“Revolução Antitecnológica: Por Que e Como”, de Theodore Kaczynski: Uma Análise Crítica

Análise extraída da primeira edição da Revista Atassa.

A diferença principal entre o que Kaczynski e seus acólitos propõe e a nossa própria posição é bem simples: nós não esperamos por uma “Grande Crise Mundial” para começar a atacar as estruturas físicas e morais do sistema tecno-industrial. Nós atacamos porque o futuro é incerto.” – Reação Selvagem, em Politicamente Incorreto: Uma Entrevista com Reação Selvagem.

Introdução

Em setembro de 2016, Kaczynski lançou sua análise mais ambiciosa de sua tão falada “revolução contra o sistema tecnológico” na forma do livro Revolução Antitecnológica: Por Que e Como (RA), um texto com mais de 200 páginas dedicado apenas a várias questões relacionadas a ação revolucionária contra o sistema tecnológico. Leitores familiares com os escritos de Kaczynski saberão que essa noção de uma revolução contra o sistema tecnológico sempre foi uma parte importante do pensamento de Kaczynski. A noção aparece pela primeira vez na forma de um chamado pela destruição completa da civilização industrial no primeiro comunicado do Freedom Club enviado ao San Francisco Examiner em 1985, e continuou a aparecer nos escritos de Kaczynski. Por exemplo, no famoso trecho de A Sociedade Industrial e o Seu Futuro (ASIEOSF) em 1995:

Nós advogamos então por uma revolução contra o sistema industrial. Essa revolução pode ser ou não ser violenta; ela pode ser súbita ou um processo gradual ocorrendo ao longo de algumas décadas.”

Apesar de ser um elemento importante de seu pensamento, uma análise mais profunda das questões envolvidas em tal revolução estão em grande parte ausentes de ASIEOSF, e espalhada por ensaios como “A Revolução Que Está Por Vir” e “Atinja Onde Dói”, para mencionar alguns dos mais pertinentes. Parece que esse livro tenta expandir um elemento essencial, porém sub-analisado do seu pensamento. Como uma breve análise, o livro é dividido em duas partes que correspondem a dois pontos de interesse indicados no subtítulo, tanto o porquê de Kaczynski ver uma revolução contra o sistema tecnoindustrial como a única resposta plausível para “os principais perigos que pairam sobre nós”, quanto sugestões de “estratégia central” para preparar e realizar tal revolução.

Vale notar que apesar de ser uma expansão do tratamento de assuntos relacionados a ação revolucionária contra o sistema tecnológico, grande parte do conteúdo de RA não pode ser considerado particularmente inovador para qualquer um que está acostumado com os escritos de Kaczynski; não há muito de novo do ponto de vista teórico. Muitos dos elementos centrais apresentados nessa obra podem ser encontrados de forma dispersa em ensaios e cartas em Escravidão Tecnológica por um leitor cuidadoso com capacidade de sintetizar os comentários feitos ao longo dessas peças. Fundamentalmente, a base teórica de Kaczynski permanece a mesma de sempre, enquanto a maior parte do livro é dedicada a oferecer uma extensão dessa base através de uma análise histórica e de argumentos delineados de forma mais rigorosa. A exceção disso é a exploração da teoria do colapso por parte de Kaczynski no segundo capítulo.

Antes de se aprofundar na análise do livro, eu vou abrir o jogo e expor a minha posição ideológica. É importante notar que muitas das minhas críticas ao RA estão ligadas à minha afinidade com eco-extremistas. Das várias críticas que ITS (Individualistas Tendendo ao Selvagem) e Reação Selvagem apresentaram contra Kaczynski até o seu enfoque no presente como o único foco de ação razoável (e o seu ceticismo em relação a especulações futuras), eu valorizo muito as contribuições dos eco-extremistas para o pensamento anticivilização. Vale também notar que grande parte dessas críticas estão disponíveis em outros lugares, então eu não vou dedicar muito espaço as nuances das críticas levantadas pelos eco-extremistas, a não ser onde elas se mostrem pertinentes ao conteúdo do RA. Tendo dito isso, o produto final da obra de Kaczynski é um tratamento sistemático e unidimensional de uma questão que passou a constituir um elemento central de seu pensamento. Sendo assim, RA desempenha um papel importante na obra de Kaczynski, sendo também importante para aqueles que estão interessados nas nuances de seus pensamentos sobre a ação revolucionária contra o sistema tecnológico, apesar da minha desconfiança pessoal do pensamento revolucionário que caracteriza a obra.

1. O Desenvolvimento de uma Sociedade Jamais pode ser Sujeito ao Controle Racional.

Kaczynski abre o primeiro capítulo da obra com uma exploração da tese que sociedades complexas jamais podem ser racionalmente controladas. Essa exploração é uma expansão da sua crítica contra soluções reformistas para os problemas do sistema tecnológico apresentada pela primeira vez em ASIEOSF nas seções intituladas “Alguns Princípios da História” e “A Sociedade Tecnoindustrial não Pode ser Reformada” (Parágrafos 99-113). O foco principal dessas duas secções do ASIEOSF é ilustrar que “Pessoas não escolhem conscientemente e racionalmente a forma de sua sociedade. Sociedades se desenvolvem através de um processo de evolução social que não está sob controle humano racional” (“Escravidão Tecnológica”, p 68). A tese principal do primeiro capítulo de RA é a mesma tese apresentada nos capítulos mencionados de ASIEOSF.

A diferença entre os dois escritos está principalmente nos argumentos fornecidos para apoiar a tese. Enquanto a tese em ASIEOSF é baseada em uma dedução lógica de uma série de premissas precedentes, em RA ela é em grande parte pressuposta, e a maior parte do ensaio é dedicada em fornecer exemplos históricos que demonstrem sua veracidade em eventos reais. Kaczynski deriva uma vasta gama de exemplos da história escrita para ilustrar essa tendência (a esse ponto praticamente um truísmo para quase todos que apresentam alguma perspectiva anticivilização) dos planos para controle racional de sociedades de larga escala raramente ocorrerem como planejado. “De fato, fracasso é a norma” (RA, p.7). Além do mais, Kaczynski oferece uma série de cenários cada vez mais implausíveis para testar a força de sua tese. Ele até mesmo continua com esses cenários em seu primeiro apêndice, “Em Apoio ao Primeiro Capítulo”, que consiste em uma série de experimentos mentais usando mais cenários hipotéticos (novamente, cada um mais absurdo do que o último caso você não esteja ainda convencido). Previsivelmente, Kaczynski lida com cada contraponto demonstrando que mesmo permitindo uma série de cenários cada vez mais implausíveis, o controle racional de sociedades complexas permanece fora da capacidade humana e mesmo não humana (usando, por exemplo, a aplicação de algo como o teorema de incompletude de Godel para demonstrar a impossibilidade de qualquer sistema totalizador para o controle não-humano da trajetória de uma sociedade). A imagem da nossa sociedade complexa que emerge no fim é análoga a de um navio sem ninguém no timão. Mas é pior ainda; esse é um navio tão massivo e complexo que nenhuma pessoa ou coletivo de pessoas a bordo sabe o suficiente sobre esse gigante para ser capaz de dirigi-lo conscientemente, e nem seria capaz de saber. Essa é a imagem de um gigantesco monstro sem precedente histórico diante do qual somos impotentes.

Novamente, nada disso é algo que Kaczynski não tenha dito de uma forma ou outra ao longo de sua obra. Apesar disso, esse livro mais recente – que tem a intenção de elaborar mais sobre a impossibilidade do controle racional da sociedade e ilustrar a veracidade do conceito através de uma série de exemplos históricos – é admirável. De certa forma, não há muito o que falar sobre esse capítulo, pois eu não discordo de maneira significativa com a tese e concordo em grande parte com as suas conclusões. No fim das contas, é difícil encontrar muito do que reclamar em relação a análise apresentada aqui.

II. Porque o Sistema Tecnológico vai Destruir a si Mesmo

Como mencionado na introdução, esse capítulo contém algumas das poucas inovações teóricas no livro. Esse capítulo é dedicado a uma exposição da necessidade de auto-aniquilação por parte do sistema tecnológico. Para dar um contexto teórico: em respeito à perspectiva de colapso do sistema tecnológico, a maneira que Kaczynski tem lidado com o rumo da sociedade tecnológica no passado admite que a sua trajetória não está sujeita ao controle de seres humanos (veja o comentário do primeiro capítulo), mas ele tem sido hesitante em fazer qualquer afirmação forte sobre a necessidade de um colapso.

A maioria das explorações teóricas ocorrem na segunda secção do capítulo. É ali que ele apresenta a estrutura formal da teoria em termos gerais e abstratos. Para apresentar a sua teoria, ele se foca primariamente no que ele chama de “sistemas auto-propagantes”. Esse conceito é central a suas explorações aqui, e ele descreve esses sistemas como qualquer “sistema que tenda a promover a sua própria sobrevivência e propagação”. (RA, p42.) Kaczynski apresenta exemplos de sistemas auto-propagantes que variam de organismos biológicos individuais até grupos de organismos biológicos, que incluem grupos de seres humanos. Sociedades humanas complexas como a sociedade industrial moderna se encaixam nessa categoria de sistemas auto-propagantes. Seguindo essa definição geral, Kaczynski passa o resto da segunda secção apresentando sete proposições sobre características estruturais de sistemas auto-propagantes, e por extensão, sociedades complexas, que representam o conteúdo formal da sua teoria de colapso. Kaczynski também utilizará essas proposições na terceira e quarta secções para mostrar como os eventos que estão ocorrendo na sociedade moderna, assim como o que ele enxerga como o resultado necessário, seguem as dinâmicas estruturais apresentadas em sua teoria. Essencialmente, essas sete proposições constituem o cerne de sua teoria em abstrato, e eu as repetirei aqui para o leitor:

1. Em qualquer ambiente suficientemente abundante, sistemas auto-propagantes surgirão, e a seleção natural levará a evolução de sistemas auto-propagantes que desenvolverão meios cada vez mais sofisticados, sutis e complexos de sobreviver e de se propagar.

2. No curto prazo, a seleção natural favorece sistemas auto-propagantes que buscam vantagem a curto prazo com pouca ou nenhuma consideração pelas consequências de longo prazo.

3. Subsistemas auto-propagantes de um determinado supersistema tendem a se tornar dependentes do supersistema e de condições específicas que prevalecem no supersistema.

4. Questões de transporte e comunicação impõe um limite no tamanho da região geográfica pela qual um sistema auto-propagante consegue estender as suas operações.

5. O limite mais importante e o único limite consistente do tamanho da área geográfica pela qual grupos auto-propagantes humanos podem estender as suas operações é o limite imposto pelos meios disponíveis de transporte e comunicação. Em outras palavras, apesar de nem todos os grupos humanos auto-propagantes tenderem a expandir as suas operações por uma região de tamanho máximo, a seleção natural tende a produzir alguns grupos humanos auto-propagantes que operam ao longo de regiões que se aproximam o tamanho máximo disponível pelos meios disponíveis de transporte e comunicação.

6. Em tempos modernos, a seleção natural tende a produzir alguns grupos humanos auto-propagantes cuja operação percorre todo o globo. Além do mais, mesmo que os seres humanos sejam substituídos por máquinas ou outras entidades, a seleção natural ainda tenderá a criar outros sistemas auto-propagantes cuja operação percorre todo o globo.

7. Enquanto os problemas atuais de transporte e comunicação não constituem limitações efetivas no tamanho das regiões geográficas nas quais sistemas auto-propagantes operam, a seleção natural tende a criar um mundo no qual o poder é em grande parte concentrado nas mãos de um número relativamente pequeno de sistemas auto-propagantes globais.

Kaczynski tenta estabelecer argumentos para demonstrar a veracidade de cada proposição apresentada na segunda secção, ou como ele diz, para demonstrar que nós temos evidência suficiente para acreditar que essas proposições são, ao menos, razoavelmente precisas. Como afirmações abstratas sobre tendências de sistemas auto-propagantes, e depois sobre sociedades complexas (ao menos sob a luz de várias presunções), nenhuma das proposições parece claramente problemática. Não vale a pena gastar o tempo ou a sanidade do leitor com um foco míope nos detalhes precisos de cada proposição. Para os objetivos desse ensaio, é suficiente permitir que as proposições se sustentem apesar da possibilidade de alguns equívocos em suas respectivas formulações. Ele também se esforça ao máximo para mostrar que cada proposição pode ser logicamente inferida da anterior, o que é característico de sua forma de trabalhar. Ele pode ter desistido de trabalhar com matemática avançada há muito tempo atrás, mas seu pensamento ainda é em grande parte guiado pela rigidez formal de um matemático. A formulação da segunda secção não é imune a meticulosidade excessiva, como leitores atentos podem ter notado ao ler as sete proposições listadas anteriormente. Apesar de seus melhores esforços, as conexões que ele tenta fazer parecem forçadas às vezes, e as secções parecem pular de ponto em ponto com ligações que dão a impressão de terem sido feitas a força em uma tentativa de dar a teoria alguma forma de certeza lógica. A apresentação é desprovida da sistematicidade frequentemente presente nos escritos de Kaczynski.

Me parece que os problemas com essa secção são parte de um problema maior com o capítulo como um todo. O problema não envolve essa ou aquela proposição ou mesmo conexões questionáveis entre elas; apesar de haver razões para criticar esses fatores também, como notado. Em minha opinião, o problema está nas extensões que Kaczynski tenta fazer em relação as conclusões que ele tenta derivar desse capítulo. As conexões suspeitas entre proposições e a falta de fluidez com a qual a teoria é apresentada parece surgir de um capítulo que propõe mais do que deveria. Kaczynski é honesto em relação ao fato de que nesse capítulo, e mais especificamente na segunda secção, ele está argumentando “que existe de fato um processo” pelo qual sociedades tecnologicamente avançadas se autodestroem, e que ele está apresentando uma teoria sobre como esse processo funcionaria. Infelizmente, eu não acho que esse capítulo cumpre as expectativas, nem que ele apresenta um argumento sólido para acreditar na ruína inevitável da sociedade tecnológica, por mais que Kaczynski não concorde.

