e que não há possibilidades de livrar a maioria dos seres vivos dele, pois busca a completa dominação. Ante este ser antinatural a única atitude que nós podemos ter é a de hostilidade total e absoluta.

Isso pode parecer completamente reflexões escolares, e talvez não. Pelo menos escrevo para apoiar a afirmação eco-extremista de que os valores ocidentais liberais não importam em nada, e, portanto, quando as pessoas tentam esfregá-los em nossa cara, deveríamos energeticamente rechaçá-los e insultar os que seguem comprando estes contos de fadas. Além disso, isso indica que o pessimismo eco-extremista está mais do que garantido: se tudo o que temos a nosso favor em termos de “esperança” são as observações incompletas dos “antropólogos” e nossas próprias faculdades intelectuais defeituosas, está claro que estamos completamente fodidos.

Não podemos fazer as sociedades em uma noite e desde o zero, ou não deveríamos querer fazê-las. Um Saruê não se pergunta nem é nuançado para determinar o que significa ser um Saruê. É apenas um Saruê. Em outras palavras, não pretende ser um deus, e tampouco nós devemos. No passado, os humanos viviam em sociedades que existiram por milhares de anos que falaram do que era ser um ser humano, sociedades que eram pequenas, sustentáveis, e mais frequentemente muito estáveis. Nós não temos isso e, em vez disso, pensamos que podemos fazer o papel de engenheiro social, o que é o problema fundamental e real. Por isso nos vemos tentados a pensar que um !Kung Bushman é mais “selvagem” ou “melhor” que um caçador Selk’nam, ou um guerreiro Choctaw, ou um Yurok “nobre”. Isso não é indicação de conhecimento, mas de loucura.

A relação primária no eco-extremismo é entre o animal humano e a Natureza Selvagem, que é concretizada em seu ambiente imediato, e não com uma abstração conhecida como humanidade. Portanto, é uma tendência anti-humanista e não humanista. Como todos os ursos não simpatizam com ursos menores, mas os dois dependem de todas as plantas, animais, as águas e as rochas circundantes para sobreviver, então todos os seres humanos não deveriam ter solidariedade com toda a humanidade, apenas com aqueles de outras disposições similares e com os seres que passaram a amar em seu entorno. Isso deveria ser óbvio, e muitos selvagens têm esta atitude.

Além disso, nos damos conta de que a civilização é uma “doença transitória”, que surge ocasionalmente e logo se vai, deixando cicatrizes algumas vezes, mas nunca terminal, como o todo nunca pode ser destruído por uma parte. Somos deficientes neste sentido, que nós não conhecemos nossos lugares, ou que eles foram roubados, indica a tragédia do nosso estado e nossa raiva na guerra indiscriminada contra o que pode nos destruir e escraviza o Selvagem. Mesmo se a única Natureza Selvagem que nos resta somos nós mesmos, ou talvez seja apenas a dor e a raiva de ter sido privado dela, isso é o suficiente para levar a cabo esta guerra contra a humanidade domesticada.

-Chahta-Ima

Nanih Waiya

Primavera de 2016