Um Poema de Guerra

Extraído da segunda edição da Revista Ajajema.

Caminho nos bosques e escuto as canções das aves e o esmagar das folhas, mas as máquinas que gemem e gritam ficam mais barulhentas a cada dia.

Tudo o que escuto é morte.

Caminho nos bosques e busco os selvagens, os coelhos, os cervos e javalis

Seus corpos jazem apodrecidos em um montículo e isso preenche o meu coração de dor.

Tudo o que cheiro é morte.

Caminho nos bosques e busco os antigos carvalhos, praias e cinzas

Seus corpos jazem empilhados ao lado do caminho e a sabedoria de anos

se perde após o “progresso”. Tento respirar, mas o ar está enfermo

Tudo o que saboreio é morte.

Diante de mim jaz uma paisagem torturada, uma ferida aberta e supurante sobre a terra

Onde as máquinas de nossa morte coletiva rastejam como parasitas

Arrancando as entranhas da terra para construir seus monumentos da artificialidade.

Diante de mim jaz uma montanha, uma montanha que nunca deveria ter existido e está alinhada com árvores, filas após filas de árvores que nunca deveriam ter existido.

Árvores que já estão mortas.

O sangue da terra corre para trás e encharca minha pele, sei que me envenena

Mas esta agonia eu mesmo faço. Tomo este sofrimento e o converto em uma arma em meu interior, o qual se estende do abismo de minha mente até a palma das minhas mãos, onde a conspiração se torna realidade.

Caminho nos bosques e escuto o som de meus inimigos, sei que me temem,

Porque seu sofrimento já não é uma opção. É tão duro como uma realidade

Como a dor a qual todos nós fomos submetidos. A vingança arde luminosamente em minhas mãos

Tudo o que vejo é morte.

-A

Uma Aranha!….

Texto extraído da publicação Criminal y Salvaje. Tradução a cargo de Anhangá.

– Aaaaaah!… Uma aranha!…. Mate ela!…. Pise nela!…. Aaaaaah!…

– Nãaaaaao! Pare! Por que você quer me matar? O que eu te fiz? Por acaso eu te machuquei?…

– Não! Mas se eu te deixar viva, você pode me picar e me envenenar.

– Não! Eu não pico e não sou venenosa.

– Você é muito feia e horrorosa, me dá medo.

– Então só por causa da minha aparência você pensa em me matar? Todos os animais são diferentes, ou por acaso você nunca se viu em um espelho? Eu te dou medo hahahaha, mas o que eu posso te fazer? Muito pelo contrário, é você quem me dá mais medo já que você pode acabar com a minha vida tão facilmente, com um só dedo você pode me aniquilar.

– Bem, você tem razão! Eu não vou te matar, mas saia imediatamente daqui, fique longe da minha casa!

– Sua casa? Sua propriedade? O fato de que a sua espécie se sinta dona do planeta não significa de forma alguma que isso seja verdade, este planeta não é dos humanos, é de todos os seres que o habitam, da minha espécie e as outras existentes. Nós habitamos este espaço por milhões de anos, muito antes da sua civilização devastar o ecossistema que ocupava este lugar, antes que você construísse aqui a sua casa e se apropriasse desde local. Eu não sou nenhum intruso, mas você e a sua espécie são uma praga mortal que devasta, modifica e domestica tudo o que há no caminho. O modo de vida que desenvolveram é um terror para as demais espécies. Por que vocês não se dão conta de que o seu progresso está nos levando para a beira do abismo? Sua loucura técnica nos levará a domesticação ou a extinção total. Vocês acham que são os donos do universo, mas isso é mentira, são apenas uma espécie de animal a mais que habita este planeta. Sua espécie se acha tão perfeita, mas o seu estilo de vida moderno não indica isso, o seu constante controle demonstra decadência e demência. Voltem a ser o que eram, apenas uma espécie de animal selvagem a mais. Renunciem a toda esta loucura técnica de vocês, renunciem a seu antropocentrismo, renunciem a esta forma de vida que vocês se impõem, renunciem ao poder e a domesticação, deixem de controlar e deixa-me em paz.

De repente se escutou um pisão que encerrou a curta discussão, e seguiu sem razão alguma a moderna forma de viver do humano.

Revolução Feral.