Eu notei nas secções introdutórias deste ensaio que muitas das minhas discordâncias em relação ao livro vem da minha afinidade com críticas e perspectivas apresentadas por eco-extremistas sobre muitas dessas questões, e esse é um exemplo. Eu não acho que a tese que Kaczynski está tentando provar pode ser apresentada honestamente sem entrar em um nível de especulação que torna essa tarefa intelectual sem sentido. Levando isso em consideração, o fracasso de qualquer tentativa de prever com precisão o futuro da nossa ou de qualquer sociedade tecnologicamente avançada não me surpreende. A ideia da autodestruição inevitável da civilização tecnoindustrial, e especialmente a ideia de que alguém vai apresentar uma teoria descrevendo-a – isso se aplica a todas as sociedades tecnologicamente avançadas em qualquer tempo ou lugar – é uma ideia que não me parece plausível sem entrar em especulações revolucionárias.

O que é particularmente interessante para mim é que a impossibilidade de desenvolver tal teoria é algo que deveria ser realisticamente implicado por algumas das explorações do primeiro capítulo, que demonstra por exemplo a impossibilidade de controlar sociedades complexas racionalmente. Uma das mais importantes razões (mas certamente não a única) para a impossibilidade desse controle é o limite do conhecimento humano, e mais especificamente da capacidade de entender apropriadamente o tipo de problemas de conhecimento dos quais emergem campos da matemática como a teoria de sistemas dinâmicos e o que é frequentemente chamado coloquialmente de “teoria do caos e da complexidade”.

A quantidade e o tipo de variáveis em jogo em um sistema como a nossa sociedade tecnológica moderna significa que nós estamos lidando com um sistema que se comporta de acordo com as descrições apresentadas pela teoria de sistemas dinâmicos (pense em algo como sistemas climáticos e a dificuldade de prever o clima a longo prazo). Em tais sistemas, previsões a longo prazo se tornam impossíveis devido à complexidade e as tendências comportamentais do sistema envolvido. Nesse caso, essa impossibilidade se aplica tanto a análises reformistas/progressivas quanto ao tipo de conclusões que Kaczynski tenta apresentar aqui no segundo capítulo (e nós veremos que as repercussões lógicas do primeiro capítulo tem consequências para o resto do livro e para o planejamento de revolucionário de poltrona apresentado Kaczynski mais à frente no livro). A complexidade do sistema com que estamos lidando é tanto que esse tipo de teorização se torna praticamente impossível sem adentrar em meras especulações. Levando isso em consideração, nós nos encontramos em um impasse devido a impossibilidade de dizer qualquer coisa quanto as perspectivas de um colapso. Mas como dito antes, há um “primitivismo sem catástrofe”, e os eco-extremistas nos mostraram como.

No fim das contas, Kaczynski pegou o dinamismo, complexidade e poder da sociedade moderna e criou uma interpretação que os entende como as sementes de sua própria destruição, o que convenientemente se encaixa a sua práxis revolucionária. Mas a sua conclusão não é a única possível. Ela envolve uma série de saltos teóricos para terrenos dos quais não podemos falar com boa consciência intelectual. Apesar de toda essa teorização, podemos igualmente concluir que todo esse dinamismo da sociedade moderna que Kaczynski vê como a sua ruína pode ser justamente a causa de sua autopreservação. Essa é, por exemplo, a forma de pensamento que caracteriza os ecomodernistas. Ao tentar responder questões como essa, nós devemos ser honestos com nós mesmos e admitir que nós simplesmente não temos as respostas. No final nós nos deparamos com o fato de que o futuro é incerto, e nos resta apenas o presente. A catástrofe pode ou não chegar, mas se ela chegar ela pode terminar aperfeiçoando a civilização ao invés de se tornar o messias dos teóricos anticivilização. Mas mesmo que isso seja verdade, os eco-extremistas mostraram que isso não é um motivo para ficar quieto. É melhor ter um realismo inabalável e a determinação de um guerreiro do que os confortos milenários de sonhos revolucionários. Eu termino essa secção com as palavras pertinentes de Reação Selvagem:

Pessoalmente, nós não sabemos por quanto tempo as estruturas que mantém a civilização em seu caminho decadente vão durar. Nós podemos ler muito sobre as várias teorias existentes, mas no fim das contas nós terminaremos esperando pelo profético ano em que talvez tudo acabará. De qualquer forma, tudo que os estudiosos podem oferecer são teorias. O aqui e agora denota tudo que é ruim…Como individualistas nós decidimos deixar de esperar por uma crise e tomar as nossas vidas em nossas próprias mãos. Por que? Porque nós já estamos vivendo. Nós não queremos esperar porque a Natureza nos encoraja a retrucar os golpes que ela tem recebido agora.” – Politicamente Incorreto: Uma Entrevista com Reação Selvagem

III. Como Transformar uma Sociedade: Erros a Evitar

Com a conclusão do primeiro e segundo capítulo, Kaczynski muda o foco de suas explicações sobre as razões pelas quais ele vê uma revolução antitecnologia como a resposta necessária para o sistema tecnológico para tentar explicar como alguém poderia trabalhar para trazer tal revolução. Essas considerações permeiam este capítulo, assim como o quarto capítulo. Mais especificamente, e aqui o título do capítulo é enganoso, o terceiro capítulo é dedicado em extrair uma série de regras gerais e abstratas que Kaczynski vê como uma parte integral do sucesso de qualquer movimento revolucionário, antitecnologia ou não. Ao apresentar essas regras, Kaczynski começa, como de costume, apresentando uma série de postulados dos quais ele procura derivar essas regras para a ação revolucionária. A primeira secção do terceiro capítulo apresenta quatro postulados, repetidos aqui para o leitor:

1. Você não pode mudar uma sociedade lutando por objetivos vagos e abstratos. Você precisa de um objetivo claro e concreto. Como disse um ativista experiente: “Objetivos vagos e generalizados raramente são atingidos. O segredo é conceber um objetivo específico que vai inevitavelmente impelir a sua comunidade na direção que você quer ir”.

2. Pregar apenas – a mera difusão de ideias – não é capaz de provocar mudanças importantes e duradouras no comportamento de seres humanos, a não ser em uma pequena minoria.

3. Todos os movimentos radicais tendem a atrair pessoas que são sinceras, mas cujos objetivos são apenas ligados aos objetivos do movimento até um certo ponto. O resultado é que os objetivos iniciais do movimento podem ser distorcidos ou completamente alterados.

4. Todo movimento radical que adquire grande poder se torna corrupto quando seus líderes originais (aqueles que entraram no movimento quando ele era relativamente fraco) estão mortos ou politicamente inativos. Ao dizer que um movimento se tornou corrupto, isso significa que os seus membros, e especialmente os seus líderes, buscam primariamente ganhos pessoais (como dinheiro, segurança, status social, posições poderosas ou uma carreira) ao invés de se dedicarem sinceramente aos ideais de um movimento.

A partir desses postulados ele deriva cinco regras:

1. Para mudar uma sociedade de uma forma especifica, um movimento deve escolher um único objetivo simples e claro que irá levar uma mudança desejada se perseguido com sucesso.

2. Se um movimento busca transformar uma sociedade, o objetivo escolhido pelo movimento tem que ser um objetivo que tenha consequências irreversíveis uma vez que ele seja cumprido. Isso significa que uma vez que a sociedade seja transformada através desse objetivo, a mudança permanecerá sem a necessidade de nenhum esforço por parte do movimento ou de qualquer outra pessoa ou grupo.

3. Uma vez que o objetivo tenha sido escolhido, é preciso convencer uma minoria de pessoas a se dedicar ao seu cumprimento através de métodos mais poderosos do que a mera pregação de ideias. Em outras palavras, essa minoria deve se organizar para tomar ações práticas.

4. Para se manter fiel ao seu objetivo, um movimento radical deve encontrar uma forma de expulsar de suas fileiras qualquer pessoa que não seja compatível com o movimento, mas que tenha intenções de participar dele.

5. A partir do ponto que um movimento tenha se tornado poderoso o suficiente para cumprir o seu objetivo, ele deve cumpri-lo o mais rápido possível, e em qualquer caso, antes que os revolucionários originais (aqueles que se juntaram ao movimento quando ele era relativamente fraco) morram ou se tornem politicamente inativos.

Depois da apresentação dos postulados e da derivação das regras, Kaczynski dedica o resto do capítulo examinando a falsidade ou veracidade das regras. Para fazer isso, ele se apoia em registros históricos, citando vários casos para demonstrar que a veracidade de qualquer regra determinada pode ser verificada em eventos históricos. Para demonstrar a importância da aderência a essas regras, o autor cita vários exemplos onde o não-seguimento dessas regras resultou em problemas ou catástrofe para movimentos envolvidos. Apesar disso, o cerne teórico dessa parte está na própria lista de regra para movimentos revolucionários. Como mencionado na introdução, grande parte da base teórica do livro reflete o que já foi dito em sua obra e expande sobre essa base. Isso é verdadeiro para o terceiro capítulo, e eu acredito que leitores familiares com o trabalho de Kaczynski vão reconhecer os temas apresentados aqui de escritos como ASIEOSF, “O Melhor Truque do Sistema”, “A Revolução que Está por vir” e “Atinja Onde Dói”, que tem todos secções dedicadas a questões estratégicas para ação revolucionária contra a sociedade tecnológica.

Eu devo admitir que à primeira vista esse capítulo é fácil de aceitar se você se deixar levar de maneira não-crítica pelo fluxo do pensamento de Kaczynski. Muitos de seus postulados parecem ao menos instintivamente plausíveis tendo em vista a nossa experiência cotidiana ou um conhecimento geral da história, e as regras derivadas desses postulados parecem ser coerentes, além de uma extensão natural desses postulados. Seu recurso ao registro histórico para embasar seus postulados e regras é caracteristicamente metódico, de forma comparável a análise detalhada do primeiro capítulo. O resultado é um capítulo que poderá convencer muitos. E de fato, muitos chegaram a conclusões similares seguindo essa linha de raciocínio. Basta ler os escritos do Último Reducto (UR) ou dos Indomitistas para encontrar exemplos de grupos e indivíduos que seguiram grande parte do pensamento de Kaczynski ao pé da letra. É fácil se deixar levar pelas suas teorias de revolucionário de poltrona e esquecer do fato que a grande maioria do conteúdo dessas teorias é puramente especulativo, pensado de forma teórica dentro de uma cela de prisão no Colorado. Essa situação é análoga a maneira que alguns físicos falam sobre ficarem tão encantados com a elegância de teorias matemáticas que eles terminam acreditando que essa elegância tem que ser a expressão de alguma verdade. Apesar disso, a realidade nunca teve nenhuma obrigação de se conformar com o que nós desejamos, e isso é verdade para as teorias de Kaczynski tanto quanto para os físicos perseguindo o tênue rastro da teoria das cordas.

Eu não estou apenas sendo exigente. Há muitas críticas legítimas a serem feitas sobre o conteúdo desse capítulo (se nós decidirmos entreter esse tipo de teorização de poltrona). Para elaborar um pouco, há óbvias contradições entre o planejamento revolucionário apresentado nesse capítulo e as conclusões apresentadas no primeiro capítulo, que praticamente proíbem esse tipo de planejamento. Se você se recorda, nós notamos que as observações lógicas do primeiro capítulo se aplicam não apenas a reformistas/progressistas tentando direcionar a sociedade para os rumos que desejam, mas também a revolucionários que visam perturbá-la com ações revolucionárias. Esse observação é verdadeira devido a impossibilidade de fazer previsões a longo prazo, justamente o tipo de previsões necessárias para que um movimento revolucionário trace um plano e aja de acordo com ele. Certamente, é possível tentar tornar as regras suficientemente gerais para que elas possam ser aplicadas a diversas situações, mas a esse ponto uma regra tão abstrata tem pouca relação com as particularidades concretas de eventos reais. Para ser justo, Kaczynski admite no terceiro capítulo que essas regras não devem ser interpretadas como “regras rígidas” (Ra, p.119) devido as dificuldades já discutidas em prever situações reais comas quais um movimento revolucionário teria que lidar, mas nós já explicamos porque esse reconhecimento não muda muita coisa. Essa contradição entre capítulos não é a única crítica que eu tenho a fazer desse capítulo. A tentativa de Kaczynski de derivar axiomas não-históricos de exemplos históricos, por exemplo, tornam suas regras e postulados ao menos duvidosos,pelo menos aos olhos de um approach histórico. Esse mesmo problema ocorre no quarto capítulo.

Alguns talvez diriam que essa análise do trabalho de Kaczynski é excessivamente pessimista, derrotista, etc. Outros diriam que ela é rápida demais em jogar fora o trabalho de Kaczynski, mesmo que nós tenhamos levantado várias objeções legítimas. Alguns como o UR acusaram o ITS e o Reação Selvagem dessas mesmas coisas quando eles expressaram uma dose de ceticismo saudável em relação a esse tipo de teorização revolucionária. Essas são as mesmas pessoas que demonstram uma esperança ingênua em frente a essas críticas, refletindo a ingenuidade revolucionária de Kaczynski ao invés de levantar o véu de suas próprias ilusões esperançosas e aceitar o mundo como ele é. No fim das contas, como o Reação Selvagem disse em sua resposta ao UR, grande parte da base para tal revolução contra o sistema tecnológico permanece “ao vento”:

Concluindo esse ponto, a base estratégica para a “grande revolução” é suposição, “talvez”, “esperamos que sim”, “provavelmente”, “no melhor dos casos”, “depende”, em outras palavras, nada concreto, tudo ao vento. Isso tudo nos lembra do que um comediante mexicano popular disse uma vez em seu programa: “talvez sim, talvez não, mas provavelmente quem sabe.” – Reação Selvagem em Algumas Palavras Sobre o Presente e NÃO o Futuro.

IV. Guia Estratégico Para Um Movimento Revolucionário

Enquanto o terceiro capítulo lidou com questões estratégicas de uma revolução antitecnologia em termos mais abstratos, tentando destilar as regras mais críticas para um movimento revolucionário, esse capítulo apresenta um olhar mais abrangente e marginalmente mais realista do programa revolucionário de Kaczynski. Ele cobre diversas coisas nesse capítulo, tratando de muitas questões relacionadas aos caminhos que ele acredita que um movimento revolucionário deve ou não deve tomar. Para aqueles que são familiares com a história das revoluções comunistas, grande parte do programa que ele oferece aqui é derivado das reflexões de figuras chave do pensamento marxista revolucionário. Lenin, Trotsky, Mao e Castro são grandes influências por exemplo. Apesar disso, grande parte do pensamento dessas figuras foi adaptado ao neo-ludismo de Kaczynski. Essa dependência na revolução russa e em outras revoluções comunistas não é algo novo ou surpreendente. Os revolucionários russos e franceses tem sido a tempos uma inspiração para os pensamentos de Kaczynski sobre a ação revolucionária, e a dimensão das revoluções comunistas seguindo a ascensão dos bolcheviques em 1917 fazem da revolução russa e das outras revoluções relacionadas uma fonte óbvia de interesse e inspiração para aqueles com predileções revolucionárias.

Em relação a uma análise crítica desse capítulo, há várias críticas a serem feitas que eu irei oferecer aqui. A primeira e mais óbvia crítica se relaciona primariamente ao tipo de teorização revolucionária que Kaczynski está fazendo aqui e ao grau em que essa teorização ocorre no campo da especulação pura. Há vários momentos no terceiro capítulo que seguem a mesma predileção por planejamento revolucionário oferecido no terceiro capítulo, que as vezes se parecem com tentativas de formalizar sua estratégia. Esse tratamento obviamente reflete aquele do terceiro capítulo, e consequentemente está sujeito as mesmas críticas do pensamento revolucionário apresentadas anteriormente nesse ensaio. Além domais, outra crítica lida com os paralelos que Kaczynski tenta derivar recorrendo constantemente a revoluções comunistas, tanto no nível das ideias que ele tira de seus respectivos teóricos quanto ao seu uso dessas revoluções para justificar a plausibilidade do seu modelo particular de revolução antitecnologia. Eu não sou o primeiro a apontar esses problemas. Em vários comunicados, tanto o ITS quanto o Reação Selvagem criticaram detalhadamente o recurso de Kaczynski às revoluções da Rússia e da França (as críticas mais detalhadas estão na primeira fase dos comunicados do ITS e nas diversas publicações de Reação Selvagem). Essas críticas demonstram as diversas formas em que o papo de Kaczynski sobre uma revolução global ocupa o domínio da fantasia. Nem a revolução russa, nem a francesa, e nenhuma outra revolução fora a industrial conseguiu estender seu alcance pelo planeta inteiro, como eles notaram. As guerras históricas não são comparações análogas.

Também há uma crítica metodológica a que eu me referi brevemente na última secção; isso é, Kaczynski tem uma tendência de olhar para o passado sem considerar o contexto histórico dos eventos que ele está analisando. No terceiro capítulo,por exemplo, ele usa exemplos históricos continuamente para mostrar que vários de seus postulados e regras podem ser derivados da história enquanto ele ignora completamente uma análise do contexto histórico no qual esses eventos ocorreram, além de diferenças entre esses contextos e o nosso atual contexto contemporâneo. A nossa sociedade tecnológica moderna não é a Rússia de Lenin e Trotsky, a China de Mao, a Cuba de Castro, etc. Há vastas diferenças entre a fábrica social, ideológica e material da nossa sociedade contemporânea e a dessas épocas históricas, o que torna qualquer correlação tênue, a não ser da forma mais geral. Como notado na última secção, ele mostra momentos de honestidade onde ele admite que o recurso a história nem sempre fornecerá lições que podem ser facilmente adaptadas de um período histórico passado para o presente. Mas como discutimos aqui, essa honestidade não é exatamente útil. Para recapitular, se as lições derivadas são gerais o suficiente para serem aplicadas a várias situações, elas provavelmente são praticamente inúteis em qualquer situação concreta. Essas abstrações de uma regra geral pouco nos ajudam ao nos depararmos com a complexidade de qualquer problema real.

Os pontos mencionados são certamente problemas reais com as teorias de Kaczynski no quarto capítulo, mas eles não são o maior problema que eu tive com o capítulo. O que eu achei o elemento mais incomodo desse capítulo é o uso constante que Kaczynski faz de uma “crise futura” especulativa como um elemento central de sua práxis revolucionária. O papel messiânico de uma catástrofe para sua revolução antitecnologia se torna cada vez mais óbvio ao longo desse capítulo,chegando ao ponto de se tornar cada vez mais questionável se o programa revolucionário de Kaczynski seria capaz de encarar algo como um “Ataque sem Catástrofe”, para fazer um paralelo ao “Primitivismo sem Catástrofe” de Abe Cabrera. Como o Reação Selvagem expressou anteriormente, enquanto grande parte da reação significativa ao sistema continuar dependendo de uma crise especulativa, “é tudo ao vento”.Minhas rejeições aqui e ali vão de encontro com as críticas eco-extremistas,nesse caso, uma particularmente central: a rejeição dos eco-extremistas de uma revolução como uma forma válida de reação contra o sistema industrial, contra o leviatã da civilização e contra a própria domesticação. Desde os primeiros comunicados do ITS em 2011, eles persistiram com seu foco obstinado no presente como o único ponto sensato para agir e atacar. No primeiro comunicado do ITS seguindo a dissolução voluntária do Reação Selvagem, eles falam o seguinte sobre esse assunto: “Nós não desejamos, não procuramos, não achamos necessário e nem nos interessamos em lutar por uma revolução. Nós desprezamos o termo e acreditamos que esse é um objetivo não existente. Nós atacamos no presente porque ele é tudo que existe”. Ao longo desse ensaio, nós expressamos críticas ao pensamento revolucionário de Kaczynski; muitas dessas análises permanecem relevantes aqui. Nós falamos da impossibilidade em falar honestamente sobre as perspectivas de catástrofes,falamos sobre os problemas com o planejamento revolucionário, etc. Basta dizer que levando em conta essas análises, eu não vejo nenhuma razão para fazer concessões aqui.

Kaczynski e companhia podem sentar e esperar pelo messias do colapso antes de atacar em nome da Natureza Selvagem, mas a marcha da civilização continua a dobrar tudo que é selvagem e natural de acordo com seus desejos e destruir tudo que se recusa a se submeter. O que nos confronta é um presente que demanda que nós ajamos agora. Para encerrar, eu deixo que o ITS expresse em suas próprias palavras esse ataque sem catástrofe:

A natureza selvagem não pode mais esperar. A civilização se expande indiscriminadamente as custas de tudo que é natural. Nós não ficaremos parados de bobeira observando passivamente enquanto o homem moderno rasga a terra em busca de minerais, enterrando-a sob toneladas de concreto ou perfurando montanhas inteiras para construir túneis. Nós estamos em uma guerra contra a civilização e o progresso, e também contra aqueles que a melhoram ou a apoiam com a sua passividade. Qualquer um!” – Individualidades Tendendo ao Selvagem (Its) em seu Sétimo Comunicado

Conclusão

O que falta falar sobre o último livro de Kaczynski então? Eu notei na introdução que dentro do contexto da obra de Kaczynski esse livro ocupa um papel importante como um tratado obstinado e sistemático de seus pensamentos a respeito da ação revolucionária contra o sistema tecnológico. De um ponto de vista puramente acadêmico sobre o autor eu mantenho essa opinião. Eu também notei brevemente a raiz das minhas objeções sob uma perspectiva eco-extremista, e através das análises presentes eu tentei delinear o conteúdo dessas objeções. E é a partir dessa perspectiva que eu acho grande parte do livro simplesmente inaceitável. É dessa perspectiva que eu afirmo a rejeição eco-extremista de ilusões revolucionárias. Eu afirmo o foco dos eco-extremistas no presente como o único foco de ataque. Eu afirmo a honestidade obstinada dos eco-extremistas em face do horrível presente. Eu afirmo a determinação guerreira dos eco-extremistas em lutar mesmo sabendo que essa pode ser uma guerra suicida, além de outros pontos de uma perspectiva eco-extremista. Essas são posições simplesmente irreconciliáveis com a de Kaczynski. Que assim seja. Haverão aqueles sem ouvidos para ouvir. Haverão aqueles que denunciarão essas rejeições como niilistas, pessimistas, derrotistas, etc. Haverão aqueles que trocarão a honestidade pelos confortos de uma ingenuidade revolucionária. Que assim seja. Para eles, tudo que eu tenho a dizer é “Boa Sorte”. Mas para mim e para outros com quem o chamado ressoa, o que Kaczynski tem a oferecer é algo com o que eu não posso concordar. Eu encerro essa conclusão e esse ensaio com uma expressão do espírito dos eco-extremistas do editorial da Regresión #4:

A realidade às vezes nos apresenta um cenário extremamente derrotista e pessimista. Apesar disso, aceitar a realidade é crucial para removermos a venda e aceitarmos as coisas como elas são, mesmo que isso seja difícil. Essa venda, é claro, é a utopia. Muitos criticaram Individualistas Tendendo ao Selvagem, o Reação Selvagem e outros grupos por rejeitar a ideia de um “amanhã melhor”. Eles criticam esses grupos por não esperar um resultado positivo da luta nessa guerra, ou por rejeitar a esperança. Mas as pessoas sempre ouvirão apenas o que eles querem, e não a realidade. O individualista eco-extremista é pessimista e realista ao mesmo tempo. Ele não ouve o falatório do otimista pueril; para ele, o mundo é cheio de duras realidades, e ele deve confrontar essas realidades com força, se defendendo delas com dentes e garras” – Reação Selvagem

[MÉXICO] Terceira Entrevista a Individualistas Tendendo ao Selvagem: A Mentira Sempre Tem Pernas Curtas

Tradução de uma entrevista de ITS concedida no ano passado à revista política “Siempre!”. Contando com esta já seriam três entrevistas realizadas pela a mídia tradicional ao grupo eco-extremista internacional.

A entrevista foi publicada na revista impressa e no site da empresa jornalística mencionada, embora não de forma completa. Maldición Eco-extremista a publicou inteira e sem cortes e Espectro realizou e nos envio a tradução ao português.

É importante mencionar que desde a publicação da entrevista (2017) ITS se expandiu ainda mais pelas Américas e inclusive pela Europa, com o surgimento de grupos na Grécia, Reino Unido e Espanha. A onda de violentos ataques e mortes também não se deteve.

Vale também ressaltar que apoiamos completamente a decisão de ITS de utilizar a mídia tradicional para emitir a sua mensagem anti-humanista de vingança. Porque não há propaganda “boa” nem “má”, existe apenas a propaganda em si!

1. – Desde quando o grupo existe e em quais outros países operam?

Em 2011 “Individualidades tendendo ao selvagem” (Its) começou a operar, levando a cabo ataques contra centros de pesquisa científica, universidades, entre outros, nos municípios do Estado do México, nas delegações da Cidade do México, em Hidalgo, Morelos, Guanajuato, Veracruz e Coahuila.

Cabe destacar aqui que desde o ano de 2011 até então nós passamos por várias fases, por exemplo, em 2014 formamos um grupo chamado “Reação Selvagem” (RS) junto com uma dúzia de grupos que aderiram ao projeto, operando no Estado do México, Cidade do México e Tlaxcala, deixando de lado o nome “Its”. Já em 2015 RS foi dissolvido para que cada grupo continuasse o seu caminho sem estarem necessariamente unidos.

Em 2016 renasce “Individualistas Tendendo ao Selvagem” (ITS), e até agora temos presença na Cidade do México, Estado do México, Coahuila, Chihuahua e Jalisco. Este novo ITS tem como um de seus objetivos a expansão internacional desta tendência, portanto, em fevereiro deste mesmo ano, grupos de ITS surgiram no Chile e Argentina. Em Santiago, capital chilena, um grupo de ITS incendiou uma máquina do tipo “Metrobus” em plena luz do dia e com passageiros ainda dentro, e embora não houveram feridos, o ataque foi o terrorístico sinal da chegada do eco-extremismo ao sul do continente. Neste mesmo mês, mas em Buenos Aires, capital argentina, um grupo de ITS detonou um artefato explosivo nas imediações da Fundação Argentina de Nanotecnologia, realizou várias ameaças a cientistas e abandonou um pacote-bomba em uma estação de ônibus. Em agosto de 2016 o eco-extremismo chegou ao Brasil, um grupo de ITS detonou uma panela de pressão cheia de pólvora negra no estacionamento do centro comercial Conjunto Nacional, em Brasília.

Devemos reconhecer que nestes anos de atividade o Eco-extremismo teve cúmplices, afins de sangue aderidos à tendência do Terrorismo Niilista, defendida e representada pelas Seitas Egoarcas na Itália. Também surgiram vários grupos na Alemanha, França, Finlândia, etc., que embora não se digam eco-extremistas, compartilham o discurso visceral contra a civilização e o progresso humano, melhorando com isso a “bandeira” do individualismo.

Como é possível ver, não somos um grupo novo que saiu do nada, temos um histórico e as autoridades federais sabem disso, só que nunca nos reconheceram de maneira direta porque não lhes convém e, claro, a grande maioria dos meios de comunicação dissemina a verdade “oficial”, embora esta sempre feda.

2. – Qual é o objetivo de vocês para formar um grupo desse tipo e o que realmente estão buscando?

Individualistas Tendendo ao Selvagem é um grupo de pessoas anônimas com conexões internacionais unidas para fins criminosos, ou seja, somos uma Máfia.

ITS é um grupo com vistas à destruição e ao caos na civilização, detestamos e rechaçamos cada aspecto da vida civilizada, artificial e industrializada que é imposta à Natureza Selvagem. ITS é a vingança esquecida que nossos antepassados nos deixaram. Há séculos atrás os antigos reagiram violentamente contra a chegada dos ocidentais, mas também reagiram da mesma forma contra a chegada das civilizações mesoamericanas. Os nativos caçadores-coletores nômades destas terras nunca se renderam e muitos preferiram morrer ao invés de se submeter a modos de vida alheios às suas culturas. Na ITS nós resgatamos essa resistência selvagem, agora nós reagimos violentamente contra qualquer indício de civilização como fizeram os nossos antepassados mais antigos. ITS é apenas a expressão de algo maior, ITS é também a chuva que inunda cidades, é a avalanche que soterra vilas inteiras, são os raios que acertam infraestruturas alheias ao ambiente, é o terremoto que inesperadamente põe tudo abaixo, é o ataque da onça contra a sua presa, é o belo canto do faisão, o vôo do condor, o nado das tartarugas marinhas, as ervas que saem do pavimento rachado das pestilentas cidades. Todos nós temos um assassino primitivo no fundo de nosso ser, e nós o deixamos sair e isso surgiu e não iremos parar, porque o eco-extremismo é apenas uma expressão do Selvagem, ITS é um grupo de indivíduos com um objetivo comum mas, por si só, o Selvagem sempre prevalecerá.

Cabe ressaltar que nós não queremos voltar para as cavernas, não queremos voltar a ser primitivos como o homo sapiens, e qualquer um que diga isso é um idiota e não leu nada do que nós escrevemos. Isso é ITS, e nós realmente não esperamos que muitos entendam isto, poucos o fazem.

3. – Por que utilizar o crime como um meio para resolver conflitos? Por que ir ao extremo de atentar contra a vida das pessoas? Não há outra saída?

Para nós não há saída pacífica a isto, não há ofertas com ninguém, não há acordos nem negociações, o que estamos vivenciando é uma Guerra entre o civilizado e a Natureza Selvagem. Por acaso há outra saída para as milhares de árvores que são cortadas diariamente pelas mãos humanas? Por acaso houve outra saída para os animais selvagens marinhos presos nas redes dos pescadores legais e ilegais? Por acaso houve outra saída para os nossos ancestrais que foram expulsos de seus territórios e massacrados séculos atrás pelos ocidentais que vieram para “nos conquistar”? Por acaso houve outra saída para a Terra devastada pela extração de minérios das grandes indústrias? Por acaso há outra saída a toda esta loucura civilizada? CLARO QUE NÃO. O humano moderno segue crendo que é o umbigo do universo, segue se sentindo deus e dono de tudo ao seu redor, embora a sua existência signifique para o universo uma total insignificância. Nós, ITS, aceitamos que somos parte do ser humano moderno, só que nós nos demos conta de que ainda somos parte da Natureza Selvagem, porque quando vemos um rio contaminado sentimos raiva, quando vemos máquinas perfurando a Terra nos gera tristeza, quando vemos milhares de carros indo e vindo nas fedorentas cidades sentimos ódio, quando vemos o avanço da mancha urbana sepultando ambientes inteiros sentimos repúdio, quando lembramos que os antigos morreram lutando contra os civilizados a única coisa que sentimos é o desejo de reivindicar a sua vingança e continuar com a sua guerra, e o crime é o punho com o qual batemos. Dizem por aí que em um país cheio de ladrões ser um criminoso é motivo de orgulho, por isso tomamos para nós estas palavras.

Deve-se notar que a nossa causa não é nobre, não é de justiceiros se acaso pensaram isso em algum momento, ITS é um grupo politicamente incorreto de criminosos, defensores amorais do Selvagem, assassinos do que é ocidental e não lamentamos dizer isso porque aprendemos com isso, com o Selvagem. Somos indiscriminados como os terremotos e as inundações, somos bestiais como as onças atacando e discretos como as raposas espreitando.

4. – Existe alguma pessoa ou grupo que patrocine vocês ou algum grupo que esteja com vocês?

Dentro do que chamamos de Máfia Eco-extremista existem vários grupos que, certamente, não são parte de ITS e não tem relação conosco, mas que lideram diferentes projetos de propaganda teórica, porém não há patrocínio de ninguém. São vários os grupos que editam as revistas, escrevem textos com bases filosóficas e antropológicas (principalmente), criam blogs, traduzem artigos, estão a par do que acontece, e mantém isso em um constante fluxo de atividade. Por exemplo, os nossos comunicados estão traduzidos ao inglês, italiano, português, tcheco, polaco, alemão, francês, turco, romeno, grego, galês e até mesmo em hebraico. Isso é a prova de que nossas palavras e atos têm se estendido também graças a todos aqueles e aquelas que simpatizam com a nossa tendência, mas, novamente, estes grupos NÃO tem nada a ver com as atividades de ITS.

5. – O que vocês se consideram? São anarquistas? Qual é a filosofia de vocês?

Não, nós não somos anarquistas. O anarquismo é bastante recente em comparação com o que defendemos. Te digo que naquela época do Iluminismo muitas das ideias liberais começaram a florescer na Europa, houve uma em particular que aquelas velhas massas proletárias se apegaram muito (além do Marxismo), especialmente por suas demandas idealistas, foi assim como o anarquismo teve seu auge no século XIX. Naquela época as pessoas sonhavam com um amanhã melhor, devaneavam em trabalhar no hoje para a “revolução” futura, algo que nunca chegou a ser plenamente realizado devido aos “obstáculos” que os estados colocavam no caminho ácrata. E se esta “revolução” por acaso tiver chegado ela se transformou em algo completamente diferente das ideias originais. É engraçado porque os anarquistas quase sempre eram tão estupidamente nobres que até mesmo deixavam o caminho livre para os comunistas, e então eles se apoderavam de suas realizações e se atribuíam de seus trabalhos, assim aconteceu na Ucrânia, Rússia, Cuba, Espanha e até mesmo aqui, em Veracruz, durante o movimento arrendatário, mas estas são outras histórias.

Voltando ao assunto, o anarquismo é uma daquelas ideias nascidas das demandas progressistas de “liberdade, igualdade e fraternidade”, demandas que nós desprezamos completamente, uma vez que a “liberdade” já não existe nesta era, é uma palavra e prática morta, alguns tolos quiseram se apegar a seu cadáver, mas cedo ou tarde acabam fedendo junto aos restos podres da história. A “igualdade” é um mito, tampouco existe, nada é igualitário, e se alguma vez fosse, o mundo seria uma cópia fiel do romance de Orwell ou pior ainda, do de Huxley. A “fraternidade” é uma questão relativa, mas quando os progressistas a invocam quase sempre se referem a uma fraternidade ou solidariedade com o “próximo”, o que é asqueroso. Como você pode ser fraterno com alguém que você não conhece? A solidariedade promiscua é o que o sistema quer que pratiquemos para que ele siga adiante, porque quanto menos problemas sociais existirem tudo irá segundo o planejado. O sistema precisa de menos crimes, menos corrupção, menos discriminação, menos discussões entre diferentes grupos sociais para que a civilização siga de pé, é por isso que a mídia dissemina tanto esse mito da igualdade, da não-violência e contra a divisão, e é por isso que nós repudiamos a igualdade e somos violentos, porque somos desses humanos que resistem em ser ovelhas do rebanho, somos a contrapartida deste sistema, nossos instintos assassinos voltaram dos lugares mais hostis habitados pelos selvagens. Então, com os nossos ataques estamos honrando a memória de Guerra dos antigos, estamos levando o caos e a destruição a uma civilização que declarou guerra não só a nós, mas a toda a Natureza Selvagem. O vírus do humano moderno se estende, eles destroem bosques, contaminam rios, envenenam a Terra, roubam minerais, vagueiam sem rumo, invadem ambientes, modificam sementes, etc. Eles têm visto a devastação que causaram na Terra e buscam por novos planetas para habitá-los no futuro; o sistema tecno-industrial tornou-se extremista, então por que não reagir da mesma maneira contra todo este lixo? ITS faz isso, reagimos na forma de atentados porque isso é uma Guerra, porque embora aceitemos que somos humanos modernos temos dentro de nós a chama da confrontação selvagem.

ITS não se define ideologicamente, nós representamos uma tendência chamada “Eco-extremismo”, que é anti-política, amoral, suicida, indiscriminada e seletivamente terrorista, pessimista, anti-revolucionária, que realça as crenças pagãs ancestrais anti-cristãs, levanta o nome da Natureza Selvagem, ridiculariza até não poder mais a demência dos valores humanistas, rechaça categoricamente o progresso humano, e não tem problemas em cair em supostas “contradições” no discurso, por exemplo, no uso da internet para realizar propagandas. Tudo está justificado, nesta guerra se vale de tudo.

6. – Como operam? Realizam algum tipo de atividade para conscientizar as pessoas sobre cuidados com o meio ambiente ou seus atos são destinados unicamente, como afirmado à imprensa, a aterrorizar, ferir ou assassinar?

A verdade é que não nos interessa “conscientizar” as pessoas, não somos revolucionários nem nos interessa que as pessoas “despertem” de seu sono letárgico. A massa gosta de viver entre seus próprios excrementos e bem, você perguntaria, e porque então publicar comunicados, propagandas e responder a entrevistas se não querem conscientizar os outros? E a resposta é fácil. Sabemos que há individualistas como nós em alguma parte desta bonita Terra, e sabemos que são muito poucos, estes atos são um eco que chegam a eles, que talvez os inspirem a realizar atentados como nós. Os comunicados nós publicamos não para ganhar adeptos ou para chamar a atenção para a contaminação (por exemplo), mas para reivindicar egoisticamente os atos que são nossos, ITS não permitirá que outros se responsabilizem pelo que temos feito ou que as autoridades afirmem que foi a delinquência comum, NÃO, os atos que fazemos são unicamente nossos e escolhemos um acrônimo na União de Egoístas para gerar uma ferida em nossas vítimas, queremos aterrorizar porque isso não responde a nenhuma demanda política, é apenas por seguir o impulso animal-primitivo e impô-lo sobre o civilizado.

7. – Como vocês escolhem as suas vítimas? Vocês tem contato com elas antecipadamente ou simplesmente as escolhem aleatoriamente?

Depende, o especialista em biotecnologia Ernesto Méndez Salinas assassinado em Cuernavaca, nós o seguimos durante semanas, até que metemos uma bala em sua cabeça em 8 de Novembro de 2011, enquanto ele dirigia a sua camionete por uma das vias mais famosas da cidade.

Com o vice-reitor da Tec de Monterrey aconteceu o mesmo, alguém nos disse que ele viajaria de Monterrey a Chihuahua para um assunto de família, e quando ele saía de uma igreja nós o caçamos e o matamos em Fevereiro deste ano, embora devamos dizer que por uma falha na pistola utilizada não pudemos disparar contra a sua esposa, então decidimos apenas tomar a sua bolsa para que ela não chamasse a polícia, mas se não fosse por isso a sua esposa teria tido o mesmo destino que o seu marido. Foi por isso que as autoridades de Chihuahua disseram que havia se tratado de um roubo, mas eles sabem que não foi apenas isso.

Já o casal que matamos no Monte Tlaloc nós os matamos apenas porque se encontravam no caminho. Originalmente íamos pelos madeireiros, os quais nunca apareceram, apenas estes dois transeuntes “amantes da natureza”. Nós não queremos ver humanos nos ambientes ameaçados por eles mesmos, então os madeireiros, campistas, exploradores e assim por diante também estão na lista. O mesmo aconteceu com a mulher assassinada na Cidade Universitária, já dissemos na entrevista com a Rádio Fórmula porque a matamos, não precisamos dizer mais nada a respeito.

O que queremos deixar claro é que nós não temos uma maneira específica de atacar, da mesma forma que podemos colocar uma bomba em um shopping para que fira a todos aqueles e aquelas que estejam perto do artefato, nós podemos também matar a um cientista especializado e podemos atacar por todas as partes, desenvolvendo-nos prazerosamente no ato de atentar, desfrutando do momento e gerando nervosismo, Caos e desestabilização.

8. – Por que agir dentro da UNAM? Há alguma conexão com algum outro grupo, por exemplo, com o que tem ocupado o auditório Che Guevara?

A UNAM é o berço do progresso, a partir dali são concebidas as mentes do futuro, que estão sempre pensando em melhorar o lixo que está deixando a espécie. A UNAM, a Tec de Monterrey, qualquer universidade pública ou privada, qualquer centro educativo, todos tendem à artificialidade, é por isso que merecem pacotes-bomba, incêndios, balas, terror e morte.

E sobre o auditório Che Guevara, queremos deixar bem claro que nós desprezamos esse lugar tanto quanto nós desprezamos o progressismo. Dentro deste okupa se escondem um bando de hippies fedorentos revolucionários que enchem as suas sifilíticas bocas com álcool, inalam e fumam drogas enquanto dizem que são “livres”, enquanto pagam de fodões, sempre se esquivando da ideia de que também são fantoches; este tipo de gente é o pior lixo. São estas pessoas que estão a favor do progresso humano, mas de uma maneira diferente, não se dão conta de que estão iludidos, mas ainda sim se sentem os mais radicais. Há tempos a comunidade universitária tem os “convidado” para que abandonem a CU, os estudantes bunda mole fazem marchas e entre todas as suas razões para expulsá-los dali dizem que é porque dão “má imagem à UNAM”, que “quando passam fedem à maconha”, rá! Sabem o que vemos aí? Primeiramente, vemos a eterna luta entre “moderados” ou “ultras” da greve de 99 (com muitas nuances claras), e segundamente, vemos a hipocrisia feita realidade, de um lado os “okupantes” se fazendo de coitadinhos, e do outro os estudantes julgando a seu próprio reflexo, como se eles fossem abstinentes. Enfim… Nós não tememos a relação com eles nem com nenhum okupa, organização, nem grupo anarquista, marxista, nacionalista ou de qualquer tipo, pois o que defendemos vai contra o que eles acreditam.

9. – Estamos inevitavelmente em um ano eleitoral, e há quase um ano uma mudança no comando presidencial, há alguma conexão entre suas ações e isso?

Repito, nós não temos ideologias políticas, o que defendemos vai além da política, então pensar que o que fazemos tem um fundo político é repetir o mesmo coro conspiracionista de 50 anos atrás.

10. – Há algo a mais que vocês crêem importante destacar na entrevista?

Nada. Apenas acrescentamos que seguiremos com o que fazemos, nada disso acabou, as autoridades e certos meios de comunicação podem até se fazer de desentendidos e dizer que o que fazemos é falso ou que não fomos nós quem fizemos, não nos importamos, há apenas que enfatizar uma coisa, a mentira tem pernas curtas…

-Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Revisitando a Revolução

Texto extraído da Revista Anhangá N° 2. Texto original em The Wild Will Project.

Resumo – Os selvagistas, assim como seus precursores ideológicos, em geral apoiavam a noção de “revolução” como resposta a seus anseios. No entanto, uma série de grupos conhecidos como “eco-extremistas”, que vieram dos mesmos precursores ideológicos que os selvagistas, desafiaram a “abordagem revolucionária” do retorno ao selvagem. Este artigo explica a abordagem revolucionária e por que os eco-extremistas estão certos.

A Velha Visão

Os valores dos eco-radicais e eco-extremistas selvagistas já foram suficientemente elaborados, mas parte da minha intenção ao iniciar este jornal era explorar e esboçar um modus operandi com base nesses valores. Até então, eu (e aqueles com quem trabalho) havíamos nos atido a uma noção aproximada de “revolução”, ou melhor, de reação anti-industrial. O raciocínio era tal como se segue:

Já que desejamos que o mundo entre em colapso para tornar-se um lugar menos administrado ou mais selvagem, nossa preocupação é como alcançar um estado de coisas em que o modo de produção industrial seja tornado cada vez menos eficiente, ou até mesmo, em algumas regiões, um estado em que ele seja destruído para além de qualquer possibilidade de restauração. Mas, é claro, a vida industrial é por demais conveniente. É pouco provável, então, que as pessoas se revoltem contra ela.

No entanto, historicamente tem havido períodos revolucionários em que esse tipo de coisa torna-se possível – épocas em que as pessoas de um lugar específico perdem muitas de suas inibições normais e agem fora dos limites da moralidade convencional. Durante esse período, é muito mais provável que as pessoas ajam contra os seus interesses materiais imediatos, deixando um espaço para que minorias pequenas e organizadas tirem vantagem desse momento de massa e instiguem a ação contra toda estrutura que considerem ilegítima. A Revolução Francesa foi um desses períodos. E o partido bolchevique da Revolução Russa, que explorou metodicamente muitos aspectos inerentes à sociedade de massa, demonstrou como uma minoria pode fazer uso de um momento como esse.

Evidentemente, parte da análise selvagista envolve uma compreensão de que a sociedade (e sua técnica) desenvolvem-se de modo autônomo em relação a qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos; ou seja, as culturas evoluem (ver “Technical Autonomy). Isso significa, entre outras coisas, que os revolucionários não podem planejar sua revolução. A Revolução Francesa, por exemplo, foi resultado de forças imprevisíveis tais como a fome e a industrialização; e a Revolução Russa irrompeu em um momento de intensa pobreza dos russos e de guerra mundial. Esse aspecto do desenvolvimento cultural em geral em que este “arrasta os humanos consigo” também é o motivo pelo qual os revolucionários conseguiram destruir a sociedade-alvo, mas falharam miseravelmente em instituir seus esquemas utópicos racionais. De novo, as culturas evoluem; elas não são planejadas. A única razão pela qual os radicais da época conseguiram tirar vantagem da instabilidade foi porque, de antemão, eles se organizaram e se isolaram, criando uma minoria resoluta não comprometida com a estrutura dominante que buscava derrubar. Por conta disso, os selvagistas e suas influências ideológicas (por exemplo, Kaczynski e os indomitistas) defendiam a criação dessa minoria, que se prepararia para a ação cada vez mais radical em tempos de instabilidade. Essa minoria não teria esperanças de instaurar esquemas racionais, mas se dedicaria totalmente a atacar de modo implacável a sociedade industrial.

Nós, eco-radicais, acreditávamos que essa era a única forma de causar dano máximo ao sistema industrial global. Não é que a revolução fosse uma solução perfeita. De qualquer forma, soluções perfeitas não existem. Mas outras propostas eram ou completamente irrealistas ou não iam longe o bastante, e a reforma é impossível como uma força satisfatória, dadas as demandas de nossos valores. Havia até mesmo uma chance de que a reação seria global em alcance, o que significaria não que toda a indústria entraria em colapso, mas que os esforços revolucionários estariam ocorrendo em muitos lugares ao mesmo tempo, talvez com algumas regiões em que eles seriam mais bem-sucedidos. Essa é uma possibilidade nos dias de hoje porque a infraestrutura industrial unifica o mundo, permitindo que as mensagens se espalhem muito mais rápido do que antes. Essa foi, no fim das contas, a razão pela qual os valores da Revolução Francesa se espalharam tão rápida e completamente; e é o motivo pelo qual os jihadistas podem agora ser vistos atacando por toda parte.

Além disso, em regiões onde houve colapso estatal ou industrial, muitas vezes causado por revoluções, podemos observar ganhos notáveis para a natureza selvagem. Considere-se, por exemplo, a Síria, a Líbia, muitas partes do Afeganistão, e até mesmo lugares ao sul dos EUA, como o México e o Brasil. Onde há um alto grau de instabilidade na sociedade moderna (indústria, democracia, instituições humanistas, etc.), as sociedades são menos vigiadas, a natureza não-humana é menos desenvolvida em um sentido material, a infraestrutura começa a ruir… De fato, as emissões de carbono no Oriente Médio estão diminuindo rapidamente devido à atividade revolucionária que se passa por lá, tal como é de se esperar, já que as emissões desde a Revolução Industrial somente diminuíram globalmente em tempos de declínio ou de colapso (por exemplo, a Grande Depressão, o colapso da União Soviética, a Recessão de 2008 etc.).

Porém, esse raciocínio é falho. Não é que a reação em si mesma seja algo indesejável ou mesmo impossível. Claramente, ela é possível. Por exemplo, os jihadistas, não importa o quão abomináveis sejam, estão de tal modo suficientemente organizados e difundidos que, se algum fator externo incontrolável, como um desastre natural, causasse danos severos às sociedades industriais, eles poderiam tirar vantagem desse momento e provocar um enorme estrago. A rigor, é errôneo basear a própria ecodefesa nessa possibilidade, é errôneo imaginar a reação como uma “solução definitiva” para os problemas do Progresso, e é errôneo legitimar o retorno radical ao selvagem por referência ao período revolucionário. Nossos valores oferecem uma mensagem diferente dessa.

Um grupo com influências ideológicas semelhantes às dos selvagistas, os assim chamados eco-extremistas, tentaram elaborar esse argumento em seus comunicados e escritos. Inicialmente, seus argumentos pareciam juvenis, impacientes, imediatistas. Porém, com o passar do tempo, sua análise tornou-se mais aguçada e, quanto a mim, eles conseguiram me convencer que o lugar da revolução no discurso selvagista deveria ser repensado. Depois de muito debate sobre essa questão, minha posição (e a da maioria das pessoas com quem trabalho) mudou.

A Nova Visão

Em primeiro lugar, consideramos o retorno ao selvagem e a ecodefesa como bons em si mesmos. Não há necessidade de um evento futuro que os legitime. É no presente que a natureza selvagem está sendo dominada e destruída, e é no presente que a defenderemos e a restabeleceremos. A ação radical pode precisar de uma justificativa especial, mas isso pode ser facilmente explicado, e não por recurso ao messias da revolução: se a própria ameaça é radical, por que a defesa, por sua vez, não pode ser radical também? Conforme assinalei em “The Foundations of Wildist Ethics”, é razoável dizer que, à medida que o selvagem torna-se cada vez menos uma qualidade definidora de nosso mundo, tanto mais valioso ele se torna, e tanto mais justificável a defesa radical. “Nenhum recurso a não ser ao presente.”, disse um selvagista; e ele tem razão.

Ademais, a revolução não é nenhum messias. Visto que nenhum humano ou grupo de humanos pode incitá-la – apenas tirar vantagem do momento –, nunca está claro como ela irá terminar. De novo, podemos observar isso em regiões onde a revolução ou o colapso estão ocorrendo. Alguns desses processos foram bastante prejudiciais à natureza selvagem, ou pelo menos não foram ideais, e a situação é tal que um curso de eventos semelhante será comum em situações futuras. Pode ser que a revolução aconteça e ainda haverá trabalho a fazer. Um único evento, portanto, não é o foco. Na verdade, é possível que ele seja tangencial.

Considere-se, por exemplo, outros meios através dos quais o colapso ocorreu. Alguns colapsos aconteceram sem absolutamente nenhuma participação humana, com a própria natureza selvagem batendo tão forte que nenhuma intervenção humana se fez necessária; em outros casos, a única participação humana foi a resistência ao colapso, mas fracos como somos enquanto força motriz da sociedade, ele ocorreu mesmo assim. Em alguns lugares, a revolução apenas levou a mais Progresso, ou a regimes totalitários que, embora menos eficientes do que as democracias, continuam sendo incompatíveis com nossos valores. Em suma, a revolução não é o fim. Pode-se até mesmo argumentar que, muitas vezes, ela é apenas o começo.

Isso envolve um aspecto da análise selvagista que eu já havia notado que parece ser contraditório com a proposta anterior da revolução: nosso fatalismo. Acreditamos que os humanos estão tão sujeitos aos processos e aos rumos da natureza selvagem quanto qualquer outro animal; e como qualquer outro animal, somos levados por ela, não uma força motriz por trás dela, não importa o quão enganosas nossas percepções possam ser. Isso é ilustrado até mesmo pelo materialismo científico moderno e por seu determinismo (seja ele literal ou, dependendo da interpretação que se tenha dos fenômenos quânticos, prático). Escrevi brevemente sobre isso em “The Question of Revolution”, chamando a atenção para o fato de que o colapso não é algo que os selvagistas pensam que possam causar. Em vez disso, se é para acontecer, acontecerá de qualquer forma. O colapso, portanto, é mais uma previsão, e falar de ação ou livre arbítrio é meramente uma “ficção útil” para mentes humanas que nunca conhecem nem são capazes de conhecer o bastante para que tenham certeza de seu destino. Isso, o argumento do naturalismo filosófico, é de fato aquilo em que eu mesmo acredito; os eco-extremistas o mais das vezes falam simplesmente em fatalismo, sem referência a fundamentos filosóficos mais profundos. Nesse mesmo sentido, muitos caçadores-coletores adotavam uma espécie de ponto de vista fatalista em relação à vida, forçados como eram a reconhecer sua pequenez perante as montanhas, os mares e o céu noturno não poluído.

O que dizer, então, da possibilidade de que o colapso talvez nunca ocorra? É aqui que os eco-extremistas conseguiram me convencer. Eles dizem: “Pouco importa.”. Eles têm razão, tal como eu mesmo observei na mesma seção de “The Question of Revolution”. A despeito da possibilidade da revolução, me mantenho firme nos meus valores e agirei de acordo com eles. Estas instituições, esta sociedade, a infraestrutura industrial sobre a qual ela é construída – pode ser que tudo isso continue conosco para sempre, mas isso não significa que eu tenha que respeitá-las. Tampouco acredito que sequer consiga fazê-lo. Estou condenado, fadado, talvez: nada posso fazer a não ser desprezar o controle de minha vida e do mundo selvagem que amo.

Mais uma vez, os eco-extremistas defenderam esse argumento há mais tempo do que eu. Embora os selvagistas sempre tenham argumentado que os valores originam-se da vontade individual – seu niilismo em relação aos valores objetivos tendo também sua fonte no naturalismo filosófico supracitado –, os eco-extremistas foram aqueles que assumiram firmemente sua posição e agiram como indivíduos, não apenas dispensando a revolução como uma força legitimadora, mas também os movimentos de massa. Pode ser que ajude que os outros estejam comigo, mas eu pouco preciso deles para poder viver com integridade, e eu em nada dependo deles para fazê-lo.

Por fim, dado o caráter não planejado dos fenômenos culturais de massa, é arriscado argumentar a favor do messias da revolução. Considere-se meu ensaio “The Question of Revolution”, no qual discuti mais sobre a moralidade relativa à revolução do que sobre estratégia e incitação. Como, questionei, a morte causada pela revolução é compatível com os valores selvagistas? E quanto aos perigos do colapso nuclear? Loucura humana? Ao responder a essas questões, eu normalmente explicava que elas eram irrelevantes, dado que os humanos não causam as revoluções. Nenhum movimento revolucionário, não importa o quão forte, vai ter um botão que, quando acionado, desencadeará o colapso industrial. Assim, eles não seriam responsáveis por tudo o que ocorresse (sob qualquer noção normal de “responsabilidade”). Em vez disso, sendo os humanos criaturas com conhecimento e influência limitados, qualquer instabilidade revolucionária somente contará com o reforço de indivíduos que ajam de acordo com o modo que julgarem apropriado naquele momento, sendo esses indivíduos responsáveis pelas consequências dessas ações específicas, mas incapazes de prever o rumo geral de sua sociedade. No entanto, muitas vezes eu vacilava em minha análise ao tentar uma visão “global” da situação, por exemplo, ao argumentar que a morte causada por uma situação revolucionária não chega nem perto da devastação causada pelas mudanças climáticas, pelas extinções de espécies (que chegam a mais de 1.000 vezes a taxa de extinção natural!), e por outros problemas citados pelos eco-radicais.

E até mesmo nesse caso, eu quase me contradisse ao chamar a atenção para as limitações da razão moral humana, provavelmente de base biológica. Por exemplo, eu mencionei as descobertas de Paul Slovic, um psicólogo social que observou que os humanos geralmente passam por um processo de “entorpecimento psíquico” em relação ao sofrimento à medida que o número de humanos que sofrem fica maior. Em um experimento, ele pediu que os voluntários doassem dinheiro para uma causa que alimentava crianças na África, dizendo a eles que uma criança específica estava precisando de ajuda; mas à medida que os números aumentavam, ou se o sofrimento da criança era colocado no contexto de uma tragédia maior, as doações diminuiriam rapidamente. Isso ocorria até mesmo depois que apenas mais uma criança era mencionada. Foi com esse tipo de limitações em mente que eu brinquei com a ideia de uma moralidade baseada na razão em “Foundations”, argumentando que em uma situação não-natural como essa em que nos encontramos, precisaríamos usar muito mais o lado racional de nossa mente do que o lado intuitivo. Mas nem sequer está claro que isso seja possível, o que torna um experimento como esse altamente perigoso. Além disso, qualquer tipo de raciocínio dependeria de dados acessíveis somente através da infraestrutura científica e industrial moderna ou hipermoderna – algo obviamente incompatível com nossos valores regressivos.

Em vez disso, os eco-extremistas – corretamente – argumentaram que deveríamos ignorar qualquer raciocínio “global” e agir no presente de acordo com nossos valores. Se um radical ataca a infraestrutura industrial, ele o faz porque acredita que a ação seja justificada nesse caso específico; se mata um técnico, terá que viver com a responsabilidade; se tira vantagem de uma manifestação para dar notoriedade aos valores eco-radicais, justificará a ação com sua própria vontade selvagem.

Ressalvas e Esclarecimentos

É claro, nada disso significa descartar uma reação anti-industrial como uma possibilidade, especialmente em regiões pequenas, como países equatoriais que serão afetados pelas mudanças climáticas. Em vez disso, significa que se ela ocorrer, será meramente um evento significativo no decorrer de nossas vidas – ou não. Os eco-extremistas em geral parecem concordar nesse ponto. MictlanTepetli, o propagandista com o qual conversei, disse: “É claro, se a oportunidade surgir e nos depararmos com um setor da cidade destruído pela guerra civil ou por uma catástrofe semelhante, nos dedicaríamos a resselvagizar esse lugar, sem sombra de dúvida.”. Esse é, em geral, o posicionamento das pessoas com quem trabalho. Não faz sentido ficar de braços cruzados. Mas alguns comunicados eco-extremistas dizem que a revolução é absolutamente impossível, e eles têm certeza disso. Isso eu não posso dizer que seja de fato verdade; simplesmente não temos como saber, e é o máximo que se pode dizer a respeito. Basta dizer que pouco importa se a revolução irá ou não ocorrer. Tal como um texto eco-extremista coloca:

“Sim, os eco-extremistas são pessimistas e lamentavelmente nos demos conta de que a destruição da civilização é impossível. A única capaz de causar um dano sério à civilização e, na melhor das hipóteses, acabar com ela, é a própria Natureza Selvagem; então, o que fazer?; cruzar os braços e esperar?; observar como a civilização se expande em todas as direções acabando com os hábitats selvagens, sem fazer nada? Nunca!”

É claro, tal como escrevi anteriormente, os eco-extremistas, mais do que qualquer outra pessoa, seriam capazes de tirar vantagem da instabilidade, seja ela revolucionária ou não. Considere-se os bolcheviques. Lenin manteve o partido altamente isolado do resto da sociedade que eles pretendiam destruir, resistindo à propaganda dominante e exacerbando essa deslealdade através da atividade conspiratória. Ele também promoveu vários projetos congruentes com essa estratégia, como um “jornal com circulação em toda a Rússia”, que ensinava aos revolucionários como se coordenarem ao mesmo tempo em que aprendiam como explorar a tensão ao de fato fazê-lo quando os sindicatos se rebelassem ou entrassem em greve. Não foi esperando que eles tiveram êxito, mas sim somente agindo. Os jihadistas operam de um modo semelhante. É claro, grande parte disso é irrelevante para a filosofia e para os valores eco-radicais, em especial a natureza de massa da estratégia leninista, mas permanece a questão: aprende-se agindo agora, e nada menos do que isso. E, de novo, isso é verdadeiro não apenas em uma situação revolucionária. Desastres naturais, tribos não-contatadas lutando de um modo selvagem contra os civilizados, e muitos outros aspectos em que a natureza contra-ataca fazem parte da luta eco-radical. Tal como os eco-extremistas colocam:

“O eco-extremismo é a resistência armada das tribos amazônicas em guerra contra os madeireiros, as petroleiras, os mineradores; é a flecha lançada contra os helicópteros pelos aborígenes isolados na África, é a continuidade das crenças pagãs que resistem à cristianização total, é a resistência individual por meio das atividades delinquenciais contra a domesticação, é o tornado, o terremoto, a ferocidade dos últimos coiotes, a hostilidade dos elefantes, é a abelha que solta seu ferrão para depois morrer, o eco-extremismo é a violenta defesa da própria Natureza Selvagem, suas reações, suas respostas e manifestações.”

Bibliografia:

Caradonna, J., Borowy, I., Green, T., Victor, P., Cohen, M., Gow, A., . . . Vergragt, P. (2015). http://www.resilience.org/articles/General/2015/05_May/A-Degrowth-Response-to-An-Ecomodernist-Manifesto.pdf. Resilience.org.

Hoffer, E. (2011). The True Believer. HarperCollins.

Jacobi, J. (2016). Relations and the moral circle. Hunter/Gatherer, 1(2).

Jacobi, J. (2016). Technical autonomy. Hunter/Gatherer, 1(3).

Jacobi, J. (2016). The foundations of wildist ethics. Hunter/Gatherer, 1(1).

Jacobi, J. (2016). The question of revolution. Hunter/Gatherer, 1(3).

Kaczynski, T. J. (2010). Technological Slavery: The Collected Writings of Theodore John Kaczynski, a.k.a “The Unabomber”. (D. Skrbina, Ed.) Feral House.

Kaczynski, T. J. (2016). Anti-Tech Revolution: Why and How. Fitch & Madison Publishers.

Peters, G., Marland, G., Quere, C., Boden, T., Canadell, J., & Raupach, M. (2012). Rapid growth in CO2 emissions after the 2008-2009 global financial crisis. Nature Climate Change, 2, 2-4.

Sageman, M. (2004). Understanding Terror Networks. University of Pennsylvania Press.

Selznick, P. (1952). The Organizational Weapon: A Study of Bolshevik Strategy and Tactics. RAND Corporation.

Slovic, P. (2007). “If I look at the mass I will never act”: Psychic numbing and genocide. Judgment and Decision Making, 2(2), 79-95.

Último Reducto. (2009). Con Amigos Como Éstos…: Último Reducto vs. Los Amigos de Ludd.

[PT – PDF] Revista Anhangá N° 2 – Em Guerra Contra a Civilização e o Progresso Humano Desde o Sul

Em destaque

É com tremendo orgulho criminal que apresentamos a segunda edição da Revista Anhangá – Em Guerra Contra a Civilização e o Progresso Humano Desde o Sul, lançada pelo Editorial Ponta de Lança. Desta vez a publicação sai à luz transbordando de valiosos conteúdos sobre a teoria eco-extremista, contendo 150 páginas que se dividem em 47 textos afiados que servem para alimentar as ânsias dos individualistas extremistas e contribuir com a prática terrorística na guerra contra o progresso humano.

Esta edição da Revista é, sem dúvidas, a maior contribuição até então para a teoria eco-extremista de fala lusófana, um aporte que se materializou através de esforços titânicos de cúmplices destas terras e de fora, uma referência ameaçante para aqueles e aquelas que querem materializar o terrorismo em suas mãos e atentar contra a civilização e os humanos que danam e são cúmplices dos ataques à Natureza Selvagem.

A propaganda eco-extremista não se detém tal como a expansão da Máfia ITS e grupos cúmplices.

Que este aporte semeie o Caos e o Terror no seio da civilização!
Adiante com a propaganda e atos eco-extremistas!

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CONTEÚDO

1. “Introdução”, por Editorial Ponta de Lança (pg. 1-3)
2. Tocaia (pg. 4)
3. Nós Juramos Vingar (pg. 5-6)
4. Pacto (pg. 7)
5. Revisitando a Revolução (pg. 8-11)
6. Primitivismo Sem Catástrofe (pg. 12-15)
7. Breves Reflexões de Uma Caminhada de Inverno (pg. 16)
8. Selvagens Politicamente Incorretos (pg. 17-19)
9. “Revolução Antitecnológica: Por Que e Como”, de Theodore Kaczynski: Uma Análise Crítica (pg. 20-26)
10. O Retorno do Guerreiro (pg. 27-35)
11. Apocalipsis Ohlone (pg. 36-38)
12. Um Poema de Guerra (pg. 39)
13. É o Momento de Beijar a Terra Novamente (pg. 40-42)
14. Nota Anônima (pg. 43-44)
15. A Ovelha Negra e o Lobo (pg. 45-46)
16. Autexousious Apanthropinization (pg. 47-49)
17. A Solidão e a Auto-realização (pg. 50-51)
18. Funeral Niilista – A Aniquilação da Vida (pg. 52-55)
19. Duras Palavras: Uma Conversa Eco-extremista (pg. 56-65)
20. Eu e Depois Eu (pg. 66)
21. O Rio Que Canta: Uma Última Palavra ao Relutante (pg. 67)
22. As Lições do Estado Islâmico Antes de Seu Colapso (pg. 68-71)
23. Uma Grande e Terrível Tormenta (pg. 72)
24. A Evolução da Dieta (pg. 73-76)
25. Um Falso Escape (pg. 77-78)
26. Lições Deixadas Pelos Incendiários (pg. 79-81)
27. Notas Sobre o Anarco-primitivismo (pg. 82-83)
28. A Noite do Mundo Infernal (pg. 84-85)
29. Halputta (pg. 86-87)
30. Animismo Apofático (pg. 88 – 90)
31. O Mito do Veganismo (pg. 91 – 93)
32. Os Seris, Os Eco-extremistas e o Nahualismo (pg. 94-95)
33. Reflexões a Respeito da Liberdade (pg. 96-99)
34. Conversações Eco-extremistas: Uma Conversa Com Eco-extremistas Mulheres Desde o Norte do Continente (pg. 100-103)
35. A Guerra de José Vigoa: Um Breve Discurso Sobre o Método Eco-extremista (pg. 104-109)
36. Assassinando a Nosso Civilizado Interno (pg. 110-113)
37. (Roma Infernetto – “Mundo Merda”) – Profanação e Devoração (pg. 114-115)
38. Caçador: Um Resumo de “The Other Slavery”, de Andrés Reséndez (pg. 116-118)
39. Guerra Oculta (pg. 119-123)
40. Bélico: Resumo da Revista Black and Green Review No. 3 (pg. 124-128)
41. Humanos (pg. 129)
42. “Hoka Hey” e “Memento Mori”, a Morte Desde a Perspectiva Pagã (pg. 130-135)
43. Por que te amar? Breves Reflexões Noturnas Sobre o Amor (pg. 136-137)
44. Pensamentos Sobre a Moralidade (pg. 138-139)
45. Ódio Misantrópico (pg. 140)
46. Moralidade (pg. 141-142)
47. Fazendo Peróxido de Acetona (Peroxiacetona, “Mãe de Satã” ou também TATP) (pg. 143-149)

Descarregue em PDF: Link 1Link 2Link 3 (via onion).

EDITORIAL

“Para nós, o Watu (Rio) é uma entidade, não uma bacia hidrográfica igual os brancos falam. Assim como lá na Índia tem o Rio Ganges, que é sagrado e as pessoas entendem isso, nós temos o Watu, que sustentou durante muito tempo a nossa existência e o nosso imaginário. Mas aqui no Brasil, rios podem virar esgoto, porque eles são vistos só como um corpo de água. […] As crianças hoje olham e perguntam para aos pais: “O Rio morreu? O Rio acabou?”. Para uma infância isso é uma marca que não tem como recuperar […] Olhar para a Terra, o Rio e a Floresta como mercadoria é um engano muito grande que vai nos enterrar a todos.”, Krenak Ailton sobre a morte de Watu pelas mãos das mineradoras Samarco e Vale

Pindorama — o regresso da conspiração eco-extremista desde este lado do Sul era já prometido, os tremores de terra que recentemente aterrorizaram os civilizados por aqui foram as reações animistas dos passos dados pelos guerreiros da Máfia ITS, novamente rumo à indiscriminada caçada nas extensões da antiga Terra das Palmeiras. Repousamos por alguns ciclos lunares entocados nas sombras e a escuridão. O motivo é porque parte de nosso Editorial se enfadou de uma investigaçãozinha esdrúxula de nome Érebo. Contrariamente ao que esperavam, não nos foi ameaça e então outra vez cá estamos, orgulhosamente dando vida a este projeto propagandístico iniciado há um ano, a Revista Anhangá – Em Guerra Contra a Civilização e o Progresso Humano Desde o Sul, que agora entra em sua segunda edição.

Devido uma série de acontecimentos o primeiro número desta publicação foi lançado inconcluso, mas agradecemos aos wachos que tomaram a importante decisão de lançá-lo. Longe das condições em que conceberam a versão inaugural do projeto, sai agora o N° 2 desta Revista contando com mais de 100 páginas munidas de escritos que nutrem a teoria e prática do individualista eco-extremista. Esta edição nasce de um tremendo esforço cúmplice de manos e minas afins do Sul e Norte. O período entre a primeira publicação e esta é marcado por uma significativa expansão dos grupos ocultos aderentes a ITS, que além de rugidos e mais acometidas pelo Sul, surgiram e cresceram também nas terras do Velho Continente, aquele onde pisaram os bárbaros, os vikings, que com ferocidade e paganismo implantaram o terror no cerne das civilizações europeias. Os esporos do eco-extremismo foram levados por fortes ventos e cruzaram as grandes águas até caírem nos solos da Grécia, onde caminha agora Seita Iconoclasta e Caçadores Noturnos; Reino Unido, terra maldita de Misanthropos Cacoguen e Espanha, extensões de Criminosos Animistas. Já pelo Sul e Norte o ânimo dos guerreiros não se detém, contamos com proximamente uma dezena de mortes em mais de 50 diversificados ataques; pacotes incendiários e explosivos abandonados indiscriminadamente estraçalhando a carne e impondo o terror; incêndios selvagens contra máquinas, instituições e objetos; explosivos abandonados contra alvos específicos e exitosamente detonados; ataques armados contra seguidores de cristo e montanhistas deixando mortos e crivados de bala; ataques armados contra estruturas de megaempresas; ameaças de bomba, envenenamento e maldições; punhaladas homicidas contra sacerdote e funcionário de universidade; ataques bombistas contra universidades e centros de pesquisa; tiro certeiro em crânio de vice-reitor de instituto tecnológico; assassinato de drogada e tantos outros que por questões estratégicas não foram reivindicados publicamente. Como apontam os meios gringos já somos uma ameaça terrorista internacional crescente no mundo. O que se originou lá pelo ano de 2011 no México se espalha pelos quatro cantos como uma maldita praga e agora tem presença em diversas cidades de vários países em três continentes. A Máfia Eco-extremista é nutrida pelo ódio catastrófico contra o progresso humano que destrói a tudo o que é Selvagem, contra o progresso civilizado que exterminou os nossos antepassados, suas crenças e modo de vida, contra a lógica ocidental de domesticar e manipular o que é silvestre, contra o esquematizado pensamento religioso moderno e o racionalismo ateu que deprecia e destrói o senso animista de sentir, ver e entender o mundo, e sobretudo pela serenidade e Caos que habita dentro de nós, a força antiga que nos empurra a reviver os adormecidos instintos e recordar os nossos antepassados e que um dia fomos parte de tudo isso, do entorno e vida selvagem, antes da chegada dos civilizados.

A alguns de nós nos enfurece saber através de nossos avós e bisavós que há três gerações passadas fomos forçados a abandonar nossas terras ancestrais e submetidos a sobreviver marginalmente no entorno domesticado enquanto as florestas eram cortadas, os montes explodidos e escavados e os rios barrados e drenados; nos dói não poder chamar o que vemos ou comunicarmo-nos através do nosso idioma akwén porque mataram-no por dizerem que falar a nossa própria língua é sinal de demência e atraso, nos entristece saber que nosso entendimento foi completamente entorpecido por costumes e crenças alheios aos que praticamos desde tempos imemoriais e que em seu lugar nos empurraram goela abaixo o cristo. Por tudo isso é nossa guerra, por nós mesmos, pelos Antigos, pelo pouco que resta do entorno selvagem e pela certeza de que os atos daqueles que assassinam os Espíritos da Natureza não quedarão impunes. Landerretche soube muito bem disso após os wachos cúmplices da Horda Mística do Bosque enviarem a seu endereço um pacote explosivo que detonou em suas mãos e que, por sorte [dele], não o matou. O bastardo é um dos cabeças de uma das maiores mineradoras do mundo. Certeza que seu nome segue entonado nos cânticos de guerra dos mafiosos e que cedo ou tarde a vingança outra vez toca a sua porta. Samarco e Vale são outros dois monstros mineradores responsáveis por causar destruições de proporções colossais como a do Rio Doce e tantas outras, por isso a citação do Krenak. Outro motivo para a citação é porque no passado e por aquela mesma região foi onde centenas de nossos bisavós foram forçados a abandonar as suas terras. Os rios, as florestas, os solos, os animais, os montes, tudo era morto ou tomado com a chegada do progresso e dos civilizados e com isso morria também parte de nós. Em vista disso não nos resta mais nada senão a guerra de vida ou morte, somos inadaptáveis a este mundo moderno; não apenas por sensatez, mas sobretudo por instinto e pelo chamado primitivo daqueles que vieram antes que acudimos. Caminhar nas urbes sentindo através do chão a respiração ofegante da Terra sepultada pelo cimento não é algo que deixaremos passar despercebido, por isso regressamos com o segundo número da Revista Anhangá, esperando que o material contido nesta publicação nutra e muna o imaginário e a força de tantos outros individualistas guerreiros e as guerreiras, tal como Regresión, Ajajema, Extinción e Atassa tem feito.

Nesta edição serão encontrados escritos sobre a espiritualidade eco-extremista, potencialidade do individualismo, debates e críticas sobre moralidade e valores civilizados, reflexões sobre humanismo e violência indiscriminada, escritos sobre veganismo e a evolução da dieta, críticas a ideologias esquerdistas e a crença numa revolução, escritos sobre reavivamento de memórias e práticas guerreiras, cosmologia pagã, apontes sobre misantropia e extincionismo, apontes sobre primitivismo, lições tiradas de grupos terroristas, banditistas, de assaltantes e movimentos de libertação, além de vários poemas, canções, textos filosóficos, manifestos pessoais, um manual para a fabricação de Peróxido de Acetona e uma análise crítica desde um olhar eco-extremista da mais recente obra de Theodore Kaczynski.

Como um órgão difusor da Máfia Eco-extremista esperamos que o material contribua não só para aqueles guerreiros e guerreiras que estão de pé e em guerra contra o Sistema Tecno-Industrial, mas também à aqueles e aquelas tendentes à selvageria, aos criminosos, antissociais, egoístas, misantropos, anarquistas caóticos, niilistas terroristas e tantos outros que semeiam no aqui e agora o Caos no interior desta civilização, que atacam seus valores, suas estruturas e instituições e também os seus engenhos tecnológicos.

Com profundo respeito pedimos a Yayá que desde sua gruta nos dê sabedoria em nossos movimentos. Certamente quando os civilizados escutarem o assobio estridente do vento, saibam que desde a tocaia fomos convocados por este furioso espírito para atacar e matar. Por vingança, apenas. Tais como as catástrofes somos uma das respostas da Natureza Selvagem a toda esta artificialidade, porque também somos parte dela e de sua reação. Indiscriminados bravios desprovidos de valores morais, como as tempestades, terremotos, furacões e outras catarses que não elegem classe social, sexo ou cor na hora de suas manifestações homicidas. E para finalizar queremos carinhosamente agradecer aos manos e as minas cúmplices destas terras e de fora, a Nẽn-pém, XXX, Urucun, Xale, aos manos da Revista Ajajema e alguns outros que dispensaram citações, que ademais de contribuírem de algum modo para o seguimento desta revista são também fonte de grande inspiração; alguns geograficamente mais próximos, outros mais distantes, mas todos na mesma guerra contra a civilização e defendendo com garras o mesmo projeto, a Máfia ITS.

Pedimos que os Espíritos da Terra acobertem os passos dos afins de sangue e de guerra e que a terrível fúria de Yayá recaia sobre aqueles que destroem a Natureza Selvagem.

A Tocaia segue até a tua morte ou a minha… GUERRA!

Grupo Editorial Ponta de Lança

Outono de 2018

Contato: pontadelanca[at]pm.me

Carta de Uma Anarquista Decepcionada

Tradução ao português realizada por Anhangá de uma carta enviada a Maldición Eco-extremista. Nela há a reflexão sobre o sentimento de frustração que muitos e muitas anarquistas tem com seus costumes políticos, e como o eco-extremismo é a faca que hoje corta o humanismo destas ideologias do passado.

Pela expansão da vingança do Selvagem!

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Olá, Individualista.

Várias pessoas se impressionam com as maneiras sofisticadas com as quais tu se comunica e transmite os teus pensamentos, sem uma gota de hipocrisia moral.

As letras que tu consegue por no papel –já há quase 5 anos– abriram a minha consciência para o conceito real de liberdade. É por isso que sou profundamente e sinceramente agradecida.

Minha mente, na distância e na proximidade, sabe saborear apenas uma só luta. Uma luta que busca derrotar a civilização, a enorme prisão do gênero humano com todos os seus aspectos já tão manuseados: educação, gênero, tecnologia, prisão e fábricas. Essa tem sido a minha luta por muitas luas. Se ela não for derrotada, o que nunca acontecerá, eu gostaria de daná-la profundamente.

Mas como se pode conceber laços capazes de unir o pensamento-ação anticivilização, com a prisão, a Máfia, os niilistas terroristas, com a realidade das diferenças de gênero? Existe realmente um espaço para que a ação furiosa dos espíritos femininos possam finalmente ser uma realidade?

Individualista, eu li uma vez e outra o que escreveste e, em tuas palavras não apenas percebo uma crítica à FAI, mas também –algo, talvez um pouco– gratidão. Eles se levantaram em seu momento com o ataque indiscriminado e amoral. Eu fui inspirada por estas sensações de cumplicidade, as mesmas que sinto agora com a Máfia.

No meio de toda esta merda, Individualista, sinto que temos algo em comum. Eu vejo que nós crescemos do mesmo substrato.

Quanto se perdeu em palavras inúteis, pensamentos indefinidos e nada concretos!

A querida e mudada FAI. Era algo tão diferente se olharmos o que ela se tornou. Por quê vemos uma ação real? Por que estamos todos tão cheios de vento? Críticas, ideais, moral, grandes palavras e intermináveis discursos. Onde está a exaltante violência que carrega dentro de si o gesto do assalto? Claudia López tantas vezes lembrada por morrer combatendo e tantas mais esquecida em slogans estéreis? Talvez perderam o gosto excitante de se lançar à garganta do inimigo?

O comunicado número 26 me fez pensar e pensar. Um prazer e culpa ao mesmo tempo, ler sobre o ataque à Teleton no México e ao escritório de direitos humanos.

Fiquei impactada ao ver o que fez RS em seus tempos.

Por aqui odiamos tanto a Teleton… Mas nós nunca faríamos algo assim, exceto com aqueles que –pessimamente– colocam advogados as manas e manos na prisão.

Mas nasce em mim a força que faz parir o seguinte: a guerra contra a civilização é total… E o ódio é total!

Sinto que nós, anarquistas decepcionados, estamos diante de um paradoxo… Uma contradição entre o que dizemos e fazemos, entre o que escrevemos e somos… Há pessoas que já começaram a perceber tal coisa e chegou a hora de acabar com tudo isso. É o fim dos tempos daqueles que sabem apenas reclamar e estar em desacordo. É o fim das ovelhas negras e sua mutação para uma matilha de lobos.

Toda vez que converso com ex-afins, eles não sabem, mas cada vez mais um mar de distância nos separa. Sinto que a anarquia morreu e eles sequer se deram conta disso. A anarquia é prisioneira de seus próprios prisioneiros. A triste e grande prisão da ideologia fracassada e moribunda das ovelhas negras do rebanho humanista e civilizado.

É uma exaustão constante ter de conter o ódio e a raiva. Mas ali eles devem permanecer, escondidos da vista de familiares e amigos, ocultos diante da podre sociedade. Já não posso mais com esse ódio… Apenas agir selvagemente e sem alma, sem moldes antropocêntricos e com a vingativa violência. Então assim te quero ver, Individualista, vivendo apenas com o instinto livre e incontrolável, imprevisível e funesto. Ser uma loba sedenta de sangue, mas inteligente e com estratégia. Se eu devo me passar como branca no rebanho, que assim seja porque a Terra saberá, compreenderá que é a melhor forma de vingá-la.

[ES – DOCUMENTÁRIO] La Evolución del Eco-extremismo en México

Presentación:

“La evolución del Eco-extremismo en México” es un esfuerzo audio-visual realizado por “Espíritu Tanu de la Tierra Maldita” y la “Revista Regresión”, en este, se refleja el desarrollo tanto teórico como práctico que han tenido ciertos grupos que han puesto en su mira el progreso de la civilización, la ciencia y la tecnología.

Desde el año 2007 hasta ahora (2016), se ha desatado toda una serie de ataques, los cuales, se han venido perfeccionando tras el pasar del tiempo.

Al principio esos ataques fueron a golpear la industria de la explotación animal, después pasaron a atacar la industria de la destrucción de los ecosistemas; previamente los ataques se fueron afinando, implementando atentados contra personas en específico relacionadas con las ciencias avanzadas, después de este lapso, los grupos que participaron en estas tres etapas se unieron en un grupo denominado “Reacción Salvaje”, para así después de su disolución, estos grupos ya afinados en sus críticas y mejorados en práctica, siguieran la guerra por separado, como hasta ahora se ha mantenido.

Continuar a ler

Ataques Indiscriminados? Mas que diabos passa com eles!!

Texto direto e conciso do editor-chefe da Revista Regresión sobre Debate Amoral, discurso do ataque indiscriminado, indiretas de anarquistas e algumas coisas mais…

“Assim, porque és morno, e não frio nem quente, te vomitarei de Minha boca.” – A.

Tradução realizada por Anhangá.

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Já faz algum tempo que tenho escrito sobre o posicionamento a respeito dos ataques indiscriminados de parte dos grupos eco-extremistas que já se espalharam do Norte da América até o Sul, e que tem causado muito incômodo em setores anarquistas radicais e não é preciso nem dizer nos círculos da esquerda moderna…

O discurso de desconforto destes grupos tem sua origem nos comunicados do projeto iniciado por ITS em 2011, onde se mostravam a favor da violência terrorista contra aqueles que tendem ao progresso tecno-industrial, sem se importar em causar danos a terceiros.

Isso ficou claro após o primeiro atentado do grupo, onde um trabalhador da UPVM não entregou ao alvo o pacote-bomba abandonado no campus, e decidiu o abrir. Suas feridas foram o começo de uma história de ataques que até hoje prevalece.

Desde o começo, ITS, sem dúvida alguma, foi um grupo sui generis, que chegou com força derrubando, com suas críticas, posicionamentos vitimistas, civilizados, progressistas, humanistas, etc., e se embrionando em vários círculos (eco) anarquistas daquela época.

Um pouco de história

No México houve incômodos e vários se escandalizaram pelas palavras e atos do grupo em questão, sendo alguns deles; coletivos, organizações e sujeitos que defendem ideologias tradicionais de esquerda (comunistas ou anarquistas), que são antagônicas ao Estado, às instituições, partidos políticos, etc., e que não compreendiam a emergente tendência do eco-extremismo (e, aparentemente, ainda não entendem).

O que foi toda aquela onda de comunicados e atentados contra cientistas em 2011? Alguns eunucos berravam que ITS era obra de um plano macabro para justificar a repressão contra os movimentos sociais e/ou anarquistas daqueles anos.

De onde veio um grupo tão incorreto na hora de atacar? O que significam essas reivindicações a favor da Natureza Selvagem? Mas o México não era “terra” de Zapatistas, vermelhos e anarquistas cagões que enxiam a boca com discursos autonomistas-populistas? Por acaso são uma nova cisão de algum grupo armado comunista? São realmente ecologistas radicais como dizem ser ou são uma estratégia militar para prender os gritalhões de sempre que clamam por justiça? Por acaso eles são punks fazendo uma piada de mal gosto?

NÃO, ITS é um grupo de individualistas provenientes do eco-anarquismo que se distanciaram de tantas ideias utópicas e irreais, que criticaram e se auto-criticaram, que avançaram entre as sombras e que planificaram o ataque aqui e agora.

ITS rosna ferozmente dizendo que: não há NADA a mudar na sociedade, MUITO MENOS há um “paraíso primitivista” pelo qual lutar, a revolução NÃO existe, NÃO somos anarquistas, comunistas, feministas, punks, nem nenhum outro esteriótipo “radical”, estamos em GUERRA contra a civilização, contra o sistema tecnológico, contra a ciência e contra tudo o que queira domesticar a Natureza Selvagem e queira nos artificializar como humanos agarrados à nossas raízes mais profundas. Não negamos NOSSAS contradições e pouco nos importa sermos vistos como “incoerentes” por aqueles que nos criticam estupidamente dizendo: “se se opõem à tecnologia por que usam internet!”. Frente a essas críticas vagas e sem base alguma nosso escarro cuspido em suas patéticas caras.

Após a primeira fase de ITS em 2011; chegou a segunda marcada após publicar o seu sexto comunicado em janeiro de 2012, no qual comentava várias auto-críticas que fizeram com que ITS se desprendesse quase por completo de sua herança anarquista e sua discursiva “kaczynskiana”.

Sua terceira fase em 2014 com “Reacción Salvaje” foi mais que clara em seu discurso, mantendo sua atitude indiscriminada nos ataques que levaram a cabo seus diferentes grupúsculos. Dos 25 comunicados que emitiram em um ano, 15 foram reivindicações.

ITS não mentia quando escrevia tranquilamente em seus comunicados que não lhe interessava os feridos que deixavam em seus ataques, que eram indiscriminados em seu atuar e isso era verdade.

Em abril de 2011, ITS deixou ferido gravemente um trabalhador da UPVM no Estado do México. Em agosto um pacote-bomba deixava feridos a dois importantes professores da Tec de Monterrey no mesmo estado. Em novembro assassinaram com um tiro na cabeça um renomado pesquisador de biotecnologia em Morelos. Em dezembro um envelope-bomba feriu mais um professor da UPP em Hidalgo. Em 2013, um funcionário dos correios resultava ferido após roubar um pacote-bomba de uma caixa de correios da Cidade do México. Ou seja, no período de 2011-2013, ITS deixou 5 feridos e um morto, sendo 4 em gravidade e 2 não tinham haver com as pessoas-alvos.

Os feridos também se repetiram com RS. Em julho de 2015 um funcionário público membro da Comissão de Direitos Humanos teve queimaduras após abrir um pacote encontrado na garagem de seu edifício-sede no Estado do México. Em 14 de agosto uma secretária do Grupo Cuevas (engenheiros ligados a ICA) foi ferida da mesma forma após abrir um pacote abandonado em seus escritórios no mesmo estado.

Após a morte de RS, os grupos eco-extremistas que o presidiram já contam com seu histórico de feridos após seus ataques. Em outubro de 2015 nove bombas-relógio em nove ônibus da Mexibús foram detonadas, e embora o ataque tenha sido contra o transporte público, não houve mais que um ferido apenas. Na ação havia o risco de mais de uma pessoa sair com severos danos físicos, mas para a “Seita Pagã das Montanhas e Grupos Afins” isso pouco importava.

Em novembro daquele mesmo ano um pacote-bomba aberto dentro do Conselho Nacional Agropecuário na Cidade do México feriu o vice-presidente da Aliança Pró-Transgênicos e também sua secretária e dois civis que se encontravam próximos. O “Círculo Eco-extremista de Terrorismo e Sabotagem” se responsabilizou pelo atendado.

Mais dois grupos provenientes da morte de RS, o “Grupúsculo Indiscriminado” e “Ouroboros Niilista” (agora Ouroboros Silvestre), tentaram detonar seus explosivos sem se importar com terceiros feridos, e, embora aparentemente seus ataques tenham sido frustrados, a intenção segue.

Em janeiro deste ano (2016) ITS voltou a aparecer publicamente com seu primeiro comunicado, e o que parecia mais uma etapa “das de sempre” dentro desta guerra se converteu em surpresa para muitos. Quinze dias depois da publicação de seu primeiro texto, ITS havia realizado seis ataques com explosivos em três diferentes estados do país. Sua capacidade operacional deu muito o que falar. Uma semana depois de seu segundo comunicado reivindicando esses ataques de janeiro e fevereiro, um ônibus Transantiago era reduzido a sucada queimada na capital chilena em plena luz do dia. O nome assinante que se responsabilizava pelo ataque era: “Individualistas Tendendo ao Selvagem-Chile“.

Com este terceiro comunicado do grupo a internacionalização do eco-extremismo indiscriminado era evidente. Uma semana após a queima do ônibus era publicado o quarto comunicado assinado por “Individualistas Tendendo ao Selvagem-Argentina“, onde se responsabilizavam por um artefato explosivo na Fundação de Nanotecnologia e também por várias mensagens de ameaças contra cientistas e contra a imprensa. Também haviam deixado um pacote com pólvora negra e uma mensagem em uma estação de ônibus em Buenos Aires.

Embora ITS em fevereiro tenha atuado em três países diferentes sob suas próprias pautas, totalizando 10 diferentes atos e alguns deles sendo em plena luz do dia, a onda de atentados feriu a apenas dois civis.

Em março o quinto comunicado de ITS-América (México, Chile e Argentina), defendeu e sublinhou o posicionamento que teve desde 2011: NÃO importa se civis sejam feridos, isso é uma GUERRA, o ataque é indiscriminado. ITS NÃO reconhece moralismo no ataque.

Após estas incômodas palavras, houve reações…

“Debates”, notas e indiretas

Após a difusão dos ataques de grupos eco-extremistas no México em diferentes blogs de “contrainformação” anarquista, muitos deles expressaram seu desacordo através de notas no rodapé da página ao publicar estes comunicados. Alguns se limitaram a apenas publicá-los sem qualquer aponte ou opinião e já outros simplesmente não publicam nada referente a nossas posturas, e é compreensível, NEM todos os blogs, revistas e demais projetos de tendência anárquica tem a obrigação de publicar o que os grupos eco-extremistas dizem ou fazem, sempre haverá diferenças, algumas positivas e outras mais negativas. O que quer enfatizar o Grupo Editorial da Revista Regresión (que é parte de ITS-México), é o seguinte:

– NÃO queremos que os demais aceitem nossos “términos e condições”, NÃO tentamos ser agradáveis ou amigáveis com estranhos, ou queremos que certos grupos ou indivíduos “tornem-se” como nós. NÃO nos interessa “converter” a ninguém do eco-anarquismo ao eco-extremismo. Os poucos que decidiram adotar esta postura estão convencidos de que um projeto como este deve ser defendido com unhas e dentes, pensado e planificado para dar golpes mais certeiros.

– Alguns anarcos tem dito que somos uma “Máfia”. Para estes criticões e bocas grandes que andam difamando nosso projeto tanto no México como em outros países onde o eco-extremismo já tem presença, nós vamos tomar isso como um elogio.

Nós somos um tipo especial de crime, delinquentes que se aglomeraram em um grupo para atacar em diferentes lugares tanto no México quanto no Chile, Argentina e outros países. Não pensem duas vezes ao tentar “nos insultar” dizendo que somos terroristas ou uma nova classe de máfia, porque isso não nos insulta e porque nós SOMOS!

– Todos podem expressar sua raiva ao ler nossas linhas, muitos gringos “anarco-zerzianos” às escondidas fizeram isso. Para citar um exemplo, no portal “Anarchist News” os comunicado de ITS foram censurados por sermos consideramos “reacionários”, e não dizemos isso com uma atitude vitimista, dizemos para que os blogs que não estejam de acordo com nosso discurso deixem de se comportar de forma tão pluralista e se realmente lhes causam incômodo nossas incorretas, terroristas e mafiosas palavras, deixe-as de publicar, afinal nos fariam um favor.

– Como decidimos, todos podem expressar sua incompatibilidade com o eco-extremismo indiscriminado que defendemos, isso também fizeram os auto-denominados “Célula Revolucionária Paulino Scarfó” (CRPS) em seu comunicado de fevereiro deste ano, no qual fazem alusões indiretas ao atentado de ITS no Chile. Repetimos, é saudável criticar e expressar desacordos, MAS lançar indiretas NÃO, filhos da mãe! Melhor se tivessem assinado como “Célula Anarco-cristã León Tolstói”. Parece que estes anarquistas não tem memória histórica ou que sofrem de uma amnésia terrível ao mencionar aquele que foi companheiro do TERRORISTA Severino Di Giovanni, o anarquista que fez voar pelos ares o consulado italiano em Buenos Aires, matando a vários fascistas, mas também ferido a civis, aquele que matou a um anarquista que lhe marcava como “fascista”.

Scarfó acompanhou a Di Giovanni na fase mais violenta de sua Guerra Individualista contra alvos móveis e simbólicos, ele foi um INDISCRIMINADO, de fato foi condenado pelos mesmos anarquistas de sua época, pois seus métodos de luta foram considerados “inapropriados”.

É verdade CRPS, os grupos eco-extremistas, ITS e muito menos nós somos revolucionários, também não compartilhamos seu discurso tão repetitivo e chato, só que nós ao contrário de vocês, somos diretos e não andamos com putas insinuações e rodeios imbecis!

Alguns posicionamentos nossos para “Nigra Truo” (NT)

Há alguns dias um integrante do blog “Por la Anarquía” publicou um texto onde é possível ler a sua posição a favor e contra do eco-extremismo. Até agora é a única crítica mais sincera, pois ele não se concentra APENAS em criticar o que defendemos, mas também faz algumas críticas aos ambientes anarquistas.

Embora isso, NT não se salva de nossa resposta à suas críticas, por isso temos que esclarecer o seguinte:

– Aparentemente, NT confundiu a informação que tem de ITS e escreveu que é uma contradição empurrar o Debate Amoral que propuseram os niilistas da Casa Editorial “Nechayevshchina” (Nechayevshchina Ed.) e ao mesmo tempo ter a regra moral de: “A Natureza é o bem, a Civilização é o mal”. A NT recordamos que ITS tem diferentes fases, e embora o grupo defendesse muito esse lema Naturien desde 2011, os ITS de hoje são diferentes, faz anos que ITS não havia empregado essa frase, por isso, caro NT, lamento sarcasticamente dizer-lhe que, sua crítica referente a este ponto cai por seu próprio peso, posto que, ITS já não defende esse lema, pois a Natureza Selvagem está em um plano “extra-moral”.

Ao ler a crítica de NT parece ser que ele tem se confundido com o que nós, os que defendem a tendência do eco-extremismo, entendemos por Ataques Indiscriminados. Um ataque desses não é colocar uma bomba na casa de papelão de um mendigo, não é incendiar uma barraca de um vendedor ambulante, NÃO, quando nos referimos a Ataques Indiscriminados é que vamos colocar uma bomba em algum lugar específico, empresa, universidade, casa particular, automóvel, instituição, etc., onde esteja nosso alvo-humano a ser atacado, sem se importar que o explosivo alcance a civis. Ataque Indiscriminado é incendiar algum lugar simbólico sem se importar que haja “gente inocente”, sempre acertando o Progresso Humano. Ataque Indiscriminado é o que tem feito ITS desde 2011, e que foi abordado no início deste texto, é enviar pacotes-bombas sem se importar que terceiros sejam afetados, sempre tendo como objetivo desestabilizar, aterrorizar e implantar o caos em uma sociedade carente de pensamentos próprios.

– Seguimos festejando os “desastres naturais”, os quais podem ser vistos como atos de vingança ou como reações violentas da Natureza Selvagem (dependendo da auto-cosmovisão individualista que se distancia daquela que defende a cultura civilizada), derivadas da destruição ambiental que por sua vez é provocada por mãos humanas, tanto de gigantescas multinacionais como por seus peões “proletários”.

Conclusão

Uma maneira de finalizar este texto é somente dizendo que os ataques de grupos eco-extremistas irão continuar assim como seu incômodo discurso. Sempre haverá pontos em acordo-desacordo, convites para debates, indiretas, e merda derramada da boca de alguns, mas que se saiba bem o que haverá enquanto sigamos existindo, é uma resposta de nós, os terroristas, os incorretos, os que não se calam do que pensam ,os que aclaram antes de mais nada, os da Máfia Eco-extremista!!

Com a fúria desconhecida da Natureza Selvagem!

Com Chahta-Ima, Nechayevshchina e Maldición Eco-extremista!

Com ITS-México, Chile e Argentina!

Adiante com a Guerra!

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Xale: Editor-chefe da Revista Regresión

México, inverno de 2016